terça-feira, 14 de setembro de 2021

BRASIL E ROMÊNIA: PONTES CULTURAIS


Por Francisco José dos Santos Braga


Resenha do livro de mesmo título desta matéria, da autoria do Prof. Dr. Ático Vilas-Boas da Mota, com foco em Curso de Letras em geral e na disciplina Filologia Românica em particular, dedicada a JOSÉ CARLOS GENTILI, escritor, pioneiro de Brasília, membro da Academia de Ciências de Lisboa e Presidente Perpétuo da Academia de Letras de Brasília. 

 

 
Acadêmico Ático Vilas-Boas da Mota (ex-ocupante da Cadeira VII da Academia de Letras de Brasília) - Crédito: livro "Academia de Letras de Brasília - 30 anos de fundação (1982-2012)" (pp. 38-41) ¹

 

I. INTRODUÇÃO 

 

A Academia de Letras de Brasília (ALB), então presidida pelo Acadêmico José Carlos Gentili, me convidou para as comemorações do 30º aniversário da fundação da entidade. Foi com muita honra que representei, em companhia de minha amada esposa Rute Pardini, a Casa da Cultura são-joanense nas solenidades na Capital Federal, comparecendo às comemorações no dia 19 e 20 de março de 2012 no Parlamundi, sede da LBV. 
Resumidamente, o evento transcorreu dentro da maior harmonia e solenidade, conforme descrição abaixo: 
No dia 19/3 (dia de São José), às 19h: recepção solene pelos Dragões da Independência-DF e sua Banda Musical que tocou o Hino Nacional, cerimônia de abertura (com discurso do presidente José Carlos Gentili), outorga de medalha comemorativa a personalidades de destaque, lançamento de Livro Comemorativo da ALB e obliteração do selo comemorativo pela ECT. 
Presença marcante na cerimônia de abertura: embaixadores dos Países de Língua Portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau e Timor-Leste), entre outros. 
No dia 20/3, às 9h: ao compor a Mesa, fui convidado pelo presidente José Carlos Gentili a ocupar uma das cadeiras, tendo em vista a histórica cidade de São João del-Rei gozar de excelente e merecida reputação de terra de elevada cultura e terra natal dos heróis Tiradentes e Tancredo Neves; apresentação do Coral Alegria; execução do Hino Nacional por excelente saxofonista; conferência do pioneiro de Brasília, saudoso Dr. Murilo Melo Filho (membro da Academia Brasileira de Letras, ocupante da Cadeira 20), intitulada “JK e a construção de Brasília”; outorga de medalha comemorativa aos acadêmicos da ALB e a outras personalidades do mundo literário e cultural e homenagens "in memoriam", cerimônias estas seguidas de banquete de confraternização. Cabe registrar as seguintes presenças marcantes naquele 2º dia: Acadêmicos Áureo Melo e Lindberg Cury, entre outros. Braga estreitou contatos com os Acadêmicos Ático Vilas Boas (de Macaúbas-BA), Dep. Ubiratan Aguiar, Gustavo Dourado (pseudônimo Armagedom), Tarcízio Dinoá Medeiros, Adirson Vasconcellos, bem como com a Diretoria da ALB (Presidente José Carlos Gentili, Vice-Presidente Romildo Teixeira de Azevedo, Secretário Tarcízio Dinoá Medeiros e Tesoureiro Amador de Arimathéa). ²
 
Foi neste ambiente festivo que tive o prazer de fazer amistoso contato com Ático Vilas-Boas da Mota (✰ Livramento do Brumado (BA), 1928- ✞ Macaúbas (BA), 2016). Tendo comparecido à lauta refeição na hora aprazada, tive a grata satisfação de partilhar da mesa do ilustre Acadêmico vindo de Macaúbas-BA. Apresentamo-nos e, quando ele me indagou sobre a minha procedência, informei-lhe que viera de São João del-Rei. Ele foi logo perguntando:
Você já ouviu falar da atuação do Dr. Ribeiro da Silva em São João del-Rei, um intelectual goiano nascido na Cidade de Goiás?
Informei-lhe que tomara conhecimento de ter sido importante incentivador das atividades teatrais, ter chegado a presidente do Clube Teatral Artur Azevedo (1918), e ter dado seu nome a uma das ruas são-joanenses.
Essa informação o impressionou vivamente e ele me indagou se já tinha pesquisado, nos periódicos da cidade mineira, a obra do goiano Dr. Ribeiro da Silva, literato e médico que tinha residido ali por 15 anos. Diante daquela pergunta constrangedora para mim, respondi-lhe que não.
Resumindo, fiquei sabendo que Dr. Ático era um especialista no médico e intelectual goiano, autor do prefácio da reedição de "O Apóstata", de Sérgio Guido (pseudônimo adotado por Dr. Ribeiro da Silva). Fui ainda informado que a primeira edição da obra fora incinerada pelo próprio autor, a pedido de um bispo.
Incontinênti, convidei-o para ser colaborador do Blog de São João del-Rei, pedindo-lhe que me autorizasse a publicar o seu prefácio. Para tanto, aguardei a chegada de um exemplar do livro recém-lançado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, na pessoa de seu então presidente e escritor Aidenor Aires com o prefácio assinado pelo referido Acadêmico.
Tão logo me chegou às mãos, publiquei o "Prefácio do Acadêmico Dr. Ático Vilas Boas à recente reedição de  O  APÓSTATA, da autoria de Sérgio Guido (pseudônimo do Dr. RIBEIRO DA SILVA)". ³
 
Oito anos depois. 
Na semana passada, em visita a um sebo em São Paulo, localizei a alentada obra do Prof. Ático Vilas-Boas da Mota, com 1.094 páginas, intitulada "Brasil e Romênia: Pontes Culturais" (2010). Folheando o livro com o mesmo título desta minha matéria, de imediato tive meu interesse atraído pela análise da história do Curso de Letras no Brasil, que integrava a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da sua evolução temporal e da crítica construtiva que ele apresenta para seu aperfeiçoamento, segundo seu profundo conhecimento do assunto. Como interessado nas mudanças que propõe para esse fim, coloca a serviço de sua tese toda a sua experiência de vida que não é pequena para sedimentar seus argumentos e em oposição à onda avassaladora globalista que se abateu desde os primórdios com o Decreto-Lei nº 1.190, de 04/04/1939, mas principalmente com o advento da reforma universitária de 1969 (com a criação do Curso de Letras Modernas) e, mais recentemente, com a Lei nº 9.394, de 20/12/1996 (Lei de Diretrizes e Bases), que extinguiu a obrigatoriedade de currículos mínimos e, em seu lugar, surgiram as diretrizes curriculares, flexibilizando o conceito de um curso de Letras, em que o currículo deixa de ter como foco as disciplinas e passa a ser entendido como “todo e qualquer conjunto de atividades acadêmicas que integralizam um curso”. Partindo da premissa de autonomia do discente na montagem de sua trajetória acadêmica, essa reforma mais recente dividiu a formação em três ciclos em muitos Cursos de Letras: 
(1) Introdutório; 
(2) Estudos Linguísticos e Literários e 
(3) Estágios e Práticas Curriculares. 
A carga horária foi modificada e as disciplinas foram agrupadas em Unidades Programáticas com diferentes denominações.
 
 



 
Transcorria o ano de 1952. 
Ático Vilas-Boas da Mota, baiano, licenciado em Curso de Letras Neolatinas da Faculdade de Filosofia da Universidade da Bahia, sentia-se incomodado com o teor do Decreto Lei 1.190, de 04/04/1939, cujos efeitos permaneceriam válidos até 1962, o qual estabelecia que a seção de Letras (integrante da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras) compreendia três cursos ordinários, segundo seu art. 6º :  
Curso de Letras Clássicas, 
Curso de Letras Neolatinas e 
Curso de Letras Anglo-germânicas (inglês/alemão). 
Assim, o curso de Letras-Licenciatura foi criado em 1942 e teve autorizado seu funcionamento em 1943 com três terminalidades distintas: Curso de Letras Clássicas, Curso de Letras Neolatinas e Curso de Letras Anglo-Germânicas, tendo sido reconhecido pelo Decreto n° 17.400, de 19 de dezembro de 1944. Na primeira fase, o profissional de Letras era diplomado em Latim e Português em todos os três cursos e mais Grego no Curso de Letras Clássicas; Espanhol, Francês e Italiano no Curso de Letras Neolatinas; Inglês e Alemão no Curso de Letras Anglo-Germânicas.
 
Tendo em vista que as línguas românicas, também conhecidas como línguas neolatinas, são idiomas que integram o vasto conjunto das línguas indo-europeias que se originaram da evolução do latim, principalmente do latim vulgar, falado pelas classes mais populares, Ático não entendia a razão por que o DL 1.190, de 04/04/1939, tinha restringido a ampla gama de línguas neolatinas a apenas três idiomas: o espanhol (ou castelhano), o francês e o italiano. 
 
O latinista Mario Pei, estudando as línguas oriundas do latim vulgar, chegou a conclusões interessantes a respeito do grau de evolução das línguas românicas em relação à fonética do latim. De acordo com seus estudos, quanto maior a porcentagem, mais distante do latim se encontra foneticamente a língua neolatina estudada: 
Sardo: 8% 
Italiano: 12% 
Castelhano: 20% 
Romeno: 23,5% 
Catalão: 24% 
Occitano: 25% 
Português: 31% 
Francês: 44% 
Como resultado desses estudos, esse especialista entendia possível afirmar que o português e o francês possuem a fonética mais distante do latim. Explica esse fato com a possibilidade da existência de forte substrato céltico nessas línguas. 
 
Uma curiosidade a respeito dos falantes de alguma língua românica é que há 1,2 bilhões de pessoas que falam alguma língua românica no mundo, o que faz esse ramo ter o maior número de falantes da família indo-europeia, à frente do ramo germânico, que possui mais de 730 milhões de falantes. 
 

II. DISSERTAÇÃO COM EXCERTOS DO LIVRO "BRASIL E ROMÊNIA: PONTES CULTURAIS" 

 

Conforme eu dizia acima, Ático se sentia incomodado com o teor do DL 1.190 e desejava ver inserido no rol de línguas românicas ou neolatinas o idioma romeno. Não entendia por que o DL se restringira ao subgrupo de línguas românicas ocidentais (o francês, o espanhol e o italiano) e isolara as do subgrupo de línguas românicas orientais (isto é, o caso do romeno). 
 
Diante de todas essas evidências, [MOTA, 2010, 86-95] viu-se obrigado a fazer uma enquete junto aos professores de Filologia Românica de todo o País. Vejamos como se deu essa iniciativa em suas próprias palavras: 
Quando nós éramos aluno do Curso de Letras Neolatinas da Faculdade de Filosofia da Universidade da Bahia, atual Universidade de Filosofia da Universidade da Bahia, já um ardoroso defensor da causa romena entre nós, apresentamos aos participantes do II Congresso Nacional de Estudantes de Filosofia e Letras, realizado em Salvador, Bahia, em julho-agosto de 1952, um projeto para que se incluísse a Cadeira de Língua e Literatura Romenas em nossos Cursos de letras. O relator foi o saudoso universitário Hermano Gouveia. 
Pouco tempo depois, já licenciado em Letras, realizamos um inquérito por correspondência junto às diversas cadeiras de Filologia Românica do País. O texto do questionário era precedido de uma carta circular vazada nos seguintes termos: 
Senhor professor, 
Com este inquérito pretendemos reunir opiniões e pareceres de conceituados romanistas e dedicados professores de Filologia Românica, em nosso país, a fim de que, apoiados em dados e opiniões científicos, possamos lançar um movimento didático-cultural junto às autoridades educacionais brasileiras, visando a criação da cadeira de Língua e Literatura Romenas nos Cursos de Letras Neolatinas de nossas Faculdades de Filosofia e Letras. 
Antes de ouvirmos e acatarmos a honrosa opinião de V. Sª, cumpre-nos informar-lhe que, à primeira vista, este movimento pareceria coisa novíssima entre nós. No entanto, suas sementes foram lançadas em 1952. Façamos um retrospecto: quando estudante, apresentamos, por ocasião do II Congresso Nacional de Estudantes de Filosofia e Letras (Salvador/Bahia, julho-agosto de 1952) um projeto para a criação da referida disciplina, o qual, para nosso gáudio, foi aprovado por unanimidade. 
Cumpre-nos informar-lhe ainda que a Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (Rio de Janeiro), pioneira no desenvolvimento dos estudos desinteressados em nosso meio, acolheu com simpatia a idéia e criou um Curso Extraordinário de Língua e Civilização Romenas, que vem funcionando, ininterruptamente, até a presente data, alcançando na atual administração do prof. Eremildo Viana, o impulso dinâmico que o mesmo tem sabido dar a todos os movimentos culturais de aperfeiçoamento do nível universitário. 
Atenciosamente, 
Lic. Ático Vilas-Boas da Mota 
O questionário que acompanhava a circular acima transcrita era constituído de 9 (nove) perguntas de forma abrangente. A pergunta inicial era a seguinte: 
Como explica V. Sª o fato de o romeno, língua neo-latina por excelência, não se achar incluído num curso que se intitula: Curso de Letras Neolatinas? 
Recebemos, logo depois, uma porção de respostas, todas elas entusiastas e, até mesmo, superotimistas. Era o resultado do bom senso e da coerência. O inquérito lançara a sementinha de um futuro movimento em favor da comunhão cultural entre os povos neolatinos da qual nem sempre participava a longínqua e promissora Romênia. Mas o diabo da técnica de dominação imperialista tem olho grande e amplo alcance, bem como uma boca escancarada. Ajudada pela Guerra Fria e preocupada com a ampliação e fortificação de suas garras, lançou o seu veneno sobre o nosso trabalho que logo recrudesceu. Tinha-se a impressão de que a universidade brasileira andava mais preocupada com o seu dia imediatista e em ceder espaço, cada vez mais, aos nossos adversários de fora. E, assim, enquanto a nossa Universidade em termos gerais era desmontada, malgrado as frases estereotipadas e os “slogans” ingenuamente otimistas. Vale ainda ressaltar que alguns setores parecem ter ficado um pouco à margem desta conspiração contra a neolatinidade, por exemplo a Universidade de São Paulo (USP), entidade que teve, desde os seus primórdios, os bafejos humanistas da Universidade de Louvain (Bélgica) e, posteriormente, se deixou influenciar para o seu próprio bem e proveito pelo ideário da Missão Docente Francesa, cujas marcas até hoje podem ser detectadas e analisadas por especialistas em história da instrução brasileira. Em S. Paulo, por muito tempo, e de forma eficiente, atuaram duas personalidades exponenciais no setor da romanística: o Prof. Dr. Theodoro Henrique Maurer e seu assistente, o romanista Nicolau Salum, dedicados — como já vimos — ocupantes da Cadeira de Filologia Românica da Universidade de São Paulo. Durante todo o período que viveram, na qualidade de professores universitários e pesquisadores, prestigiaram o estudo do romeno em suas respectivas aulas. Ao longo do tempo, conseguiram formar um grupo de alunos interessados nas pesquisas comparatistas e contrastivas conforme se pode observar em outro capítulo especialmente dedicado ao estudo do romeno na USP. 
O primeiro Curso Extraordinário de Língua e Civilização Romenas funcionou, como já apreciamos, na antiga Faculdade de Filosofia (Universidade do Brasil), avenida Presidente Antônio Carlos, no velho prédio da Casa de Itália (RJ). 
Tratava-se de um curso livre, ou seja, optativo. No começo foram muitos inscritos, porém na medida em que as dificuldades iam surgindo, grande parte dos matriculados debandava. As aulas estiveram a cargo do Prof. I. G. Dimitriu (Língua romena), refugiado romeno residente em Niterói (Estado do Rio de Janeiro), bibliotecário da Fundação Getúlio Vargas. (...) 
O primeiro Curso Extraordinário de Língua e Civilização Romenas encerrou com pouquíssimos alunos, sendo nós escolhido orador da turma, numa sessão memorável no Salão Nobre da Faculdade Nacional de Filosofia, cerimônia presidida pelo então reitor Pedro Calmon. O nosso discurso foi bilíngue, isto é, uma metade em português e a outra em romeno, o que provocou muitos aplausos do auditório composto de brasileiros e romenos. 
Prof. Ático Vilas-Boas da Mota discursa em nome da 1ª turma do Curso de Língua e Civilização Romenas. Vêem-se, à mesa, da esq. p/ dir.: acadêmico Rodrigo Otávio Filho, Profª Ângela Comnène, Prof. Farias Sobrinho (representando a diretoria da Faculdade de Filosofia-RJ) e Aluísio de Castro, membro da Academia Brasileira de Letras. De costas, vêem-se representantes da colônia romena do Rio de Janeiro. (Fonte: livro "Brasil e Romênia: Pontes Culturais", p. 95)
A conclusão desse curso ampliou bastante o nosso compromisso de continuar estudando a língua romena e de prosseguir os nossos trabalhos na seara da neolatinidade tão necessitada de obreiros desinteressados. 
O referido curso funcionou de 1955 a 1957, justamente na gestão do Prof. Eremildo Viana (cf. Boletim informativo da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, Rio de Janeiro 1957: 1955 (p. 19), 1956 (p. 9) e 1957 (p. 14).
Convém explicitar que a Filologia Românica é a ciência responsável pelo estudo das transformações sofridas pelo idioma Latim nas línguas românicas (português, castelhano, francês, italiano, romeno, catalão, entre outras). A Filologia caracteriza-se por ser um estudo preponderantemente histórico, enfocando o texto escrito, embora já se vislumbre a aplicação de seus procedimentos em textos orais (Blanche-Benveniste, 1997, p. 129). Essa ciência antiga focaliza a cultura de um povo que se expressa através de sua língua, em suas diferentes produções textuais. Temos, então, na essência da Filologia, uma tríade – a cultura, a língua e o texto – que justifica a sua importância no plano das Ciências Sociais. A Filologia Românica, com o advento do método histórico-comparativo, muito se firmou como ciência que analisa a trajetória da língua latina em diferentes regiões dominadas pelo poder de Roma. Os métodos dos estudos filológicos em geral se aplicaram aos estudos da Filologia Românica em particular e esta, sobretudo a partir do século XIX, foi definindo seu problema, construindo suas teorias e cristalizando seu campo de ação, a partir dos trabalhos de Friedrich Diez.
 
[MOTA, 2010, 84-6] parecia estar convicto de que a criação do Curso de Letras Neolatinas não era para valer. Como outras modas brasileiras, parece que o intento do legislador tinha sido "para inglês ver": 
O Brasil, nas décadas de 1940-1950, vivia a euforia da busca de sua identidade cultural através da implantação dos chamados Cursos de Letras Neolatinas, que floresciam em todo o território nacional, ministrados nas Faculdades de Filosofia e Letras, os quais sorrateira e lentamente foram minados em suas bases. Em vez de promover a melhoria dos métodos de ensino dos idiomas estrangeiros, em nome de uma falsa modernização, tivemos os diversos cursos desmontados, a começar pela própria terminologia curricular: o sintagma Curso de Letras Neolatinas parecia incomodar os responsáveis pelos obscuros esquemas que pretendiam ver o Brasil cada vez mais engajado nos planos anglo-saxônicos. Com outras palavras: O Brasil não deveria valorizar as suas raízes históricas, a começar pelo valor supremo e definidor que é a própria língua. Acabavam com o mencionado sintagma de base latina, à medida em que a ênfase era dada aos chamados Cursos de Letras Modernas, através dos quais se liam claramente as segundas intenções castradoras. Começava a agonizar também a Cadeira de Filologia Românica em favor de uma chamada Linguística Sincrônica com predominância dos enfoques estruturalistas. Os responsáveis pelas nossas apelidadas grades curriculares, míopes ou simplesmente inocentes úteis, deixaram-se levar pelo canto de sereia extra-universitário e não percebiam — ou fingiam não perceber — a estratégia do peixe grande pronto para engolir o pequeno e, assim, pouco a pouco, foram cedendo, cedendo, até o infinito. O romeno, o catalão e o provençal que ao longo do tempo poderiam ser introduzidos no Curso de Letras Neolatinas de algumas universidades das principais capitais do País, pelo menos no Rio e São Paulo, foram relegados ao limbo do esquecimento. E ainda há quem duvide dos tentáculos do imperialismo, multiforme, insidioso, onipresente e avassalador. Hoje encontra-se travestido sob a forma da globalização. Para os que nisso não acreditam, recomendo-lhes a assertiva cervantina: “Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay...” O Brasil continua sendo um país de cultura surgente, um espaço disponível a muitas investidas e elucubrações externas e, nesta lamentável condição de um rio em busca do seu próprio leito, tão cedo — acreditamos — não vai encontrar o rumo de SER e de se tornar autenticamente dono de seu destino, porque, para conseguir este objetivo superior — contrariando as premissas dos mais otimistas — ele teria que fortalecer a sua própria cultura a partir de dentro e formar alianças externas seletivas e duradouras numa interação cultural sobretudo com todos aqueles outros países que, com ele, formam a neolatinidade. Não se trata de uma expressão retórica, mas, o que se pretende exprimir é que haja o conhecimento mútuo profundo, vertical e horizontal de nossos valores históricos, tendo como escopo maior a assimilação da axiologia comum e capaz de fortalecer a nossa consciência étnica e ética, para que possamos, a partir do auto-conhecimento de nós mesmos como povo e nação exercitar a sonhada prática da fidelidade cultural, cujo objetivo supremo é conhecer a nós mesmos, com nossas virtudes e nossos defeitos, tudo contribuindo para tornarmo-nos inconfundíveis e, por isto mesmo, culturalmente mais fiéis, mais resistentes. 
O Brasil só tem a ganhar nesse trabalho de reconhecer-se na Romênia e esta, por sua vez só tem a ganhar ao ver-se espelhada na face do Brasil. Os nossos interesses harmonizam-se e, num trabalho de interação-inteligente e constante, eles se completam de uma maneira surpreendente. Qualquer tentativa para manter os nossos países distantes um do outro será uma tarefa vã, apesar do império dos interesses escusos e suas terríveis maquinações. (...)
O Prof. Mota deixa transparecer seu pessimismo em relação ao que se convencionou chamar de evolução, na medida em que a legislação brasileira retirava o Latim dos currículos do ensino fundamental, do que resultou o ensino de Latim nos cursos superiores de Letras empobrecido e reduzido, pouco a pouco, com tendência, lamentavelmente, à extinção total. Mesmo no curso superior de Letras, também se deve salientar a necessidade de o estudante ter cursado com aproveitamento os módulos 1 e 2 de Fundamentos da Língua Latina, antes de fazer os estudos de Filologia Românica, para que possa perceber que muitos assuntos se entrelaçam. 
Segundo Sílvio Elia (1979, p. 2-4), existe uma forte relação entre a filologia e a linguística, relação da parte para o todo, no sentido de que a linguística é mais abrangente enquanto representa o estudo das línguas em todos os seus aspectos, inclusive o filológico. Historicamente, porém, a filologia precede à linguística, mas esta acabou assumindo um aspecto mais generalizado em que se incluem todas as abordagens possíveis no terreno das línguas e, neste âmbito, situa-se, modestamente, a filologia. 
Por força dessas considerações, a expressão Linguística Românica também tem sido uma designação alternativa para a disciplina aqui estudada. Assim sendo, muitas universidades já têm vivenciado situações em que se questiona a finalidade dos conteúdos ministrados nas disciplinas de caráter filológico e já se constata uma reformulação dos cursos de Letras, para atender as Diretrizes Curriculares Nacionais. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (1998), é salientada a necessidade de respeitarem-se as variedades do português, que se expressam na fala dos diferentes estudantes. Da mesma forma, é ressaltada a importância de o discente do ensino fundamental entender “que todas as variedades linguísticas são legítimas e próprias da história e da cultura humana” (PCN, 1998, p. 83). Ora, nos cursos de Graduação em Letras, essa reflexão é feita constantemente, desde as primeiras aulas das disciplinas do eixo linguístico. 
No entanto, na minha opinião, uma visão histórica que contemple o jogo dialético das variantes e das mudanças linguísticas é dada em disciplinas como a Filologia Românica, na qual se enfocam as conexões entre a sócio-história e a língua de um povo. Não é sem razão que a linguística — e por extensão, a filologia — recebe o nome de nobilis ancilla, serva nobre, ou seja, uma proveitosíssima ciência auxiliar da História.
 
Assim se expressou [MOTA, 2010, 49-50] na seção 1.1 A língua romena no Brasil: Generalidades do primeiro capítulo do livro, nomeado pelo autor "Ponte da linguagem e das ciências sociais":
Apesar da distância geográfica e da concorrência dos países hegemônicos, que praticamente ocupam o maior espaço nas cogitações de estudiosos e pesquisadores universitários ou extra-universitários, os valores romenos afloram, aqui e acolá, graças à curiosidade ou à formação acentuadamente universalista de determinados cientistas. Quando se trata de filologia e linguística já tivemos uma época de maior inquietação em torno do legado cultural neolatino. Atualmente com a predominância do espírito anglo-saxônico presidindo, de forma capilar todas as atividades acadêmicas e universitárias, o espaço destinado, sobretudo à Romênia, encolheu-se. Quando em nossas universidades funcionavam os Cursos de Letras com a denominação de Cursos de Letras Neolatinas, tendo como carro-chefe a cadeira de Filologia Românica, a presença cultural romena, embora esporádica, nunca foi descartada. Como já registramos em outra parte, o ensino secundário e universitário brasileiros passaram por uma terrível ingerência estrangeira e as nossas raízes românicas foram colocadas em terceiro plano. Para comprová-lo, bastaríamos citar a retirada do Latim da rede do ensino secundário (Cursos ginasial e colegial). A fim de recordarmos uma das poucas oportunidades em que a língua romena era citada em alguns estudos brasileiros, citaremos como bom exemplo o estudioso A. Tenório d’ Albuquerque em sua interessante obra, A evolução das palavras, a transformação semântica das palavras e morfologia dos vocábulos nas línguas românicas. (1942). Nessa obra o autor reservou um subcapítulo intitulado “Rumeno” (pp. 131-136), no qual analisa várias palavras romenas apoiado em Meyer – Lübke, Américo Castro, Meillet e, sobretudo, E. Bourciez. Além deste subcapítulo, em várias partes do livro há remissões aos seguintes termos romenos: Albă, ajun, apă, azi, bursă, bunic, cald, vere, deget, cumnat, faur, foaie, găină, genunchi, iapă, iarnă, iepure, închega, june, leşie, măduvă, orz, paşte, pleca, scoate, strict, sughit, strâns, ureche, usca, vechi, vecin, vie, zgaibă. Apesar de algumas palavras terem sigo registradas com pequenas falhas, o estudo do lexicógrafo brasileiro vale como boa intenção em aproveitar os testemunhos não apenas da România Ocidental, mas também os da România Oriental, ou seja, a sua visão de estudioso apóia-se no panromanismo, isto é, todo o espaço onde se falou o latim popular, uma das modalidades do latim que deu origem às línguas neolatinas.
Na subseção 1.1.9 A língua romena no Brasil: os pioneiros do estudo de língua romena do primeiro capítulo acima mencionado, [MOTA, 2010, 70-4] aborda o mérito de pioneiros no estudo da língua romena no Brasil. Em suas próprias palavras: 
O estudo da língua e literatura romena desenvolveu-se, no Brasil, de maneira intermitente e dividido em dois setores: 
a) o da iniciativa pessoal, isto, graças aos esforços autodidáticos de cada interessado; 
b) o de caráter institucional ou seja, mediante cursos oferecidos em instituições públicas ou privadas. 
Apesar do rigor desta classificação, não faltam exemplos daquelas pessoas que, primeiramente estudaram por via autodidática e, depois passaram a frequentar cursos oferecidos por instituições. Infelizmente, seria bom não esquecer que existem alguns exemplos de personalidades que se mostraram interessadas em estudar o romeno, mas o que tudo indica não conseguiram levar a bom termo o seu instinto inicial, sendo este o caso de GUSTAVO BARROSO (1888-1959) cuja correspondência arquivada no Ministério dos Negócios Estrangeiros da Romênia (Bucareste) testemunha o seu grande interesse em conhecer a língua romena e, obviamente, a respectiva literatura. Convém não esquecer que o autor, haja ou não estudado o romeno, teve a oportunidade de escrever diversos artigos sob a temática romena. 
Outro autodidata em cuja obra acha-se mencionada, ou melhor, relacionada entre os idiomas estrangeiros do seu conhecimento foi o polígrafo BASÍLIO DE MAGALHÃES (1874-1957). Outro estudioso brasileiro de que não se tem notícia quanto à aprendizagem do romeno, nas que ilustrou a sua obra A evolução das palavras (1942, 2ª edição) com muitas referências ao romeno. Foi A. TENÓRIO d' ALBUQUERQUE (1889- ), gramático carioca, lexicógrafo, enfim, polígrafo. Um dos pioneiros desse exercício, como já salientamos. Mas, pela sua paixão pelas coisas da Romênia, nenhum supera o escritor fluminense, nascido em Campos: MAX de VASCONCELOS (1891-1919) que chegou a poetar em romeno, além de, na qualidade de poeta simbolista, ter composto versos na língua romena, como já tratamos em outra parte. 
1) José B. de Oliveira China 
Outro grande admirador da cultura romena foi José B. de Oliveira China. Nasceu em Caçapava (SP) a 3 de novembro de 1874; faleceu na Capital de São Paulo a 10 de fevereiro de 1941. Bom ensaísta, professor e diretor de alguns estabelecimentos de ensino do curso secundário. Considerado também um dos pioneiros da ciganologia no Brasil. Obras: Estudos de filologia e linguística, 1924. Os ciganos do Brasil, subsídios históricos, etnográficos e linguísticos, 1936. Este último ensaio é considerado básico para o estudo da presença dos ciganos entre nós e da gíria brasileira, em geral. Mantinha contato direto com alguns intelectuais romenos. Foi um dos primeiros, entre nós, a levantar o véu sobre o mito da intraduzibilidade da palavra Saudade pois conseguiu provar que esse termo corresponde plenamente à palavra romena Dor, cuja tradução é perfeita nas diversas situações denotativas e conotativas. Este artigo foi estampado na coletânea do mesmo autor intitulada Estudos de filologia e linguística (1924) e mereceu de João Ribeiro (1860-1934) um artigo publicado no Jornal do Brasil de 25 de novembro de 1927 quando da reedição da referida matéria. Vale a pena relembrá-lo em nosso estudo na íntegra, por se tratar da opinião de um dos mais respeitados filólogos brasileiros. Ei-lo: 
"Saudade 
Um dos nossos bons estudiosos da filologia, o Sr. José d’Oliveira China, julgou descobrir que havia na língua romena um verdadeiro equivalente da palavra saudade e é o termo dor com o uso e emprego que lhe dá a mais oriental e distanciada língua latina, congênita da nossa. 
No romeno dor expressa o suave sentimento da saudade portuguesa. 
Ele o diz e não temos nenhuma razão sólida para o contestar. 
Desde o latim dolor, que é a palavra de origem, tinha ambos os sentidos, physico e moral, e em suas raízes predominava a idéia de rasgar e dilacerar. 
Daí seria fácil, como ainda hoje, a metamorfose da sensação em sentimento. Ainda menos do que dizia Voltaire, dos passos etimologicos: “peu de chose”. Não passou, todavia, despercebido o facto a um dos filhos da Rumania, secretario do consulado do Rio, o Sr. Paul Einhorn, que confirmou a argumentação de Oliveira China e escreveu uma excellente comunicação a Rampa de Bucareste. 
Paul Einhorn esclareceu que tanto lá no seu país como no Brasil e Portugal, estão todos convencidos de que nenhuma língua estrangeira possue o equivalente exato de dor e saudade. 
Não precisa dizer. É evidente que dor é também palavra portuguesa, ainda que com o sentido mais latino de dolor, dor física. 
No português antigo muitas vezes achamos a palavra empregada em frases como esta: “morreu de sua dor natural”, para significar que nenhum acidente causou ou apressou a morte. 
Em romeno – dor – exprime o sentimento que se approxima da nostalgia e é o mesmo da saudade, segundo o nosso filologo paulista. 
Devo dizer que o francês sempre ajuntou a douleur com que se comunica a noticia de morte: “Nous avons la douleur de vous annoncer”. 
Creio que a mesma translação do físico para o normal existe em todas as línguas latinas, o que diminue consideravelmente a importância da revelação feita por China. 
Contudo, as pesquisas desse nosso compatriota merecem, de razão, encômios e louvores que não ficarão perdidos. 
As questões de etimologia, como as de gramática são sempre intermináveis, e aqui mesmo puz uma pedra em cima quando se agitou a discussão a respeito dos etimos prováveis da palavra saudade; tive, porém, agora, de abrir uma excepção para encarecer o trabalho de J. Oliveira China, que naturalmente irá despertar a atenção dos competentes. 
João Ribeiro"
Um de seus artigos sobre o mesmo assunto foi publicado no periódico bucarestino Rampa. 
O seu filho Júlio, também falecido, testemunhou-me o apreço que ele nutria pela cultura romena. Aprendeu a língua sozinho, valendo-se de compêndios europeus. Eu mesmo pude adquirir de seu filho a Grammatica della lingua rumena, de Romeo Lovera, edição Hoepli. O livro bastante usado mostra-se cheio de anotações e utilizado até o final, o que significa a obstinação e a decisão do leitor em aprender a língua de Eminescu, apoiado no autodidatismo. (...)

E, finalmente na subseção 1.1.10 A língua romena no Brasil: Sua presença no ensino universitário e seus grandes arautos do primeiro capítulo acima mencionado, [MOTA, 2010, 80-4] cita vários catedráticos brasileiros que lecionaram Filologia Românica, especialmente um que mereceu seus maiores elogios:

4) Bruno Fregni Bassetto 
"Atualmente, o setor de Filologia Românica conta com um grupo de estudiosos, destacando-se o Prof. Bruno Fregni Bassetto que em suas aulas de Filologia Românica – sempre que pode – refere-se ao romeno como um elemento essencial às comparações filológicas. Aliás, os saudosos Prof. Theodoro Henrique Maurer e Isaac Nicolau Salum, ambos dedicados romanistas, adotaram em suas aulas e em seus escritos, o método contrastivo tendo sempre o romeno como referência maior. A situação da língua romena no mundo foi também abordada pelo Prof. Bassetto ao abrir o II Congresso Nacional de Filologia e Linguística por meio de uma conferência intitulada "Situação atual das línguas românicas na Europa e no mundo", proferida na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 5 de outubro de 1998. O prof. Bassetto também presidiu a Banca Examinadora do mestrando Mário Eduardo que apresentou a tese Das preposições latinas às do Português e do Romeno: derivações semânticas. (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, disciplina de Filologia Românica, do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas). 
Vale a pena registrarmos o testemunho do professor Dr. Bruno Fregni Basseto, titular de Filologia Românica da Faculdade da Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP), sobre o estudo do romeno naquela universidade: 
a) A Área de Filologia Românica, junto ao Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, existe desde 1939, integrando ininterruptamente a grade curricular  de Letras. Dentro do universo da Filologia Românica, nossa Universidade sempre estudou as línguas românicas. Com o Prof. Theodoro Henrique Maurer, o romeno passou a ocupar lugar de destaque nesses estudos dado o isolamento em que ficou desde fins do século III em relação às demais línguas românicas. O romeno não teve o permanente adstrato do latim eclesiástico e medieval, que serviam de fonte de empréstimos e ponto de referência permanentes. Por isso, manteve com mais fidelidade suas bases do latim vulgar; em que pesem as múltiplas influências eslavas, bizantinas, turcas, húngaras e albanesas, fato importante para a reconstituição do latim vulgar. Esse o ponto de vista do Prof. Maurer, que passou a dedicar estudos e especial atenção sua e de seus alunos ao romeno. Suas idéias e conclusões a respeito estão no livro “A UNIDADE DA ROMÂNIA OCIDENTAL” (São Paulo, FFLCH, 1951). A importância do romeno no contexto das línguas românicas é nítida também em seus dois outros livros “O PROBLEMA DO LATIM VULGAR” (Rio de janeiro, Livr. Acadêmica, 1962) e “GRAMÁTICA DO LATIM VULGAR” (Rio de Janeiro, Livr. Acadêmica, 1959). Essas obras infelizmente estão esgotadas. Com isso, o Prof. Maurer foi o iniciador dos estudos mais intensivos do romeno aqui na Universidade de São Paulo. 
b) Essa linha de estudos tem sido mantida pela Área de Filologia Românica. O prof. Isaac Nicolau Salum, sucessor do Prof. Maurer como titular da disciplina, continuou e incentivou os estudos da língua romena. A partir da década de 70, reunia duas vezes por semana os integrantes da área e textos romenos eram lidos e estudada sua gramática, através da velha obra de Rauta, “GRAMÁTICA RUMANA”, em castelhano. Seguindo a linha do Prof. Maurer, o estudo era eminentemente contrastivo, procurando-se ressaltar as características do romeno dentro do contexto românico. Nesse particular, contou-se com o auxílio especial da Profª Maria do Socorro Nóbrega, que havia morado na Romênia por quatro anos e aprendido bem a língua do país, dispondo de excelente biblioteca especializada, que nos foi doada no ano passado. Posteriormente, o Prof. Isaac Salum esteve na Romênia por alguns meses, fazendo cursos, cujos conteúdos nos foram transmitidos em nossos encontros semanais.  Firmou ainda convênio com o governo romeno para doação de livros; desse modo, a Universidade de São Paulo recebeu cerca de 3.000 volumes em romeno sobre todos os assuntos. Letras ficou com os de seu interesse, sendo os demais distribuídos pelas Unidades conforme suas especialidades (química, física, matemática, mineralogia, etc.) Entre as obras enviadas estão algumas dos autores mais conhecidos, como as de Mihail Eminescu. Entre outras, destaca-se a tradução para o romeno de “O feijão e o sonho” de Orígenes Lessa, inteligentemente intitulado “PÎINEA Şİ VISUL”, já que o “feijão” deles é o pão. Em um florilégio encontram-se poemas de Manuel Bandeira, Mário de Andrade e de outros autores devidamente traduzidos para o romeno. 
c) O Prof. Isaac Nicolau Salum faleceu no dia 3 de maio de 1993, tendo pouco antes recebido o título de Professor Emérito da USP. 
d) A área de Filologia Românica, buscando sanar as dificuldades dos graduandos em acompanhar as aulas, vem ministrando cursos extracurriculares, com caráter de extensão, de francês, castelhano, italiano, galego e de romeno desde 1993. Inicialmente, eram cursos livres, que foram posteriormente oficializados a fim de se poder conferir certificados oficiais. Esses cursos, entre os muitos que a Universidade de São Paulo oferece, têm tido boa aceitação e alcançado bons resultados. Dada a importância que a Área atribui ao romeno no âmbito da Filologia Românica, essa língua tem tido prioridade em nossos esforços. 
e) Há uma década aproximadamente, a Área de Filologia Românica dispunha de três docentes; era, então possível ministrar o curso completo de Romeno em quatro semestres, ou dois anos. Nos últimos tempos, porém, esse quadro se modifica (Filologia III e IV). Nesse segundo ano, com base na “Unidade da România Ocidental”, dava-se inicialmente um curso de romeno e depois procedia-se a um estudo contrastivo balcano-romance versus ibero-romance. Para esse curso de romeno, usava-se o Curs de Limbă Română de Oltea Delarascruci (Bucareste. Editura Didactică și Pedagogică, 1972), em três versões (inglês, francês e castelhano – infelizmente em português, não!) e dois volumes bem impressos, com ilustrações e três discos com as principais lições para o correto aprendizado da pronúncia. Dispomos também da Gramática oficial, editada pela Academia de Bucareste, em dois volumes, além de outras gramáticas menores, como “Gramatica Azi” de Graur. Dicionários temos vários, sendo naturalmente o mais usado pelos alunos o da Porto Editora, “Dicionário de Romeno-Português”; inicialmente, dispúnhamos apenas do pequeno “Rumänisch-Deutsch” da Langenscheidts Universal-Wörterbuch, e hoje temos romeno-castelhano, romeno-alemão e até um pequeno romeno-russo. Quando a situação da Universidade for mais favorável e contratar algum docente para a área de Filologia Românica, esse segundo ano sem dúvida será restabelecido. Enquanto isso não acontece, o romeno continua a ser abordado nas aulas de Românica I e II e, especificamente, nos cursos extracurriculares que não sofrerão solução de continuidade”.  
Carta do autor, datada de 7 de junho de 2001 (São Paulo/SP) 

 

III. NOTAS  EXPLICATIVAS

 

¹  Esta publicação está disponível na Internet e pode ser lida no seguinte link: 
 
² O segundo dia protocolar das comemorações do 30º aniversário da Academia de Letras de Brasília está registrado no YouTube e pode ser visto no seguinte link: 
 
³   A estreia do Prof. Ático Vilas-Boas da Mota no Blog de São João del-Rei deu-se em 21/07/2013, ocasião em que foi publicado o seu prefácio à reedição do livro O APÓSTATA, da autoria de Sérgio Guido (pseudônimo do Dr. Ribeiro da Silva) através do seguinte link: 
 
A sua apresentação formal aos leitores do referido blog foi feita por mim, como gerente, através do seguinte link: 
 

IV. AGRADECIMENTO
 

Agradeço carinhosamente à minha amada esposa Rute Pardini a captação das imagens, bem como a sua edição e formatação para fins deste post.


V. BIBLIOGRAFIA


BASSETTO, Bruno Fregni: Elementos de filologia românica. São Paulo: EDUSP, 2005, 380 p.
 
BLANCHE-BENVENISTE, Claire : Approches de la langue parlée en français, Paris, Ophrys, 1997, 164 p.
 
ELIA, Sílvio: Preparação à linguística românica. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1979, 284 p.
 
GALVÃO, Walnice Nogueira (org.): Sobre os primórdios da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2020, 160 páginas
 
MOTA, Ático Villas-Boas: BRASIL E ROMÊNIA - PONTES CULTURAIS, Brasília: Thesaurus, 2010, 1.094 páginas
Linkhttps://docplayer.com.br/17499368-1-brasil-e-romenia-pontes-culturais.html (até a página 80)

5 comentários:

Francisco José dos Santos Braga (compositor, pianista, escritor, tradutor, gerente do Blog do Braga e do Blog de São João del-Rei) disse...

Prezad@,
Com esta minha resenha do livro "BRASIL E ROMÊNIA: PONTES CULTURAIS" (2010, 1.094 páginas) , com ênfase em Curso de Letras em geral e na disciplina Filologia Românica em particular (disciplina em que o autor Prof. Dr. ÁTICO VILAS-BOAS DA MOTA obtivera doutorado com especialização em língua romena), presto minha singela homenagem a este saudoso amigo e Acadêmico, que, por sua persistência e talento em "construir pontes" (pontifex, etimologicamente), - tarefa à qual dedicou toda a sua vida, - soube ter foco na sua passagem por este mundo.

https://bragamusician.blogspot.com/2021/09/brasil-e-romenia-pontes-culturais.html

Cordial abraço,
Francisco Braga

Anônimo disse...

Caro Amigo Braga
Parabéns pela sua atraente e refinada resenha do livro “Brasil e Romênia: Pontes Culturais”, de autoria do Prof. Dr. Ático Vilas-Boas da Mota.
Agradecemos pela sua gentileza em enviar-nos temas tão interessantes como este.
Receba o meu abraço fraterno e o de Beth.
O amigo Mario.

Raquel Naveira disse...

Parabéns por essa fina resenha sobre "Brasil e Romênia: Pontes Culturais", obra dessa extraordinária figura humana, Prof Ático Vilas-Boas. Gostei também de sentir o ambiente da Academia de Letras do Brasil, de Brasília.

Dr. Rogério Medeiros Garcia de Lima (professor universitário, desembargador, ex-presidente do TRE/MG, escritor e membro do IHG e da Academia de Letras de São João del-Rei) disse...

Bravo!

Prof. Cupertino Santos (professor aposentado da rede paulistana de ensino fundamental) disse...

Caro professor Braga
Um merecido preito ao professor Mota e um excelente dossiê sobre um tema verdadeiramente interessante !
Cumprimentos.
Cupertino