Por Francisco José dos Santos Braga
Crédito pela imagem: A música klezmer: da Bessarábia a São Paulo in O Estado de S. Paulo, edição de 17/10/2017
Tumbalalaika é uma canção folclórica russo-judaica cantada em iídiche. Esta canção é uma das mais populares canções em iídiche; embora os autores da música e da letra sejam desconhecidos, tornou-se muito difundida na Rússia, Polônia e no atual Israel. Versões folclóricas da canção se espalharam em variações ligeiramente diferentes.
Foi publicada pela primeira vez nos Estados Unidos em 1940. Sua forma final foi criada por Abraham (Abi) Ellstein, um popular compositor polonês-americano, para as Barry Sisters.
As origens da canção remontam ao século XIX.
O título da canção é difícil de explicar, pois o termo “tum”, em particular, não existe em russo. Alguns sugeriram que “tum” possa se referir ao som das cordas da balalaika sendo percutidas. Outras fontes sugerem que “tum” é a onomatopeia para “ruído” em iídiche, o que poderia ser uma explicação plausível. Neste caso, união de tum + balalaika sugere a tradução "toque a balalaika!". “Balalaika”, é claro, refere-se ao instrumento russo. A referência ao instrumento russo também é um fato curioso, já que a balalaika não é frequentemente usada em bandas judaicas (klezmer no plural: klezmorim): todos preferem o violino. Sobre a "música klezmer", entende-se que se trata da música instrumental tradicional dos judeus falantes do iídiche do Leste Europeu (normalmente oriundos da Ucrânia, Bielorússia, Lituânia, Moldávia, Polônia, Romênia, Hungria e Eslováquia).
A canção em si é sobre um rapaz que está procurando uma noiva. Com a ansiedade de ficar conhecendo uma garota inteligente, ele fica acordado até tarde da noite e elabora charadas para testar sua escolhida. Ele pergunta: o que pode crescer sem chuva, o que pode queimar sem se apagar e o que pode chorar sem verter lágrimas? A garota, é claro, é muito inteligente e responde com elegância, mas chamando-o de tolo: uma pedra pode crescer sem água, o amor pode queimar sem se apagar e um coração pode chorar sem verter lágrimas. Observe na primeira charada de sua resposta que há uma outra variante para "uma pedra (a shteyn) pode crescer sem água", substituindo-a por "o entendimento ou o discernimento (farshteyn) pode crescer sem água", versão esta que usaremos na letra da canção iídiche.
Tumbalalaika é uma canção de charadas que vem de antigas tradições do Leste Europeu. Na década de 1930, rapazes judeus, húngaros e romenos cantavam essa música para suas namoradas.
Para ouvir a versão da Tumbalalaika pelo Sabbathsong Klezmer Band com uma banda cigana de 100 membros, clique no link abaixo:
Link: https://www.youtube.com/watch?v=t0qYUY2x3_g (09/06/2020)
Ou, se preferir, pode ouvir no link abaixo a mesma música na versão solo da Sabbathsong Klezmer Band:
Link: https://www.youtube.com/watch?v=_uHEFjFdR0U (16/10/2025)
Abaixo reproduziremos a letra de Tumbalalaika, além de oferecer a sua tradução em português:
Letra em iídiche
1.
Shteyt a bokher, un er trakht
Trakht un trakht a gantze nakht
Vemen tzu nemen un nisht farshemen
Vemen tzu nemen un nisht farshemen
Trakht un trakht a gantze nakht
Vemen tzu nemen un nisht farshemen
Vemen tzu nemen un nisht farshemen
Coro:
Tum-bala, tum-bala, tum-balalaika
Tum-bala, tum-bala, tum-balalaika
Tum-balalaika, shpil balalaika
Tum-balalaika, freylekh zol zayn.
2.
Meydl, meydl, kh'vil bay dir fregn,
Vos ken vaksn, vaksn on regn
Vos ken brenen un nit oyfhern
Vos ken benken, veynen on trern
Coro (bis)
3.
Narisher bokher, vos darfstu fregn
Farshteyn ken vaksn, vaksn on regn
A libe ken brenen un nisht oyfhern
A hartz ken benken, veynen on trern
Tum-bala, tum-bala, tum-balalaika
Tum-bala, tum-bala, tum-balalaika
Tum-balalaika, shpil balalaika
Tum-balalaika, freylekh zol zayn.
2.
Meydl, meydl, kh'vil bay dir fregn,
Vos ken vaksn, vaksn on regn
Vos ken brenen un nit oyfhern
Vos ken benken, veynen on trern
Coro (bis)
3.
Narisher bokher, vos darfstu fregn
Farshteyn ken vaksn, vaksn on regn
A libe ken brenen un nisht oyfhern
A hartz ken benken, veynen on trern
Letra em português
1.
Um jovem garoto, parado a pensar:
Pensa e pensa, por toda a noite
A quem levar e não se envergonhar?
Pensa e pensa, por toda a noite
A quem levar e não se envergonhar?
A quem levar e não se envergonhar?
Coro:
Tumbala, Tumbala, Tumbalalaika
Tumbala, Tumbala, Tumbalalaika
Tumbalalaika, toque a balalaika,
Tumbalalaika, vamos ser felizes!
Tumbala, Tumbala, Tumbalalaika
Tumbalalaika, toque a balalaika,
Tumbalalaika, vamos ser felizes!
2.
Menina, menina, eu te pergunto:
O que cresce sem a chuva?
O que queima e não se apaga?
O que chora, sem verter lágrimas?
Coro (bis)
3.
Menino tolo, por que me perguntas?
O entendimento pode crescer sem a chuva!
O amor queima sem se apagar!
E um coração pode chorar sem lágrimas!
Menino tolo, por que me perguntas?
O entendimento pode crescer sem a chuva!
O amor queima sem se apagar!
E um coração pode chorar sem lágrimas!
Finalizamos o nosso texto com a participação de 3 cantores (chazanim ¹ ) mais famosos do mundo: o canadense Benzion Miller, o norte-americano Alberto Mizrahi e o israelense Naftali Herstik, que interpretaram essa canção na Sinagoga Portuguesa de Amsterdam em 2003 durante sua turnê "A Faith in Song". Nesta gravação contaram com a colaboração dos Neimah Singers, ambos acompanhados por The Netherlands Theater Orchestra.
II. Nota explicativa
¹ Chazan (plural chazanim) é um termo hebraico que se refere a um cantor litúrgico ou líder musical em uma sinagoga judaica. O Chazan desempenha um papel fundamental na condução das orações e na liderança do canto durante os serviços religiosos. Ele é responsável por entoar as melodias tradicionais e recitar as palavras sagradas em hebraico, proporcionando uma experiência espiritual significativa para os fiéis.
III. Referência bibliográfica
BRAGA, F. J. S. : Danças e canções israelitas selecionadas, artigo publicado no Blog do Braga em 09/10/2019
_______________: A mãe judia: da canção gravada por Sophie Tucker a Philip Roth, artigo publicado no Blog do Braga em 23/01/2020
PAIT, Felipe: A música klezmer: da Bessarábia a São Paulo in O Estado de S. Paulo, edição de 17/10/2017
Link: https://estadodaarte.estadao.com.br/historia/a-musica-klezmer-da-bessarabia-a-sao-paulo/
Link: https://estadodaarte.estadao.com.br/historia/a-musica-klezmer-da-bessarabia-a-sao-paulo/
