sexta-feira, 17 de maio de 2019

MEU DISCURSO DE POSSE NA ACADEMIA MANTIQUEIRA DE ESTUDOS FILOSÓFICOS-AMEF, EM BARBACENA-MG

Por Francisco José dos Santos Braga



Ilmos. Srs.
Prof. José Cimino
DD. Presidente da Academia Mantiqueira de Estudos Filosóficos-AMEF,
Prof. Mário Celso Rios
DD. Presidente da Academia Barbacenense de Letras-ABL,
Profª Letícia das Mercês Silveira Costa
Neoacadêmica da AMEF, em nome de quem saúdo todos os outros membros de ambas as Academias que nesta noite prestigiam a minha posse.

Inicialmente, tenho o prazer de cumprimentar e render minhas homenagens a esta plêiade de Nobres Acadêmicos desta douta AMEF, em atividade há 21 anos, divulgando as luzes de seu conhecimento e manifestando seu zelo filantrópico, movida pelo generoso sentimento de philia, que, além de sustentar intrinsecamente a filosofia, transborda – enquanto amor à sabedoria – em amor à humanidade.

Na sua origem, como sabem, a designação de Academia provém da escola de filosofia que Platão fundou na Grécia em algum momento depois de 387 a.C., quando supostamente retornou de sua primeira visita à Itália e Sicília, junto a um jardim a noroeste de Atenas, em terreno dedicado à deusa Atena que, segundo a tradição, pertencera a uma personagem mitológica com o nome de Academo.

Honrou-me sobremodo o convite do presidente José Cimino para juntar-me a esta confraria de filósofos: aceitei-o de imediato, convencido da verdade das palavras contidas em provérbios muito conhecidos que dizem: "Junta-te aos bons e serás um deles" e "Dize-me com quem andas e te direi quem és". Parecem ambos serem ecos do livro bíblico de Provérbios 13:20 que diz: "Quem anda com os sábios será sábio; mas o companheiro dos tolos sofre aflição", em tradução de João Ferreira de Almeida.

É com ânimo misto de humildade e simplicidade que adentro esta confraria de amigos da sabedoria, propondo-me a dar minha parcela de contribuição noética para a consecução de seus elevados objetivos, agradecido por ter sido considerado merecedor de partilhar conceitos e ideias com esta plêiade de pensadores seletos.

Mesmo antes de ser membro desta douta Casa de Sabedoria, já tinha sido convidado pelo presidente para falar sobre a Ética de Epicuro. Impossibilitado de dar essa contribuição na data que me fixou, estou pronto a voltar na primeira oportunidade para falar de um tema de interesse dessa Academia.

Se me permitem, neste primeiro contato com vocês, gostaria de oferecer, neste espaço para meu discurso de posse, uma breve introdução geral à palestra de hoje que constará de uma reflexão sobre o pensamento ético de Epicuro, a ser proferida pelo Prof. José Cimino e mais voltada à doutrina de Epicuro.

Epicuro (341 a.C., Samos - 271 a.C., Atenas)

Poucos dos numerosos e extensos escritos de Epicuro sobreviveram e há muitas lacunas no nosso conhecimento de sua filosofia. Mas, embora estudantes do Epicurismo com razão se queixem da perda do monumental poema Da Natureza, em 37 livros, e outras obras importantes do mestre, consolam-se com o pensamento de que nenhum outro filósofo antigo teve seguidores que produziram obras tão notáveis pela forma como foram publicadas e pelas circunstâncias nas quais sobreviveram. A seguir, apresento os 4 autores aos quais a doutrina de Epicuro deve a sua sobrevivência e a sua transmissão através dos séculos. A figura de Epicuro é uma das mais relevantes do panorama filosófico grego, em especial pelo impacto que seu pensamento tem exercido sobre o homem moderno.

Inicialmente, há Tito Lucrécio Caro (99 a.C.-55 a.C.), o qual, embora tenha usado o tratamento poético da ciência e da filosofia – tarefa mais extremamente difícil –, e ainda que Epicuro tivesse desencorajado a escrita de poesia, logrou transmutar a física epicúrea em um dos mais grandiosos poemas jamais escritos, Da Natureza das Coisas (De Rerum Natura) e assim garantiu a sobrevivência da obra do filósofo grego de Samos. Além de fonte preciosa para o conhecimento do epicurismo, o poema de Lucrécio tem grande importância literária e seus versos consagram o autor como um dos maiores poetas latinos.

Em seguida, há Filodemo de Gádara (110 a.C., Gádara, Síria-40 a.C., Herculano, Itália), ortodoxo na sua escolha da prosa para a sua obra filosófica, embora não-ortodoxo em sua composição de epigramas de amor; seus escritos em prosa eram desconhecidos, até que fragmentos deles foram descobertos entre os rolos da vila dos papiros, em Herculano.

Mais recentemente, nesta breve retrospectiva, na linha do tempo, vem o próximo autor, importantíssimo, porque foi o mais famoso dos biógrafos de filósofos da Antiguidade e porque preservou parte da obra de Epicuro: Diógenes Laércio (225 d.C., Cilícia, Síria-300 d.C., ?). Deu grande importância à filosofia epicúrea, reservando-lhe o capítulo X do seu livro "Vidas, doutrinas e sentenças dos filósofos ilustres", ou mais simplesmente: “Vidas dos filósofos ilustres”. Constam desse capítulo:
A carta escrita pelo filósofo Epicuro a seu discípulo Meneceu, transcrita por Diógenes Laércio no capítulo X (dedicado a Epicuro e especialmente apreciado pelos historiadores e filósofos) é importantíssima, porquanto é uma das poucas fontes referentes ao pensamento de Epicuro (a maior parte das obras do seu autor se perderam) sobre os assuntos ali tratados: a ética e a busca da felicidade.
Diógenes Laércio não salvou apenas a dita carta do olvido; no capítulo X, salvou ainda a carta de Epicuro a Heródoto, onde a física de Epicuro é exposta, e na qual são discutidos os princípios, o método e a constituição do mundo; além disso, preservou da destruição a carta de Epicuro a Pithoclês, cujo eixo é um estudo dos meteoros ou fenômenos naturais; e, finalmente, transcreveu as Máximas Principais (Οι Κύριες Δόξες) de Epicuro.
Sobre a vida de Laércio, o principal biógrafo da filosofia grega, sabe-se pouca coisa: apenas que nasceu na Cilícia, ao norte da Síria. Há quase uma unanimidade sobre seu período de vida, mas ignora-se quais foram seus pais, a sua formação e tendência filosófica, sua profissão e o local de sua morte. Ou seja, é impressionante que esse autor, cuja obra é citada em todos os estudos sobre a história da filosofia, seja um desconhecido biograficamente.
Vejamos o que o doxógrafo Diógenes Laércio diz de Epicuro como autor, segundo [LAÊRTIOS, 2008, 289] ¹:
"Epicuro foi um polígrafo extraordinário, e superou todos os seus antecessores pelo número de obras, que totalizaram cerca de trezentos volumes; nelas não há citações de outros autores, sendo todas as palavras do próprio Epicuro. (...) São esses então os dados sobre as obras de Epicuro e suas peculiaridades, sendo as melhores entre elas as seguintes: Da Natureza, em trinta e sete livros; Dos Átomos e do Vazio; Do Amor; Epítome dos Livros contra os Físicos; Contra os Megáricos, Problemas; Máximas Principais; Do que deve ser escolhido e rejeitado; Do Fim Supremo; Do Critério, ou Cânon, Cairêdemos; Dos Deuses; Da Santidade; Hegesiânax; Dos Modos de Vida, em quatro livros; Da Maneira Justa de Agir; Neoclês, a Temista; O Banquete; Eurílocos, a Metrôdoros; Da Visão; Do Ângulo no Átomo; Do Tato; Do Destino; Opiniões sobre os Sentimentos; Contra Timocrates; Prognóstico; Exortação à Filosofia; Das Imagens; Da Apresentação; Aristôbulos; Da Música; Da Justiça e das Outras Formas de Excelência; Dos Benefícios e da Gratidão; Polimedes; Timocrates, em três livros; Opiniões sobre as Doenças e a Morte, a Mitres; Calistolás; Da Realeza; Anaximenes; Epístolas." ²

Mas talvez ainda mais notável que Lucrécio ou Filodemo, pela maneira como sua obra foi publicada e foi preservada para nós, é a de um epicureano, que, embora sem dúvida vá ficar menos famoso do que Lucrécio e Filodemo, precisa ser considerado por nós como de crescente importância por nos ajudar a preencher algumas das lacunas em nosso conhecimento do Epicurismo. Refiro-me a Diógenes de Enoanda, um filósofo grego do século II que divulgou a filosofia de Epicuro como representante do epicurismo moral. É conhecido por ter mandado gravar as máximas epicúreas sobre um muro, de 80 metros de largura por quase 4 metros de altura, totalizando uns 200 blocos da antiga cidade de Enoanda na Lícia, sudoeste da atual Turquia, na altura da ilha de Rhodes. O muro foi destruído por um terremoto ainda na antiguidade, e muitos de seus blocos de pedra foram espalhados e enterrados. Era a maior inscrição do mundo grego que conhecemos.
Dizem que se localizava perto da ágora da cidade, como uma mensagem sugestiva de salvação, como um evangelho filosófico, não só para os seus concidadãos, mas também para todos os que por ali passassem, constituindo um alerta para que os cidadãos que comprassem nas lojas de Enoanda não esperassem encontrar a felicidade, comprando.

Diógenes de Enoanda: hacer hablar a las pedras
Exatamente há 135 anos atrás, Diógenes de Enoanda não era apenas um desconhecido à fama; era um desconhecido de qualquer um no mundo. O crédito por salvá-lo de muitos séculos de esquecimento pertence à Escola Francesa de Atenas. Em 1884, em Enoanda nas montanhas do Norte da Lícia, a obscuridade e a frieza de dezembro foi clareada e aquecida para dois epigrafistas, Maurice Holleaux e Pierre Paris, com idade de 23 e 25 anos respectivamente, quando fizeram uma descoberta excitante e totalmente inesperada: ao pé de uma grande muralha encontraram cinco blocos de pedra calcária com inscrição em grego, cujo assunto mostrava que eles eram parte de uma grande inscrição filosófica, erigida por um epicureano idoso para o benefício e salvação de uma humanidade sem as luzes tanto de sua própria época quanto do futuro. O nome deste filantropo epicureano, que quase certamente viveu no segundo século d.C., era até então ignorado, e Holleaux e Paris foram incapazes de continuar sua investigação.
Contudo, em junho de 1885, dois colegas seus, Georges Cousin e Charles Diehl, com idade de 24 e 25 anos respectivamente, continuaram a exploração de Enoanda. Cousin conta que eles descobriram 22 fragmentos da inscrição de Diógenes. Em outubro de 1889 , Cousin voltou para encontrar, de acordo com seu relato, 40 fragmentos, embora um deles, conforme Usener viu, era de fato parte de um bloco que Cousin e Diehl tinham encontrado em 1885, e três pequenos pedaços, que Cousin publicou como fragmentos separados, pertencem, como o arqueólogo austríaco Rudolf Heberdey e filólogo austríaco Ernst Kalinka (HK) mostraram, a um único bloco, de forma que o total revisto dos fragmentos encontrados em 1889 é de 37. O total de fragmentos encontrados em 1885 também precisa ser revisto, pois, como veremos, dois dos “novos” fragmentos encontrados por HK já tinham sido descobertos (desconhecidos aos austríacos) pelos franceses, e é certo que ambos foram descobertos em 1885, embora Cousin nunca os mencione e nunca os tenha publicado.
Em 1892 Cousin publicou os fragmentos descobertos por si e seus compatriotas. Tal iniciativa, entretanto, não satisfez as exigências científicas: não forneceu medidas ou desenhos das pedras; sua cópia dos fragmentos foi muitas vezes incorreta e incompleta; ofereceu apenas mínimas recuperações do texto; e tinha pouco a dizer sobre o assunto da inscrição.
Os experts em Diógenes compararam naturalmente e contrastaram seu trabalho com o de HK, os quais, depois que a Comissão da Ásia Menor da Academia Austríaca tinha obtido a permissão escrita de Théophile Homolle, Diretor da Escola Francesa, visitaram Enoanda em 1895, recopiaram tantos dos fragmentos descobertos pelos franceses quantos puderam encontrar, descobriram 24 fragmentos não publicados (dois dos quais, como apontei acima, já tinham sido descobertos pelos franceses), e publicaram todos os fragmentos, com medidas e desenhos, em 1897. A edição de HK foi muito superior à de Cousin, embora a cópia deles não tenha sido de forma nenhuma sem falha e não seja sempre seguro assumir que, onde Cousin e HK discordam, Cousin esteja equivocado e HK estejam corretos. Contudo, os austríacos foram muito menos bem sucedidos que os franceses em fazer novas descobertas, mesmo que, como provaram os recentes acontecimentos em Enoanda, muito mais restou por descobrir.
Em seguida, eles continuaram em várias ocasiões as escavações (a última campanha ficou a cargo dos arqueólogos britânicos de 1974 a 1983) para coletar os muitos fragmentos que restaram delas.
Resumo da ópera: Só graças ao trabalho meticuloso de reconstrução que arqueólogos e filólogos realizaram, podemos hoje fazer uma ideia clara de seu conteúdo. É difícil avaliar qual percentual da inscrição nos ficou, repartido em numerosos fragmentos de tamanhos muito diferentes; talvez um terço, um pouco mais ou menos. (Martin Ferguson Smith calcula que teria cerca de 25.000 palavras e foi capaz de editar 212 fragmentos, embora alguns muito breves).
Como vimos, a primeira edição desses fragmentos foi feita por G. Cousin em 1892. Depois vieram as edições progressivamente mais amplas, sistemáticas e com comentários de J. Williams (1907), edições de A. Grilli (1960), C. W. Chilton (1967), A. Casanova (1984) e M. F. Smith (1993).
J. Williams. Diogenis Oenoandensis Fragmenta, Leipzig, 1907.
A. Grilli. Diogenis Oenoandensis Fragmenta, Milán, 1960.
C. W. Chilton. Diogenis Oenoandensis Fragmenta, Leipzig, 1967.
A. Casanova. I frammenti di Diogene di Oenoanda, Florencia, 1984.
M. F . Smith. Diogenes of Oenoanda, The Epicurean Inscription, Bibliopolis, Nápoles, 1993.

Para fazer um estudo detalhado dos fragmentos, recomendamos consultar a edição que acabamos de citar, de Martin Ferguson Smith, The Epicurean Inscription, Bibliopolis, Nápoles, 1993. Este esplêndido volume de 660 páginas, não só constitui a edição crítica mais completa dos textos, mas também com seus comentários e sua extensa bibliografia oferece uma perspectiva muito bem documentada e atualizada dos estudos sobre Diógenes de Enoanda, fruto de muitos anos de trabalho na área mesma de escavações e de reflexões muito aguçadas sobre os textos, difíceis em muitos pontos não só pela sua terminologia epicúrea, mas acima de tudo, como é óbvio, pelo seu caráter fragmentário.
Embora eu quisesse oferecer uma tradução com mais notas e comentários oportunos sobre seu conteúdo e apresentação, que provavelmente os leitores teriam apreciado, preferi deixar essas extensões para outra ocasião, já que nossa intenção atual é apresentar esses textos de Diógenes como testemunho da sobrevivência do Epicurismo e como complemento aos escassos textos preservados de Epicuro. Certamente, nosso bom Diógenes de Enoanda não foi um pensador original, nem pretendia trazer novidades ou críticas substantivas à mensagem filosófica de seu mestre. Ele não era um grande filósofo, apenas um entusiasta e sincero adepto da doutrina epicurista. Com a melhor vontade do mundo, com um zelo filantrópico, como ele mesmo nos declara preliminarmente, queria repetir e destacar com seu resumo as linhas principais da filosofia epicurista, seus grandes lemas e seus princípios básicos, e deixá-los ali, ao alcance de todos os passantes de boa vontade e de critério sensato, recomendando esses ensinamentos como caminho para a felicidade. Um propósito muito louvável, é claro, para uma ocorrência realmente espetacular: o de inscrever as palavras do mestre no grande mural de pedra, como um monumento público a essa mensagem e caminho de salvação.
Martin Ferguson Smith: "como um papiro desenrolado, como imitação de livros contemporâneos"

Quanto à apresentação do conteúdo, parece estar claramente distribuído em várias seções e em colunas separadas que são fáceis de ler. ³ Podemos distinguir várias seções. Uma primeira que trata de Física, seguida por outra de Ética, depois outra que trata da velhice, e uma última que inclui as máximas de Epicuro (entre elas alguns Máximas Capitais), e outros textos dele, como a "Carta à mãe", e algum outro curioso relato (como o "naufrágio de Epicuro"). Há também várias cartas de Diógenes de Enoanda a amigos distantes, com conselhos afetuosos de proselitismo e notícias sobre outros epicuristas. Essa mistura do pessoal e do doutrinal parece muito típica dos círculos epicuristas, que professavam um culto afetuoso à memória do mestre e à amizade mútua, no que esbanjam as cartas e os conselhos.
De Diógenes de Enoanda sabemos o que ele nos conta. Ele já estava "no ocaso da vida" quando encomendou a gravação desses textos, e estava doente, talvez do coração ou do estômago. Impulsionado por seu bom caráter e sua idade avançada, estava preparado para dedicar em sua inscrição algumas palavras sinceras em defesa da velhice, tão caluniada pela tradição literária grega. E ele soube enfatizar como os prazeres autênticos - como amizade e bom senso - são fáceis de alcançar e a dor não deve nos assustar demais. Nada em sua mensagem se desvia dos ensinamentos do mestre. Ele também não se importava em ser um escritor refinado, a exemplo de Epicuro. (M. F. Smith está certo, eu acho, ao defender o estilo de nosso Diógenes, contra aqueles que o tacharam de um escritor medíocre; mas não pretendia ser nem um bom estilista nem um retórico). Ele deve ter sido uma pessoa de certa fortuna, já que custeou tão magníficas construção e inscrição; e é provável, portanto, que ele tenha ocupado algum cargo político em sua cidade. Mas, como um bom epicurista, ele não fala sobre política e avisa que nem riqueza, nem cargo público nem trabalhos ambiciosos trazem felicidade de ânimo.
Não sabemos quando ele viveu ou, portanto, de quando esta inscrição monumental deve ser datada. Costuma-se dar o final do segundo século como data provável, mas M. F. Smith dá boas razões para retroagir essa data para 120 d. C. (isto é, à época dos Antoninos), o que, por outro lado, parece consistente com o período de prosperidade naquela área do Império.

A INSCRIÇÃO EPICÚREA, segundo M. F. Smith, de forma resumida e por subtítulos:

Física (fragm. 1-27)
Ética (fragm. 28-61)
Carta a Antipater (fragm. 62-7)
Carta a Dionysius (e Carus?) (fragm. 69-75)
Fragmentos de posição incerta com pequenas letras (fragm. 76-96)
Máximas (fragm. 97-116)
Instruções a familiares e amigos (fragm. 117-8)
Escritos em colunas de 10 linhas (fragm. 119-136)
Velhice (fragm. 137-179)
Fragmentos de posição incerta (fragm. 180-1)



NOTAS EXPLICATIVAS



¹   LAÊRTIOS, Diógenes: Vidas, doutrinas e sentenças dos filósofos ilustres, Ed. UnB, 2008, 357 p.


²  Cf.  BRAGA, Francisco José dos Santos: https://bragamusician.blogspot.com/2018/03/carta-de-epicuro-meneceu-parte-1.html

https://bragamusician.blogspot.com/2018/03/carta-de-epicuro-meneceu-parte-2.html




³ [SMITH, 1993: 76-108] descreve a extensão e disposição dos temas, assim como a forma da escritura, e todos os detalhes epigráficos. Digno de destaque é este trecho na p. 83: “Cada seção da inscrição de Diógenes foi apresentada como um papiro desenrolado, como imitação de livros contemporâneos, oferecendo assim a disposição do texto em colunas, e também ao longo das linhas, nas regras da divisão das sílabas e no método de pontuação usado.” E seria, naturalmente, interessante saber se o próprio Diógenes tinha apresentado seus escritos em um livro e se essa versão em papiro poderia ser tomada como base e modelo para a grande inscrição em pedra.



AGRADECIMENTO



A Rute Pardini Braga pelas fotos que formatou e editou para os fins desta matéria.





sexta-feira, 10 de maio de 2019

ANOTAÇÕES SOBRE O 1º CONSERVATÓRIO DE MÚSICA SÃO-JOANENSE


Por Francisco José dos Santos Braga




I.  INTRODUÇÃO
 
Compositor francês Fernand Jouteux (✰ Chinon, 11/01/1866 -✞ Belo Horizonte, 16/09/1956), 1º Diretor do Conservatório de Música Sanjoanense

No dia 14 de março p.p., uma quinta-feira, recebi um convite por e-mail do professor e pesquisador Paulo Augusto Castagna, com produção em musicologia histórica, arquivologia musical e edição musical, para comparecer, na segunda-feira seguinte (18 de março), à Fundação CEREM, em São João del-Rei, onde haveria a entrega da Coleção Francesa de Fernand Jouteux (1866-1956). A Coleção Jouteux a ser entregue ao CEREM tinha sido doada pela brasileira Carolina Magalhães, radicada na França, e organizada pelo missivista no Instituto de Artes da UNESP. Incluía partituras e documentos pessoais de grande riqueza sobre a produção do compositor e a vida musical em Pernambuco e Minas Gerais na primeira metade do século XX.

Por fim, informava que Fernand Jouteux é um compositor francês, que iniciou viagens ao Brasil em 1892 e radicou-se no país nos primeiros anos do século XX. Residiu principalmente em Garanhuns e Recife (PE) e, a partir de 1938, em Tiradentes (MG). Compôs grande quantidade de obras, muitas delas com temática brasileira, destacando-se a ópera "O Sertão", baseado no livro de Euclides da Cunha e representada em Belo Horizonte e Juiz de Fora em 1955.

Portanto, a convite do Prof. Dr. Paulo Augusto Castagna, tive a grata satisfação de comparecer, em 18/03/2019, na sede da Fundação CEREM-Centro de Referência Musicológica José Maria Neves, à solenidade de doação de "A Coleção Francesa de Jouteux", um acervo incluindo partituras impressas e manuscritas, recortes de jornais, programas de concertos, entre outros documentos, que pertenceram ao compositor, arranjador e regente francês FERNAND JOUTEUX (✰ Chinon, 11/01/1866-✞ Belo Horizonte, 16/09/1956), que visitou o Brasil pela primeira vez em 1892 e se radicou no Brasil, em companhia de sua esposa Magdeleine Aubry, a partir de 1911, inicialmente em Garanhuns-PE e, mais tarde, a partir de 1938, em Tiradentes. A doação foi feita pelo coordenador do CEREM e responsável pela guarda do acervo, musicólogo Paulo Augusto Castagna.

Além do doador, estiveram também presentes à solenidade de entrega do famoso acervo as seguintes personalidades: Maestro e Prof. Modesto Flávio Chagas Fonseca, Prof. Antônio Guimarães, Profª Camila Bomfim (EMESP), João Bosco de Castro Teixeira, Salomé Viegas, Rute Pardini Braga, Olinto Rodrigues dos Santos Filho (IHGT-Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes), Willer Silveira (SOBR-Sociedade Orquestra e Banda Ramalho de Tiradentes), Henrique Rohrmann (Secretário de Cultura de Tiradentes e monitor Dr. Flávio Henrique da Silveira.























Permita-me inicialmente apresentar aos leitores do Blog do Braga o Prof. Paulo Castagna através de seu breve currículo:
"Paulo Castagna é docente do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (UNESP) desde 1994, Colaborador do Museu da Música de Mariana desde 2001, Pesquisador PQ do CNPq desde 2007 e membro do Conselho Consultivo da Fundação Centro de Referência Musicológica José Maria Neves (F-CEREM) desde 2012. Vem produzindo partituras, livros, artigos, cursos, conferências, programas de rádio e televisão na área de musicologia histórica, coordenando a pesquisa musicológica para a gravação de CDs e coordenando eventos científicos no campo da musicologia. Foi o coordenador das séries de partituras Acervo da Música Brasileira (Fundarq, 2001-2003) e Patrimônio Arquivístico-Musical Mineiro (Secretaria de Cultura de Minas Gerais, 2008-2011), idealizador e apresentador da série de programas de rádio Alma latina (Cultura FM de São Paulo, 2012) e um dos autores da série História da Música Brasileira (Telebras, 1999). Coordena o Laboratório de Conservação, Arquivologia e Edição Musical, destinado ao tratamento de acervos musicais históricos."

Do Prof. Dr. Paulo Castagna recebi o seguinte e-mail um dia depois da solenidade de entrega do acervo francês de Jouteux:

Prezado Francisco,

Inicialmente gostaria de agradecer sua presença e interesse no evento de ontem, bem como sua generosidade e disponibilidade em divulgar a Coleção Fernand Jouteux da F-CEREM e a própria memória de Fernand Jouteux no Campo das Vertentes.

Envio o arquivo do inventário, que contém algumas informações e bibliografia sobre Fernand Jouteux. Esse inventário também está disponível online em PDF, no endereço https://archive.org/details/InventarioColecaoJouteuxFCEREM, que agradeço divulgar. Criei também a página "Fernand Jouteux" na Wikipédia, que igualmente agradeço divulgar: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernand_Jouteux e estou começando a trabalhar na página "Centro de Referência Musicológica José Maria Neves" da Wikipédia, em https://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_de_Referência_Musicológica_José_Maria_Neves

Como mencionei ontem, há um documento na Coleção Jouteux do CEREM que indica que ele foi nomeado diretor do “Conservatório de Música Sanjoanense” (atual Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier) no período de sua criação, portanto entre 1951-1953, e pode ter sido o primeiro diretor dessa instituição. Infelizmente essa coleção não possui documentos que atestariam sua posse, mas a partir de agora é possível iniciar pesquisa a respeito. Envio uma imagem de uma parte desse documento e fico à disposição para enviar outras imagens mencionadas no inventário.

Abraço,

Paulo Castagna

O presente trabalho pretende dirimir a dúvida do Prof. Paulo Castagna:
No que se refere a São João del-Rei, teria sido Eugène Maurice Fernand Jouteux o primeiro diretor do Conservatório Pe. José Maria Xavier no período de sua criação, portanto entre 1951-1953?


II. CRIAÇÃO DO 1º CONSERVATÓRIO DE MÚSICA SANJOANENSE


Em 1937, Fernand Jouteux “esteve na onda” na cidade de São João del-Rei. Vejamos o destaque recebido pelo Maestro francês entre nós, através das páginas de A TRIBUNA, jornal são-joanense. Atendendo a solicitação de Prof. Paulo Castagna, temos, portanto, o prazer de responder a suas indagações reproduzindo nossos achados no periódico em questão. Os grifos são todos nossos.

Inicialmente, eis o comunicado do Conservatorio de Musica Sanjoannense aos leitores do periódico A TRIBUNA, Anno XXIII, edição nº 1.379, de 30 de maio de 1937, p. 2:

"RECEBEMOS do Conservatorio de Musica Sanjoannense o seguinte comunicado:
S. João del Rey, 27 de Maio de 1937.
Illmo. Sr. Redactor da "A Tribuna"
Cidade.
Tenho a honra de levar ao vosso conhecimento, bem como do vosso jornal, em nome do Sr. Director deste Conservatorio, que em data de 4 de Abril do corrente anno, às 15 horas, à Avenida Raul Soares n. 1, foi fundado o "Conservatorio de Musica Sanjoannense", tendo assim ficado constituida a sua primeira directoria:
Director Effectivo, Prof. Fernand Jouteux; Secretario, Sr. Sady Carnot Baltar; Thesoureiro, sr. Luiz Bini; Procurador, sr. Ricardo Mauro.
Fundadores: - Dr. José das Chagas Viegas, Paulo Campello, Aurelio de Almeida, José Victor D'Apparição, José Hilario, Pedro de Souza, Antonio Albuquerque, Srta. Maria Mercês Bini, Domingos de Oliveira Dias e Luiz de Oliveira.
Saudações Attenciosas.
Sady Carnot Baltar - Secretario"


Após localizarmos esta comunicação que procurávamos, fizemos uma pesquisa em todas as edições de A TRIBUNA, referentes ao ano de 1937, na expectativa de examinarmos se havia uma preparação prévia para o surgimento do 1º Conservatório de Música São-joanense. Assim sendo, nossa atenção inicialmente foi atraída por um dos fundadores do novo Conservatório. Trata-se do sr. LUIZ DE OLIVEIRA, cuja aparição reiterada no periódico A TRIBUNA nos surpreendeu, já que ele visita as páginas do periódico do dia 31 de janeiro até 14 de março daquele ano. Achamos interessante reproduzir os anúncios e críticas que apareceram, porque eles podem trazer elementos que facilitem a nossa compreensão do processo da criação do 1º Conservatório. 

Na edição 1.362 de 31 de janeiro de 1937 de A TRIBUNA, p. 1, na coluna Vida Artística lê-se:

"A commissão organisadora (sic) dos 2 recitaes de violoncello que o prof. Luiz de Oliveira vae realizar, no nosso Theatro Municipal, decidio que os mesmos sejam realisados em meiados (sic) do proximo mez de Fevereiro, isto é, após os folguedos carnavalescos.
Luiz de Oliveira, um dos maiores violoncellistas brasileiros, que São João del-Rey hospeda actualmente, se apresentará ao publico de sua terra natal, com interessante programma que lhe permittirá pôr em relêvo os seus grandes dotes de artista previlegiado (sic) do arco.
Estes recitaes marcarão o inicio da Excursão Artistica que o festejado virtuose irá emprehender pelo Estado de Minas Geraes.
Após São João del-Rey, esse illustre maestro, que exerce as funcções de cathedratico de Violoncello e theoria musical, no Conservatorio Pernambucano de Musica, visitará Bello Horizonte, Barbacena, Juiz de Fóra e mais algumas cidades.
Esperemos, pois, mais um pouco por estas encantadoras horas de fina espiritualidade, com que Luiz de Oliveira nos brindará."


A edição nº 1.364 de A TRIBUNA, de 14/02/1937, p. 2 reitera o anúncio dos dois recitais programados para se realizarem no Theatro Municipal de São João del-Rei:

Vida Artistica

Estão sendo esperados, com justa ansiedade, os anunciados recitaes de Violoncello, que o Maestro Luiz de Oliveira realizará no Theatro Municipal.
Ainda não estão afixadas as datas, entretanto, podemos, desde já, adiantar que será por todo este fim de mez.
A commissão, encarregada da organização destas duas noitadas de fina arte, está envidando esforços para que se revista de um cunho altamente significativo este acontecimento, dadas as altas credenciaes do nosso estimado conterraneo, que é hoje um nome acatado nos altos centro musicaes do paiz e que tem sabido honrar, com galhardia, a terra em que nasceu."


Na edição 1.365 de A TRIBUNA, de 21/02/1937, p. 3 encontramos:

Recital de VIOLONCELLO

Na semana entrante, realizar-se-á, no Theatro Municipal, os dois recitaes do maestro Luiz de Oliveira.
Vai, assim, a culta sociedade sanjoannense ter occasião de assistir variados numeros de musica interpretados com maestria, pelo nosso illustre conterraneo.
O violoncellista Luiz de Oliveira, que iniciará com estes recitaes uma excursão artistica pelo Estado de Minas, tocará producções do Maestro Fernand Jouteux e de outros compositores nacionaes e extrangeiros (sic).
O professor Luiz de Oliveira será acompanhado ao piano pela senhorinha Maria das Mercês Bini.
Está assim constituida a commissão organizadora dessas duas noites de arte:
Dr. Belisario Netto
  Maestro João E. Pequeno
    Maestro Fernando Caldas
      Tenente João Cavalcanti
        Dr. Christovam Braga
          Major Herculano Vellozo
            Mozart Novaes
              José Bellini dos Santos.

Maaestro LUIZ DE OLIVEIRA

Na edição 1.365 de A TRIBUNA de 21/02/1937, lemos uma matéria intitulada

Theatro Municipal

Na proxima 5ª feira, 25 do corrente, às 20 horas, realizar-se-á o 1º recital de Violoncello do Prof. Luiz de Oliveira, com o seguinte programma:
1ª PARTE
Gabriel-Marie   La cinquantaine
                       Air dans le style ancien
L. Boccherini   3ª sonata em sol maior
                       Largo
                       Allº alla militaire
                       Menuetto

2ª PARTE
Georg Goltermann -   1º Concerto em lá menor
                                 Allegro moderado
                                 Cantilena-Andante
                                 Allegro moderado

3ª PARTE
Saint-Saëns Le cygne
Schumann Rêverie
D. Popper Papillon
G. Goltermann Ballada n. 2
Emile Dunkler La fileuse

Ao piano: Senhorinha Maria Mercês Bini.


Na edição nº 1.366 de 28/02/1937, p. 1 de A TRIBUNA, lemos uma matéria intitulada

Maestro Luiz de Oliveira
Por Asterack Germano Lima

Bellas noitadas de musica, de verdadeira vibração artistica, de emoções e de enthusiasmo já se perdem num passado de três lustros, quando ainda éramos jovens.
Rememorar o passado é sempre agradavel, maxime quando se trata de reviver as scenas emotivas da vida, no relampaguear constante de luz que banha o nosso espirito ainda moço, avido dos encantos da natureza - em todas as suas manifestações de energia, de vida e de amor.
Luiz de Oliveira, o eximio violoncellista que, na noite de 25 do corrente, tão bem se exibiu na platéa do Theatro Municipal, é uma figura da musica brasileira, sempre festejada por onde tem passado, aqui e alhures, honrando e exalçando os foros de que goza a nossa grande e culta cidade, porque é filho de São João d'El-Rey.
Quinze annos são passados que pela primeira vez tivemos a grande honra de conhecer o artista sanjoannense em magestosas (sic) audições de violoncello, no saudoso quarteto da casa major Vasconcellos, no Largo das Mercês, em que figuravam Buys, Victor e Gelta.
Discrever (sic) aquellas noitadas de arte será tarefa de todo impossivel, bastando frisar, por isso mesmo, o valor dos componentes do quarteto.
Luiz de Oliveira, como todos tiveram a opportunidade de observar, conhece os mais reconditos segredos do instrumento de que é mestre.
O seu violoncello fala, geme e chora. Tem elle o encanto e a magia que só um artista póde conseguir e, nas vibrações, tão sonoramente magistraes, ninguem poderá deixar de render-lhe a homenagem de que faz jús, por onde quer que passe, como sóe acontecer neste momento em que escolheu para dar inicio a uma temporada, attravés de nosso glorioso Estado, a nossa grande cidade, como ponto inicial da sua excursão artistica, mostrando, com este seu gesto, que tem o carinho, que dedica inteira e immorredoura affeição à terra donde sahiu.
Promete-nos uma outra audição em breves dias e todos lá estarão, admirando, como nós, o grande violoncellista cujo nome já transpoz as fronteiras da nossa patria e que, actualmente, occupa, merecidamente, o logar de professor do Conservatorio de Recife.


Na mesma edição (1.366), ainda repercutia em primeira página de A TRIBUNA o concerto do violoncelista são-joanense:

Realisou-se, a 25 deste, no Theatro Municipal, o recital de Luiz de Oliveira, sanjoannense nato e festejado professor do Conservatorio de Recife. O exímio artista do arco foi acompanhado pela brilhante pianista senhorinha Maria Mercês Bini.
O concerto esteve à altura de um princípio e correspondeu à espectativa (sic) da selecta platéa, que não regateou aos virtuoses os seus francos e merecidos applausos.
A "A Tribuna", especialmente convidada, compareceu pelo seu redactor-chefe, e folga immenso em salientar que o illustre musicista, antigo discípulo de Ribeiro Bastos e filho desta terra, pelos seus predicados de artista, constitue uma das glorias de São João del-Rey e sabe empolgar o auditorio pela magia e encantamento da sua explendida (sic) execução.


Localizamos ainda na edição 1.368 de 14/03/1937, p. 3 de A TRIBUNA a seguinte notícia sobre seu 2º recital:

CONCERTO

Mais uma vez o consagrado musicista prof. Luiz de Oliveira ensejou aos seus conterraneos opportunidade para aprecial-o, em uma das suas magnificas exhibições.
Quinta-feira, ultima, no Municipal, com grande concorrencia, realizou-se com seu 2º concerto, com o concurso brilhante da esperançosa conterranea senhorinha Mercês Bini, apresentando variado programma.
A noite de arte, que agradou, plenamente, foi dedicado ao povo sanjoannense, na pessoa do seu illustre prefeito dr. Antonio Viegas, e ao maestro Fernand Jouteux.

Ainda a respeito deste primeiro ano de funcionamento do Conservatorio de Musica Sanjoannense, reproduzimos da edição nº 1.390 de A TRIBUNA, de 15/08/1937, p. 2 a seguinte notícia triste:

À MEMORIA DO PROF. JOSÉ VICTOR

A Directoria e o Conselho de Administração do Conservatorio de Musica Sanjoannense, fundado no 4 de Abril passado, e que vai abrir brevemente suas aulas, querendo prestar uma merecida homenagem à sympathica memoria do Professor JOSÉ VICTOR, um dos fundadores do dito Conservatorio, falecido no dia 31 de julho, - mandarão celebrar uma Missa Cantada de 30 dias na Matriz, a 31 do corrente mez, às 7 horas, com o concurso da Orchestra e dos Coros da Lyra. - Durante a Missa o Maestro Fernand Jouteux, director do Conservatorio, cantará o Requiem do seu Oratorio Joanna d'Arc.
Ficam convidados pelo presente Aviso, todos os Professores, musicos, amadores e amigos do antigo e sentido Mestre do 28º Batalhão de Infanteria (sic).


A edição nº 1.395 de A TRIBUNA, de 19/09/1937, na p.1, ainda fez a cobertura do 31º concerto da nossa "Sinfônica" nos seguintes termos:

SOCIEDADE DE CONCERTOS SYMPHONICOS

Com grande e fina concorrencia realizou-se quinta-feira, no Municipal, o 31º concerto dessa insigne sociedade artistica.
O programma muito agradou, recebendo francos aplausos, notadamente a soprano Jupyra Raposo Netto e as composições de J. Cavalcanti, Olavo Caldas, F. Jouteux e as "Danses Polovtsiènnes", de A. Barodine.
Foram inaugurados os palanques da Sociedade, que realçaram muito a disposição dos musicos.


Resumindo: o que temos nas referidas edições de A TRIBUNA, no ano de 1937, é que Fernand Jouteux parece ter sido muito bem acolhido em São João del-Rei, tendo sido uma figura respeitada e enaltecida no meio artístico naquele ano de 1937 e que de fato exerceu o cargo de diretor do "Conservatorio de Musica Sanjoannense", um ano antes de seu estabelecimento em Tiradentes-MG em 1938.

Com mais folga na nossa apertada agenda voltaremos a este tema.


III.  AGRADECIMENTO 


A Rute Pardini Braga e à Profª Camila Bomfim pelas fotos que formataram e editaram para os fins desta matéria.




domingo, 28 de abril de 2019

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA: “UMA VIAGEM AO MUNDO ANTIGO – EGITO E POMPEIA"


Por Francisco José dos Santos Braga




I.  INTRODUÇÃO


É curioso como tudo na vida tem o momento certo de acontecer e, mais tarde, de se revelar. Alguns acontecimentos são relatados quando nos ocorrem; outros, é preciso que sejam resgatados por nós para que não sejam esquecidos. O que vou narrar-lhes está neste segundo tipo e foi algo que me ocorreu há cerca de um ano e meio atrás e que, por excesso de timidez ou modéstia de minha parte, mantive secreto. Porém, é chegada a hora de contar-lhes algo de bom que se passou comigo em meados de outubro de 2017: foi o convite de participar, com uma tradução minha da língua latina, de uma exposição de fotografias de Dom Pedro II da Biblioteca Nacional, que ficou em cartaz desde 30 de outubro de 2017 (data da inauguração) até 31 de janeiro de 2018. Fiquei tão honrado com o convite que fiquei sem palavras para divulgar a boa nova. Vou explicar abaixo como tudo se passou dentro da melhor legalidade e com a minha aquiescência naturalmente.
Tudo começou no dia 19/10/2017, quando recebi um e-mail do Sr. Joaquim Marçal Ferreira de Andrade, que mais tarde eu viria a saber tratar-se do curador da Exposição, nos seguintes termos:

Prezado Francisco José,

Trabalho em nossa Biblioteca Nacional, onde estou preparando uma exposição intitulada "Uma viagem ao mundo antigo : Egito e Pompeia nas fotografias da Coleção D. Thereza Christina Maria", a ser inaugurada neste próximo dia 30 de outubro no Espaço Cultural Eliseu Visconti da Fundação Biblioteca Nacional [rua México, Centro, Rio de Janeiro].

Mostraremos uma centena das fotografias acumuladas por d. Pedro II, além de algumas estampas. Na parte da exposição dedicada a Pompeia, eu gostaria de utilizar dois breves trechos da tua belíssima tradução do "Livro sexto das cartas de Caio Plínio Cecílio Segundo (Cartas VI, 16)" que encontrei no teu blog. Estes trechos seriam aplicados na parede da galeria, logo acima de duas grandes vitrines contendo obras iconográficas sobre Pompeia ¹ – com os devidos créditos. E se viermos a produzir um catálogo, para ser lançado mais à frente, gostaria de reproduzi-los ali, também.

Seria assim:

“Pedes para eu descrever a morte de meu tio, de modo que possas dirigir-te aos pósteros com mais veracidade. [...] Por essa ocasião, ele se achava em Misena e comandava a tropa. No vigésimo quarto dia de agosto, aproximadamente a uma hora da tarde, minha mãe mostrou-lhe ter aparecido uma nuvem com inusitado tamanho e aparência. [...] Subiu a um lugar donde aquele prodígio pudesse ser bem contemplado. De um monte difícil de identificar, dada a distância (soube-se depois que era o Vesúvio), elevava-se uma nuvem, que se assemelhava na forma a uma árvore e, mais particularmente, a um pinheiro.”

“Ora caíam cinzas sobre os navios, de forma mais quente e mais densa, à medida que eles se aproximavam; ora caíam mesmo pedras-pomes negras e pedras tanto carbonizadas quanto despedaçadas pelo fogo; ora parecia agitar-se o fundo do mar [...]. Um pouco hesitante se devia retornar, em seguida instruiu ao seu piloto que fizesse assim: ‘A sorte favorece os audazes; dirige-te para Pompônio’. [...] Em muitos locais do monte Vesúvio reluziam chamas muito amplas e elevados incêndios, cujo brilho e claridade eram avivados pelas trevas da noite. [...] Apoiando-se em dois escravos, ele se levantou e incontinenti caiu morto; deduzo que a sua respiração foi obstruída por uma fuligem densíssima e a sua glote se cerrou.”

[prancha] Acima das vitrines, na parede: trechos do Livro sexto das cartas de Caio Plínio Cecílio Segundo (Cartas VI, 16) também conhecido como Plínio, o Jovem (61-114 d. C.), ao historiador romano Tácito, narrando as circunstâncias em que morreu seu tio Plínio, o Velho (23-79 d. C.), por ocasião da erupção do Vesúvio, quando se lançou ao mar, para salvar outros habitantes da região. Esse texto presta-se ao perfeito entendimento de cientistas e historiadores sobre os acontecimentos de 24 de agosto do ano 79 d. C. 
Tradução do latim por Francisco José dos Santos Braga.

Assim, venho solicitar a cessão generosa dos direitos de uso destes trechos da tua tradução – você nos concederia tal honra?

Um abraço,
Joaquim Marçal  ²

Em resposta, manifestei em 21/10/2017 que era uma honra participar da maravilhosa exposição, ao mesmo tempo que autorizava a Biblioteca Nacional a reproduzir trechos de minha tradução na Exposição, bem como no catálogo, se houvesse. Na mesma resposta, solicitei-lhe que me enviasse oportunamente fotos ou o próprio catálogo.

Três dias depois, o curador da Exposição voltou ao contato comigo, comunicando-me gentilmente:

Prezado Francisco Braga, boa tarde.

Ficamos muito felizes e honrados pela sua generosa autorização do uso de trechos de sua tradução do "Livro sexto das cartas de Caio Plínio Cecílio Segundo (Cartas VI, 16)", publicada no seu Blog do Braga.

Segue, em anexo, o convite para a abertura da exposição, bem como o folder do evento. O catálogo será publicado mais à frente.

Claro que enviaremos todo o material impresso da exposição, além de outras publicações de nossa Biblioteca Nacional. Enviaremos, ainda, um termo de cessão de direitos – para formalizar esta autorização.

Recebem cópia da presente mensagem a Coordenadora do Centro de Cooperação e Difusão, Maria Eduarda Marques e a Coordenadora de Promoção e Difusão Cultural, Suely Dias.

Grande abraço,
Joaquim Marçal

Convite para a Exposição













Convite para a mesa redonda e lançamento do catálogo da Exposição


















01/03/2018: Público no Auditório Machado de Assis por ocasião do Seminário "Uma viagem ao Mundo Antigo: Egito e Pompeia"
No próprio dia 24/10, respondi ao missivista nos seguintes termos:

Estimado Sr. Joaquim Marçal,
Boa noite!
Embora pondere perfeitamente o valor de uma exposição como esta, infelizmente acho que não terei condições de comparecer, porque novembro é um mês cheio de compromissos artísticos para mim (como pianista que sou):
1. ensaio programado (11/11) para apresentações pianísticas durante o mês de novembro na cidade de Santos Dumont num encontro de corais (18/11)
2. batizado de Tiradentes no dia 12/11: Comenda da Liberdade e Cidadania na Fazenda do Pombal
3. o IHG-SJDR costuma fazer um evento com palestras: o último (em 12/11/2015) se chamou "Meandros da Inconfidência Mineira" e teve minha participação como palestrante tratando de Iluminismo e seu principal expoente em SJDR: Baptista Caetano de Almeida.³

Independente da minha presença na exposição, vou recomendar a amigos interessados (especialmente poloneses) que compareçam a essa exposição, que se constitui numa apologia à capacidade ímpar de D. Pedro II de fotografar o Egito e Pompeia. Ainda não fui ao Egito, porque, na ocasião em que estive em Israel, fui aconselhado a não sair desse país, porque havia perigo de ataques terroristas no trajeto até o Egito. Mas estive em Pompeia –, sem erupção do Vesúvio, felizmente – mas, em seguida, tive a sorte de ver o Etna em erupção na Sicília.

Por sua prestigiosa intermediação, desde já me sinto honrado de ter meu nome inscrito nesta bela Exposição fotográfica de D. Pedro II, que admiro profundamente por ter sido um grande poliglota (sabia hebraico, entre muitas outras línguas) e estar familiarizado com as descobertas cientificas de seu tempo.

Cordial abraço,
Francisco Braga

Relativamente à dita Exposição, esses foram os contatos virtuais que mantivemos.
Mais recentemente, lembrando-me da minha autorização ao curador da Exposição, fui ao Google buscar informações. Qual não foi minha surpresa verificar que há várias páginas para a minha busca: 'Exposição da Biblioteca Nacional sobre Egito e Pompeia". Verifiquei também que o catálogo da Exposição já tinha sido lançado, em edição bilíngue, dois meses após a Exposição, em evento comemorativo com lançamento de catálogo da Exposição e seminário.
Vi que o assunto estava bem tratado na primeira página do Google, quando entrei nas três primeiras opções oferecidas, na seguinte ordem:
– Exposição "Uma viagem ao mundo antigo" mostra fotografias raras do acervo da Biblioteca Nacional
– EGITO e POMPEIA - BNDigital - Biblioteca Nacional
– FBN | Exposição: “Uma viagem ao mundo antigo - Egito e Pompéia” no Facebook

A minha exposição se baseará em grande parte na segunda opção oferecida pelo Google: o material referente à Exposição disponibilizado pela BNDigital (ou Biblioteca Digital da Fundação Biblioteca Nacional).


II. A EXPOSIÇÃO: UMA VIAGEM AO MUNDO ANTIGO (EGITO E POMPEIA) nas fotografias da Coleção D. Thereza Christina Maria


Abaixo reproduzo os principais documentos (pranchas nº 1 a 17)

FOLDER / APRESENTAÇÃO (prancha nº 1)

D. Pedro II e D. Thereza Christina nas pirãmides de Gizé

J. Pascal Sébah: A Esfinge de Gizé, 187- Cópia fotográfica albuminada: 26,4x34,2cm.
A Coleção D. Thereza Christina Maria foi assim nominada em atendimento à vontade de D. Pedro II, quando em seu exílio parisiense decidiu doar sua biblioteca ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e à Biblioteca Nacional – que recebeu, então, a maior doação de sua história. Eram livros, periódicos, mapas, estampas, impressos efêmeros, partituras e milhares de fotografias.
Os avanços historiográficos no campo da fotografia, na segunda metade do século XX, levaram à criação de um Núcleo de Fotografia na Fundação Nacional de Artes/Funarte. Desenvolveu-se, na Biblioteca Nacional, um projeto interdisciplinar e interinstitucional, patrocinado pela Fundação Banco do Brasil. Isso possibilitou o resgate integral do patrimônio fotográfico que integra a Coleção D. Thereza Christina Maria.
Hoje, tal acervo está inscrito no Registro Internacional da Memória do Mundo, da Unesco. É sinal de reconhecimento da mais abrangente coleção de fotografias formada por um governante do século XIX, quando foi inventado este processo. Ao longo de mais de três décadas, a Biblioteca Nacional vem acumulando expertise no campo dos documentos fotográficos e segue cooperando com instituições brasileiras e estrangeiras. O portal colaborativo Brasiliana Fotográfica, desenvolvido com o Instituto Moreira Salles e ao qual vão progressivamente vinculando-se outras importantes instituições detentoras de acervos fotográficos históricos, é uma iniciativa recente.
A presente exposição, que reinaugura o Espaço Cultural Eliseu Visconti após as obras de restauração das fachadas do prédio da Biblioteca, oferece oportunidade ímpar aos visitantes. Estes poderão fruir originais raros e preciosos, testemunhos de momentos marcantes da história da humanidade, legados por D. Pedro II.

Helena Severo,
presidente da Fundação Biblioteca Nacional

Link: https://bndigital.bn.gov.br/exposicoes/uma-viagem-ao-mundo-antigo-egito-e-pompeia-nas-fotografias-da-colecao-d-thereza-christina-maria/apresentacao/

Modelo de câmera semelhante ao que D. Pedro II usava, quando ele e a comitiva visitavam as ruínas de Pompeia

INTRODUÇÃO (prancha nº 2)

Michele Amodio - Pompeia: Basílica e Fórum (1814)
O período em que foram produzidas as fotografias e demais imagens desta exposição cobre aproximadamente seis décadas do século XIX - quando se consolidaram os campos da Antropologia e da Arqueologia. Desenvolveu-se, ainda, a Egiptologia; e intensificaram-se as escavações em Pompeia, que haviam sido iniciadas no século anterior. As revelações decorrentes dessas iniciativas foram marcantes para a história da humanidade.
Inicialmente a litografia e, posteriormente, a fotografia tornaram-se os principais processos para a documentação visual. A reprodução e o comércio de imagens expandiram-se, a partir de então. No Brasil, era o período em que se formava a própria identidade enquanto nação.
D. Pedro II acumulou documentos visuais sobre as civilizações antigas, principalmente, a partir de seus estudos e viagens. E por haver enfrentado tempos difíceis na governança do país desde quando foi decretada a sua maioridade, aos 14 anos, ele só realizou sua primeira viagem ao exterior mais de vinte anos depois, em 1871. Egito, Palestina e Ásia Menor estavam em seu roteiro. Entre 1876 e 1877, ausentou-se novamente do país, incluindo a Terra Santa e o Egito, novamente, em seu percurso. Já em sua última viagem, em 1887 e 1888, restringiu-se à Europa e, dessa vez, fez uma visita especial a Nápoles, terra natal de D. Teresa Cristina, e a Pompeia.
A presente mostra pretende evocar a antiguidade a partir das ruínas do Egito Antigo e de Pompeia e, simultaneamente, alguns aspectos importantes da história das imagens e de sua reprodutibilidade - com destaque para a fotografia, mas sem deixar de levar em conta os processos que a antecederam e com ela coexistiram. A ideia é exibir as diversas técnicas de reprodução experimentadas no século XIX. O acervo da Biblioteca Nacional presta-se, com perfeição, à reconstrução desse período.

Joaquim Marçal Ferreira de Andrade,
curador da exposição


EGITO (pranchas nº 3 a 10)

POMPEIA (pranchas nº 11 a 16)
Prancha nº 11: ORNAMENTOS DE POMPEIA

Prancha nº 12: POMPEIA

POMPEIA

Giorgio Sommer. D. Pedro II, D. Thereza Christina Maria e comitiva em visita às ruínas de Pompeia, 1888. Cópia fotográfica albuminada; 20,8x25,8cm em cartão-suporte 31,8x38cm
Em maio de 1843, aos 18 anos de idade, D. Pedro II casou-se com a irmã mais nova do rei Fernando II das Duas Sicílias. No ano seguinte, a irmã mais velha do imperador, Januária, veio a se casar com o conde d’Áquila, irmão da imperatriz Thereza Christina. Estavam assim selados os fortes laços com a Casa de Nápoles.

A descoberta de Pompeia, iniciada em 1748, foi um capítulo à parte na história do resgate da antiguidade. A urbe era um balneário na baía de Nápoles, local de veraneio dos romanos – com excelente infraestrutura, incluindo belas residências com seus ricos padrões decorativos, teatros e áreas de lazer – inclusive bordéis. Símbolos fálicos – amuletos – adornavam áreas públicas. Os vestígios arquitetônicos mais antigos indicam a presença dos gregos (século VI a. C.) antes de se tornar uma cidade romana.

Diferentemente das outras civilizações da Península Itálica, onde as camadas de história foram superpondo-se ao longo dos séculos, em Pompeia a vida foi bruscamente interrompida e o balneário literalmente soterrado, sob toneladas de lava esponjosa em 24 de agosto do ano 79 d. C. durante erupção do vulcão Vesúvio – assim permanecendo, intacta, por quinze séculos. Em 1594, durante escavação para instalar nova rede hidráulica, ocorreu o primeiro vestígio dessa cidade perdida. Mas apenas em meados do século XVIII é que foram feitas as primeiras escavações.

Em sua terceira e última viagem ao estrangeiro, D. Pedro II atendeu ao desejo da imperatriz. Ela sempre nutriu especial interesse pelo tema – tendo inclusive intercedido para que fossem enviadas ao Brasil diversas peças recuperadas das escavações. Atualmente, integram a Coleção Greco-romana do Museu Nacional. Naquela oportunidade, o imperador subiu à cratera do Vesúvio e o casal percorreu as ruas de Pompeia – até hoje, um dos sítios arquelógicos mais visitados do planeta.


Prancha nº 13: URBS

Michele Amodio. Pompeia: teatro trágico (ou Grande Teatro), erigido por Marco Olconio Rufo e seu irmão Marco Olconio Celer (escavações de 1764, entre 1867 e 1873). Cópia fotográfica albuminada; 25,3x37,7cm.

Prancha nº 14: DOMUS

Francis Bedford: The grammar of ornament, plate nr. XXIII. Pompeana nº 1, 1856. Coleção de ornamentos de contorno de diferentes casas em Pompeia. Cromolitogravura; 55,5x37cm.
Francis Bedford: The grammar of ornament, plate nr. XXIV. Pompeana nº 2, 1856. Várias pilastras e frisos de diferentes casas em Pompeia.
Francis Bedford: The grammar of ornament, plate nr. XXV. Pompeana nº 3, 1856. Coleções de mosaicos de Pompeia no Museu de Nápoles. Cromolitogravura; 55,5x37cm.

Prancha nº 15: COMMERCIUM
Pompeia: Padaria com a seguinte inscrição: Hic habitat felicitas (Aqui mora a felicidade), escavações 1829
Prancha nº 16: POST MORTEM
Autor não identificado. Molde de gesso de vítima da erupção do Vesúvio, 1873? Cópia fotográfica albuminada; 25x37,5cm


POST MORTEM

Trechos do Livro sexto das cartas de Caio Plínio Cecílio Segundo (Cartas VI, 16) também conhecido como Plínio, o Jovem (61-114 d. C.) ao historiador romano Tácito, narrando as circunstâncias em que morreu seu tio Plínio, o Velho (23-79 d. C.), por ocasião da erupção do Vesúvio, quando se lançou ao mar, para salvar outros habitantes da região. Esse texto presta-se ao perfeito entendimento de cientistas e historiadores sobre os acontecimentos de 24 de agosto do ano 79 d. C.
Tradução do latim por Francisco José dos Santos Braga.
“Pedes para eu descrever a morte de meu tio, de modo que possas dirigir-te aos pósteros com mais veracidade. [...] Por essa ocasião, ele se achava em Misena e comandava a tropa. No vigésimo quarto dia de agosto, aproximadamente a uma hora da tarde, minha mãe mostrou-lhe ter aparecido uma nuvem com inusitado tamanho e aparência. [...] Subiu a um lugar donde aquele prodígio pudesse ser bem contemplado. De um monte difícil de identificar, dada a distância (soube-se depois que era o Vesúvio), elevava-se uma nuvem, que se assemelhava na forma a uma árvore e, mais particularmente, a um pinheiro.”
“Ora caíam cinzas sobre os navios, de forma mais quente e mais densa, à medida que eles se aproximavam; ora caíam mesmo pedras-pomes negras e pedras tanto carbonizadas quanto despedaçadas pelo fogo; ora parecia agitar-se o fundo do mar [...]. Um pouco hesitante se devia retornar, em seguida instruiu ao seu piloto que fizesse assim: ‘A sorte favorece os audazes; dirige-te para Pompônio’. [...] Em muitos locais do monte Vesúvio reluziam chamas muito amplas e elevados incêndios, cujo brilho e claridade eram avivados pelas trevas da noite. [...] Apoiando-se em dois escravos, ele se levantou e incontinenti caiu morto; deduzo que a sua respiração foi obstruída por uma fuligem densíssima e a sua glote se cerrou.”
_____________________________________________________________________________
O arqueólogo italiano Giuseppe Fiorelli, que assumiu a direção dos trabalhos de escavação em Pompeia a partir de 1863, observou a existência de espaços vazios em meio às cinzas vulcânicas – eles haviam sido ocupados pelos corpos dos habitantes e se decompuseram, com o tempo. Em 1870, desenvolveu uma técnica para injetar gesso nesses vãos, deles extraindo a forma original das vítimas.
Prancha nº 17: CRÉDITOS    
  
FICHA TÉCNICA
Presidente da República
Michel Temer
Ministro da Cultura
Sérgio Sá Leitão
FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL
Presidente
Helena Severo Centro de Coleções e Serviços aos Leitores
Maria José da Silva Fernandes
Centro de Cooperação e Difusão
Maria Eduarda Marques
Centro de Processamento e Preservação
Liana Gomes Amadeo
Coordenadoria Geral de Planejamento e Administração
Tânia Pacheco
EXPOSIÇÃO
Curadoria
Joaquim Marçal Ferreira de Andrade
Assistente de Curadoria
Késiah Pinheiro Viana
Coordenação Geral
Suely Dias
ACERVOS
Coordenadoria de Acervo Especial
Mônica Carneiro Alves
Divisão de Iconografia
Diana Ramos
Tatiane Paiva Cova
Divisão de Cartografia
Maria Dulce de Faria
PRESERVAÇÃO DO ACERVO
Coordenadoria de Preservação
Jayme Spinelli Jr.
Centro de Conservação e Encadernação
Gilvânia Faria de Lima
Jandira Flaescher
Juliana dos Santos
Juliana Bride de Souza
Kátya de Vasconcelos
Liége Sá Nascimento
Luiz Marcelo Costa
Munik de Araújo Dumas
Renata Coelho Rocha
Rosimeri Rocha da Silva
Sirle Rebeca Simas Rodrigues
BNDigital
Angela Bettencourt
Laboratório de Digitalização
Otávio Alexandre J. Oliveira
Adriana Pimentel
Fernando Neitzke
Fernando Viana
Leonardo Costa
Marcel Carreira
Comunicação
Ester Lima
Logística
Coordenadoria de Promoção e Difusão Cultural
Rodrigo Ramalho
Paulo Jorge da Silva
Giselle Almas
Isabel Melgaço
Raquel Brandão
Thamiris Vaz
Gabriel H. de Moura. Ferreira
Divisão de Manutenção Administrativa
Rodrigo Uchôa C. de Araújo
Museografia e Design
Marcela Perroni | Ventura Design
Cenotécnica
Marcio Burity
Multimídia/Projeção
Renato Moulin
Rodrigo Ramalho
Luiz Louzada
Iluminação
Milton Giglio
Molduras
Ian Cantarino | Metara
Revisão
Aline Canejo
Tradução
Ricardo Silveira
Produção
ABMP Promoções e Eventos
AGRADECIMENTOS
Andréa Barboza
Elisa Byington
Erica Ferreira Barreto
Francisco José dos Santos Braga
Helena Severo
João Sánchez
Juliana Uenojo
Maria Eduarda Marques
Sandro Rodrigues Gouveia
Thayanne Barreto Moraes
Vinicius Pontes Martins
III.  AGRADECIMENTO   

 
A Rute Pardini Braga pelas fotos que formatou e editou para os fins desta matéria.

IV.  NOTAS EXPLICATIVAS   

    
¹  Devido à circunstância de minha tradução referir-se a Pompeia, este trabalho tratará resumidamente do Egito, alongando-se mais no que se refere a imagens e texto sobre a cidade italiana que foi soterrada pelo Vesúvio em 24 de agosto de 79 d.C..       

²  JOAQUIM MARÇAL FERREIRA DE ANDRADE participou de outra exposição, De volta à luz, na qualidade de curador, dentre outros, quando era chefe da Divisão de Iconografia da Biblioteca Nacional, o que lhe deu grande expertise. A referida exposição teve lugar na sede do Banco Santos, na capital paulista, no mês de outubro de 2003, viajando posteriormente por algumas cidades brasileiras. O curador justificou a importância daquela exposição da seguinte forma: 
"Ao deixar o Brasil em 1889 após a proclamação da República, o imperador D. Pedro II doou à Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro seu acervo pessoal com cerca de 25 mil fotografias. Mais de cem anos depois, em 1990, a Divisão de Iconografia da Biblioteca iniciou um trabalho de identificação e recuperação de imagens, tendo como apoio nessa empreitada o Instituto Cultural Banco Santos. Parte desse acervo, com 220 fotos e retratos pintados a óleo pertencentes à família real, integram a exposição De volta à luz (...) Além de ser o primeiro brasileiro a tirar uma fotografia na primeira metade do século XIX, com o recém-inventado aparelho de daguerreotipia, em 1840, com apenas 14 anos e prestes a ter sua maioridade antecipada para que pudesse assumir o Império, D. Pedro II foi o primeiro brasileiro a adquirir o aparelho, que conheceu em uma demonstração pública no centro do Rio, feita pelo abade francês Louis Compte. Além disso, o imperador D. Pedro II instituiu no Brasil o título de "photographo da Casa Imperial", concedido a partir de 1851 aos melhores fotógrafos do país, uma iniciativa que precedeu em dois anos a da rainha Victoria, que fez o mesmo na Inglaterra. Sempre acompanhavam o Imperador em sua comitiva um especialista em temas locais e um fotógrafo para registrarem suas viagens. Tais registros nunca antes haviam sido expostos em uma mostra para o público, e estiveram longe do contato com a luz desde o fim da Monarquia." 
Marcello Dantas, responsável pela concepção, desenho e montagem daquela exposição comentou: 
"Por isso o nome De volta à luz, que traz em si a ideia de que as fotos não são apenas achados, mas imagens de grande relevância e valor em seu tempo, e nos permite capturar a impressão de um passado que nos moldou." 
A matéria que cobriu a exposição foi veiculada na revista Ciência e Cultura pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência-SBPC com o título Viagens do Imperador: Acervo de fotos inéditas de D. Pedro II vem à luz, onde somos informados de que a exposição era constituída de 3 módulos:
1. fotografias, documentos e objetos ligados ao círculo familiar do Imperador (já descritos acima)
2. dez painéis de vidro que trazem textos informativos e projeções digitais de coleções do Imperador, mostrando seu interesse pela ciência e por novos inventos, como o aparelho de daguerreotipia
3. as "enroladinhas", as estrelas da exposição, são cópias fotográficas em papel albuminado, que ficaram armazenadas em caixas metálicas de flandres, por mais de um século, nos arquivos da Biblioteca Nacional.
Cf. http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252003000400035&script=sci_arttext Acesso em 24/04/2019.         

³  Não fiquei sabendo que a Exposição estaria aberta à visitação pública por um período de 3 meses, desde a inauguração em 30/10/2017 a 30/01/2018. Achava que a Exposição não seria de tão longa duração.

⁴  A carta de Plínio, o Jovem, a Tácito encontra-se na íntegra no Blog do Braga, no post intitulado DESTRUIÇÃO DE POMPÉIA PELO VULCÃO VESÚVIO - Link: https://bragamusician.blogspot.com/2010/01/destruicao-de-pompeia-pelo-vulcao.html