quarta-feira, 16 de outubro de 2019

RECUPERE SEU LATIM > > PARTE 5: FUNERAIS ENTRE OS ROMANOS


Por Francisco José dos Santos Braga


I. INTRODUÇÃO

Segundo [FOURASTIÉ, 1985: 337-353], para um pai de família médio, nascido dentro de uma família de 5 filhos e casado pela primeira vez aos 27 anos em finais do século XVII, as condições eram muito ruins e a sobrevivência naquela época era um grande desafio, pois sua expectativa de vida era em média até os 52 anos, quando, ao longo da vida tinha presenciado os constantes espetáculos de miséria, de má formação e de sofrimento, podendo, se tivesse sorte, entrar na categoria venerada dos “anciãos”. O autor conclui: “A diferença relativamente aos dias de hoje é de fato notável.”
[RAMOS & COSTA], levando em conta a evolução recente muito favorável dos indicadores demográficos em relação aos dados verificados no Antigo Regime, concluem que “a morte parece estar definitivamente cada vez mais longe dos indivíduos, como também os cemitérios se afastam cada vez mais dos centros das cidades, atenuando a sua presença e dissipando-se na morfologia da urbe. Se esta afirmação é verdadeira quando tomamos em consideração a evolução recente dos indicadores demográficos, o certo é que os assuntos que envolvem a morte – certamente (também) pela sua inevitabilidade – continuam a fazer parte da vida dos indivíduos.” O título de seu trabalho é “Os funerais são para os vivos. Apontamentos sobre o lugar do investigador-autor na construção da morte em perspectiva socio-antropológica”.
Este trabalho está centrado na minha tradução do texto em espanhol intitulado Los Funerales de un Romano, publicado pela Revista Europea nº 34, em 3 de janeiro de 1875, disponível na Internet, para a alegria de meus leitores que apreciam essa raridade que lhes faço chegar às mãos no conforto de seus lares. Ao mesmo tempo, compartilho com meus leitores um texto explicativo em português, intitulado O FUNERAL ROMANO, por Pe. Milton Valente, S.J., professor de Latim no Colégio Anchieta. Foi publicado no livro Ludus Secundus, 20ª edição de 1952. Esse texto explicativo em português foi precedido por outro texto latino, intitulado ÆMILII FUNUS, do mesmo autor, para o qual forneço minha tradução.
Toda a prática funerária romana foi influenciada por duas noções básicas – primeiro, que a morte trazia poluição e exigia dos sobreviventes atos de purificação e expiação; segundo, que deixar um defunto insepulto tinha repercussões negativas sobre o destino da alma do defunto, diz [TOYNBEE (1971) 43].
Essa proibição sobre sepultamento intra muros deve provavelmente ser resultado mais de considerações religiosas romanas a respeito de poluição dentro dos limites sagrados da cidade do que devido a considerações pragmáticas sobre contaminação anti-higiênica e doença.


II. TEXTOS SOBRE FUNERAIS ENTRE OS ROMANOS


II.1 OS FUNERAIS DE UM ROMANO
Tradutor: Francisco José dos Santos Braga

I.

Estamos tão acostumados a enterrar os mortos, que para nós é difícil pensar que se possa dar-lhes qualquer outro destino. Os costumes, entretanto, neste ponto, são muito diferentes e a consagração que adquire a prática tradicional em cada povo, faz considerar com horror as demais práticas. Quando Dario encontrou na Índia uma tribo que comia seus mortos, aos indivíduos desta tribo não lhes indignou menos a ideia de queimá-los, que aos soldados de Dario o canibalismo indiano. Mesmo depois que a vida tenha desertado do corpo, os hirtos despojos dos que amamos não nos são menos queridos que quando estavam animados pelo alento vital; porém, o costume produz manifestações diversas deste sentimento de carinho, e cada uma dessas manifestações é uma resposta inútil contra a lei inexorável que reduz o corpo do defunto a gases impalpáveis e a átomos de pó.
Os egípcios embalsamavam seus mortos; os hebreus os inumavam fora da vista dos vivos. Os gregos inumavam umas vezes, e outras, queimavam. Este último procedimento se generalizou com os progressos da civilização. Os persas, se dermos crédito às alusões de seus primeiros historiadores e à assertiva de seus historiadores mais recentes, depositavam seus mortos na cobertura de um edifício, onde os abandonavam às aves de rapina e aos ventos do céu. Inumar, queimar, embalsamar, tais são as três grandes alternativas adotadas pela humanidade para dispor dos mortos. A posição do defunto na inumação tem sido diversa segundo os povos: uns têm julgado conveniente inumar de pé; algumas tribos de peles-vermelhas os colocam sobre ramos de uma árvore, e os etíopes, sobre uma lousa de cristal. Os povos marítimos têm honrado algumas vezes seus chefes, colocando com grandes cerimônias o cadáver em um barco, ao qual punham fogo e abandonavam às ondas. Alguns desses povos escolhiam, para ditos funerais, rios sagrados, e outros, o mar. Tem povo que abandona os corpos mortos até que despareça a carne e só enterra os ossos. Há também os que, separando a carne dos ossos imediatamente depois da morte, vestem e adornam o esqueleto. Todavia, enterrar um homem vivo era prova de afeto em uma tribo da América do Norte, e em outra tribo não menos bárbara esta prova de afeto consistia em deixar o moribundo exposto a que o devorassem as feras.
Heródoto narra que em seu tempo existia uma tribo, na qual, quando alguém se achava doente, seus amigos mais íntimos iam dizer-lhe que a doença ia estragar a sua carne, e por mais que o enfermo protestasse e assegurasse que se encontrava bem, matavam-no e e o comiam (Thalia, 99).
É impossível classificar estes horrores entre os diversos modos de sepultura, sem falarmos dessas tribos que bebem seus mortos, depois de reduzi-los a cinzas. Basta dizer que não há costume funerário, por raro e repugnante que seja, que não tenha sido adoptado por alguma das variedades do homem selvagem.
Nos povos civilizados, os dois procedimentos funerários têm sido a cremação e a inumação; o último compreende o embalsamamento. Não julgamos que o primeiro seja característica das raças arianas, e o segundo, das semíticas. Embora Luciano chame à inumação costume dos bárbaros, e à cremação, costume dos gregos, é inegável que ambos os procedimentos se usaram alternativamente em Roma e na Grécia. A inumação é, parece, a primeira sugestão de respeito que o morto inspira a seus parentes e amigos, os quais mais tarde consideram a possibilidade de melhores meios de conservar seus restos: o embalsamamento ou a cremação. Os egípcios preferiam o embalsamamento para preservar os corpos das feras e dos vermes, considerando o fogo um meio destruidor. Os gregos, pelo contrário, viam na cremação um meio de conservar quanto podia sobreviver materialmente o homem mortal, depositando suas cinzas em ricas urnas. Interessa, pois, recordar o que sucedia a nossos antepassados na civilização, os gregos e os latinos, na última triste despedida de algum amigo querido. Vamos descrever as cerimônias das honras fúnebres no povo que, dos dois citados, nos é mais conhecido.

II.

Estamos em Roma nos primeiros anos do império, e transcorreu uma semana desde o falecimento de Caio Cornélio Cipião. Seu cadáver está exposto no vestíbulo de sua casa sobre o Palatino, uma das últimas residências senatoriais sobre a colina que o imperador deseja apropriar-se. Nesse vestíbulo estão as estátuas dos homens ilustres da família, que veem ali, imóvel e mudo como eles, o que foi unir-se a seus antepassados (ad majores). Seu filho, Lúcio, ajoelhado próximo ao cadáver, recolheu num beijo de supremo adeus o último suspiro e tirou o anéu de seu dedo. Volta-se a colocar este anéu no momento das honras. Os parentes, na habitação mortuária, soltaram um grande clamor com a vã esperança de reavivar o defunto se não sucumbiu ao sono final. Esta exclamação de luto proporcionou à língua latina a palavra conclamatio para fazer constar que tudo está consumado.
Entretanto, um mensageiro foi avisar aos libitinarii ¹, os agentes funerários. Os criados da casa lavam o corpo com água quente, e, por sua vez, os libitinarii o banham em água perfumada, derramam sobre ele pomadas cheirosas e o vestem com a toga pretexta, traje oficial da morte, como da vida é para os personagens consulares. Conforme um costume secular, põe-se uma moeda na boca do morto para pagar a passagem do rio Estige. A fronte está adornada com uma coroa de laurel, ganha por Cornélio nos campos de batalha. O vestíbulo está cheio de flores e de folhagem; um ramo de cipreste, plantado ao lado da porta exterior, serve de convite para os amigos entrarem, e de advertência para os que, por motivos religiosos, não podem entrar em uma casa onde está exposto um corpo morto. Durante sete dias, os amigos angustiados vão ver pela última vez o rosto do seu patrono e pagar-lhe o tributo de seus respeitos; eles com seus parentes são os que transportam o cadáver para fora da cidade até a pira funerária e os que depositarão a urna que contenha suas cinzas no mausoléu onde estão as urnas dos heróis de sua raça.
Um arauto percorreu a cidade para convocar os que queiram tomar parte do cortejo, porque o que morreu não era um obscuro cidadão: Roma o conhecia bem, e é certo que sua família lhe fará honras correspondentes à sua classe. E estas não se realizarão de noite, como as de qualquer pobre plebeu que parte para a grande viagem, mas se farão com todas as solenidades que possam exigir os ministros da deusa Libitina.
Desde manhã são vistos à porta da casa, vestidos com trajes de luto, chegando depois os que acertaram a ordem e as filas da procissão de acordo com os agentes da polícia. Vai começar a marcha, porque os parentes mais imediatos colocam o corpo do defunto no ataúde, que não é, como erroneamente se crê, uma suntuosa cama de marfim, mas de madeira esculpida com ricas cortinas. A um sinal dado, os parentes e os amigos a põem sobre seus ombros, e seguidos de extenso cortejo, transportam-na ao lugar onde está a pira, não longe da sepultura da família.
À frente da procissão vão os clarins que fazem vibrar o ar com melancólicos sons, precedendo às mulheres, que celebram em elegíacos cantares as virtudes do defunto; atrás das cantoras vão os atores assalariados, recitando versos apropriados às circunstâncias; o chefe ou principal ator representa por meio de uma muda pantomima as ações que mais fama deram ao defunto ². Mas quem são os personagens que vão atrás dos atores? Ressuscitaram dos mortos para render homenagem a seus descendentes? Não: são outros atores que levam sobre seu rosto máscaras de cera modeladas sobre os bustos do grande vestíbulo da casa do defunto, e vestidos com os trajes que representam os vencedores das guerras de Apúlia e de Samnium, das Gálias e de Cartago. Entre esses personagens os espectadores reconhecem Cipião, o mais famoso de todos, que na história conserva o nome de Africano; o qual conquistou o nome de Asiático combatendo Antíoco; o qual reuniu o valor do romano à ciência elegante do grego; o qual, como austero patriota, aprovou a morte de seus próprios parentes acusados de usurpação; o qual uma maestra pena conferiu segundo título de imortalidade, como o amigo de Lélio. E não são estes os únicos que, famosos em vida e sobrevivendo na memória dos romanos, honram com sua presença as exéquias de Cipião. Nenhuma família conta tantos homens ilustres.
Até agora a comitiva é puramente teatral. Vêm depois os escravos emancipados pela liberalidade testamentária do defunto; liberalidade que é testemunho de recíproco afeto do amo e seus servidores, e não ostentação orgulhosa como a dessas almas vulgares que emancipam numerosos escravos à custa de seus herdeiros; por isso, veem-se nos seus olhos verdadeiras lágrimas e verdadeira aflição em seu semblante.
Esta expressão de luto sincero é também a do maior número dos parentes e amigos de ambos os sexos que seguem imediatamente o féretro. Os homens vão vestidos de negro, as mulheres de branco, inovação recente que dá ocasião a observações críticas. As mulheres têm a cabeça descoberta e os cabelos soltos, e caminham golpeando o próprio peito. Os homens cobrem sua cabeça com um véu.
Que afluxo de pessoas! Ali se vêem todas as classes da população de Roma. O Senado completo; os simples conhecidos do defunto vão mesclados a seus amigos, alguns por satisfazer simples curiosidade, porém a maioria desejosa de honrar na morte quem por tanto tempo honraram em vida sem aproximar-se dele.
A comitiva entra no Foro e em meio daquele grande espaço, onde a justiça se administra ao ar livre, detém-se, sentando-se em semicírculo os representantes dos antepassados nas cadeiras de marfim dos magistrados. Públio, sobrinho de Cornélio, orador famoso, aparece sobre os rostos para pronunciar o panegírico de seu tio. Conta extensamente toda sua vida tão laboriosa; sua juventude consagrada ao estudo e aos exercícios militares; sua idade madura empregada em combater os inimigos de Roma ou em manter a ordem na cidade; empresa mais fácil desde que o imperador veio e submeteu todos os facciosos do interior. Públio fala de seu respeito piedoso aos deuses; de seu amor à sua esposa e filhos, de seu zelo para com seus amigos e de sua bondade com todos aqueles que com ele estavam relacionados.
“Em tudo, diz, se mostra digno de sua origem, digno de seus avós, cujas efígies estão aqui presentes, extensa fila de grandes homens que fizeram a grandeza da república.”
O sentimento que experimentavam os cidadãos de Atenas ao ouvir celebrar os nomes daqueles gregos que haviam combatido em Maratona, experimentavam-no também os cidadãos de Roma, aos quais um orador recordava as gloriosas empresas dos Cipiões.
Depois desta parada no Foro, volta a ser colocado o féretro sobre os ombros dos que compartilham a honra de levá-lo, e segue a marcha pelas ruas da Cidade Eterna, passando pela famosa porta Capena, e seguindo a Via Ápia. Ordinariamente muitos que vão na comitiva se separam dela ao chegar à porta Capena; porém, no caso atual, têm pequeno trecho a percorrer, porque o sepulcro dos Cipiões está próximo, num dos lados da Via Ápia. Não diminuiu muito o afluxo de gente quando se chega ao local onde há uma grande pira, composta de troncos grossos de madeira, entremesclados com diversas matérias inflamáveis e que, por sua forma retangular, parece altar dedicado aos poderes invisíveis.

Túmulos ao longo da Via Ápia
Uma cortina de ciprestes, transplantados com motivo da cerimônia, esparge sombra lúgubre. Sobre aquela pira se coloca o féretro com todos os seus magníficos adornos. Vertem-se sobre ele abundantemente os mais apreciados perfumes, nardo, incenso e todas as essências odoríficas que produzem Palestina e Síria, Arábia e Cilícia.
Tudo está disposto, e Lúcio Cipião se aproxima. Ao vê-lo, as mulheres dão gritos agudos e podem notar-se as lágrimas nos olhos do jovem, que vira a cabeça para não ver a pira na hora de por-lhe fogo com a tocha que leva em sua mão trêmula. A chama sobe rapidamente ao céu, exalando torvelinhos de vapor cheiroso, e quando chega ao corpo, as mulheres redobram seus clamores queixosos. Os homens guardam silêncio. Não se verificam jogos fúnebres, enquanto o fogo consome o defunto. Seus parentes não adotaram o bárbaro costume de lançar sobre a pira as armaduras, os vestidos e outros objetos do morto para que sejam queimados com ele. A multidão permanece de pé, imóvel e em muda atitude de dor.
Basta pouco tempo para reduzir a cinzas os restos mortais entregues ao fogo que mantém matérias resinosas; e quando só restam alguns tições calcinados, a multidão se dispersa, deixando à família realizar os últimos ritos da cerimônia. Os fumegantes tições são apagados com vinho, e se dirige uma invocação solene à alma do defunto. Os que intervêm nela lavam suas mãos com água pura e recolhem os ossos, fáceis de distinguir entre as negras cinzas que os cobrem.
Estas preciosas relíquias, pulverizadas primeiro com vinho e depois com leite são secadas com um lenço de linho e colocadas em uma urna de alabastro perfumada, a qual ocupa no sepulcro o nicho que lhe estava destinado. Ao redor deste sepulcro há nichos semelhantes, cada qual com sua inscrição, como nos cemitérios modernos. ³
Terminada a cerimônia, a família se despede do morto com esta piedosa frase: “Paz ao lugar de teu repouso.” Um sacerdote, na entrada do monumento, asperge três vezes água lustral sobre os que dele saem, para purificá-los de toda mancha produzida pelo contato do corpo, e os despede com a fórmula antiga:
Ilicet: “podem retirar-se.”
A família e os parentes se retiram tranquilamente pela Via Ápia, cujas margens estão semeadas de sepulcros, como de quintas estão as imediações de uma cidade moderna. Encontram já as ruas de Roma com seu aspecto habitual. Ao chegarem ao lintel da porta da casa do defunto, são pela segunda vez purificados por meio da água e do fogo, através da aspersão de água e passagem sob uma chama.
Durante nove dias viverão apartados, chorando o que não existe mais; no nono dia oferecerão um sacrifício aos deuses da morada sombria, e darão um grande banquete fúnebre, a que todos os convidados comparecerão vestidos de branco. Talvez haja também jogos públicos e combates de gladiadores, com distribuição de alimentos ao populacho. Consumado isto, a família voltará a suas ocupações habituais, deixando os homens o traje de luto, observando-o as mulheres algum tempo mais, e a viúva provavelmente por um ano. Não por isso será esquecido o defunto; de vez em quando levarão flores e perfumes ao mausoléu, acendendo nele lâmpadas para iluminar a obscuridade sepulcral, e nas épocas comemorativas se reunirão em banquetes os parentes e amigos vestidos de luto.
Assim eram os funerais na antiga Roma; porém, entenda-se que só os da aristocracia eram celebrados com esta solenidade e esplendor: os libitinarii encarregados das pompas fúnebres eram distinguidos em duas classes, chamando a cada uma por seu nome próprio. Os dos pobres se faziam geralmente de noite, e é provável que os romanos tivessem piras comuns como temos a fossa comum. Quando o defunto era jovem, desapareciam muitos detalhes da cerimônia, e as crianças não eram cremadas, mas inumadas.
O luxo dos funerais provocou leis suntuárias especiais. A lei das Doze Táboas autorizava somente dez músicos e três carpideiras assalariadas; proibia os perfumes vertidos sobre o fogo e o emprego do ouro nos acessórios ou na decoração do féretro; proibição tão terminante, que só excetuava os corpos cuja dentadura havia sido recoberta de ouro. Embora a cremação tenha sido o modo popular de sepultura, essas leis foram com frequência violadas ou burladas.
Com a introdução do Cristianismo a cremação aos poucos foi sendo abandonada, e até o século IV foi substituída pela inumação, fato que se explica pela origem hebraica da nova religião e, sobretudo, pela crença muito propagada da segunda vinda imediata do Messias. A maioria dos primeiros cristãos acreditavam que os corpos confiados à terra ressuscitariam e seriam purificados das manchas da morte no dia da ressurreição universal. Inútil dizer que esta opinião se opõe diretamente à doutrina da primeira epístola de São Paulo aos Coríntios, onde o apóstolo diz de um modo positivo que não sabemos em que corpo serão ressuscitados os mortos. A experiência dos séculos revelou aos homens o verdadeiro sentido desta sublime passagem do apóstolo. Rápida e certa é a destruição de nossa forma mortal que entregamos à chama devoradora ou à terra corruptora e, ao cabo de cem anos, pouco importa saber qual foi nossa sepultura. Os átomos que compõem nosso corpo terão sido dissolvidos e esparramados em mil lugares, tomando novas formas e sendo partícipes de outros organismos. O que hoje chamamos nosso corpo se compõe do que há séculos formava por acaso o corpo de outro homem. A natureza economiza seus materiais e os emprega mais de uma vez, porém o corpo espiritual, que esperamos revestir no dia do juízo universal, é distinto do corpo natural. Na ressurreição futura não será dado nem recebido o estado conjugal; as distinções da vida mortal se perderão. Temos levado na terra “a imagem terrestre; no céu levaremos a celestial”, segundo a expressão do apóstolo. Que chegaremos a ser? Ignoramo-lo, porém ao menos não estaremos nesta prisão de nossos sentidos acorrentados por condições corporais. Na certeza desta crença contemplamos sem temor a dissolução inevitável de nossa carne perecível; seus átomos desaparecerão no Oceano da matéria, como nosso alento desaparece no Oceano do ar; porque as leis físicas que regem esse redemoinho caleidoscópico de átomos e de organismos esperam a vontade d’Aquele que nos prometeu uma felicidade imortal, sem que o coração do homem possa conceber o que Ele prepara para aqueles que o amam.
Fraser Magazine

ANEXO
Numa obra do cirurgião A. Walker se leem os seguintes detalhes que completam os do artigo do Fraser Magazine:
Os primeiros romanos conservaram durante algum tempo o costume natural de inumar os seus mortos, e os inumavam na mesma cidade com o direito de construir os sepulcros de família em suas casas de campo.
Numa foi enterrado sobre o monte Janículo , que não estava então compreendido no recinto da cidade. Os reis sucessores de Numa tinham seus sepulcros no Campo Márcio, situado entre a cidade e o Tibre. As Vestais gozavam o privilégio de ser inumadas na cidade. As que haviam violado seu voto de castidade eram enterradas vivas num campo chamado Campus Sceleratus.
A lei das Doze Táboas proíbe expressamente inumar ou queimar qualquer corpo morto no recinto de Roma. Hominem mortuum in urbe ne sepelito neve urito , termos que demonstram claramente que desde o século IV da república, os romanos adotavam indiferentemente a cremação ou a inumação. (Muitas famílias ilustres jamais adotaram o costume da cremação. A família Cornélia, por exemplo, continuou inumando seus mortos até a época de Sila, o primeiro de sua família que ordenou que seu corpo fosse queimado, por medo sem dúvida de que com ele fizessem o que ele havia feito com o de Mário.) As sepulturas declaradas invioláveis e sagradas eram protegidas por leis especiais, e o respeito religioso estava de acordo com essas leis.
Sob o consulado de Duílio, as famílias mais ilustres tinham as sepulturas em suas propriedades e tal foi a extensão dos campos consagrados a estas sepulturas que os magistrados julgaram necessário limitá-la no interesse do cultivo da terra. Os sepulcros foram então construídos ao largo das avenidas e dos caminhos que conduziam à cidade. Ali se encontra o que resta dos sepulcros dos Metelos, dos Cláudios, dos Cipiões, dos Valérios, dos Servílios. Os nomes de Via Aurélia, Via Flamínia, Via Lucília, Via Ápia e Via Júlia, etc., provêm destas sepulturas. Muitas famílias, porém, preferiam para seus mortos a Collis horticultorum, algo mais acima do Campo Márcio. A classe plebeia tinha também terrenos de cremação e de sepultura. (Hoc miseræ plebi stabat commune sepulcrum , diz Horácio.) Esses terrenos eram conhecidos por puticuli, seja porque fossem cavidades abertas como poços, seja por causa do horrível fedor que espalhavam pelas imediações; o certo é que consistiam em fossos onde eram jogados os corpos dos plebeus. Os locais onde os romanos queimavam os cadáveres se chamavam ustrinæ. Os puticuli estavam primitivamente na colina Esquilina; porém, esta fossa comum de Roma não existia ainda quando Mecenas escolheu a dita colina para local do seu sepulcro; mais tarde, Horácio teve também ali o seu, próximo ao de seu amigo, o favorito de Augusto. A doação desses terrenos para o povo era uma das liberalidades com que os os cidadãos ricos adquiriam os votos. A generosidade dos pontífices proporcionava aos pobres funerais gratuitos, e esta era uma caridade, como as exéquias à custa da república eram uma honra para um cidadão rico.
Quando quase todos os sepulcros estavam fora dos muros, o privilégio de ser inumado dentro do recinto de Roma era uma exceção a favor das Vestais, dos generais que haviam obtido as honras do triunfo, dos sacerdotes e dos servidores de um templo. Este privilégio chegou a ser uma distinção muito cobiçada, embora alguns Césares tiveram seus sepulcros fora de Roma: Domiciano na Via Latina, Sétimo Severo na Via Ápia e outro imperador na Via Lavínia.
Prodigamente concedido, depois deixou este privilégio de ser desejado, e para deter ao mesmo tempo o abuso, Antonino Pio proibiu a sepultura no interior e até nas cercanias das cidades de seu vasto império.
Quase na mesma época cessou também o costume de embalsamar os mortos.
Na época desse imperador, o costume de queimar os mortos era já menos comum, porém não cessou por completo até a época do imperador Graciano.
Revue Britanique


Fonte: Revista Europea, nº 45, 3 de janeiro de 1875, p. 320-4.



Link http://www.filosofia.org/rev/reu/1875/pdf/n045p320.pdf   (texto em espanhol)
 

NOTAS EXPLICATIVAS

¹  Libitina, confundida algumas vezes com Prosérpina, era a divindade dos funerais, e seu templo em Roma depósito de acessórios das cerimônias fúnebres. O principal agente funerário se chamava libitinarius. Tinha, como é natural, empregados subalternos.
Nota do tradutor: Ao libitinarius incumbia a realização dos funerais e de possíveis sacrifícios, rituais de inumação e cremação, pelos quais adquiria preeminência na sociedade romana por valores que iam além da ortopraxia romana, dando-lhe um caráter de importância religiosa. Portanto, o libitinarius era responsável, no âmbito pragmático, por atitudes necessárias à manutenção da cidade e, na crença de ordem filosófico-religiosa, por diversos ritos dentro de um funeral que levavam o defunto à purificação.

²  O articulista omite outro ator que por acaso não era admitido em todas as cerimônias fúnebres: o arquimimo (chefe dos que representavam as pantomimas) ou bufão que imitava comicamente o aspecto, os gestos e as maneiras de quem os atores sérios imaginavam ser um personagem heróico. Era a paródia ao lado da apoteose.

³  Daqui procede o nome de columbarium (significando pombal, literalmente; em sentido figurado, sepulcro com nichos para urnas).

  Nota do tradutor: Janículo (em latim: Janiculum; em italiano: Gianicolo) é uma colina localizada na região oeste de Roma. Apesar de ser a segunda mais alta da cidade (a mais alta é o Monte Mário), ela não é uma das famosas sete colinas sobre as quais Roma foi fundada, pois estava na margem oeste do Tibre e fora dos limites da cidade antiga.
Janículo era o centro do culto ao deus Jano, pois sua posição elevada com vista para toda a cidade tornava o local ideal para que os áugures observassem seus auspícios. Na mitologia romana, Janículo (Janiculum) era o nome da antiga cidade fundada por Jano (o deus constantemente representado por duas faces que olham em direções opostas, dotado de poder sobre todos os começos).

Nota do tradutor: Uma pessoa morta não deve ser sepultada nem cremada dentro da cidade.

  Nota do tradutor: Este sepulcro comum estava cheio da plebe miserável.

Fonte: Revista Europea, nº 45, 3 de janeiro de 1875, p. 320-4.




II.2 Para o comentário cultural: O FUNERAL ROMANO

Por Pe. Mílton Valente

1. Quando um doente estava para morrer, colocavam-no em terra nua, um dos parentes mais próximos recebia-lhe o último suspiro com um ósculo, e fechava-lhe os olhos.
Logo que expirava, seguia-se a conclamátio, isto é, todos os presentes chamavam-no pelo nome em alta voz. Era um costume antigo, que já se encontra na Odisseia de Homero.
Prepara-se então o corpo. As mulheres da casa ou homens encarregados de enterros (pollinctóres) lavavam-no com água quente, ungiam-no com perfume, vestiam-no com trajes festivos (a toga, se fôra cidadão; a pretexta, se fôra magistrado), punham-no sôbre o leito mortuário (lectus fúnebris) e preparavam a eça no átrio. Debaixo da língua colocavam pequena moeda, que era o dinheiro destinado a Caronte.
Os cadáveres ou eram queimados ou enterrados: de ambos os costumes o último foi mais empregado na época imperial talvez por influência do cristianismo.
O entêrro dos pobres (funus plebéium ou tácitum) e o das crianças (funus acérbum) era realizado ás pressas e de noite; o de adultos, durante o dia e com grande pompa, seja que os parentes custeassem as exéquias (funus privátum), seja que estas fôssem pagas pelo Estado (funus públicum).
O convite para as solenidades fúnebres era anunciado por um arauto (indícere funus). O modo era sempre o mesmo: comunicava-se a morte da pessoa segundo uma fórmula antiga que nos conservaram Varrão e Festo: Ollus (o nome), Quiris leto datus est; seguia-se então o dia e a hora do entêrro.
O cortejo fúnebre (pompa) era precedido por tocadores de flauta, corneta e tuba; vinham logo após os tocheiros, as praéficae, em seguida as carpideiras, vociferando lamentações plangentes (lúgubris eiulátio), enquanto um cantava a nênia (naénia) ou louvava o falecido.
Dançarinas e comediantes, acompanhando com danças e gestos cômicos o cortejo fúnebre, cantavam sátiras pouco respeitosas ao falecido.
Quando Vespasiano morreu, um archimímus seguiu o cortejo fúnebre, imitando-lhe o caminhar e zombando de sua conhecida avareza. O barulho das praéficae e as zombarias dos mimi não diminuíam a dignidade e significação do entêrro, antes faziam até grande impressão na juventude, como diz Políbio.
O brilho do cortejo era realçado ainda pelas imagens dos antepassados representadas por homens que vestiam as máscaras dos falecidos ¹, que punham as suas vestes de gala e envergavam as insígnias das maiores dignidades que o respectivo alcançara em vida. Fechavam a procissão pessoas com cartazes ou símbolos sôbre os títulos e as realizações que haviam celebrizado o morto.
Litores vestidos de preto precediam o esquife. Seguiam os membros da famílias, trajando luto. As mulheres, sem ornato e cabelos soltos, entregavam-se às lamentações mais comoventes.
O cortejo passava assim pelas ruas até o lugar, onde devia ser queimado ou enterrado o cadáver. Quando o morto ocupara lugar importante na vida pública, a procissão fazia alto no Forum. Os antepassados tomavam o lugar nos assentos curuis ² da Rostra ³ e um filho ou parente mais chegado pronunciava a laudátio fúnebris.

2. A lei das Doze Tábuas prescrevia, não se enterrasse nem queimasse nenhum morto dentro da cidade: Hóminem mórtuum in urbe ne sepelíto neve úrito, por isso a fogueira se levantava fora dos muros. O modo mais simples era o do bustum. Cavava-se uma sepultura, enchiam-na de madeira. Colocado o cadáver sôbre a fogueira amigos e parentes jogavam sôbre êle peças de vestuário, de ornatos, armas e até víveres, tudo coisas que lhe tinham pertencido, ou lhe eram do agrado. Um antigo costume ordenava, se abrisse e fechasse ainda uma vez os olhos ao morto, e se lhe desse um beijo como último adeus. Em seguida um parente ou amigo lançava fogo à madeira que principiava logo a crepitar, enquanto os presentes espalhavam sôbre ela flores e resinas aromáticas. Queimada a lenha e apagadas as últimas chamas com vinho, os parentes juntavam os ossos, que eram então postos em unguentos ou mel, até serem depositados na urna.
Depois de breve cerimônia de purificação as pessoas voltavam para casa. Os parentes mais chegados detinham-se ainda algum espaço junto aos restos mortais do falecido e, enquanto não se realizava o entêrro, a sua família era considerada impura (família funésta).
A cerimônia final consistia em depositar as cinzas em uma urna com o nome do falecido, e esta em um columbárium, onde não raro se colocava também o seu busto. Outras vêzes levantavam sôbre a urna um monumento circundado por belo jardim ou por um terreno consagrado ao morto.

Fonte: Pe. Mílton Valente, S. J. : Ludus Secundus. Porto Alegre: Livraria Selbach, 1952. 20ª edição, p. 61-65.

Capa do livro Ludus Secunduns, por Pe. Mílton Valente, S.J.
Contracapa do livro Ludus Secundus
Prefácio do livro Ludus Secundus


Æmílii funus

Ubi Æmílius mórtuus est, nomen eius magna voce ter vocátum est. Deínde corpus toga velátum et corónis ornátum in lecto collocátur. Mulíerum clamóre, tibiárum sónitu et carmínibus priscis átrium complétur.
Iam dies fúneris adest. Æmílium in fórum appórtant, ut ei iusti honóres habeántur. Ex antíquis tempóribus ea consuetúdo non est mutáta. Imágines maiórum ex cera formatas et ad cápita sua alligátas servi portant.
Iam ad forum pervenérunt.
Scípio ex rostris laudatiónem habet. Céteri capítibus velátis adsunt.
“Impérium Románum, Quirítes, ínquit Scípio, non súbito est ortum, sed Románi Sicíliam, Hispániam, Áfricam aliásque terras per Scipiónes adórti ibique dominatióne potíti sunt.
Tempóribus líberæ rei públicæ magistrátus, qui províncias sortíti erant, sæpe eárum salútem neglexérunt: Scipiónes vero nunquam.
Mos erat, ut provinciárum íncolæ largiéndo avarítiam tyránni explére conaréntur. Si non conabántur, ille rapiébat, quæ volébat. Experíri videbátur, quid patiéntia humana pati posset. Prædam inter amicos latrónum modo partiebátur. Magistrátus magnis ópibus potíti anno post Romam revertebántur. Revérsos in iudícium vocáre íncolis provínciæ licébat. Sed illi summo stúdio id moliebántur, ut absolveréntur, et sæpe mentiéndo et largiéndo iudícibus persuadébant, ut magis accusátis quam accusántibus assentiréntur. Íncolæ áutem provinciárum exhaustárum dominatiónem Románam ita odísse coepérunt, ut étiam seditiónes oreréntur. Scipiónes vero províncias máxima semper iustítia administravérunt, præsértim hic noster Æmílius caríssimus, quem nunc salúto.
Fortitúdine, probitáte, amóre pátriæ exémplum fuísti dignitátis Románæ. Ítaque iure laudáris. Quæstor, ædílis, prætor, consul fuísti. Nóminis tui memória nunquam delébitur. Ave, pía ánima!”
Post ea Scipiónis verba corpus Æmílii extra muros cremátur. Deínde urna cum relíquiis in terra collocátur.

Agora, eis minha tradução:

O funeral de Emílio
Tradutor: Francisco José dos Santos Braga

Quando Emílio morreu, seu nome foi chamado três vezes em alta voz. Depois (seu) corpo vestido de toga e ornado com coroas é colocado no leito. O átrio está cheio do clamor das mulheres, do som das flautas e de poemas antigos. Já chega o dia do enterro. Transportam Emílio ao fórum, para que lhe sejam prestadas justas honras. Desde tempos antigos este costume não foi mudado. Os servos portam máscaras funerárias dos antepassados modeladas de cera e presas ao seu rosto.
Já chegaram ao fórum.
Cipião faz o elogio da tribuna. Os outros assistem com as cabeças cobertas.
“O Império Romano, cidadãos romanos, - diz Cipião, - não surgiu de repente, mas os Romanos atacaram a Sicília, a Espanha, a África e outras terras pelos Cipiões e aí tomaram posse pelo domínio.
Na época da república desregrada, os magistrados, que tinham obtido por sorte províncias, muitas vezes negligenciaram a saúde delas; os Cipiões, na verdade, nunca (o fizeram).
Era costume que os habitantes das províncias se esforçassem por satisfazer a avareza do tirano, fazendo liberalidades. Se não o fizessem, este tomava à força as coisas que queria. Parecia submeter à prova o que a paciência humana podia suportar. Dividia o roubo apenas entre os amigos dos ladrões. Os magistrados que se apoderaram de grandes riquezas voltavam a Roma um ano depois.
Era permitido aos habitantes da província levar a juízo os que voltaram (a Roma). Aqueles, porém, com o maior zelo se empenhavam em que fossem absolvidos e, muitas vezes mentindo e subornando, persuadiam os juízes de que mais concordassem com os réus do que com os acusadores. Contudo, os habitantes das províncias esgotadas começaram assim a odiar a dominação romana, a fim de que até surgissem sedições. Em verdade, os Cipiões administraram as províncias sempre com a maior justiça, especialmente este nosso caríssimo Emílio, a quem agora saúdo.
Foste exemplo de dignidade romana pela coragem, probidade, amor à pátria. Serás louvado pela justiça. Foste questor, edil , pretor, cônsul. A memória de teu nome nunca será apagada. Adeus, alma bem-aventurada!”
Após essas palavras, o corpo de Emílio é cremado fora dos limites da cidade. Depois, é enterrada a urna com os restos (mortais).



NOTAS EXPLICATIVAS
 
¹   Nota do tradutor: Máscaras dos antepassados=imágines maiórum, em latim.

²   Nota do tradutor: Cadeira curul; em latim, sella curúlis (T. Lív. 1, 8, 3) era uma cadeira colocada sobre um carro, reservada aos reis e, mais tarde, aos cônsules, pretores, etc. chamados "curius", em oposição aos chamados "plebeus" que se sentavam numa espécie de tamboretes.

³  Nota do tradutor: Rostra, -orum=tribuna para os oradores na praça pública ou fórum (ornada com os esporões dos navios tomados aos Volscos de Âncio durante a guerra). Assim: in rostra escendere (Cíc. Of. 3, 80) significa "subir à tribuna". Em célebre metonímia, Horácio utiliza rostra para o próprio "Fórum" (Hor. Sát. 2, 6, 50).

Nota do tradutor: Ædílis, is: magistrado romano, cujo cargo era inspecionar os edifícios públicos e particulares, os aquedutos, os divertimentos públicos, o abastecimento da cidade e, em geral, tudo o que fosse do bem comum.
 

III. BIBLIOGRAFIA


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HOPE, Valerie M.: Death in Ancient Rome: a Sourcebook, Oxon e Nova Iorque: Routledge, 1ª ed. 2007, p. 85-127.
Link: https://epdf.pub/death-in-ancient-rome-a-sourcebook.html

KYLE, Donald G.: Spectacles of Death in Ancient Rome, Londres e Nova Iorque: Routledge 1998, reeditado 2001, p. 128-183.
Link https://books.google.com.br/books?id=1GYH63-fARUC&pg=PA129&lpg=PA129&dq=Hominem+mortuum+in+urbe+ne+sepelito+neve+urito&source=bl&ots=cdvQLb0c57&sig=ACfU3U1uHAFgjJ02Nwo0ASEa12NpYwhpjw&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwi5jrSmpZnlAhWlK7kGHXbpBzgQ6AEwB3oECAkQAQ#v=onepage&q=Hominem%20mortuum%20in%20urbe%20ne%20sepelito%20neve%20urito&f=false

RAMOS, Francisco & COSTA, Rosalina: Os funerais são para os vivos. Apontamentos sobre o lugar do investigador-autor na construção da morte em perspectiva socio-antropológica, Revista Angolana de Sociologia (RAS)
Link: https://journals.openedition.org/ras/996

TOYNBEE, Jocelyn M.C.: Death and Burial in the Roman World (Ithaca: Cornell University Press, 1971), p. 43-72.