segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Colaboradora: PATRÍCIA FERREIRA DOS SANTOS SILVEIRA


Mestre e Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (2013). Pós-doutora em História Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (2017). É autora dos livros Poder e Palavra: discursos, contendas e direito de padroado em Mariana (1748-1764), e de Excomunhão e Economia da Salvação: as queixas, querelas e denúncias no tribunal eclesiástico de Minas Gerais no século XVII. É organizadora da coletânea Justiças, Direito e Bem Comum na administração dos Impérios Ibéricos de Antigo Regime. Publicou vários capítulos em coletâneas especializadas de História, e artigos acadêmicos no Brasil e em Portugal. É parecerista ad hoc de diversos periódicos acadêmicos de suas linhas de investigação, entre os quais: Revista Quaestio Iuris de História do Direito da Uerj, e Revista Locus de História da Universidade Federal de Juiz de Fora. É vice-presidente da Casa de Cultura – Academia Marianense de Letras, em Mariana, Minas Gerais.

ROQUE CAMELLO: TEMPO E IMPACTO DE UMA TRAJETÓRIA PÚBLICA


Por Patrícia Ferreira dos Santos Silveira
 
Roque Camello (⭐︎ Mariana, 16/8/1942 ✞ Belo Horizonte, 18/3/2017)


Caras senhoras senhores, autoridades eclesiásticas, civis. 
Dignos acadêmicos, estudiosos, e comunidade marianense.

Incumbida que fui de refletir convosco, nesta noite cheia de lembrança e saudade, sobre a trajetória pública do professor e advogado Dr. Roque José de Oliveira Camello, ponderei muito.

Com meu olhar de historiadora, mas também de educadora, me indaguei e indaguei pessoas, amigos e contemporâneos sobre o Roque Camello que conheceram. Pesquisei a história política recente de Mariana e do nosso país. Analisando o devir histórico dos anos do regime militar vividos pelo Brasil, me detive um instante nesta fase nascente do talento político do jovem Roque. Talento que se desvelou muito cedo, em sua carreira pública local. Projetou-se, primeiro como vereador no início da década de 1960. Desde então, não cessou mais de trabalhar diligentemente pelos interesses coletivos de Mariana.

Tendo a família como respeitável referência e o apoio de amplos setores, dentre os mais esclarecidos da sociedade, parecia predestinado a representar os interesses coletivos na esfera pública. Logrou inserir-se nos círculos mais seletos da política e da cultura erudita. Pelo grau de permeabilidade alcançada em seus contatos, aquilatamos a força da sua trajetória, e o impacto de sua ação em Mariana, em Minas Gerais.

Não somos nós que atribuiremos sentido à figura pública e à ação política do doutor Roque José de Oliveira Camello. Estamos conscientes. As palavras não dão conta, com a precisão merecida, de aquilatar sua dimensão na nossa história política recente. E a proporção alcançada por suas ações, sempre visando progressos e benefícios para a educação e a coletividade, ultrapassou as montanhas de Mariana, de Minas Gerais e as fronteiras do nosso país.

Ficaremos satisfeitos se conseguirmos demonstrar o quanto precisamos de lideranças políticas do seu quilate. Pois o tempo é o grande arquiteto da história – mas isto se dá em perspectiva dialética com a ação social, individual e coletiva. Não foram poucas as pessoas que, indagadas sobre o ilustre professor, traziam brilho nos olhos ao defini-lo. E o fizeram para nós, por telefone, mídias sociais, e pessoalmente, deixando aflorar histórias, impressões e expressões verídicas de sua admiração. Computamos tudo; mas é impossível citá-las todas. Ele foi um baluarte da cultura – dirão muitos de nós. Digno representante dos acadêmicos, dos estudantes, professores, dos advogados. Amante dos livros e da cultura, defensor dos valores e tradições mineiros.

Prof. Roque Camello era, portanto, um prócer – e quem o diz? A memória coletiva, que captamos em relatos, depoimentos, e muitas conversas, com amigos, familiares e a querida Merania Oliveira.

Retomamos nosso exercício de análise a mergulhar o ator social em seu tempo – e nos desafios da uma geração. As décadas de 1970 a 1990 podem ser consideradas o intervalo médio de sua trajetória, circunscrita entre 1942 (nascimento – 16-08-1942) e o trágico 18 de março de 2017.

À medida que seu fino talento político e tino administrativo despontavam, sua formação acadêmica se consolidava, concluindo, na Federal de Minas Gerais, os estudos em direito, depois em letras. Seu espírito cosmopolita se manifestava, passando por prestigiadas universidades americanas e europeias (como Harvard e France Langue de Paris, no início dos anos 1990).

Quando assumiu mandato, na cena pública em nossa cidade, contava 18 anos, sendo um dos seus mais jovens vereadores. Teve importante papel na vinda para Mariana do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, além da instalação da Cemig e da construção da estrada de contorno, que salvou o patrimônio cultural. 

O tempora! O mores!

Exclamava Cícero, inconformado com a depravação dos costumes dos tempos em que viveu. Esta frase serve de mote ao cenário que encontramos em Mariana nos idos de 1982, quando a liberdade democrática ainda era sonho. Neste contexto, o jovem professor concorreu às eleições municipais. Pairava ainda uma nebulosa sobre o processo de abertura democrática do país. Naquelas eleições o peso de tradições conservadoras prevaleceu sobre o seu progressismo.

Mas o seu espírito cultivado não permitiu que esmorecesse o desejo de fazer mais pela cidade de Mariana. Retorna à cena política como vice-prefeito entre 2004 e 2008. Candidatou-se a prefeito, venceu as eleições e assumiu a prefeitura em 2009, estabelecendo como principal plataforma a recuperação cultural.

Ao longo destes anos, a Casa de Cultura – Academia Marianense de Letras, nunca se desvinculou da missão que recebeu do doutor Roque: ser um bastião de defesa da cultura e dos monumentos históricos da antiga cidade dos bispos.

Sapěre aude! Dizíamos nós em junho de 2015, evocando o lema dos iluministas em nosso discurso de posse nesta casa, pelas mãos do eminente professor e advogado Roque José de Oliveira Camello. Sapěre aude – conclamava, em 1784, Immanuel Kant. Ousa saber; atreva-se a conhecer; tenha coragem de fazer uso de sua razão e entendimento.  Este se tornou o lema dos iluministas e é utilizado em muitas instituições educacionais. À época da nossa posse como acadêmica, destacamos o peso da tradição a condicionar vidas e trajetórias. E a importância do progresso intelectual para equilibrá-las e promover a dinâmica histórica. Não sabíamos que três anos depois aqui estaríamos na difícil missão de realizar um balanço da trajetória do brilhante professor que solenemente nos empossava na Academia Marianense de Letras – entidade que há 56 anos zela pela cultura e pelas tradições de Mariana, de Minas Gerais e do Brasil.

Foi produto das reuniões desta tradicional agremiação um dos mais importantes projetos da carreira pública do doutor Roque Camello: a proposta apresentada em 1977, da criação do Dia do Estado de Minas Gerais, comemorado em todo o território mineiro em 16 de julho. Durante a sessão alusiva ao 281º aniversário da cidade, o professor Roque Camello, integrante da Casa de Cultura – Academia Marianense de Letras, lançou a ideia de instituir o 16 de julho, aniversário da cidade, como data cívica estadual. O projeto recebeu o apoio do então presidente da casa, professor e jornalista Waldemar de Moura Santos, acadêmicos, autoridades municipais e comunidade. Na sequência, a proposta foi entregue ao governo estadual e à Assembleia Legislativa. 

A criação do Dia de Minas foi oficializada em 19 de outubro de 1979, com a sanção da lei pelo então governador Francelino Pereira. Era ele um diplomático nordestino, mas com formação e perfil de liderança estudantil no Estado de Minas Gerais – região prolífica, naquele contexto em fornecer políticos de prol, com perfil de estadistas, todos em ascensão: Aureliano Chaves, Tancredo Neves, seus amigos pessoais; Milton Campos e Pedro Aleixo também admirados pelo então governador. Em 1997, houve a emenda de número 22 à Constituição Mineira, determinando a transferência da capital para o município.

É curioso observar o devir histórico e relembrar que em 2015 a voz do doutor Roque Camello, assumiu alcance e autoridade para repreender a postura do Governo do Estado que visava cancelar a comemoração do simbólico dia de Minas Gerais em Mariana. Justamente naquele trágico ano de 2015, na qual a cidade foi palco de uma de suas maiores tragédias históricas e ambientais. Mariana, naquela altura, de tal forma comoveu o mundo que coloriu a Torre Eiffel em Paris com as cores verde e amarela da nossa bandeira nacional, em uma manifestação de vibrante solidariedade com Minas Gerais e o Brasil.

Ora, não é difícil compreender a sensibilidade do prof. Roque, como autor do projeto, conhecedor da sua importância para a projeção de Mariana, e vendo a catástrofe se abater com graves consequências sociais e econômicas no Município e no Estado. Além da sensibilidade do seu espírito cultivado e esclarecido, professor Roque Camello passou sua infância no Piteiro, povoado pertencente ao subdistrito de Bento Rodrigues, de Mariana. Deste modo, de maneira frontal opôs-se ao cancelamento do Dia de Minas Gerais, no momento em que a cidade mais necessitava de amparo para se reerguer da tragédia advinda com o rompimento da barragem de Fundão. 

Caros amigos. Apressa-nos o tempo, o grande artífice da memória, que hoje cultuamos. As marcas deixadas pelo nobre professor sobrevivem ao tempo. E são muitas. São marcas indeléveis. Avolumam-se na memória coletiva tantas histórias, relatos de estudantes que escolheram Roque Camello como paraninfo em suas formaturas; outros tantos autores que tiveram, como eu, o privilégio da sua leitura e da sua crítica. Muitos artistas, entidades e agremiações encontraram amparo em seu humanismo: o Movimento Renovador de Mariana, corporações musicais, congados!

Roque Camello não foi apenas membro de instituições de apoio à cultura – foi atuante e em muitas vezes atuou como um mecenas. Vejamos, por exemplo, sua gestão como diretor-executivo da Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana (FUNDARQ), pela qual foi responsável pela segunda reforma do órgão Arp Schnitger da Catedral de Mariana; me lembro, particularmente, de tê-la percorrido a seu lado, ocasião na qual expôs a grande necessidade de reforma arquitetônica da Sé Catedral. O mesmo zelo e preocupação pautaram sua conduta em favor do restauro do santuário Nossa Senhora do Carmo, consumido, em grande parte, pelo incêndio em 1999, e do antigo palácio dos bispos. Pela FUNDARQ, conduzia, com uma equipe de arqueologia e arquitetura, a reconstrução e revitalização dos jardins históricos do antigo palácio dos bispos, visitados pelos viajantes naturalistas franceses que vieram ao Brasil no século XIX em suas pesquisas botânicas. 

Professor Roque cultivou em toda a sua vida, como estes cientistas, o amor pela ciência e pela cultura erudita. Era membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG). Tornou-se uma das maiores referências da história de Mariana e suas influências para a formação do Estado e do País.

Presidiu, com grande habilidade, a Comissão de Defesa do Patrimônio Histórico da OAB de Minas Gerais. Encaminhou para a Unesco o projeto de certificação e inscrição do acervo do Museu da Música de Mariana no programa “Registro Memoria del Mundo”, deferido em 2011.

Em 11 de abril de 2016, seu amor por Minas rendeu outro fruto primoroso. Foi quando lançou a cuidadosa edição do livro “Mariana: assim nasceram as Minas Gerais – uma visão panorâmica da história”, na Casa de Cultura – Academia Marianense de Letras (Rua frei Durão 84 – Centro) e em Belo Horizonte, na Academia Mineira de Letras (rua da Bahia,  1.466 – centro).

Ciente da diversidade da expressão cultural do Estado, que tanto amou, fez questão de trazer, juntamente com o livro que vinha a lume, reconhecidos expoentes da cultura popular marianense à ocasião do memorável lançamento: os centenários Zé Pereira da Chácara, o Congado Nossa Senhora da Conceição e bandas de música, além da apresentação do coral Tom Maior. Como erudito que era, sabia ouvir as múltiplas vozes de Minas.

Assim, com a pena de escritor, o tino político-administrativo, o refinado senso humanista e o olhar no futuro, presidiu por 31 anos a Casa de Cultura – Academia Marianense de Letras. Nesta casa, acolheu muitos artistas, intelectuais, professores, escolas, políticos, movimentos sociais e entidades de grande expressão. Recepcionou expoentes de outras entidades promotoras da cultura, promovendo o encontro, o diálogo e a solidariedade entre as entidades com vocações de preservação. Professor Roque Camello foi, ainda, atuante Conselheiro da Associação Universitária Internacional (AUI), sediada em São Paulo, na qual foi diretor regional para Minas Gerais. Desta forma, beneficiou muitos estudantes com oportunidades de aprimoramento em universidades norte-americanas.

De sorte que, seguramente, podemos considerar, ao final desta reflexão, que sua trajetória não cabe no curto espaço-tempo de sua existência, breve e intensamente circunscrita entre 1943 e 2017. Porque nos deixou, dentre realizações concretas, ensinamentos, e exemplos, uma valiosa herança. Sua memória lavra um lustroso modelo a ser seguido: de resistência a valores antidemocráticos, de resistência ao obscurantismo pela força da Educação e dos princípios humanistas. Foi também seu lema sapěre aude. Como poucos medalhões da política da sua geração, ele ousou saber e aplicar o seu entendimento às circunstâncias. Ele ousou fazer uso da razão em prol dos mais fracos, em prol da memória e da preservação da história, em favor do coletivo.

Professor Roque marcou indelevelmente a história de Minas Gerais, com ações que impactaram sucessivas gerações: a dele, a nossa, e as vindouras. Que o seu exemplo e modelo persevere, floresça entre nós. E a História o imortaliza, pela força da sua trajetória em nosso passado recente. Professor Roque José de Oliveira Camello – presente!


NOTAS EXPLICATIVAS



¹   A utilização original (Epístolas entre 20 a.C e 14 a. C) está no Epistularum liber primus de Horácio, livro 1, carta 2, verso 40:[1] Dimidium facti qui coepit habet: sapēre aude ("Aquele que começou está na metade da obra: ouse saber!"). A frase Sapěre aude tornou-se associada à Era do Iluminismo, durante os séculos XVII e XVIII, depois que Immanuel Kant a usou no ensaio "Pergunta: O que é Iluminismo?" (1784) ou, noutra tradução, Resposta à Pergunta O Que São as Luzes [2]. Como filósofo, Kant reivindicou a frase Sapěre aude como um lema do período do Iluminismo e usou-a para desenvolver suas teorias da aplicação da Razão na esfera pública dos assuntos humanos. 
Acesso em 07 de dezembro de 2018.

Acesso em 12 de dezembro de 2018.

domingo, 9 de dezembro de 2018

DISCURSO COMEMORATIVO DO PRIMEIRO ANO DA GESTÃO "UNIÃO" NO IHG DE SÃO JOÃO DEL-REI


Por Francisco José dos Santos Braga
 

Ilmo. Sr. Paulo Roberto Souza Lima, DD. Presidente do IHG de São João del-Rei,
Ilma. Sra. Zélia Maria Leão Terrell, DD. Presidente da Academia de Letras de São João del-Rei,
Exmo. Sr. José Antônio do Pacu, Exmo. Prefeito de Tiradentes-MG e sócio correspondente deste IHG diplomado nesta data,
Prezados confrades, amigos e amigas,

Estamos aqui reunidos nesta Assembleia Ordinária nº 542, de 9 de dezembro de 2018, a última deste ano, ocasião propícia para fazermos um breve retrospecto das atividades do IHG durante o ano que finda.

Preliminarmente, agradeço à Diretoria do IHG a escolha de meu nome para fazer a breve síntese das principais atividades desenvolvidas e decisões tomadas no primeiro ano da gestão "União". Não tenho aqui a pretensão de cobrir todo o leque de decisões tomadas durante o período, mas apenas registrar as que me pareceram simbólicas para o novo tempo do IHG, neste primeiro ano da referida gestão.

Antes, porém, gostaria de falar algumas palavras sobre a data de ontem (8 de dezembro) tanto no calendário católico quanto na história são-joanense.
Fez ontem 164 anos que o Papa Pio IX, pela “Bula Innefabilis Deus” de 8/12/1854, definiu solenemente como dogma de fé a Imaculada Conceição de Maria Santíssima.
Na história do povo português, costuma-se atribuir a D. Nuno Álvares Pereira (1360-1431), Condestável do Reino e considerado o maior estrategista, comandante e gênio militar português, a devoção à N. Sra. da Conceição, que teria respondido às suas preces em Valverde, Atoleiros e Aljubarrota. Por essa razão, mandou construir a Igreja de N. Sra. da Conceição de Vila Viçosa, e encomendou na Inglaterra a imagem da santa para a sagração do templo. Em 1423 entrou na Ordem do Carmo e com o nome de Irmão Nuno de Santa Maria permaneceu no convento até a sua morte em 1431. Em 23/01/1918 foi beatificado pelo Papa Bento XV, mas o seu processo de canonização foi interrompido por razões políticas. É que Salazar queria transformar a canonização do Beato Nuno em pompa nunca vista, mas Pio XII se recusou, profundamente incomodado com o significado altamente político que se pretendia dar ao fato religioso. Por isso, sua canonização foi postergada até 26/04/2009, quando Bento XVI o proclamou Santo Nuno de Santa Maria, O. Carm..
Outro elemento a trazer alguma luz sobre a nossa devoção de católicos brasileiros à N. Sra. da Conceição deve-se a importante juramento enunciado por D. João IV por provisão de 25/03/1646:  
"estando ora junto em Cortes os três Estados do reino”, proclamou solenementetomar por padroeira de nossos Reinos e Senhorios a Santissima Virgem Nossa Senhora da Comseição... confessare deffender May de Deus foi concebida sem pecado original”.
 
Por esta proclamação a Virgem Imaculada era constituída e declarada, por todos os poderes da Nação, Senhora e Rainha de Portugal, a verdadeira soberana do país. Lato sensu, por essa provisão, Nossa Senhora da Conceição foi constituída Padroeira e Rainha de Portugal e de todos os povos de língua portuguesa.
Este mesmo rei mandou cunhar, em 1649, moedas de ouro e de prata conhecidas por "Conceição", em cujo reverso constava a imagem de N. Sra. da Conceição, sobre o globo e a meia-lua com a legenda TUTELARIS REGNI.
Desde 1654 até 1910, na Universidade de Coimbra, foi adotada por todo graduado a fórmula do juramento de D. João IV em honra à N. Sra. da Conceição. Durante quase três séculos, estava subentendido que o cumprimento de tal juramento era condição para se obter qualquer grau universitário. ¹

Deixando Portugal e voltando a São João del-Rei, pode-se constatar que, numa feliz coincidência, o Arraial adquiriu foro de Vila no dia 8 de dezembro de 1713, quando a Igreja solenemente comemora a Imaculada Conceição de Maria Santíssima.
Consta que foi Júlia Maria da Caridade, uma das três Ilhoas responsáveis pelos principais troncos familiares no sul de Minas Gerais, a responsável pelas obras da Capela de Nossa Senhora da Conceição do Porto do Saco (atual distrito de Carrancas).

Capela de Nossa Senhora da Conceição do Porto do Saco
Outra grande devota foi Nhá Chica, que, por 30 anos, se dedicou à construção de uma capela, que ela dizia ser um pedido de "Sinhá" (Nossa Senhora). Graças a doações e à herança de seu irmão Teotônio, conseguiu erguer a Capela de Nossa Senhora da Conceição, hoje Santuário de Baependi.
Nossa Senhora da Conceição é patrona da Ordem Franciscana. Sua solenidade ontem foi realizada com grande pompa na Igreja de São Francisco de Assis, em São João del-Rei, precedida de solene novenário. 

Novena da Imaculada Conceição de Maria Santíssima a cargo do Coro e Orquestra Ribeiro Bastos com as seguintes obras dos autores: Pe. José Maria Xavier: Domine ad adjuvandum, Veni Sancte Spiritus e hino Conceptio tua Dei Genitrix; Carlos dos Passos Andrade: jaculatória Virgem Imaculada; e Francisco Manuel da Silva: antífona Tota pulchra es Maria

Duas artísticas e belíssimas imagens de Nossa Senhora da Conceição são veneradas nesse templo. Na sacristia, em oratório, a imagem menor que, segundo a tradição, pertenceu à capela da fazenda do Mestre de Campo Ambrósio Caldeira Brant.
A outra imagem, no trono da capela-mor, impressiona pelo tamanho, riqueza de escultura e policromia, é atribuída ao escultor conhecido como Mestre do Cajuru.

O livro Et Caetera ², de Antônio Gaio Sobrinho, tem um capítulo intitulado “Três Momentos da História de São João del-Rei” (p. 65-73), dedicado a 3 pontos de inflexão da curva da história são-joanense que compreensivelmente alteraram a sua direção. São eles:
1) Fundação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pirar do Rio das Mortes, ocorrida em 1705
2) Elevação do citado Arraial a Vila de São João del-Rei, em 8 de dezembro de 1713
3) Elevação da citada Vila a Cidade de São João del-Rei, em 6 de março de 1838.

Interessa-nos tratar do segundo momento histórico, que foi a elevação do Arraial a Vila. Então com o nome de São João del-Rei foi o Arraial elevado a Vila no dia 8 de dezembro de 1713, ou seja, no segundo momento histórico da criação do Município de São João del-Rei. Trata-se de uma feliz coincidência, porque nesta data a Igreja solenemente comemora a Imaculada Conceição da Virgem Maria, sendo a sua imagem venerada em todos os templos são-joanenses, especialmente na Igreja de São Francisco de Assis. Portanto, todo dia 8 de dezembro é motivo de júbilo devido à dupla comemoração do Dia da Cidade e da Imaculada Conceição de Maria Santíssima. Dessa forma, ontem comemoramos o 305º aniversário de nossa cidade, com muito orgulho, e o 164º aniversário do dogma da imaculada concepção da Virgem Maria, com devoção.

É sob a proteção e com as bênçãos de Nossa Senhora da Conceição que, a seguir, se apresentará um retrospecto das realizações da Diretoria do IHG de São João del-Rei que se destacaram neste primeiro ano de trabalho da gestão autodenominada “União” em sintonia com a plataforma de políticas e propostas de ação apresentadas pela mesma Diretoria para a gestão 2018/2020, com ampla divulgação desde a sua posse em 04/02/2018, porquanto quase tudo foi publicado no site do Instituto.


TEMA GERAL

Retomada do prestígio e do esplendor dos primórdios do IHG e da sua inserção no concerto das outras entidades da mesma espécie, visando intercâmbio e troca de experiências. Constata-se uma aproximação maior com Academias: inicialmente com nossa coirmã Academia são-joanense, e com outras Academias, como AILE (Itaúna), ABL (Barbacena), Academia de Letras João Guimarães Rosa da PMMG (Belo Horizonte), e com Institutos, como IHGMG, IHG de Pompéu, IHG de Tiradentes, IHG de São Tiago, IHG de Prados, etc.

Foi eleito o sócio-fundador Adão Tiago Lara (dos 20 fundadores, o único ainda vivo), ficando definido que, em todas as solenidades e reuniões ordinárias do IHG durante 2018, fosse enaltecida a sua figura, como insigne pedagogo e escritor de livros sobre educação.

Foi referendado o acerto da decisão do presidente Fábio Nelson Guimarães ao indicar a seus confrades, nos primórdios do IHG, a figura do historiador Basílio de Magalhães como Patrono Maior do nosso IHG, principalmente após memorável preleção em sua defesa, feita pelo confrade José Passos de Carvalho.

TEMAS ESPECÍFICOS

O IHG, sendo entidade de utilidade pública, legal e regular, tem desenvolvido parcerias com instituições e pessoas dispostas a realizar eventos/projetos significativos em temáticas de interesse do nosso Sodalício. Na 435ª reunião do CMPPC-Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural de São João del-Rei fomos indicados para firmar convênio com a SMC/SJDR-Secretaria Municipal de Cultura de São João del-Rei para publicar dois livros: Revista dos 300 anos de SJDR e Partituras compostas por Abgar Campos Tirado, com recursos do FUMPAC-Fundo Municipal do Patrimônio Cultural. Para isso, solicitamos à SMC/SJDR seja repassado ao IHG o Termo de Colaboração ou de Fomento, em decorrência da indicação do CMPPC para o IHG promover a publicação dos livros acima referidos.
Um terceiro e quarto livro estão na pauta para aprovação pelo CMPPC. Quanto ao terceiro livro, recebemos e vamos apresentar para apreciação e aprovação do CMPPC um projeto de livro denominado provisoriamente como “Estórias por trás da História”, em parceria, já que será escrito por equipe de jornalistas sob a coordenação do IHG, e estímulo da SMC/SJDR. A ideia é documentar relatos e narrativas apresentadas por diferentes participantes nas várias edições do Projeto “Café com Prosa – Roda de Conversas”/2018 e acompanhar e indicar a temática para realização de até 8 edições do evento em 2019. O livro será encaminhado à Comissão Editorial para apreciação e está programado para ser lançado em dezembro/2019.
Quanto ao projeto do quarto livro, formamos um grupo de trabalho com o confrade Evandro Coelho para estudo e encaminhamento de proposta de publicação de livro ou revista sobre elementos históricos e turísticos da cidade de SJDR, incluindo índice descritivo da denominação de ruas de SJDR, a ser submetido à análise da Comissão Editorial do IHG-SJDR e apresentado ao CMPPC para captação de recursos do FUMPAC e lançamento previsto para o primeiro semestre de 2020, em comemoração ao cinquentenário desse Sodalício.
Como gestor da publicação dos livros em parceria com a SMC/SJDR, informamos que participamos da 436ª reunião ordinária do CMPPC para esclarecer e assegurar sobre a situação legal e regular do IHG-SJDR, baseado em portfólio para justificar sua indicação, na reunião 435ª do mesmo CMPPC.

Já que falamos do Projeto “Café com Prosa-Roda de Conversas”/2018, achamos conveniente resumir brevemente suas cinco edições:
1º Café com Prosa (15/03/2018): tema “Educação Comunitária e Educação Patrimonial”
2º Café com Prosa (19/04/2018): tema “Músicos e Músicas de raiz em São João del-Rei”
3º Café com Prosa (22/06/2018): tema “Festas Populares e Religiosidade: Festas Juninas na rua Santa Teresa”
4º Café com Prosa (23/08/2018): tema “Literatura que o são-joanense costuma ler”
5º Café com Prosa (27/09/2018): tema “Histórias, Música e Poesia para saudar a chegada da Primavera”
6º Café com Prosa: tema: “Festas Populares e Religiosidade – Homenagem dos Congados a N. S. do Rosário”, previsto para outubro, deixou de ser implementado porque, em função do período eleitoral, foram dificultadas as articulações e o evento infelizmente não aconteceu. Não obstante, em compensação o IHG participou oficialmente de vários eventos da 12ª edição do FELIT, visando prestar uma digna homenagem a Luiz Ruffato, o autor homenageado em 2018.

Além disso, continuamos a envidar esforços para construir e implementar um Projeto de Estudos em “Educação Patrimonial” a ser oferecido diretamente pelo IHG em 2019 para públicos variados, como professores da Rede Municipal; os moradores da Rua Santa Tereza e adjacências; em parceria, para os Guias de Turismo de SJDR e talvez, em parceria com a UFSJ, para os alunos nela matriculados, tendo em vista os atos de vandalismo praticados por estudantes universitários contra a Igreja de Nossa Senhora do Carmo ³ e pichação do Coreto Tenente João Cavalcante, imediatamente após a entrega do prédio pela Prefeitura Municipal à comunidade completamente reformado e pintado. Já foi enviado ofício à Secretaria Municipal de Educação encaminhando projeto que versa sobre “Educação Patrimonial”, decorrente do diálogo estabelecido no 1º Café com Prosa, e sugerindo a inclusão do tema na proposta curricular do Ensino Fundamental.

Continuamos nossa reinscrição junto ao Estado, no CAGEC-Cadastro Geral de Convenentes e ao Governo Federal, junto do FNDD-Fundo Nacional de Direitos Difusos/MJ.

Enviamos ofício ao Gerente Geral da Caixa Econômica Federal propondo parceria e solicitando apoio para dois de nossos projetos estratégicos (1. Concurso anual de monografias universitárias sobre temáticas sociais e econômicas relacionadas a SJDR e aberto a instituições universitária do Estado de Minas; 2. Programa de estágios acadêmicos remunerados em áreas de interesse do IHG, em parceria com a UFSJ).

Queríamos finalmente sugerir seja conferida uma Moção de Louvor e Agradecimento ao confrade José do Carmo dos Santos pela cessão da sede da Sociedade de Concertos Sinfônicos para nossas assembleias durante o tempo da reforma na “Casa mais Antiga”, o que o confrade fez com a maior fidalguia e espírito de corpo.

É o que tinha a dizer. Muito obrigado!


NOTAS EXPLICATIVAS


¹  Cf. GOMES, José Aníbal Marinho: Nossa Senhora da Conceição Padroeira e Rainha de Portugal e de todos os Povos de Língua Portuguesa, publicado em 8/12/2013 no Blog Risco Contínuo

² SOBRINHO, Antônio Gaio: ET CAETERA, São João del-Rei: UFSJ, 208 p.

³ LIMA, Rogério Medeiros Garcia de: VANDALISMO, Gazeta de São João del-Rei, Ano XXI, edição de 27 de outubro de 2018

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

QUEREM TRAZER 38 MILHÕES DE IMIGRANTES PARA A GRÉCIA!



Por Chrístos Mantziáris
Postado em 03/12/2018 por Κατοχικά Νέα
Traduzido do grego por Francisco José dos Santos Braga


A Nova Ordem ¹ decide e prossegue de 10 a 12 de dezembro em Marrocos, na implementação imediata do projeto Coudenhove-Kalergi ². Para quem não sabe, Coudenhove-Kalergi inspirou-se na Europa Unida e sua evolução. Seu plano prevê a substituição da raça branca (que racista!!) pela raça eurasiática-negróide, como ele a denominou. A raça branca deve desaparecer. Seu papel no planeta Terra acabou, devido ao pico da tecnologia.

Observe na tabela abaixo o número de imigrantes que os países europeus ³ receberão, querendo ou não. À Grécia querem trazer cerca de 38 milhões de imigrantes. Mas o mesmo se aplica aos outros países europeus.

O problema de abrigar o estrangeiro será colocado nas costas dos nativos. Muitas famílias serão obrigadas a coabitarem com uma família de imigrantes em sua própria casa, querendo ou não, especialmente aquelas que têm casa espaçosa ou mais de uma casa, e de preferência, aquelas que tenham dívidas.

Portanto, antes de prosseguirem com a implementação do seu plano, vão confiscar as armas dos gregos.



NOTAS EXPLICATIVAS DO TRADUTOR


¹  Nova Ordem Mundial (em inglês: New World Order, NWO), expressão muito utilizada nas teorias conspiratórias, refere-se ao surgimento de um governo mundial totalitário. Segundo elas, uma poderosa elite secreta com uma agenda globalista está conspirando para eventualmente governar o mundo por meio de um governo mundial autoritário que irá substituir os Estados soberanos com uma propaganda abrangente cuja ideologia saúda o estabelecimento da Nova Ordem Mundial como a culminação do progresso da História.


²  O autor se refere a uma reunião dos Estados membros da ONU em Marrakech, no Marrocos, para oficialmente aprovarem um acordo internacional chamado Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular (Global Compact for Safe, Ordinate and Regular Migration). O documento está baseado nos princípios da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e nos compromissos firmados na Declaração de New York para Refugiados e Migrantes, adotada em setembro de 2016 na Assembleia Geral da ONU.
Para Mantziáris, essa última afirmação não é verdadeira, pois se trata da implementação do Plano Coudenhove-Kalergi para a Europa Unida, considerado por muitos intelectuais o genocídio dos povos europeus. Para maiores informações sobre esse Plano, leia o texto de Maria Negreponti-Delivanis, traduzido por mim como “A corrente migratória para a Europa pode constituir a concretização de um plano tenebroso de 1922”, postado neste Blog do Braga em 21/12/2017.
Link: https://bragamusician.blogspot.com/2017/12/a-corrente-migratoria-para-europa-pode.html

³   Tradução dos países europeus na tabela seguidos de número de imigrantes planejados para cada um deles:
1. Alemanha☞ 274.420.294 imigrantes
2. França 217.614.965 imigrantes
3. Itália 200.331.580 imigrantes
4. Espanha 154.358.312 imigrantes
5. Polônia 127.513.145 imigrantes
6. Romênia 71.913.908 imigrantes
7. Holanda 55.152.359 imigrantes
8. Grécia 37.661.727 imigrantes
9. Portugal 35.705.103 imigrantes
10. Bélgica 35.671.515 imigrantes
11. República Tcheca 34.862.433 imigrantes
12. Hungria 33.545.089 imigrantes
13. Suécia 30.880.506 imigrantes
14. Áustria 27.811.514 imigrantes
15. Bulgária 25.550.041 imigrantes
16. Eslováquia 17.989.661 imigrantes
17. Dinamarca 18.431.075 imigrantes
18. Finlândia 17.824.779 imigrantes
19. Noruega 16.070.064 imigrantes
20. Irlanda 15.051.983 imigrantes
21. Croácia 15.020.358 imigrantes
22. Lituânia 11.204.213 imigrantes
23. Letônia 7.561.440 imigrantes
24. Eslovênia 6.866.711 imigrantes
25. Estônia 4.483.163 imigrantes
26. Chipre 3.526.063 imigrantes
27. Luxemburgo 1.605.931 imigrantes
28. Malta 1.372.068 imigrantes