domingo, 21 de junho de 2026

PYRAMIDEN, cidade-fantasma soviética congelada no tempo

Por Francisco José dos Santos Braga


I. INTRODUÇÃO 
 
O assunto do qual me ocuparei na presente matéria tem a ver com notícias que circulam na Internet dando conta de algumas cidades-fantasmas de elevado interesse dos estudiosos e turistas interessados no porquê do abandono de assentamentos populacionais e nas causas determinantes dessa fuga de vilas e cidades que antes floresciam com certa pujança. No Brasil, as cidades-fantasmas que atraem maior interesse são: Fordlândia no Pará, Airão Velho no Amazonas, Igatu na Bahia, Cococi no Ceará, Ararapira e Vila da Copel no Paraná, São João Marcos no Rio de Janeiro, etc. 

Assim como se deu em nosso país, a Rússia se caracteriza por ter abandonado muitos assentamentos populacionais ao longo da sua história. Consta que há cerca de 20.000 vilarejos abandonados na Rússia. A maioria foi esvaziada devido ao colapso da União Soviética e ao consequente declínio de indústrias estatais, à exaustão de minas de carvão em regiões inóspitas, ou a desastres ambientais e projetos de represamento de rios. 
 
Os principais exemplos de assentamentos abandonados com forte apelo histórico incluem: Kadykchan; Mologa; Pyramiden: uma antiga cidade de mineração de carvão administrada por uma empresa estatal russa, localizada no arquipélago de Svalbard (território norueguês); Skrunda-1, uma cidade militar secreta na Letônia; Ilha de Vozrozhdeniya. Além disso, há algumas "cidades russas" abandonadas na Alemanha que são antigas bases e quartéis do Exército Vermelho construídos durante a Guerra Fria no território da antiga Alemanha Oriental (RDA). Após a reunificação alemã e o fim da União Soviética, essas instalações foram evacuadas, transformando-se em cidades fantasmas em meio às florestas. São estas as mais importantes: Wünsdorf e Vogelsang. Há ainda uma base soviética na Polônia: Garnisonstadt Pstrąże. 
 
No caso em questão, vou analisar o abandono de um assentamento em uma ilha localizada no Círculo Polar Ártico denominada Pyramiden, assim chamada por ter formações montanhosas em formato de pirâmides. Na época do florescimento do assentamento, o local chegou a ter 1.000 habitantes, que gabavam da excelente experiência de viverem naquele local. Neste estudo, analisaremos as condições que levaram os habitantes a deixar sua estabilidade na ilha. Minha análise vai cobrir duas situações bem diferenciadas através de registros e filmes, ambas documentadas através de documentário: no primeiro caso, o destaque irá para um concerto que teve lugar no teatro abandonado e reativado para o evento único; no segundo caso, serão acompanhados os passos de um guia turístico armado, devido à presença de ursos polares no local, e roqueiro que se candidatou ao cargo de tomar conta das instalações lá existentes e lá residir colocando-se como guia à disposição de turistas que porventura viessem a procurar a ilha. Em ambos os casos, houve o cuidado do registro cinematográfico, de forma que nosso trabalho é relativamente simplificado.  
Pois bem. Vejamos então as principais informações que consegui coligir sobre Pyramiden, a cidade-fantasma soviética que ainda apresenta condições de destaque devido a seu estado de relativa conservação, apesar de inundações e outras intempéries da natureza, possibilitando que turistas se interessem por conhecê-la nos dias atuais. Onde foi possível, forneço minha tradução do inglês e do russo. 
 
Crédito pela imagem: Jan Erik Waider
  
 
II. Documentário 1: O CONCERTO (com minha tradução do inglês)
 
Preliminarmente devo dar crédito a uma matéria produzida pela CNNstyle intitulada Dentro da cidade mineradora abandonada de Pyramiden, sob a direção em Emma Tucker, em artigo de 26/03/2019, originalmente publicado por The Spaces, uma publicação digital que explorava novos modos de vida e trabalho, com fotos de Jan Erik Waider.
 
O fotógrafo Jan Erik Waider captou a cidade assustadoramente vazia de Pyramiden, no arquipélago de Svalbard (Noruega), que agora é habitada principalmente por ursos polares. 
 
Suas imagens envoltas em névoa focam nos edifícios desertos e na paisagem rochosa do antigo centro de mineração soviético, que está inativo há 20 anos. Outrora lar de cerca de 1.000 pessoas, o local contava com piscina, campo de esportes e um rebanho de vacas.
 
Waider descobriu a cidade enquanto assistia a documentários sobre Svalbard e tirou suas fotografias em duas visitas à região. Ambas foram acompanhadas por um guia armado, que estava de prontidão para avistar os ursos polares que vagam por Pyramiden. Há relatos de ursos invadindo o hotel da cidade  um dos poucos edifícios ainda em uso  e saqueando o bar. 
 
(Nesta altura, há um breve documentário sobre o concerto com o título: This Russian ghost town hosts a unique concert, que significa Esta cidade fantasma russa acolhe um concerto único.” Sugiro ao leitor que assista ao referido documentário, clicando no link: https://edition.cnn.com/style/article/the-spaces-pyramiden-mining-town/)
Legenda do documentário 
Por Ingvild Pettersen Högberg - coordenadora de projetos, RYK:
Não é todo dia que fazemos um concerto em um assentamento russo abandonado. Vivenciar a música e os artistas em um ambiente como esse é algo único. Você nunca mais verá esse artista dessa forma. (Pyramiden é uma mina de carvão no Círculo Polar Ártico que está abandonada há mais de 20 anos. É o lar de um dos concertos mais singulares do mundo.) A única maneira de chegar lá é em uma viagem de barco de uma hora e meia. Todos os equipamentos, todo o som, toda a iluminação: tudo é transportado de barco. (Artistas, dançarinos e mais de 50 convidados selecionados viajaram até lá em temperaturas abaixo de zero para participar de uma apresentação única de música do norte da Noruega.) Todas as casas e tudo mais ainda estão lá. Parece que as pessoas saíram do jantar, simplesmente atravessaram a porta e nunca mais voltaram. É possível encontrar ursos polares em quase todos os lugares, então você precisa ser acompanhado por guardas armados o tempo todo. 
Kjetil Holmstad-Solberg - Músico e vocalista da banda norueguesa de folk-rock Violet Road: 
Tocar em cenários como este mexe com você de um jeito difícil de explicar. É como ir para outro planeta, sabe? Tipo uma viagem no tempo. É louco e lindo ao mesmo tempo. 
Quando a gente está em Pyramiden, não há distrações. A gente tem que estar presente no momento e em nenhum outro lugar. 
Este lugar conquista a gente, é simples assim, conclui Kjetil.
Apresentações de
- Ánnásuolo
- Julie Alapnes
- Kartellet
- Mariann Torset
- Mork
- Violet Road
(crédito: CNNstyle) 
 
Voltando às fotos de Waider, suas imagens captam quão bem preservada está a arquitetura sobrevivente, destacando o enorme esforço que deve ter sido necessário para construir a cidade. Há painéis de madeira, e não há madeira em toda a Svalbard, então eles tiveram que importá-la da Rússia, diz Waider. Dá para perceber que eles prestaram muita atenção aos detalhes.
 
As fotografias também focam em alguns dos danos causados ​​à cidade pelas frequentes enchentes da primavera, causando erosão aos edifícios e deixando atrás de si vastas áreas lamacentas. 
 
Gosto de captar a história dos edifícios, diz ele. É um lugar que foi simplesmente deixado para trás. Nada mudou, e a natureza encontrou seu caminho de volta.
 
*************** 
 
Vejamos outras fotos de Waider tiradas nas suas duas viagens a Pyramiden:
 
Glória mineira

Complexo Esportivo "Gagarin" em Pyramiden


  


 





 

III. Documentário 2: PYRAMIDEN  (com minha tradução do inglês)

 
Pyramiden: população: 6 (pessoas). A cidade-fantasma soviética congelada no tempo, no coração do Ártico. 
Gênero: documentário 
Tema: tela grande: A Natureza 
Origem: Grã-Bretanha 
Direção, filmagem, produção e edição: David Beazley 
Website: Beazley films 
Designer de som: Jason Peacock
Colorista: Brendan Buckingham 
Música: Peter Broderick: A Snowflake (Erased Tapes Records), Sensible Soccers-Maria Rosa (Groovement Organic Series), Gde b ni skitalsya ya (Leonid Utesov & his Orchestra)
Agradecimentos a "Sasha" Aleksandr Romanovsky, Alexandr Naumkin, Markus Reher, Natalya Boyce, The Mill.
 
Localizada a apenas 1.287 quilômetros do Polo Norte, na ilha de Spitsbergen, a cidade- fantasma de Pyramiden, da era soviética, é um dos assentamentos permanentes mais setentrionais do mundo. O local foi desenvolvido inicialmente como uma vila mineradora em 1936, depois que os soviéticos adquiriram os direitos de exploração das jazidas de carvão locais. Embora Pyramiden tenha sido abandonada em 1998, permanece notavelmente bem preservada devido ao clima ártico gélido. 
 
Pyramiden foi outrora um próspero assentamento soviético fundado para a mineração de carvão, localizado muito acima do Círculo Polar Ártico, no arquipélago norueguês de Svalbard. Atualmente está quase completamente abandonado desde que foi desativado em 1998. Agora uma atração turística, a extensa cidade-fantasma abriga apenas seis moradores permanentes. 
 
O documentário homônimo narra a vida tranquila e em grande parte solitária de um desses moradores, Aleksandr Romanovsky, que gosta de ser chamado pelo apelido de "Sasha" de Pyramiden e que se considera "talvez o roqueiro mais setentrional no mundo". Ele trabalha como guia turístico no assentamento russo desde 2012, quando, segundo ele, foi o único candidato à vaga. O documentário é um curta-metragem impressionante e premiado que narra a vida solitária e tranquila de Aleksandr "Sasha" Romanovsky, um dos únicos seis residentes durante todo o ano da referida cidade-fantasma. Solitário por natureza, Romanovsky se sente em casa neste lugar incomum e de outro mundo, onde passa o tempo entre as visitas guiadas a raros turistas e a tarefa de espantar ursos polares, dedicando-se a hobbies, como tocar violão e aprender espanhol. 
 
IV. Contribuição para o documentário PYRAMIDEN
 
Na seção final do documentário, como roqueiro que é, Romanovsky dá uma canja para o espectador, cabendo aqui destacar sua última peça ao violão, acompanhando sua própria voz. A canção é muito conhecida: Noites de Moscou, uma canção soviética patriótica, popular durante décadas tanto na URSS quanto na Rússia moderna, escrita no período pós-guerra pelo compositor soviético Vasily Solovyov-Sedoy, com letra do poeta Mikhail Matusovsky, para trilha sonora de uma cena do documentário sobre a competição atlética Espartaquíada dos Povos da URSS em 1956, nome de um grande evento esportivo criado como uma alternativa e contraponto aos Jogos Olímpicos.

A canção foi interpretada por Vladímir Troshin, ator e cantor da época, e alcançou uma popularidade surpreendente em 1957, quando cantada na abertura do Festival da Juventude e dos Estudantes de Moscou, onde Troshin recebeu o Primeiro Prêmio e a Grande Medalha de Ouro por sua apresentação.

Seu conteúdo lírico está ligado à nostalgia, paz e contemplação. A letra descreve uma noite de verão serena e tranquila em uma dacha (casa de campo) nos arredores de Moscou, celebrando um momento especial e romântico antes do amanhecer.
 
Abaixo apresento o texto da canção Noites de Moscou em russo, acompanhada de minha tradução em português:

Подмосковные вечера 
¹

Не слышны в саду даже шорохи,

Всё здесь замерло до утра.

Eсли б знали вы, как мне дороги

Подмосковные вечера.

Eсли б знали вы, как мне дороги

Подмосковные вечера.


 
Речка движется и не движется,

Вся из лунного серебра.

Песня слышится и не слышится

В эти тихие вечера.

Песня слышится и не слышится

В эти тихие вечера.


 
Что ж бы, милая, смотришь искоса,

Низко голову наклоня?

Трудно высказать и не высказать

Всё, что на сердце у меня.

Трудно высказать и не высказать

Всё, что на сердце у меня.


 
А рассвет уже всё заметнее.

Так, пожалуйста, будь добра.

Не забудь и ты эти летние

Подмосковные вечера.

Не забудь и ты эти летние

Подмосковные вечера.

¹ A bem da verdade, a melhor tradução para Подмосковные вечера deve ser Noites da Moscou suburbana, uma vez que o poeta se refere aos arredores ou subúrbios da capital Moscou.
 
Minha tradução:

NOITES DE MOSCOU

Nem mesmo um sussurro se ouve no jardim,
Tudo aqui permanece imóvel até o amanhecer.
Se você soubesse como me são caras
As noites de Moscou. (bis)

O rio se move e não se move,
Todo prateado sob a luz da lua.
Uma canção é ouvida e não ouvida
Nestas noites tranquilas. (bis)

Por que, minha querida, você olha de lado, 
²
Com a cabeça baixa?
É difícil expressar e não expressar
Tudo o que está em meu coração. (bis)

E o amanhecer já torna tudo mais visível...
Então, por favor, seja gentil,
Não se esqueça destas estivais
Noites de Moscou! (bis)
 
² Neste ponto o roqueiro Aleksandr "Sasha" Romanovsky se esquece da letra dos versos seguintes.  
Caso o leitor queira desfrutar a peça até o fim, recomendamos clicar no seguinte link para ouvir o próprio Vladímir Troshin: https://www.youtube.com/watch?v=T99UWQpJynY
 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Relendo o livro PASTORAL DE MINAS

Por Francisco José dos Santos Braga

Montanhas de Minas

 
I. INTRODUÇÃO 
 
O poemário de Geraldo Reis intitulado PASTORAL DE MINAS (1981) foi um marco na literatura mineira contemporânea, tendo sido agraciado com o Prêmio Cidade de Belo Horizonte, dado, unanimemente pela comissão julgadora constituída dos poetas Anderson Braga Horta, Henry Correia de Araújo e Márcio Almeida em reconhecimento de sua opulenta recriação literária. De fato, o livro representou um canto inusitado, um alento e uma promessa de melhores dias para a Poesia, num tempo do consumismo diluidor e massacrante. 
 
Segundo Pascoal Motta, prefaciador de Pastoral de Minas, este é
um livro que veio contribuir de forma decisiva para o enriquecimento cultural e da Literatura Brasileira. O livro subdivide-se em duas partes: Pastoral de Minas e Retratos no Vento. Na primeira parte, anuncia-se a vocação mineira do autor, num processo de criação a um só tempo lúdico e lírico. (...)   
Pastoral de Minas é um raro livro de poemas, em que se pode constatar, além da intensa sensibilidade, aflorada em cada sequência poética, o poder mágico de seu autor em transfigurar e multirradiar esteticamente a linguagem de apoio de que dispõe. 
A sua reserva de vocabulário específico, de sintaxe e semântica poéticos vão no afastamento, portanto, da mera linearidade linguística. 
Além disso, é obra em que se configura uma abertura para o mais íntimo e eterno do ser humano, não só pela revitalização de assuntos e temas percucientes à Inconfidência Mineira, mas também no conjunto harmonioso de suas dissonâncias gritantes e na originalidade de expressão. Aqui um papel de Poeta, aqui um compromisso com a Poesia e a Vida. Aqui também sua modernidade, revelada nos arcaísmos renovados, na insólita carnavalização das abordagens históricas. É o que se pode classificar de social/histórico trazido às derradeiras consequências e inconsequências. (...)
 
II. AS EPÍGRAFES 
 
A primeira epígrafe foi extraída da abertura de um texto de João Guimarães Rosa, intitulado Minas Gerais, constante do livro "ave, palavra", a saber:
Minas é a montanha, montanhas, o espaço erguido, a constante emergência, a verticalidade esconsa, o esforço estático, a suspensa região  que se escala.
A segunda epígrafe foi extraída do poemário "Romanceiro da Inconfidência" de Cecília Meireles. Trata-se de uma das estrofes extraída do Romance XX ou Do País da Arcádia que põe em relevo a crispada onda de sublevação, de fundas e sombrias memórias:
“O país da Arcádia, /súbito, escurece /em nuvens de lágrimas. /Acabou-se a alegre /pastoral dourada: /pelas nuvens baixas, /a tormenta cresce.
O livro Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meireles reporta-se a um momento da história brasileira bastante conhecido, o qual esteve relacionado à primeira escola literária eminentemente brasileira, o Arcadismo, que foi retomado, no poema, pela palavra "arcádia". O termo "arcádia" refere-se a uma sociedade literária vigente no período colonial nacional, quando a descoberta de ouro na província das Minas Gerais levou a um aumento significativo da sociedade mineira, intensificado pela ida de uma série de indivíduos àquela região mineradora. Efetivamente, o movimento árcade se desenvolveu no Brasil com a fundação, em Vila Rica, no ano de 1768, da “Arcádia Ultramarina”, tendo como referência a publicação, por Cláudio Manuel da Costa, de suas “Obras Poéticas”, constituindo o embrião de uma geração literária brasileira. Além de Claudio Manuel, vários escritores se destacaram no Arcadismo brasileiro, como Tomás Antônio Gonzaga, Frei José de Santa Rita Durão, Inácio de Alvarenga Peixoto, José Basílio da Gama e Manuel Inácio da Silva Alvarenga, quase todos envolvidos com a Inconfidência Mineira e naturais de Vila Rica. 
 
A terceira epígrafe foi extraída da mesma obra de Cecília Meireles e resumidamente aborda o Romance XXXV ou Do Suspiroso Alferes, em que, na sexta esfrofe, propõe Minas intransponível pelas "altas montanhas" e de grande extensão até à Corte pelas "infinitas campinas", acompanhado do reiterado refrão de Tiradentes: "Ah! se eu me apanhasse em Minas!", acreditando que lá em Minas tudo seria diferente: tudo iria se arranjar. Esse refrão expressa o desejo de retornar a Minas, terra dos Inconfidentes. Entretanto, o administrador de uma fazenda, em um depoimento nos Autos da Devassa, menciona que estava combinado entre ele e Tiradentes que ele arranjaria uma canoa, na qual o Alferes fugiria. Os planos de fuga acontecem, embora não concretizados, porque Tiradentes ainda ignora que não tinha mais jeito, já havia sido traído e estava totalmente desamparado.
 
III. SIMBOLOGIA DO PASTOR 
 
[CHEVALIER & GHEERBRANT, 1989, 591-2], no verbete PASTOR, discorre sobre o termo:
(...) o simbolismo do pastor comporta também um sentido de sabedoria intuitiva e experimental. O pastor simboliza a vigilância; sua função é um constante exercício de vigilância: ele está desperto e lê. Por isso é comparado ao sol, que tudo vê, e ao rei. Além disso, o pastor, ao simbolizar o nômade, como já foi dito, está privado de raízes; representa a alma que, no mundo, jamais é sedentária - está sempre de passagem. No que concerne ao seu rebanho, o pastor exerce uma proteção ligada a um conhecimento. Sabe qual o alimento que convém aos animais sob seus cuidados. É um observador do céu, do Sol, da Lua, das estrelas; é capaz de prever o tempo. Por causa das diferentes funções que exerce, o pastor aparece como um sábio, cuja ação deriva da contemplação e da visão interior. (...)

 IV. POEMAS SELECIONADOS  

Da segunda parte do livro Pastoral de Minas (1981), Retratos no Vento, selecionamos para transcrição os poemas de Geraldo Reis dedicados à memória de seu avô e de seu pai, aliada a uma visão poética de um cavalo branco fictício, de elevada simbologia. 

a) Com dísticos

I.
As botas do meu avô
eram pesadas de sono

a cabeleira dele
vaidosa de morrer.

As aventuras do meu avô
eram rios afogados

por sobre morros e vales
meu avô se desgastava.

Venho de seus erros e cangalhas
de seus burros e ravinas
de seus anseios e falhas.

II.
segunda-feira levanto
mas quase sempre deitado

como o sinistro perante
meu pai de olhos cerrados

durmo acordado com tanto
silêncio que tem me dado

há nesses pés de agapanto
meu pai de olhos cerrados

como quem na vida tanto
come o pão do desagrado

silenciosa pelos cantos
minha mãe tem desandado

no coração desabando
pesadelos acordados

e espanta o sinistro quando
meu pai acorda tocando
seus decotes arriados. 
 

b) Quase só com sextetos 

V. ária 

Eu vi um cavalo branco ¹
à hora da ave-maria
eu vi um cavalo branco
além da sinestesia
da metáfora, do canto
que ele cantava e morria.

Eu vi um cavalo baio
ao som da ave-maria
com relinchos e lacaios
de elegante simetria
era um cavalo encantado
que soluçava e morria.

Era um cavalo encantado 
era um potro de alegria
se revelava no prado
se revelava no dia
na canção de um copo d'água
que ele tomava e morria.

Era um cavalo encantado
subitamente se abria
eram pétalas de fado
com barulhos de alegria
era um cavalo encantado
que gargalhava e morria.

Desse cavalo, onze avos
era o que me competia
por isso desencantá-lo,
cavalgá-lo; quem queria
esse cavalo enviado
que me acordava e morria?

Por isso vê-lo, tocá-lo 
necessário se fazia
a canção desse cavalo
era mansa e me sabia,
por isso desencantá-lo,
cavalgá-lo. Quem seria?

Um cavalo sem remédio
sem amarras e arreio
me recomenda no tédio
me revigora no freio
esse cavalo encantado
não era belo, era feio.

O que sabia calava
o que calava hoje leio
era um cavalo de fava
feito de grama 
 e no meio
desse cavalo ficava
meu mundo de devaneio.

Por isso vê-lo, tocá-lo
necessário se fazia
a canção desse cavalo
era mansa e me sabia
por isso desencantá-lo,
depená-lo. Quem seria?

...

Era negro, era branco esse cavalo
soterrado em suspiros e recantos
pra reavê-lo um dia fui rimá-lo
minha fábula de clínica e de canto.

Era negro, era baio e erradio
sem roteiro qualquer e sem repasto
era bilíngue em canto ao fim do dia
uma babel difusa além do pasto.

Havia nele a fala indecifrável
da libido de amor que nele havia
não reavê-lo havia além do fado
que me acordava enquanto ele morria.

Nem mesmo Pégaso o noticiara
ou lhe emprestara enfim dispositivo
com que tivesse ele nova tara
e fosse morto ao mesmo tempo e vivo.

Nem mesmo Pégaso ou qualquer vivente
dele soubera ou mesmo conotara
o que dele restava dissidente.

E era um cavalo branco e era negro
e era humano e divino e nunca fora:
seu desencanto, meu desassossego.

 

V. NOTA EXPLICATIVA do Gerente do Blog

 
¹ A visão do céu aberto em que há a aparição de um cavalo branco nos remete ao livro do Apocalipse 19:11. 

Fonte: REIS, Geraldo: seções de nº I, II e V de Retratos no Vento. In Pastoral de Minas. Prefácio de Pascoal Motta. Belo Horizonte: Editora Comunicação & Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esportes, da Prefeitura de Belo Horizonte, 1981. Seção I: p. 67; seção II: p. 68 e seção V: pp. 74-77. 

terça-feira, 2 de junho de 2026

MORTE E SOLIDÃO NA CRÔNICA VAE SOLI ! DE MACHADO DE ASSIS

Por Francisco José dos Santos Braga

 
I. INTRODUÇÃO 
 
A escolha do gênero crônica por Machado de Assis para abrigar o tema acontecimento de morte e solidão não foi acidental mas proposital, porque se optasse por outro gênero literário como o romance, a novela ou o conto, teria que adotar uma narrativa extensa que revelasse ações de personagens dentro de um enredo. Por outro lado, tendo escolhido a crônica, adotou uma narrativa breve que focou em acontecimentos do cotidiano, sem maiores pretensões. Segundo [CANDIDO et alii, 1992, 13], a crônica é um gênero menor (1992, p. 13). Parece, entretanto, que, se a crônica é da autoria de Machado de Assis, a percepção muda de figura, relativizando o dizer do crítico literário, considerando ademais ter sido o gênero por excelência explorado por Machado por mais de 40 anos de prática nos jornais cariocas. Durante praticamente toda a carreira, Machado escreveu crônicas jornalísticas, seja nos folhetins ¹ do rodapé da primeira página, seja em outras seções. Segundo Ubiratan Machado:
Como cronista, Machado foi uma testemunha de seu tempo, apaixonado na juventude, desconfiado na meia-idade, francamente desiludido na maturidade, que legou um painel para a compreensão do Brasil de sua época e de como os homens de então entendiam os acontecimentos. ² 
 
Outra curiosidade prende-se à época em que a crônica foi escrita: meados de 1892. Não devíamos esperar que Machado de Assis continuaria atrelado ao ideal romântico na sua crônica no momento em que os ares do Realismo já faziam parte de sua concepção literária. Em sua História da Literatura Brasileira, José Verissimo dedica um capítulo inteiro a Machado de Assis e lhe separa duas fases de sua obra: uma ligada à escola romântica e outra realista. No entanto, é enfático ao registrar logo de início:  
A data do seu nascimento e do seu aparecimento na literatura o fazem da última geração romântica. Mas a sua índole literária avessa a escolas, a sua singular personalidade, que lhe não consentiu jamais matricular-se em alguma, quase desde os seus princípios fizeram dele um escritor à parte, que tendo atravessado vários momentos e correntes literários, a nenhuma realmente aderiu senão mui parcialmente, guardando sempre a sua isenção. 
 
Isto posto, com diversos elementos contrários às tradições, os romances machadianos da primeira fase (escola romântica ou do convencionalismo) seriam Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1874), Helena (1876), Iaiá Garcia (1878), enquanto que os da segunda seriam todos os outros restantes de sua carreira, Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899)  esses três conhecidos como Trilogia Realista , Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908), pertencentes a um Realismo heterodoxo próprio de Machado. Embora esta divisão seja ortodoxa entre os acadêmicos, o próprio Machado escrevera numa apresentação de uma reedição de Helena que este romance e os outros de sua fase "romanesca" possuíam um "eco de mocidade e fé ingênua." 
 
Machado de Assis é considerado o introdutor do Realismo no Brasil, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881). Aparecem já nos romances da segunda fase, sobretudo em Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) e em Quincas Borba (1891), e mesmo em diversos contos, todos os elementos centrais trazidos de forma contundente pelo Realismo: a crítica social, sobretudo uma crítica dirigida à burguesia, a crítica à escravidão, ao uso do "homem pelo homem", a crítica a um sistema capitalista puramente interesseiro, financeiro, calculista do dinheiro pelo dinheiro e da mercantilização da vida, das relações, do casamento, etc.
 
Carolina Augusta (✞ Porto, 20/02/1835-Rio de Janeiro, 20/10/1904)-Crédito: Wikipedia Commons
 
Outro fato marcante na vida de Machado e que influenciou muito sua obra posterior foi seu casamento com a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais em 12/11/1869. Carolina era extremamente culta e apresentou ao marido os grandes clássicos da literatura portuguesa e diversos autores da língua inglesa; além disso, a sobrinha-bisneta de Carolina, Ruth Leitão de Carvalho Lima, sua única herdeira, revelou numa entrevista de 2008 que, frequentemente, a esposa retificava os textos do marido durante sua ausência; finalmente, conta-se que ela muito provavelmente tenha influenciado no modo de Machado escrever e, por consequência, tenha contribuído para a transição de sua narrativa convencional à realista. Não tiveram filhos, entretanto. Depois de morarem no Catete, foram residir na casa nº 18 da rua Cosme Velho (a residência mais famosa do casal), onde ficaram até a morte. Do nome da rua surgiu o apelido "Bruxo do Cosme Velho", dado por conta de um provável episódio onde Machado queimava suas cartas em um caldeirão, no sótão da casa, fato que impressionou a vizinhança que passou a tratá-lo com essa alcunha. Em 20/10/1904, faleceu Carolina aos 70 anos de idade. Com a morte da esposa, Machado entrou em profunda depressão, notada pelos amigos que o visitavam, e, cada vez mais recluso e doente, encaminhou-se também para sua morte. Ou seja, ele próprio conviveu durante quatro anos com a dor e o sofrimento devido ao acontecimento de "solidão e morte" que ele havia visualizado, apenas teórica e convencionalmente, no conto Vae Soli! para a viúva solitária em busca de uma companhia afetiva. Em 29 de setembro de 1908 na casa de Cosme Velho, Machado de Assis morreu aos sessenta e nove anos de idade. 
 
A crônica Vae Soli! foi publicada pela Gazeta de Notícias, edição de 17/07/1892 e, posteriormente, em 1899 no livro Páginas Recolhidas ³, publicado pelo H. Garnier, Livreiro Editor. Neste livro a crônica, já próxima ao seu fim, omite três parágrafos, os quais foram provavelmente considerados dispensáveis pelo próprio autor, embora se desconheça a razão que o levou a autorizar o corte. Neste trabalho a crônica será oferecida nas duas modalidades: integral e reduzida, sendo os três parágrafos cortados apresentados entre chaves [ ] e em itálico. 
 
VAE SOLI!  
 
Um dia desta semana, farto de vendavais, naufrágios, boatos, mentiras, polêmicas, farto de ver como se descompõem os homens, acionistas e diretores, importadores e industriais, farto de mim, de ti, de todos, de um tumulto sem vida, de um silêncio sem quietação, peguei de uma página de anúncios, e disse comigo: "Eia, passemos em revista as procuras e ofertas, caixeiros desempregados, pianos, magnésias, sabonetes, oficiais de barbeiro, casas para alugar, amas-de-leite, cobradores, coqueluche, hipotecas, professores, tosses crônicas..." 
 
E o meu espírito, estendendo e juntando as mãos e os braços, como fazem os nadadores, que caem do alto, mergulhou por uma coluna abaixo. Quando voltou à tona, trazia entre os dedos esta pérola:
Uma viúva interessante, distinta, de boa família e independente de meios, deseja encontrar por esposo um homem de meia idade, sério, instruído, e também com meios de vida, que esteja como ela cansado de viver só; resposta por carta ao escritório desta folha, com as iniciais M. R...., anunciando, a fim de ser procurada essa carta.” 
Gentil viúva , eu não sou o homem que procuras, mas desejava ver-te, ou, quando menos, possuir o teu retrato, porque tu não és qualquer pessoa, tu vales alguma coisa mais que o comum das mulheres . Ai de quem está só! dizem as sagradas letras; mas não foi a religião que te inspirou esse anúncio. Nem motivo teológico, nem metafísico. Positivo também não, porque o positivismo é infenso às segundas núpcias. Que foi então, senão a triste, longa e aborrecida experiência? Não queres amar; estás cansada de viver só.  
 
E a cláusula de ser o esposo outro aborrecido, farto de solidão, mostra que tu não queres enganar, nem sacrificar ninguém. Ficam desde já excluídos os sonhadores, os que amem o mistério e procurem justamente esta ocasião de comprar um bilhete na loteria da vida. Que não pedes um diálogo de amor, é claro, desde que impões a cláusula da meia idade, zona em que as paixões arrefecem, onde as flores vão perdendo a cor purpúrea e o viço eterno. Não há de ser um náufrago, à espera de uma tábua de salvação, pois que exiges que também possua. E há de ser instruído, para encher com as luzes do espírito as longas noites do coração, e contar (sem as mãos presas) a tomada de Constantinopla. 
 
Viúva dos meus pecados, quem és tu que sabes tanto? O teu anúncio lembra a carta de certo capitão da guarda de Nero. Rico, interessante, aborrecido, como tu, escreveu um dia ao grave Sêneca, perguntando-lhe como se havia de curar do tédio que sentia, e explicava-se por figura: Não é a tempestade que me aflige, é o enjoo do mar. Viúva minha, o que tu queres realmente, não é um marido, é um remédio contra o enjoo. Vês que a travessia ainda é longa,  porque a tua idade está entre trinta e dois e trinta e oito anos,  o mar é agitado, o navio joga muito; precisas de um preparado para matar esse mal cruel e indefinível. Não te contentas com o remédio de Sêneca, que era justamente a solidão, a vida retirada, em que a alma acha todo o seu sossego. Tu já provaste esse preparado; não te fez nada. Tentas outro; mas queres menos um companheiro que uma companhia. 
 
Pode ser que a esta hora já tenhas achado o esposo nas condições definidas. Não estás ainda casada, porque é preciso fazer correr os pregões, e tens alguns dias diante de ti, para examinar bem o homem. Lembra-te de Xisto V, amiga minha; não vá ele sair, em vez de um coração arrimado à bengala, um coração com pernas, e umas pernas com músculos e sangue; não vás tu ouvir, em vez da tomada de Constantinopla, a queda de Margarida nos braços de Fausto. Há desses corações, nevados por cima, como estão agora as serras do Itatiaia e de Itajubá, e contendo em si as lavas que o Etna está cuspindo desde alguns dias. 
 
Mas, se ele te sair o que queres, que grande prêmio de loteria! Junto à amurada do navio, vendo a fúria do mar e dos ventos, tu ouvirás muitas coisas sérias  [. Ele te contará a retirada de uma parte da Câmara dos Deputados, muito menos interessante que a dos Dez Mil, e muito menos hábil. Dir-te-á que a anistia foi votada, depois que parte daquela parte voltou às suas cadeiras, para não demorar mais a situação dos que ela defendia; e recitará fábulas de Lafontaine, porque todos os homens sérios recitam fábulas, e dir-te-á com a melopeia natural dos que se não contentam com a música dos versos:
Rien n’est plus dangereux qu’un maladroit ami: Mieux vaut un franc ennemi.
E tu, querida incógnita, far-lhe-ás outras perguntas, e mais outras, se gosta de espinafres, se já leu o último livro de Zola. Quanto ao livro, a primeira resposta será que não; a segunda será que sim, tirá-lo-á do bolso, e ler-te-á logo os primeiros capítulos. Como todo homem sério gosta de comparações, ele dirá que esses regimentos e corpos de exército que vão e vêm, sem saber nada, dão idéia de outras campanhas de espíritos, que andam na mesma desorientação; e que assim como os exércitos franceses levavam consigo, em 1870, as cartas topográficas da Alemanha, e nenhuma da França, que nem conheciam, assim nós temos andado desde 1840 com as cartas de Inglaterra, da Bélgica e dos Estados Unidos da América, e mal sabemos onde fica Marapicu. 
 
Neste ponto, viúva amiga, é natural que lhe perguntes, a propósito de Inglaterra, como é que se explica a vitória eleitoral de Gladstone, e a sua próxima subida ao poder. E ele enfiando os dedos pela mais séria das suas duas suíças, responderá que é a coisa mais natural do mundo, e que logo que tenhamos república parlamentar isto nos há de acontecer frequentes vezes; que a oposição, como agora na Inglaterra, instará para que a Câmara seja dissolvida; que o ministério, receoso de cair, levará a negar a dissolução, como se deu na Inglaterra; que, alcançada a dissolução, o povo elegerá os oposicionistas, e o ministério irá pedir a demissão ao presidente; finalmente, que assim aconteceu até 1889 com a monarquia, e não há razão para que aconteça depois de 1889, com a República. 
 
E irás por esse modo ouvindo mil coisas sérias] e graciosas a um tempo, seguindo com os olhos a fúria dos ventos e o tumulto das ondas, livre do enjoo, como pedia aquele capitão de Nero, e por diferente regímen do que lhe aconselhou o filósofo. E a tua conclusão será como a tua premissa; em caso de tédio, antes um marido que nada. 
Gazeta de Notícias, 17 de julho de 1892.
 
 
II. NOTAS EXPLICATIVAS  
 
¹ O folhetim (do francês feuilleton) era uma seção, geralmente no rodapé da primeira página do jornal, onde um escritor publicava uma coluna com uma crônica (folhetim-crônica), ou um romance em capítulos (romance folhetinesco), que poderia depois ser lançado em livro. 
 
²  MACHADO, Ubiratan: Dicionário de Machado de Assis, verbete "Cronista". 
 
³ Observa-se uma ligação entre literatura e filosofia, a partir da própria epígrafe do livro "Páginas Recolhidas" que cita uma frase do livro I, cap. XLVI dos Ensaios de Montaigne: "Quelque diversité d'herbes qu'il y ayt, tout s'enveloppe sous le nom de salade." (Por grande que seja a diversidade das ervas, chamam a tudo salada'), em alusão à variedade de textos do livro, conforme esclarece o prefácio do autor: “Montaigne explica pelo seu modo a variedade deste livro.” 
Agora, em se tratando da crônica Vae Soli!, constata-se outra aproximação com a filosofia quando compara o anúncio da viúva com a carta de certo capitão da guarda de Nero ao filósofo estóico Sêneca, na qual indaga se havia modo de se curar do tédio que sentia. A resposta de Sêneca ao inquiridor foi que o remédio para o seu tédio era justamente a solidão, a vida retirada em que a alma acha todo o seu sossego. Então, voltando ao caso particular da viúva, o narrador conclui que esse preparado ou remédio já foi tentado pela viúva, sem sucesso; para não desanimá-la, sugere que tente outro, mas com a ressalva de que o que ela procura na realidade não é um companheiro, mas uma companhia. Se vivesse hoje em dia,  o narrador possivelmente sugeriria a adoção de pets para a ajudarem a amenizar a solidão. 
 
 Expressão idiomática latina corretamente escrita (frequentemente aparece de forma incorreta como vae solis) que significa "Ai do solitário!", mencionada no livro do Eclesiastes, 4: 10. Descreve a situação deplorável de alguém abandonado a si mesmo. O texto completo diz: “Vae soli, quia cum ceciderit, non habet sublevantem”, que se traduz como: Ai do solitário, porque quando cair, não tem quem o levante. No caso da crônica machadiana, a uma viúva restava apenas um de dois comportamentos, visualizando a condição da mulher no contexto romântico brasileiro: a solidão ou a "quase liberdade" da viúva de buscar um novo companheiro, onde não está ausente um interesse particular de que ele possa prover meios de vida. 
 
 O narrador em primeira pessoa introduz o leitor no universo da ficção por meio de um compartilhamento de uma notícia lida num jornal, que anunciava a viuvez de uma mulher descrita como “uma viúva interessante, distinta, de boa família e independente de meios”, que busca “encontrar por esposo um homem de meia idade, sério, instruído, e também com meios de vida, que esteja como ela cansado de viver só; resposta por carta ao escritório desta folha”. Identificam-se aí os acontecimentos da morte (do marido) e da solidão de uma viúva no final do século XIX. 
 
 A partir deste ponto, o narrador (uma figura masculina) passa a tratar a viúva em tom mais coloquial, quase íntimo, tratando-a por tu e a discutir o estado de solidão dessa viúva, desencadeado pela morte de seu esposo. No caso desta crônica, a solidão é principalmente ausência da companhia afetiva de um esposo, alguém que possa conversar e trocar confidências e preferências pessoais. Em outras obras mais extensas como nos romances Dom Casmurro (1899) e Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), a solidão é o terreno fértil para o questionamento, onde a mente se volta sobre si mesma. 
 
 O narrador faz uma distinção entre as mulheres, apontando para uma hierarquia entre elas, ao dizer: “tu vales alguma coisa mais que o comum das mulheres”. 
 
 Aqui o narrador constata o realismo da viúva que passa longe do ideal romântico. Ela, na opinião do narrador, não demonstra possuir paixões sexuais, mas desejar o compartilhamento de afinidades afetivas e espirituais, ao expor o realismo da decisão da viúva, quando diz: Não queres amar; estás cansada de viver só e, mais tarde, quando enuncia: queres menos um companheiro que uma companhia. A partir dessa constatação, o narrador inicia um diálogo fictício com a viúva que permanece silente até o fim da crônica, não nos permitindo saber se ela concorda ou não com as pitadas de humor ou ironia de seu interlocutor que vasculha os clássicos latinos, franceses e ingleses para endossar seu juízo e raciocínio. Em todos os casos, após interpelá-la, não se segue a resposta da viúva. De fato, não dispomos da voz feminina ao longo da crônica, embora a conheçamos pelo anúncio que publicou no jornal; logo temos de nos contentar com a única voz que é a do narrador, que é onisciente. Essa postura crítica machadiana  de silenciar total ou parcialmente a voz de suas personagens femininas  fica especialmente evidente no clássico dilema da traição de Capitu que quase não fala e, ao falar, tem sua fala reproduzida por um narrador ciumento e mal-intencionado, deixando-nos incertos quanto à veracidade da sua traição. 
 
 Possivelmente julgando ser mais direto ao ponto e mais palatável para o leitor, o próprio Machado de Assis enxugou o próprio texto, tendo omitido os três seguintes parágrafos da crônica de 17 de julho de 1892 na coluna "Semana" da Gazeta de Notícias, depurados do texto integral, identificados aqui entre chaves e em itálico, tomando por base o site do MEC que disponibiliza gratuitamente todas as obras de Machado de Assis, incluindo suas crônicas. Com efeito, é a versão simplificada de Vae Soli! a que é recuperada posteriormente no Volume II, do livro Páginas Recolhidas, seção "Entre 1892 e 1894", publicado em 1899 pelo Livreiro-Editor H. Garnier, Rio de Janeiro, pp. 235-238
 
 
III. BIBLIOGRAFIA 
 
ARAÚJO, Ruy Magalhães de: Machado de Assis: Dimensão diatônica de alguns aspectos do pessimismo, revista SOLETRAS (UERJ), vol. 1, pp. 7-18, 2006 
 
ASSIS, Machado de: Páginas Recolhidas, Rio de Janeiro: H. Garnier, Livreiro-Editor, 1899, 262 p. 
 
CANDIDO, Antonio et alii: A crônica: o gênero, sua fixação e suas transformações no Brasil. Campinas; Rio de Janeiro: UNICAMP; Fundação Casa de Rui Barbosa, 1992, 551 p.
 
FERREIRA, Iasmim Santos: Morte e solidão: acontecimentos em "Vae Soli!", revista Scriptorium, vol. 5, nº 2, jul/dez 2019, 7 p. 
 
MACHADO, Ubiratan: Dicionário de Machado de Assis, Rio de Janeiro/São Paulo: Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Imprensa Nacional de Portugal, 2ª edição, 2021 
 
WIKIPEDIA: verbete Obra de Machado de Assis 
 
___________: verbete Páginas Recolhidas 
 
___________: verbete Machado de Assis 

sábado, 23 de maio de 2026

SOM DA LIBERDADE

Por Blog KATOHIKÁ NEWS: comunidade de informação alternativa, de pesquisa gratuita e de bom humor

Tradução livre do grego, com análise e comentários por Francisco José dos Santos Braga

Dedicado ao Prof. Alexandre Orfanídis, que, na época do lançamento do filme na Grécia, me enviou o texto com a sugestão de vê-lo publicado no Blog do Braga e a quem devo reconhecimento pela excelente sugestão.

Pôster do filme - Crédito pela imagem: Wikipedia
I. Tradução do texto grego
 

Estamos diante de um filme baseado em fatos reais e nas experiências de Tim Ballard, ex-agente de Segurança Nacional dos Estados Unidos e fundador da organização Operation Underground Railroad (OUR). “Sound of Freedom” (“Som da Liberdade”): é esse filme que revela os mecanismos de promoção da pedofilia e das redes de tráfico infantil nos Estados Unidos. 
O ator Jim Caviezel, conhecido pelo filme “A Paixão de Cristo”, afirmou que o objetivo de seu novo filme, “Som da Liberdade”, é revelar a realidade por trás do tráfico de crianças para fins sexuais nos Estados Unidos e alertar os pais sobre o que ele chamou de “agenda pedófila”, que vem sendo promovida há décadas. 
Nesse filme, Caviezel interpreta Tim Ballard, uma pessoa real e ex-agente de Segurança Nacional que, após resgatar um menino de traficantes, fica sabendo que a irmã dele ainda está presa. Ele abandona o emprego e arrisca a própria vida, dando início a uma missão na selva colombiana para resgatar a menina.
 
Uma cena do filme "The Sound of Freedom", estrelado por Jim Caviezel, que foi lançado nos EUA em 4 de julho de 2023. (Cortesia da Angel Studios)

1) Entrevista conjunta no programa "American Thought Leaders" da EpochTV concedida à apresentadora Jan Jekyllek
 
Nessa entrevista, Caviezel e Tim Ballard, da vida real, disseram que as cenas que o filme retrata, por mais sombrias e perturbadoras que sejam, são baseadas em eventos e pessoas reais. "É uma história absolutamente verdadeira", disse Caviezel. "Todos os personagens são reais. Todos os vilões são reais." 
"No final do filme [...] são mostrados todos os mocinhos, os bandidos, as crianças e onde elas estão hoje", disse Ballard. "Nós sabemos onde elas estão. São crianças reais, todas elas. Algumas trabalham para nós. Outras, como jovens adultos hoje, chegaram a salvar pessoas do tráfico humano." 
Em 2013, Ballard deixou seu cargo no governo para fundar a Operation Underground Railroad (OUR), uma organização sem fins lucrativos que trabalha com agências de aplicação da lei em todo o mundo para resgatar crianças da exploração e ajudá-las a se recuperar. Elas atuam em locais onde a instabilidade e os conflitos tornam mulheres e crianças mais vulneráveis ​​ao tráfico humano, incluindo países como Equador, México e Ucrânia. 
De acordo com a OUR, o que alimenta e promove o sequestro e a exploração sexual de crianças nesses países é uma crescente base de clientes nos Estados Unidos. 
“Os números são enormes: US$ 150 bilhões em lucros anuais são gerados pela escravização de homens, mulheres e crianças”, disse Ballard, observando que a estimativa é de que 27 milhões de pessoas em todo o mundo vivem em situação de escravidão, das quais 6 milhões são crianças. “Estima-se que 2 milhões delas [crianças] sejam especificamente visadas para o comércio sexual”, continuou o ex-agente federal. “Os Estados Unidos são o terceiro maior país de destino do tráfico humano, o maior consumidor de vídeos de estupro infantil e estamos nos aproximando do maior produtor de material de exploração infantil”, concluiu o ex-agente federal.
 
2) “Uma Arma Poderosa Contra o Mal”

Em 2019, Ballard testemunhou perante o Comitê Judiciário do Senado, argumentando que uma barreira ampliada e reforçada na fronteira entre os EUA e o México seria uma “ferramenta eficaz” para combater aqueles que tentam contrabandear crianças para o país com o objetivo de vendê-las para exploração sexual. Por oportuno, ele acredita que a fiscalização inadequada das fronteiras entre os dois países pode fazer parte de uma agenda maior que atende a esse mercado lucrativo.
“Por que mais de 85.000 menores desacompanhados apareceram nos últimos dois anos na fronteira sul e foram entregues a lares adotivos sem verificação de antecedentes, sem teste de DNA?”, questionou. “Milhares dessas crianças [...] aparecem por conta própria com um nome: ‘Liguem para este número, por favor, e me levem para o meu lar adotivo’. É assim: elas conseguem o número e aparecem.”
“As mídias de notícias falsas também estão promovendo essa agenda que evita a palavra ‘pedófilo’. Elas querem chamá-los de ‘pessoas que são atraídas por menores’”, acrescentou. “A sexualização de crianças, o direito das crianças ao consentimento, a expulsão de Deus da educação, eis o que todas as plataformas, que os grupos pedófilos organizados promoviam, estão agora sendo implementadas pela esquerda ‘woke’”.
Para pais e americanos preocupados Caviezel declarou que seu filme os ajudará a entender melhor a realidade e o que precisam fazer para proteger seus entes queridos.
“O filme é muito impactante porque mostra como o tráfico sexual infantil acontece de forma sistemática”, disse. “Mas também nos ajuda. Nos ensina a reconhecer os sinais de alerta. Pai e mãe devem zelar por seus filhos e protegê-los. Enterrando a cabeça na areia como avestruz, não estamos protegendo nossas crianças.”
“Quando o filme terminar, você não vai se levantar como em ‘A Paixão de Cristo’ ou ‘A Lista de Schindler’”, acrescentou o ator. “E a diferença entre ‘A Lista de Schindler’ e este filme é que ‘A Lista de Schindler’ levou 50 anos para ser concluído. Nós estamos mostrando isso agora, enquanto acontece. E essa é uma arma poderosa contra o mal.” 
 
3) Uma mensagem de liberdade para o 4 de julho de 2023
 
“Som da Liberdade” estava programado para estrear nos cinemas em 4 de julho, aniversário da Declaração de Independência dos EUA da Grã-Bretanha, o que significava que competiria com grandes sucessos de bilheteria como “Missão: Impossível”, com Tom Cruise, “Indiana Jones”, com Harrison Ford, e o drama sobre a bomba atômica “Oppenheimer”, de Christopher Nolan. Mas Caviezel insistira na data de lançamento.
“Por algum motivo, essa questão do 4 de julho era muito importante”, disse Caviezel. “E realmente é: podemos devolver a liberdade a essas crianças no nosso Dia da Independência?”
“É muito difícil ser americano hoje em dia, porque realmente não temos mais um país”, continuou ele. “Se por país você quer dizer uma nação soberana com fronteiras, não temos mais uma fronteira sul. Tudo isso faz parte da essência do nosso país.”

Caviezel então se dirigiu à sua plateia, dizendo que muitos deles estão incomodados com as mudanças culturais, a doutrinação sexual e racial radical de esquerda no ensino fundamental e médio, e as grandes corporações que promovem a sexualização explícita de crianças.
“E do nada surge essa luz: chama-se ‘Som da Liberdade’”, disse ele. “Representa o que eles acreditam sobre a América. Eles vão dar seu dinheiro para algo que representa Deus para eles.”
Segundo Caviezel, “Som da Liberdade” havia superado em vendas o quinto filme da franquia “Indiana Jones” em 25% até 21 de junho, dia da entrevista.
“Acho que muitas pessoas que assistiram a este filme quiseram fazer a coisa certa. É como as sementes na parábola de Jesus, algumas caindo em solo fértil, outras em solo ruim [...] e você vê isso bem diante dos seus olhos.”
(Contribuição de Bill Pan / Editado por Alia Zae) 
 
 
II. POSFÁCIO por Francisco José dos Santos Braga
 
“Som da Liberdade” é um filme estadunidense de 2023, do gênero drama de ação, roteirizado e dirigido por Alejandro Monteverde, baseado na história real de um ex-agente do governo norte-americano que em 2013 resgatou, como comandante do grupo "Operation Underground Railroad", crianças das garras de traficantes colombianos que operavam uma rede de exploração sexual. Foi estrelado por Jim Caviezel (como Tim Ballard), Mira Sorvino (esposa de Tim) e Bill Camp (ator como Batman e assistente do diretor Alejandro). Caviezel interpretou esse ex-agente especial do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos que se tornou vigilante, tendo embarcado em uma perigosa missão para resgatar crianças de traficantes sexuais na Colômbia. Sound of Freedom foi lançado nos Estados Unidos em 4 de julho de 2023. O filme caiu nas graças da direita e é alvo de críticas da esquerda americanas, tendo se tornado um fenômeno controverso nas bilheterias americanas, superando blockbusters no país. 
Originalmente programado para ser distribuído pelos estúdios 20th Century Fox, o acordo foi cancelado quando a Disney comprou a empresa em 2019. Os produtores puderam comprar novamente os direitos de distribuição mundial para "Som da Liberdade", adquiridos pelo Angel Studios, especializado em produções pequenas. 
O filme foi lançado no Brasil em 21 de setembro de 2023. Já em Portugal o longa-metragem tinha data prevista em 16 de novembro do mesmo ano. 
 
Elenco completo: 

Jim Caviezel como Tim Ballard
Mira Sorvino como Katherine Ballard (vencedora do Oscar 1996 de melhor atriz coadjuvante)
Bill Camp como Batman (indicado para o Primetime Emmy 2017 por seu papel como detetive Dennis Box)
Kurt Fuller como Frost
Gary Basaraba como Earl Buchanan
José Zuñiga como Roberto
Gerardo Taracena como El Alacrán
Scott Haze como Chris
Eduardo Verástegui como Paul, além de produtor do filme
Javier Godino como Jorge
Gustavo Sánchez Parra como El Calacas
Yessica Borroto como Katy Giselle
Lucas David Ávila como o pequeno Miguel
Trilha sonora de Javier Navarrete
Produção: Eduardo Verástegui
Direção: Alejandro Monteverde

Recepção
 
O Los Angeles Times noticiou que o filme se tornou parte da guerra cultural, afirmando que "apoiar o filme tornou-se um assunto do momento para o público MAGA (Make America Great Again)". O National Post argumentou que o filme era um exemplo de estúdio independente "vencendo Hollywood em seu próprio jogo". No site Rotten Tomatoes, teve um índice de aprovação de 58% baseado em 81 resenhas, com uma nota média de 5,9 (de 10). Já no site Metacritic, o filme recebeu uma nota agregada de 36 (de 100), baseado em onze críticas, indicando uma "recepção negativa" de muitos especialistas do setor. 
Os críticos do filme acusaram os cineastas de embelezar a realidade da exploração infantil e alimentar as teorias da conspiração QAnon, referindo-se a uma "crença de que um grupo central de elite adoradora do diabo governa o mundo". Vários jornalistas apontaram que o filme não mencionava nenhuma teoria da conspiração QAnon. Confirmando não haver nenhuma conexão do filme com o grupo QAnon, Tim Ballard esclareceu que o rapto de crianças para uso em rituais de feitiçaria no continente africano, em que o sangue é bebido e genitais são pendurados nos telhados de firmas com o objetivo de agradar a deuses obscuros, é bem real, mas que o grupo QAnon contesta que esses rituais são também realizados por políticos e outras pessoas em altos cargos no Ocidente, cujo objetivo é apenas recolher adrenocromo de crianças e usar como medicamento. 
Tanto Ballard quanto Caviezel tornaram públicas suas crenças nas teorias da conspiração do movimento QAnon. Caviezel, em especial, endossou a crença "fake" de que traficantes de crianças drenam o sangue de crianças para obter adrenocromo, um produto químico com supostas propriedades antienvelhecimento. Por sua vez, Ballard criticou aqueles que traçavam uma conexão entre o filme e QAnon, dizendo: "Eles não fazem nenhuma conexão com a história real. É muito difícil fazer essa conexão quando é realmente baseado em uma história verdadeira". 

Link: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sound_of_Freedom

Na pré-estreia do filme ‘Som da Liberdade’, em português, o produtor e artista mexicano Eduardo Verástegui fez um chamado aos participantes para serem “som da liberdade e não silêncio da escravidão” diante da tragédia do tráfico de crianças.
O produtor mexicano, conhecido pelo seu compromisso com a fé católica, contou como ele e Alejandro Monteverde conheceram Tim Ballard e sua história de luta contra o tráfico de crianças há oito anos em Los Angeles, Califórnia, EUA e, mais tarde, sua pesquisa que o levou a Cartagena, Colômbia: "Era impossível ficar calado, porque o silêncio estimula o pedófilo, o perverso, o criminoso, o bandido”, disse. 

Para Verástegui é “impossível ficar de braços cruzados” depois de ouvir “uma história como a de Sound of Freedom (...) quando este grupo de especialistas em resgate de crianças conta detalhadamente o que fazem a tantas crianças no mundo, o que fazem para resgatar essas crianças, como viajam disfarçados por diferentes partes do mundo, visitando os cantos mais escuros do planeta como um raio de luz, penetrando na escuridão, resgatando crianças sequestradas para exploração sexual”.
Ao não fazer nada diante desta tragédia, “o mal triunfa”, disse. “Quando as pessoas boas ficam em silêncio, elas não são mais pessoas boas, porque são parte do problema”.
Essas palavras foram ditas no dia 29/08/2023 na Cidade do México no dia da pré-estreia do filme.

Link: https://www.acidigital.com/noticia/56046/sejamos-som-de-liberdade-e-nao-silencio-de-escravidao-diz-eduardo-verastegui

III. BIBLIOGRAFIA

G1: 'Som da liberdade': como filme pequeno polêmico virou hit nos EUA com história real antipedofilia
Link: https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2023/09/25/som-da-liberdade-como-filme-pequeno-polemico-virou-hit-nos-eua-com-historia-real-antipedofilia.ghtml
 
BBC NEWS BRASIL: 'Som da Liberdade': a mobilização de evangélicos e bolsonaristas para filme ser líder de bilheteria no Brasil

BLOG KATOHIKÁ NEWS: Sound of Freedom (Η φωνή της Ελευθερίας) – Trailer

MORALES, Ana Paula: Sejamos “Som de Liberdade” e não silêncio de escravidão, diz Eduardo Verástegui, no acidigital Notícias
Link: https://www.acidigital.com/noticia/56046/sejamos-som-de-liberdade-e-nao-silencio-de-escravidao-diz-eduardo-verastegui
 
WIKIPEDIA: verbete Sound of Freedom