segunda-feira, 27 de junho de 2022

O ROQUE CAMÊLLO QUE EU CONHECI


Por Francisco José dos Santos Braga *

Artigo publicado originalmente na Antologia comemorativa dos 60 Anos da Academia Divinopolitana de Letras, p. 30-39, lançada em 08/06/2022, data do 61º aniversário do Sodalício, em que foi declarado oficialmente o 08 de Junho: Dia da Academia Divinopolitana de Letras.
Dr. Roque Camêllo (☆ Mariana,  16/8/1942 ✞ Belo Horizonte, 18/3/2017)

 

Conheci Dr. Roque Camêllo quando participei, como Secretário, da Chancelaria da Comenda da Liberdade e Cidadania em 2011 capitaneada pelo Chanceler da Comenda, Dr. Eugênio Ferraz, então Superintendente do Ministério da Fazenda em Minas Gerais e responsável pela Casa dos Contos de Ouro Preto. Trouxe este, para o lançamento da medalha da referida Comenda no Campo das Vertentes, a experiência de ter sido Chanceler e criador da primeira edição da Comenda Ambiental Estância Hidromineral de São Lourenço, criada um ano antes, em julho de 2010. Sobre a Comenda, vale ressaltar que ela nasceu através de um decreto conjunto dos Prefeitos de 3 Municipalidades: São João del-Rei, Tiradentes e Ritápolis. 

Meu primeiro contato com Dr. Roque Camêllo, durante a realização da festa de entrega das Comendas na Fazenda do Pombal, berço do Tiradentes e do seu sonho de liberdade, foi, a um só tempo, um momento de congraçamento e de percepção de sua mineiridade contagiante. Mas não podia passar despercebido a qualquer observador mais atento, — e este foi o meu caso, — que sua atividade política lhe trouxera, por um lado, grandes alegrias, por outro, inevitáveis desilusões, “estas tanto mais amargas na medida em que agravadas pelos erros, pelas disfunções, pelas insuficiências da máquina judiciária eleitoral”, nas sábias palavras do ex-Ministro do STF, Dr. Francisco Rezek. (“Os sinos de Mariana”, in O Roque Camêllo que conheci, livro organizado por Mário de Lima Guerra, em 2019, p. 100) 

Naquela época (2011), Dr. Roque Camêllo já trazia respeitáveis credenciais: de presidente da Casa de Cultura-Academia Marianense de Letras, de Diretor Executivo da Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana (FUNDARQ) e de proponente, em 2002 e 2004, do projeto de certificação e inscrição do acervo do Museu da Música de Mariana no programa “Registro Memoria del Mundo” da UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade, deferido em 2011. Em 2007, tinha comemorado esse patrimônio com um artigo publicado pela Casa dos Contos, intitulado “Museu da Música, uma Relíquia da Cultura Brasileira”. Por fim, acumulava em sua biografia o fato de ter sido prefeito eleito de Mariana, afastado de suas funções por força de um processo iníquo da Justiça Eleitoral. Na área educacional, tinha fundado e dirigido, em Belo Horizonte, o Colégio São Vicente de Paulo, e como professor, atuara nos Colégios Santa Doroteia, Dom Cabral, Estadual de Minas Gerais, Alfredo Baeta e Arquidiocesano de Ouro Preto. Ao mesmo tempo, vinha exercendo a função de Conselheiro da Associação Universitária Internacional (AUI), sediada em São Paulo, da qual era o Diretor Regional para Minas Gerais, com prestação de trabalho voluntário. Por fim, tinha sido empossado recentemente no IHG-MG (20/11/2010) como membro efetivo, ocupante da Cadeira nº 66, patroneada por Princesa Isabel. 

Em novembro de 2011, Dr. Roque Camêllo compareceu ao 3º Ciclo de Estudos sobre o Tiradentes, promovido pelo IHG de São João del-Rei, quando ouviu em silêncio a informação de que o Auto de Levantamento da Vila de São João del-Rei datado de 08/12/1713, transcrito literal e fielmente nas Ephemerides Mineiras de José Pedro Xavier da Veiga, editadas pela Imprensa Official do Estado de Minas, em Ouro Preto, no ano de 1897, era, segundo este, uma reprodução litteral de documento oficial, existente no Arcchivo Publico do Estado. Segundo José Álvares de Oliveira, que em 1750 publicou sua História do Distrito do Rio das Mortes, esse Auto de Levantamento se acha lavrado no livro primeiro do registro da dita Câmara a folhas trinta e sete. Como esse livro tinha desaparecido dos arquivos locais, restou a única indagação plausível: “Estaria ele recolhido no Arquivo Público Mineiro?” Dr. Roque, solidarizando-se com o povo são-joanense e com os pesquisadores locais comunicou à assembleia que de fato constatara que essa folha (que continha o Auto de Levantamento) havia sumido, ou mais precisamente, arrancada com corte preciso de gilete, e, na ocasião, manifestou seu desejo de encontrar esse documento tão importante para São João del-Rei, tendo prometido envidar esforços para recuperar o valioso documento. Com esse feliz aparte e tal disposição de espírito, de imediato fez vários amigos são-joanenses. 

Como se vê, Dr. Roque Camêllo já era reconhecido como titular da verdadeira mineiridade, antes de nosso encontro. A bem da verdade, cabe aqui citar dois fatos da maior relevância que comprovam minha assertiva, engrandecem o currículo do meu homenageado e ilustram bem o caráter de Roque Camêllo: o primeiro fato refere-se à criação do Dia de Minas e o papel central do meu homenageado na sua instituição.  
Com base em registros históricos, Roque Camêllo, com muita argúcia, observou a coincidência de algumas datas marcantes da história de Mariana com a história do território que futuramente seria o Estado de Minas Gerais, em especial durante os primeiros 50 anos da existência de Mariana. Com esses dados fundamentou bem sua proposta do "16 de Julho-Dia do Estado de Minas Gerais". Foi no seio da Casa de Cultura-Academia Marianense de Letras, Ciências e Artes, em 16 de julho de 1977, durante a sessão comemorativa do 281º aniversário de Mariana, que o Acadêmico Roque Camêllo lançou a ideia de se instituir o 16 de julho então Dia de Mariana como data cívica estadual, tendo recebido o apoio do então presidente da Casa, historiador Waldemar de Moura Santos, dos Acadêmicos, das Autoridades Municipais e da comunidade marianense. Em seguida, a proposta foi entregue ao governo estadual e à Assembleia Legislativa. Roque Camêllo viu finalmente sua proposta ser coroada de êxito em 19 de outubro de 1979, quando o projeto de lei de iniciativa do deputado Domingos Lannas deu origem à Lei nº 7561, sancionada pelo governador Francelino Pereira dos Santos, instituindo o 16 de Julho como Dia de Minas. Dez anos depois, mais precisamente em 1º de fevereiro de 1989, em nome da Academia Marianense de Letras, Roque Camêllo compareceu ao plenário da Constituinte Mineira e apresentou uma proposição para que o 16 de Julho-Dia do Estado de Minas Gerais fosse declarado data cívica constitucional. Em 21 de setembro do mesmo ano foi promulgada a nova Constituição do Estado de Minas Gerais, editando em seu Título V, das Disposições Gerais, o Artigo 256, o qual manteve os termos da proposição apresentada por Roque Camêllo aos deputados constituintes. Posteriormente, a redação dada ao art. 256 já sofreu duas emendas modificativas: sobre a comemoração (de nº 22) e sobre a transferência simbólica da capital de Minas para Matias Cardoso anualmente em 8 de dezembro (de nº 89). Mas continua inalterada a ideia básica do Dia de Minas em 16 de julho, que permanece intocada. 
 
O segundo fato refere-se à primazia do meu homenageado, ainda em 2011, em levantar a tese do assassinato do Inconfidente Cláudio Manoel da Costa em artigo que ganhou muita notoriedade, intitulado “Inconfidente Cláudio Manoel da Costa: primeiro advogado assassinado em Minas”, publicado originalmente na revista Justiça e Cidadania, edição 133, setembro de 2011, p. 48-50. Começa seu artigo informando sobre a naturalidade marianense do poeta árcade, já que presumidamente nasceu em Mariana em 5 de junho de 1729 e certamente foi batizado a 29 de junho de 1729, conforme consta de registro a folhas 110-verso e 111 do 2º livro de assentos dos batizados da freguezia do Ribeirão do Carmo (atual Mariana). 
 
Resumidamente para os fins deste artigo, Dr. Roque, sem entrar no assunto da Inconfidência Mineira, defende, com sólida argumentação, a ideia de que Cláudio Manoel, o mais velho e ilustrado de todos os Inconfidentes, foi o único que morreu antes de ser sentenciado, com evidências irrefutáveis de assassinato, e o único deles que não foi levado preso para o Rio de Janeiro. Os Autos de Devassa deram-lhe o fim por suicídio, mas pesquisadores sérios como Tarquínio José Barbosa de Oliveira e Ivo Porto de Menezes convergem pelo assassinato. Dr. Roque conclui que 
“há indagações que se respondem por si próprias. Por que o aprisionaram em Vila Rica e não o conduziram para o Rio de Janeiro como os demais? Barbacena o queria por perto para controlar-lhe a fala perigosa quanto a seu governo e à sua simpatia pelo movimento?” 
Como advogado competente, Dr. Roque constrói sua argumentação, observando que 
“o Visconde de Barbacena é o mesmo que Cláudio tinha no rol de seus devedores e que interceptara uma valiosa peça, um cacho de bananas em ouro maciço, enviado por Hipólita Jacinta Teixeira de Mello a D. Maria I, pedindo clemência a favor de si e de seu marido, o inconfidente Francisco Antônio de Oliveira Lopes.” 
Dr. Roque se louva na autoridade do historiador Porto de Menezes, analisando os termos da perícia feita no cadáver de Cláudio Manoel, o qual destrói a possibilidade de suicídio com algumas arguições e a evidência, deixando clara a tese do assassinato, de ter compulsado o livro de assentos dos Irmãos da Irmandade de São Miguel e Almas, aberto em 1741, na Matriz de Nossa Senhora do Pilar. Às fls. 23, consta a inscrição de Cláudio na Irmandade e, à margem do assentamento, “sufragado com 30 Missas e pago tudo a Fazenda Real ao tesoureiro Faustino Vieira de Souza”. Ora, como seria isso possível se ao suicida eram negados os sufrágios bem como a sepultura eclesiástica? Dr. Roque então conclui sua análise com observação sagaz e magistral: 
“A celebração dos sufrágios é a prova inconteste de que Cláudio Manoel da Costa fora assassinado. Além do mais, há o reconhecimento oficial pelo poder civil quando se vê documentado que a Fazenda Real arcou com as despesas dos ditos sufrágios.” 
A posse de Dr. Roque no IHG-MG foi lembrada pelo vice-presidente do IHG-MG, Prof. Raymundo Nonato Fernandes, em pronunciamento feito a posteriori, que a considerou a segunda grande manifestação de caloroso apoio que Dr. Roque recebeu e assim se expressou sobre a presença do novo confrade: 
“(...) Por tudo que fez, que faz e que é, o Doutor Roque José de Oliveira Camêllo, na sua terra, entre vultos históricos de grande notoriedade é hoje o maior homem vivo de Mariana. Por isto, a interrupção de seu mandato de prefeito na sua adorada Mariana causou perplexidade a toda a sociedade mineira. Numerosas foram as manifestações organizadas em sua solidariedade e apoio enquanto se aguardam as festas de seu retorno ao cumprimento do mandato interrompido, tantas eram as realizações esperadas de sua competência e brilho como grande benfeitor de sua querida terra. (...) A outra grande manifestação de caloroso apoio se deu em 20 de novembro no centenário Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, na soleníssima sessão de sua posse como sócio efetivo da venerável Instituição. Não se tem notícia de uma solenidade tão grandiosa na memória recente desse renomado Instituto. As crianças de sua terra vieram cantando. Formavam o Coral “Tom Maior” de Mariana sob a presidência do Dr. Efraim Rocha. Presentes numerosas autoridades civis e religiosas, Bispo, Desembargadores, professores, escritores, advogados. Ouviram-se discursos de superior cultura jurídica e histórica. Foi um evento emocionante e emocionado para todos e inesquecível às crianças e inúmeros jovens estudantes da terra de Roque Camêllo que jamais esquecerão as emoções daquele dia. (...)” 
Também devo a Dr. Roque Camêllo o convite ao duo constituído por mim ao piano e minha esposa Rute Pardini, cantora lírica, para participar das comemorações dos 40 anos do Museu da Música de Mariana, ocorridas em 6 e 7 de julho de 2013, quando pudemos, além de nos apresentar da sacada da Academia Marianense, observar a alegria contagiante, o brilho e o esforço de todos os envolvidos nos festejos. Finalmente, cabe aqui mencionar minha gratidão por terem Dr. Roque e Merania se dirigido a Santos Dumont em 30/11/2013 para prestigiar a apresentação do Coral Trovadores da Mantiqueira, em meu acompanhamento ao piano/órgão, quando da segunda récita da cantata “O Peregrino de Assis”, da autoria do regente frei Joel Postma o.f.m.. 
 
Nos últimos anos, vinha presidindo a Comissão de Defesa do Patrimônio Histórico da OAB/MG. No dia da instalação da referida Comissão (21/10/2013), o Informativo “OAB-Minas Gerais”, de 22/10/2013 publicou a seguinte notícia: 
“Segundo Roque Camêllo, a Comissão já foi devidamente criada e instalada, sendo que será possível a posse dos membros assim que ela for completamente formada. Ele acrescentou que pretende convidar integrantes das seguintes subseções para fazer parte da Comissão: Mariana, Ouro Preto, Poços de Caldas, Governador Valadares, Congonhas, São João del-Rei, Tiradentes, Diamantina, Sabará, Serro, Paracatu, Minas Novas, Santa Bárbara, Barbacena, Montes Claros, Juiz de Fora, Uberlândia, Sete Lagoas, dentre outras. Roque Camêllo ainda salientou que o objetivo da Comissão é valorizar as raízes históricas do povo mineiro. ‘Preservar a história é não apenas reverenciar o passado, mas construir os caminhos que constroem o futuro. O povo que sabe de onde veio sabe traçar o seu próprio destino. Minas Gerais, não sendo o mais velho Estado da Federação, no entanto, é o Estado do equilíbrio nacional e representa os anseios de todo o povo brasileiro que prima por privilegiar o sentimento libertário a exemplo dos Inconfidentes’.” (texto transcrito no Informativo AVL da Academia Valenciana de Letras nº 121, Ano XI, novembro de 2013) 
Outro momento inesquecível foi nosso reencontro no Seminário “Meandros da Inconfidência Mineira” patrocinado pelo IHG de São João del-Rei, em 12 de novembro de 2015, quando ele, com sua presença ilustre, prestigiou os confrades são-joanenses, sobretudo a mim que estava proferindo a palestra “Baptista Caetano de Almeida e seus projetos civilizatórios”. Só com o passar dos anos de nossa convivência, pude verificar que sua razão de ser eram seus projetos culturais para Minas grande, para os quais investia todo o seu prestígio pessoal e conhecimentos adquiridos ao longo da vida. Da mesma forma, relembro aqui, com saudade, as palavras proféticas que Dr. Roque inseriu na seção de Agradecimentos do seu último livro “Mariana: Assim nasceram as Minas Gerais”, de 2016, lançado em homenagem aos 305 anos da elevação de Mariana à categoria de vila: 
“O tempo foi exíguo para singrar as águas de Minas que não tem mar, mas é um oceano de Cultura e um continente de patriotismo.” 
Tive a honra de ter sido convidado pelo autor para participar de um grupo seleto de representantes de cidades que se expressaram sobre Minas Gerais, Mariana ou sua cidade natal. Nestes termos dei minha contribuição à página 72 do referido livro: 
“São João del-Rei é muito especial por suas características e pelo peso de sua História. Tenho orgulho de minha cidade por tudo que representa para Minas e para o Brasil e pelo fato de ter integrado a circunscrição religiosa de Mariana, primeira sede episcopal mineira. Desta se desmembrou em 1960, criada que foi por João XXIII a Diocese de São João del- Rei. Ambas guardam em comum a fé cristã e as tradições culturais advindas do Século XVIII.” 
Além disso, após o livro ter sido publicado em 2016, o autor fez a seguinte dedicatória carinhosa no meu exemplar: 
“Ao ilustre amigo Dr. Francisco Braga, cidadão culto e compromissado com o bem de nossa Pátria, e à querida Rute Pardini, aquinhoada pelo Criador com uma voz divina e singular, ofereço este “MARIANA”, homenageando-os pelo engajamento em defesa da Cultura. Merania e eu somos honrados com a amizade de ambos e desejamos contínuos sucessos em suas belíssimas trajetórias musicais. Com todo o apreço e admiração do Roque Camêllo – 16.7.2016
Por serem por demais conhecidos tais projetos do Dr. Roque Camêllo em prol de Mariana, Minas Gerais e o Brasil, acho que não devo me alongar apresentando a relação completa de suas benemerências. Mas devo confessar que foi tão grande a nossa identificação, — minha com a do notável marianense, orador consagrado e mestre pela sua cultura literária, jurídica, religiosa, filosófica e histórica, de que deu provas suficientes por onde passava, — eis que, desde 2012, Dr. Roque e sua esposa Merania vinham participando com sua rica presença de todos os eventos culturais que desenvolvi nas Academias, mormente defesa de meus patronos no IHG de São João del-Rei (Lincoln de Souza) e nas Academias de Barbacena (Omar Vianna), Formiga (Guimarães Rosa) e Divinópolis (Padre António Vieira), esta última em 14 de dezembro de 2016, quando já se encontrava fisicamente debilitado. Entretanto, não posso me furtar de dar a conhecer que um de seus extremos atos de vontade, em 17 de março de 2017, à véspera de seu óbito, foi o de convidar-me para tomar parte do enriquecedor convívio com os Acadêmicos do sodalício marianense, convite este que foi imediatamente aceito por mim, esperando colaborar sob seu comando durante muitos anos vindouros. 
 
Quis o Criador que assim não fosse... Dr. Roque, no convite a mim endereçado, expressou o desejo de que eu tomasse posse na Cadeira nº 2, cujo patrono é Dr. Francisco de Paula Cândido, seu antepassado mais famoso, atribuindo a mim qualidades que não possuo: acreditava ele que apenas eu, pesquisador de História e Genealogia, seria capaz de representar e fazer uma apologia à altura do grande mestre e médico do Império, na Casa de Cultura que presidia. 
 
Ainda mais surpreso fiquei, quando fui informado por Profª Hebe da decisão solene da Diretoria da Academia Marianense, que exarou um comunicado com o seguinte teor: 
“Considerando que o Prof. Roque se empenhou em trazê-lo para nossa Academia, em reunião a Diretoria decidiu sugerir-lhe o nome do referido ex-presidente, Roque Camêllo, para seu patrono. Ficaremos muito gratos pela sua presença nesta Casa.” 

Aqui se apresenta uma situação clara em que a generosidade se alia à História com resultados os mais profícuos. Foi assim que tomei posse naquela douta Academia em 1º de junho de 2019, ocupando a cadeira nº 23, patroneada por Dr. Roque José de Oliveira Camêllo, ocasião em que tive a honra de ser saudado por Dom Francisco Barroso Filho, digníssimo Acadêmico marianense, Bispo emérito de Oliveira-MG e um dos baluartes que lutam na defesa e preservação da fé, da arte e da cultura de Ouro Preto.

Resta ainda acrescentar que, enquanto aguardava a oficialização do convite para pertencer àquela Academia, compareci em Mariana à fundação do Instituto Roque Camêllo em 18/03/2018 tornando-me Conselheiro Honorário dessa entidade, e ao lançamento do livro “O Roque Camêllo que conheci” em 17/03/2019, fruto do empenho da jornalista Merania Aparecida de Oliveira e de Dr. Mário de Lima Guerra, idealizador e coordenador do projeto do livro, do qual participei com o artigo “Falecimento do escritor dr. Roque Camêllo constitui irreparável lacuna na comunidade cultural de Minas e do Brasil”, às páginas 9-14, originalmente postado no Blog de São João del-Rei em 18/03/2017 em forma de elogio fúnebre. 

É uma pena que o tempo não volte! Daria muito para reviver aqueles dias e, mais ainda, por novos momentos. Todas aquelas e ainda muitas outras recordações estão guardadas em um lugar muito especial do meu coração. Hoje em dia compreendo que algumas pessoas são imortais: vêm a este mundo para transformar a vida de quem está ao seu redor. E Roque Camêllo, certamente, é uma delas. Saudade eterna, meu querido amigo! 

 

                                                                * Membro efetivo da Academia Divinopolitana de Letras, ocupante da Cadeira nº 11 - Patrono: Pe. António Vieira.



 
V. REFERÊNCIA  BIBLIOGRÁFICA

 

BRAGA, Francisco J.S.: Falecimento do escritor dr. Roque Camêllo constitui irreparável lacuna na comunidade cultural de Minas e do Brasil”, postado no Blog de São João del-Rei em 18/03/2017
 
CAMÊLLO, Roque J.O.: Mariana - Assim nasceram as Minas Gerais: Uma Visão Panorâmica da História”, Belo Horizonte: Editora Nitro, 2016, lançado em homenagem aos 305 anos da elevação de Mariana à categoria de vila, 231 p.
 
–––––––––––––– (coord.): 16 DE JULHO: O DIA DE MINAS(Discursos, pronunciamentos, ensaios, crônicas e poemas sobre a data constitucional mineira), Belo Horizonte: Editora Lemi S.A., 1991, 254 p.  
 
–––––––––––––––––– Inconfidente Cláudio Manoel da Costa: primeiro advogado assassinado em Minas”, publicado originalmente na revista Justiça e Cidadania, Rio de Janeiro, volume 13, edição nº 133, setembro de 2011, p. 48-50.
 
––––––––––––––––––  Museu da Música, uma relíquia da cultura brasileira, publicado em dezembro de 2007 pela Casa dos Contos, Revista do Centro de Estudos do Ciclo do Ouro, do Ministério da Fazenda (download in  https://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_da_M%C3%BAsica_de_Mariana)
 
CUPELLO, Mário P.:  Informativo AVL da Academia Valenciana de Letras nº 121, Ano XI, novembro de 2013.
 
GUERRA, Mário L. (org.): O Roque Camêllo que conheci, Belo Horizonte: Gráfica O Lutador, 2019, 292 p.
 
JÚNIOR, Arnaldo (org.): Antologia da Academia Divinopolitana de Letras - 60 anos, Belo Horizonte: Caravana Grupo Editorial, 2022, 163 p.