sábado, 10 de fevereiro de 2018

MOZART NO CÉU

Por Francisco José dos Santos Braga


Manuel Bandeira


Mozart no céu - Manuel Bandeira


No dia 5 de Dezembro de 1791 Wolfgang Amadeus Mozart
entrou no céu, como um artista de circo, fazendo
piruetas extraordinárias sobre um mirabolante cavalo branco.

Os anjinhos atônitos diziam: Que foi? Que não foi?
Melodias jamais ouvidas voavam nas linhas suplementares
superiores da pauta.
Um momento se suspendeu a contemplação inefável.
A Virgem beijou-o na testa
E desde então Wolfgang Amadeus Mozart foi o mais moço dos anjos.



Há na Internet interessante análise literária sobre a morte, tema recorrente na poesia de Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (Recife, 1886-Rio, 1968), intitulada A morte e a morte na poesia modernista de Manuel Bandeira, da autoria de Vera Verá, que logo despertou minha atenção. De pronto, a autora, inspirada num verso de Drummond como epígrafe ("Lutar com palavras é a luta mais vã"), esclarece que, quando Bandeira fala de morte, não fala da sua morte, mas também dela. Fala da morte miúda, da morte em dose homeopática que não se deixa ver. É desta morte que antecede a morte física que está impregnada a poesia cotidiana de Bandeira.

Inicialmente, fique estabelecido que, ao analisarmos qualquer dos poemas bandeirianos, não podemos desconsiderar alguns aspectos importantíssimos, tais como: a vida do homem Manuel Bandeira, sua infância, a composição familiar, sua luta contra a doença, sua preocupação com a morte, sua solidão, sua vida amorosa desastrosa, suas constantes interrogativas no campo religioso, sua partilha de moradia com pessoas de classe pobre e miserável no Rio, sua vida literária, sua correspondência com Mário de Andrade, sua convivência com o submundo e a burguesia da época, convivência com brancos, pardos, mestiços e negros, sua escolha deliberada de poetizar a simplicidade e o cotidiano, etc.

Para dissecar esse tema da morte na poesia bandeiriana, a autora se propôs a analisá-lo através de três personagens que impactam a obra do poeta, cada um a seu modo e em poemas distintos: Irene, João Gostoso e Mozart, respectivamente personagens nos poemas Irene no Céu (do livro Libertinagem), Poema tirado de uma notícia de jornal (do livro Libertinagem) e Mozart no Céu (do livro Lira dos cinquent'anos).

Inicialmente, Verá propõe um confronto com versos bandeirianos retirados do poema Os Nomes, do livro Opus 10:
Duas vezes se morre:
Primeiro na carne, depois no nome.
"Na nossa cultura e no direito brasileiro, o nome compõe-se de forma genérica, de dois elementos: prenome e sobrenome. Este último, como indicador da origem genealógica a qual o sujeito pertence. A sua importância é tanta, que chega a ser motivo de confrontos familiares e, também, razão para destaque na sociedade em que se vive." 
Claramente o dístico citado acima não se aplicaria a Irene.

"Irene é só prenome. Nela, não há nome para morrer, pois só morre o que é vivo." 
Parece-me que, no caso de Irene, se aplica o ideal de morte para Bandeira, exposto no dístico final do poema A Morte Absoluta (do livro Lira dos cinquent'anos):
Morrer mais completamente ainda,
- Sem deixar sequer esse nome.
 
O prenome Irene é repetido cinco vezes ao todo: ecoa três vezes na primeira estrofe (Irene preta/ Irene boa/ Irene sempre de bom humor), sendo omitido de propósito o verbo de ligação, cujo curso é interrompido, na segunda estrofe, pela visão que tem o poeta da sua entrada no céu, após sua morte (Imagino Irene no céu:). Esse verso 
"desestrutura toda uma proposta temática inicial, e faz lembrar um corte cinematográfico onde o espectador é surpreendido pela ação seguinte, cuja rapidez é imprescindível para apreender e dar sentido ao que parece não mais ter sentido."
A sequência do diálogo que mantém com São Pedro (- Licença meu branco!/ E São Pedro bonachão:/ Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.).  
"Alguém tem o dever de colocar a preta boa e bem humorada, no céu. É óbvio que esta tarefa ficou para São Pedro; não porque ele seja "bonachão" como parece, nem por ter piedade da Irene Preta, mas porque São Pedro não poderia mais decepcionar Jesus Cristo. Negar a entrada de Irene no céu, seria não estar em conformidade com Seu ensinamento maior quando Cristo pede para amar o próximo como a si mesmo. São Pedro, certamente, não gostaria de perder o cargo de Patrono do Céu." 
A fala de São Pedro, no último verso, opta pelo abandono deliberado da gramática normativa (que pede a manutenção do emprego do "tu") a favor da "gramatiquinha modernista". Mário de Andrade deve ter vibrado com a aplicação desta última... 

Queria Bandeira colocar o dedo na chaga social, ainda aberta, do preconceito racial? Embora o poeta não mencione a época em que viveu Irene, possivelmente se trate de escrava ou ex-escrava recém-liberta quando a conheceu, uma pessoa de sua relação familiar, quando criança no Recife.

Na questão do nome, Irene fica aquém do "João Gostoso", carregador, pessoa humilde, mas que, na sua hora final, ganhou notoriedade, quando se tornou manchete de jornal.


Observa-se, então, que, dos três personagens tratados, apenas Mozart tem um nome propriamente dito, que é enunciado duas vezes, no princípio e no final do poema.
"O estilo crítico do autor já nos é perceptível no início da estrofe quando este faz questão de escrever o nome completo do personagem morto(?), Wolfgang Amadeus Mozart." 
Claramente o dístico acima citado ("Duas vezes se morre:/ Primeiro na carne, depois no nome") faz oposição à 'realidade poética' de Mozart no Céu. O poeta está bem consciente disso quando faz constar completamente seu nome, dia, mês e ano que o músico entra no céu. Dos três, apenas Mozart tem uma só morte, a da carne (do corpo físico). A outra (morte), a social, não ocorre no caso de Mozart, porque sua reputação musical se estabelece logo após a data de sua morte e assiste-se a uma "onda sem precedentes de entusiasmo" por sua música, seguindo-se, por excelência, a alcunha de "o divino" que ostenta desde sempre.

A autora da análise literária constata ainda a respeito do poema Mozart no Céu:
"Mais uma vez, uma construção de formato assimétrico, marca do modernismo, com versos livres se aproximando da prosa. Neste pequeno excerto há um misto, uma profusão de mundos artísticos que perpassa, primeiro, pela arte literária, envereda pela música e faz um resgate da arte circense. As expressões: "artista de circo", "piruetas extraordinárias", parecem querer desestruturar ou anarquizar um plano hermeticamente traçado que ficou lá no passado com o parnasianismo. É notável a forma lúdica encontrada para mostrar, também, traços reais da irreverência de Mozart. Isso é bem marcante no pensamento modernista do século XX, que Manuel Bandeira faz questão de imprimir no decorrer da sua obra.
Para melhor entendimento, basta que se leia o primeiro verso do excerto, em epígrafe, sem querer comparar os três personagens aqui elencados: Irene, João Gostoso e Wolfgang Amadeus Mozart. Pois, ao meu ver, seria um ato de covardia. O estilo crítico do autor já nos é perceptível no início da estrofe quando este faz questão de escrever o nome completo do personagem morto, Wolfgang Amadeus Mozart."
Mesmo descrevendo o aspecto festivo da entrada de Mozart ou de Irene no céu, Bandeira não deixa de problematizar o tema da morte, elaborando um conjunto de questões que o preocupam.

Em entrevista conduzida por Paulo Mendes Campos, publicada no jornal Província de São Pedro, nº 13, de Porto Alegre, em março-junho de 1948, quando indagado sobre alguns poemas constantes de "Lira dos cinquent'anos", Manuel Bandeira respondeu a respeito de Mozart no céu
"escrito em casa do meu saudoso primo José Cláudio, na ocasião em que ouvia à vitrola certo quarteto de Mozart". 
Finalizando, gostaria de citar aqui um trecho de "A experimentação poética de Manuel Bandeira" (capítulo "Os Sentidos da Experimentação") de Gilberto Mendonça Teles: 
"O conhecimento estético-literário de Manuel Bandeira levou-o a experimentar, de maneira aparentemente discreta, todas as possibilidades de produção poética. A sua obra é um longo centão, um espaço (hoje se diria intertextual) onde se cruzam elementos de todas as latitudes, uma feira, um mafuá onde se reúnem apenas os seus malungos, os seus melhores amigos e as suas "pequenas dores e ainda menores alegrias". Mas tudo isso feito discretamente, ou com intenção de discrição. Não há estardalhaço; às vezes as inovações gritam por si mesmas, chamam a atenção pelo seu tom de inusitado, mas acabam por conquistar o leitor. Daí a extrema popularidade de seus poemas, muitos dos quais em versos livres, na boca do povo. (...)"  
Assim experimentou de tudo na sua poética: pertenceu à escola parnasiana; gostou do verso livre e foi modernista; estudou a poética trovadoresca e escreveu no estilo medieval, como "Cossante" e "Cantar de amor" (Lira dos cinquent'anos); leu os poetas concretistas e escreveu vários poemas concretos em Estrela da tarde; escreveu ainda textos metalinguísticos (ensaios, crônicas, memórias), consciente 
"de que era preciso experimentar novas formas de poesia dentro da tradição literária, buscar a originalidade como faziam os clássicos, pondo em ação a pesquisa de novos temas, levando ao extremo a virtuosidade artística e, com isso, dinamizando o processo da criação, ousando inovações que, por mais estranhas, não passaram nunca dos horizontes estéticos da linguagem. Mesmo fazendo poemas concretos, Bandeira se manteve dentro da linguagem verbal." 
Manuel Bandeira destacou-se ainda na crítica musical, exercida em muitos jornais e revistas. Segundo [MARIZ, 1985, 54], 
"a contribuição do "bardo" pernambucano à música brasileira foi muito variada e extremamente significativa. Manuel exerceu uma influência excepcional sobre duas gerações de compositores eruditos e, de certo modo, desempenhou no Rio de Janeiro o papel de mentor intelectual de numerosos compositores, em ação paralela à que Mário de Andrade exercia em São Paulo".



II. PARCERIA DE MANUEL BANDEIRA COM COMPOSITORES ERUDITOS



Osvaldo Lacerda fez arranjo da poesia "Mozart no céu" para voz e piano.
http://www.lieder.net/lieder/get_text.html?TextId=65140
 
https://youtu.be/JNQacKv_M5s (soprano Rebecca Coberly)


Em um artigo intitulado "Centenário de Manuel Bandeira: poesia e música", de Eurico Nogueira França, o crítico esclarece que Bandeira foi o poeta brasileiro que mais conseguiu suscitar a união entre as duas artes: a música e a poesia. França revela que, no domínio da música vocal de câmara, a presença da poesia de Bandeira é impressionante. O casamento entre a poesia e a música dá-se em alta qualidade quando estão em jogo Manuel Bandeira e grandes compositores eruditos brasileiros.

[MARQUES, 2003, 47-8], tratando da canção de câmara, assinala: 
"Manuel Bandeira, ao que tudo indica, estava bastante inteirado das discussões sobre canto erudito. Participou ativamente do Primeiro congresso de Língua Nacional Cantada, realizado em São Paulo, no ano de 1937. O congresso promovido pelo Departamento de Cultura de São Paulo, então dirigido por Mário de Andrade, contou com a presença de nomes expressivos da filologia e da musicologia nacionais. O foco das discussões, em linhas gerais, era chegar a um consenso sobre a língua-padrão a ser usada na pronúncia do teatro, da declamação e do canto erudito brasileiro. 
Elegeu-se a pronúncia carioca, frente às enormes diferenças regionais do Brasil. (...) Nesse contexto, Bandeira, além de  participar dos debates, foi incumbido de elaborar um texto-padrão que servisse para analisar as diferenças das pronúncias regionais do País. Informantes de várias partes do território nacional foram gravados enquanto liam esse texto.
É notável quão abrangente era o trânsito de Bandeira no universo da canção de câmara, gênero musical que mais se aproveitou de seus poemas e para o qual também escreveu letras. Talvez o mais conhecido de seus poemas musicados seja "Azulão". Bandeira o escreveu para melodia de Jayme Ovalle. Mais tarde, outros compositores, como Camargo Guarnieri e Radamés Gnattali, recolocaram música na letra como se ela fosse originariamente um poema. O vínculo do poeta com música clássica de câmara dá-se ainda em outros níveis. Bandeira estudou o Tratado de Composição de Vincent d'Indy, discípulo de César Franck, o que deve ter-lhe dado um bom conhecimento das formas musicais. E se não bastasse, dedicou generosas páginas à música principalmente no Itinerário de Pasárgada. (...)" 

De todos os poetas brasileiros, Manuel Bandeira foi um dos mais musicados por compositores da estatura dos seguintes:
Villa-Lobos (Un petit peloton de fil ou O novelozinho de linha, de 1920, intitulado Debussy por Manuel Bandeira, considerado o primeiro poema bandeiriano a receber música; Feliz aniversário, Feliz ano novo, Feliz natal, Boas festas; Cântico do Colégio Santo André; Dança do Martelo; Irerê, meu passarinho do sertão do Cariri; O anjo da guarda; Modinha da Seresta nº 5 com versos de Manduca Piá, pseudônimo de Manuel Bandeira; Canções de cordialidade, Canto de Natal)
Lorenzo Fernández (Canção do mar)
Camargo Guarnieri (O impossível carinho, És na minha vida, Go, my bluebird, Dona Janaína, Viagem à roda do mundo, Canção do mar, Rosalina)
Francisco Mignone (A estrela, Dona Janaína, Imagem, Berimbau, Desafio, Pousa a mão na minha testa, Cantiga, Dentro da noite, O anjo da guarda, O menino doente, Solau do desamado, Embolada do brigadeiro, Outro improviso, Trem de ferro, cantata "Alegrias de Nossa Senhora", Enquanto morrem as rosas..., Hino da Rádio MEC, Hino do IV centenário da cidade do Rio de Janeiro, Quatro líricas, O impossível carinho)
Fructuoso Vianna (Canção da Jamaica, Desencanto)
José Siqueira (Acalanto, Madrigal, Boca de forno, Andorinha, O trem de ferro, Irene no céu, Macumba de Pai Zusé, Madrigal, Na rua do sabão, O impossível carinho, Debussy, 2 coletâneas para canto e piano) 
Frederico Richter (Bacanal)
Murillo Santos (Rondó do Capitão, Teu Nome)
Nestor de Hollanda Cavalcanti (Confissão)
Newton de Menezes Pádua (O menino doente, Sinos)
Jayme Ovalle (Berimbau, Modinha, Azulão)
Guerra-Peixe (Vou-me embora para Pasárgada, peça musical composta por sugestão do musicólogo Eurico Nogueira França *)
Heitor Alimonda (A estrela, Cantiga)
Renzo Massarani (Azulão, Porquinho da Índia)
Cláudio Santoro (Embolada do brigadeiro)
Almeida Prado (A estrela, Andorinha; Belo Belo; Trem de ferro, Teu nome)
Radamés Gnattali (Azulão, Modinha)
Camargo Guarnieri (Irene no céu, Nas ondas da praia, Dona Janaína, Pousa a mão na minha testa, O impossível carinho, Vai, azulão, Cabedelo, Oração a Terezinha do Menino Jesus, Rosalina)
Osvaldo Lacerda (Felicidade, Valsa romântica, Canção para a minha morte, Cantiga I, Cantiga II, Poema tirado de uma notícia de jornal, Mandaste a sombra de um beijo, Mozart no céu, Cantiga, O menino doente, Poemeto erótico, Balada do Rei das Sereias)
José Vieira Brandão (Paráfrase de Ronsard, Coração incerto, Haicai, Cussaruim em 2 tempos)
Ronaldo Miranda (Santa Clara, clareai; Belo Belo; Canto de Natal)
Isidro Buenaventura Maiztegui Pereiro (A estrela)
Vânia Dantas Leite (Berimbau)
Kilza Setti de Castro Lima (A estrela, Cantiga, Balada do Rei das Sereias)
Ricardo Tacuchian (A estrela, Berimbau, Cantiga)
Brenno Blauth (Belo Belo)
Edino Krieger (Desafio)
Helza de Cordoville Camêu (A estrela, Dentro da noite, Desencanto, Madrigal, Ao crepúsculo, Madrugada, Crepúsculo de outono, Confidência, Imagem)
Sérgio Vasconcelos Correa (Louvação)
Ernst Mahle (Lenda brasileira, A onda, D. Janaína, A realidade e a imagem, Lenda brasileira, Cantiga, A realidade e a imagem, O menino doente, Os sinos, Tema e variações)
Marlos Nobre (Boca de forno, Cara de cobra, Teu nome)
Achille Guido Picchi (Madrigal muito fácil, Cantiga do mar, Desinfeliz, Teu nome, Trova 1, Trova 2, Trova 3, Azulão)
Carlos Alberto Pinto Fonseca (A estrela)
Ernst Widmer (Cantiga, A imagem e a realidade)
Ernesto Frederico Hartmann (A onda, Azulejo, Verde negro)
Bruno Kiefer (O menino doente)
Sérgio de Sabbato (A estrela),
dentre outros.






III.  PARCERIA DE MANUEL BANDEIRA COM COMPOSITORES DA MPB

Em 1986, centenário de nascimento do poeta, Olívia Hime encabeçou um projeto que consistiu em convidar uma porção de compositores, na maioria de canções populares, para colocarem música em poemas de Manuel Bandeira. Os poemas escolhidos, quase todos metrificados, são de momentos diferentes de sua obra, o que reforça o tom de homenagem. Gilberto Gil musicou "Vou me embora pra Pasárgada"; Francis Hime, "Desencanto"; Tom Jobim, "Trem de Ferro"; Milton Nascimento, "Testamento"; Wagner Tiso, "Belo Belo"; Moraes Moreira, "Portugal, meu avozinho"; Ivan Lins, "O impossível carinho"; Dorival Caymmi, "Balada do rei das sereias"; Toninho Horta, "Baladilha arcaica"; Joyce, "Berimbau"; Radamés Gnatalli, "Temas e voltas"; Dori Caymmi, "Versos escritos n'água" e finalmente Olívia Hime, "Estrela da vida inteira". Todo esse material, cujo encarte conta ainda com textos de Tom Jobim, Cacaso, Carlos Scliar, Ferreira Gullar e da própria Olívia, resultou no disco Estrela da vida inteira, que acaba se constituindo no maior esforço prático de aproximar a poesia de Manuel Bandeira à canção popular.



Deve-se acrescentar que a música popular pode ser associada à simplicidade encontrada nos poemas de Bandeira, visto que as letras dessas canções, geralmente, possuem uma linguagem simples e exploram temas relacionados ao cotidiano ou à cultura das pessoas.


Inesquecível também foi a parceria do compositor popular CAPIBA, o rei do frevo, com o poeta Bandeira, que se notabilizou em pelo menos duas oportunidades. Assim,  musicou "Tu que me deste o teu cuidado", constante de álbum de Clara Nunes (1978) chamado "Guerreira". Também Gonzaga Leal gravou a mesma música.
Cf. in https://youtu.be/ZH89vQSdgTU 

Outra canção dele muito conhecida é o baião "Cotovia", composto por Capiba a partir de um poema de Manuel Bandeira. 
"Cotovia" encontra-se na faixa nº 13 do LP "Capiba e seus poemas" que o Banco Bandepe ofereceu como brinde a seus clientes no Natal de 1985, produção de 1984 por Leonardo Dantas Silva. A orquestra era regida por Guedes Peixoto.
Cf. in http://immub.org/album/capiba-e-seus-poemas

Há ainda no YouTube um vídeo intitulado "Manuel Bandeira - Cotovia" com declamação do poema, além de informações sobre ele como a que segue: 
"O poema Cotovia, ao qual Manuel Bandeira mais uma vez desabafou suas saudades do Recife, foi musicalizado pelo grande compositor pernambucano Lourenço (da Fonseca) Barbosa, o "Capiba"." 
Ao final do vídeo, há uma declamação do próprio Bandeira sobre a saudade que sentia do antigo Recife. 
Cf. in https://youtu.be/ZdijFmXbbck


Finalmente o YouTube disponibiliza curioso vídeo intitulado "O habitante de Pasárgada - Manuel Bandeira". O documentário faz parte do DVD "Encontro Marcado com o cinema de Fernando Sabino e David Neves". 
Cf. in https://youtu.be/acWHzVBs394



IV.  REFERÊNCIAS




ALMEIDA, Luiz de: Manuel Bandeira introduziu Irene Preta no céu (Síntese dos Estudos e Pesquisas realizada na Oficina Literária da Exposição "Retalhos do Modernismo - 1985/2008), postado em 01/06/2008 in http://literalmeida.blogspot.com.br/2008/06/irene-no-cu-manuel-bandeira.html


BANDEIRA, Manuel: Antologia poética: 12ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
                                         — Correspondência Mário de Andrade e Manuel Bandeira, São Paulo: Edusp, 2001.

BARTHES, Roland: O prazer do texto: 4ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2008.


BOSI, Alfredo: História concisa da literatura brasileira: 37ª ed. São Paulo: Cultrix, 1994.




CULT REVISTA BRASILEIRA DE CULTURA. São Paulo: Bregantini, 2010 - Mensal. - nº 143. ISSN 1414707-6.

FRANÇA, Eurico Nogueira: "Centenário de Manuel Bandeira: poesia e música", in Homenagem a Manuel Bandeira, Rio de Janeiro: UFF/SociedadeSouza da Silveira, Monteiro Aranha/Presença, 1989.


MARIZ, Vasco: A Canção Brasileira. Rio de Janeiro, INL/Nova Fronteira, 1985.

MARQUES, Pedro: Musicalidades na poesia de Manuel Bandeira,  dissertação apresentada à Unicamp como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Teoria e História Literária, 2003. Cf. in http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/270148/1/Marques_Pedro_M.pdf


MASSAUD, Moisés. A criação literária: 18ª ed. São Paulo: Cultrix, 2008.


TELES, Gilberto Mendonça: No Centenário de Manuel Bandeira: A experimentação poética de Manuel Bandeira, postado in https://www.yumpu.com/pt/document/view/12468571/a-experimentacao-poetica-de-manuel-bandeira-centro-virtual-


VERÁ, Vera: A morte e a morte na poesia modernista de Manuel Bandeira, Recanto das Letras, postado em 17/10/2014 in https://www.recantodasletras.com.br/ensaios/4999282