quarta-feira, 13 de março de 2013

Humanidades, Língua Latina, Bento XVI e temas correlatos


Por Francisco José dos Santos Braga


I. INTRODUÇÃO

Há algum tempo vinha procrastinando escrever sobre Humanidades, quando me caiu nas mãos, ou mais exatamente, chegou-me, através da Internet, um texto do peruano Mario Vargas Llosa (Prêmio Nobel de Literatura em 2010), publicado na coluna Opinión de El País, na quarta página, no dia 23/02/2013, com o título "O homem que estorvava", com o subtítulo "Bento XVI respondeu a desafios descomunais com valentia e decisão, embora sem êxito. A cultura e a inteligência não bastam para enfrentar o maquiavelismo dos interesses criados",¹ em tradução de Anna Capovilla. O que surpreendeu nesse texto foi o fato de um soi-disant agnóstico ou "não crente" ser uma voz isolada a defender a posição do papa emérito, tendo renunciado à "cadeira de São Pedro que lhe foi imposta pelo conclave, há oito anos, e à qual, como ficamos sabendo agora, nunca aspirou. Só abandonam o poder absoluto com a facilidade com que ele acaba de fazê-lo aqueles raros indivíduos que, em vez de cobiçá-lo, depreciam-no."

Segundo o texto de Llosa, "numa época em que as ideias e as razões importam muito menos que as imagens e os gestos, Joseph Ratzinger já era um anacronismo, pois pertencia ao grupo mais seleto de uma espécie em extinção: o dos intelectuais." Para mostrar a desenvoltura de Bento XVI, respaldada por uma enorme informação teológica, filosófica, histórica e literária, adquirida na dezena de línguas clássicas e modernas que dominava, Llosa citou seus livros e encíclicas que "ultrapassavam com frequência o estritamente dogmático e continham reflexões inovadoras e ousadas sobre os problemas morais, culturais e existenciais do nosso tempo que leitores ateus podiam ler com proveito e muitas vezes com profunda perturbação."

Então, por que Bento XVI fracassou em todas as suas tentativas? Segundo Llosa, a razão está em que "a cultura e a inteligência não bastam para se orientar no labirinto da política terrena e para enfrentar o maquiavelismo dos interesses criados e os poderes fáticos no seio da Igreja (...)." Bento XVI, por ter sido um adversário decidido da Teologia da Libertação e de toda forma de concessão em temas como a ordenação de mulheres, o aborto, o casamento homossexual e o uso de preservativos, carregou a pecha de anacrônico dentro do anacronismo que a Igreja se tornou. "Estava convencido de que, se a Igreja começasse a se abrir para as reformas da modernidade, sua desintegração seria irrversível e, em vez de abraçar a sua época, entraria em um processo de anarquia e deslocamentos internos." Na visão de Bento XVI, "a única maneira de impedir que o rico patrimônio intelectual, teológico e artístico fecundado pelo Cristianismo se dilapidasse em uma barafunda revisionista e em uma feira de disputas ideológicas seria preservando o denominador comum da tradição e do dogma, embora significasse que a família católica foi se reduzindo e marginalizando cada vez mais em um mundo devastado pelo materialismo, pela cobiça e pelo relativismo moral."

Por tudo isso, concluía Llosa, os não crentes, entre os quais se incluía, não deveriam festejar como uma vitória do progresso e da liberdade o fracasso de Joseph Ratzinger como papa. Este "não só representou a tradição conservadora da Igreja mas também sua melhor herança: a da ilustre e revolucionária cultura clássica e renascentista que a Igreja preservou e difundiu, por meio de seus conventos, bibliotecas e seminários, a cultura que impregnou o mundo com ideias, formas e costumes que acabaram com a escravidão e, distanciando-se de Roma, tornaram possíveis as noções de igualdade, solidariedade, direitos humanos, liberdade e democracia, impulsionando decisivamente o desenvolvimento do pensamento, da arte, das letras e contribuindo para acabar com a barbárie e para promover a civilização."

Finalmente, identificou na solidão de Bento XVI e na sensação de impotência que aparentemente o cercaram nos últimos anos, sem dúvida, "fatores primordiais de sua renúncia e um vislumbre inquietante de quão incompatível nossa época seja com tudo o que representa vida espiritual, preocupação pelos valores éticos e vocação pela cultura e pelas ideias."



II. CONCEITO DE "HUMANITAS"


Aproveitei o texto de Vargas Llosa para revisitar o conceito de Humanidades, que é o que proponho debater. O conhecimento humanístico é simplesmente geral, não especializado. No léxico latino, a distinção se faz entre humanitas, ou conhecimento geral, e scientia, que é o conhecimento do cientista, técnico ou expert, seguindo a tradição grega que fazia a distinção correspondente entre paideia e episteme. "Paideia" é essencialmente educação enquanto realidade cultural e moral, pelo que engloba o genuíno e específico do ser humano, sendo, por esta razão, HUMANI os que se dedicam a esta tarefa. Operam como corolários à eruditio e à institutio in bonas artes, de que fala Aulo Gélio no seu texto (transcrito abaixo). Os sofistas aprofundaram o conceito de "paideia" vinculando-o ao homem, considerado como realidade ao redor do qual tudo gira. Assim, Protágoras afirmava que o homem é a medida de todas as coisas. A partir daqui, a função da PAIDEIA é a formação integral do homem, a busca da excelência (aristos), do ideal humano, estando assim ligada  diretamente, desta perspectiva, ao conceito de HUMANITAS.  "Paideia" ou "humanitas", na acepção tradicional, inclui a matemática, todas as ciências - naturais e sociais do mesmo modo que a história, a filosofia e as belas-artes. Tudo o que pertence ao conhecimento humano geral é humanidades. "Paideia" também constitui o radical da palavra encycloPAEDIA (port. enciclopédia), significando o grande círculo de conhecimento geral.

Por oportuno, cabe aqui fazer uma distinção entre os estudos de "humanidades" — que se compartilham nas faculdades de Letras, Historiografia, Filosofia, Teologia ou de Belas-Artes — e a atitude pessoal definida pelo posicionamento frente ao humano como preocupação central, e não pela dedicação profissional. Quando alguém se diz humanista, não o faz com respeito a seus conhecimentos de "humanidades", nem pode se considerar "humanista" um estudante dessas disciplinas. Esse comentário é aqui retomado apenas porque não faltaram os que ligaram o "humanismo" a um determinado tipo de conhecimento ou nível cultural.

A carta apostólica em forma de Motu Proprio, da lavra do Sumo Pontífice Bento XVI, intitulada LATINA LINGUA ², é um bom exemplo de como, de fato, esse papa tentou enfatizar o conceito e os princípios do humanismo cristão, mesmo numa "época incompatível com tudo o que representa vida espiritual, preocupação pelos valores éticos e vocação pela cultura e pelas ideias", conforme a feliz expressão de Vargas Llosa.

Abaixo transcrevo a Introdução a esta carta apostólica, ipsis litteris, comprovando as acertadas palavras de Llosa sobre o estorvo que representava o Sumo Pontífice para a época que vivemos.

1. A língua latina foi sempre tida em grandíssima consideração pela Igreja Católica e pelos Romanos Pontífices, que promoveram assiduamente o seu conhecimento e difusão, tendo feito dela a própria língua, capaz de transmitir universalmente a mensagem do Evangelho, como já respeitavelmente afirmado pela Constituição Apostólica Veterum sapientiae do meu Predecessor, o Beato João XXIII.

Na realidade, desde Pentecostes a Igreja falou e rezou em todas as línguas dos homens. Contudo, as Comunidades cristãs dos primeiros séculos usaram amplamente o grego e o latim, línguas de comunicação universal do mundo no qual viviam, graças às quais a novidade da Palavra de Cristo encontrava a herança da cultura helênico-romana.

Depois do desaparecimento do Império romano do Ocidente, a Igreja de Roma não só continuou a servir-se da língua latina, mas dela se fez de certa forma patrocinadora e promotora, quer em âmbito teológico e litúrgico, quer no da formação e da transmissão do saber.

2. Também em nossa época, o conhecimento da língua e da cultura latinas resulta necessário como nunca para o estudo das fontes nas quais se baseiam, entre outras, numerosas disciplinas eclesiásticas tais como, por exemplo, a Teologia, a Liturgia, a Patrística e o Direito Canônico, como ensina o Concílio Ecumênico Vaticano II (cf. Decr. Optatam totius, n. 13).

Além disso, nesta língua são redigidos na sua forma típica, precisamente para evidenciar a índole universal da Igreja, os livros litúrgicos do Rito romano, os Documentos mais importantes do Magistério e as Atas oficiais mais solenes dos Romanos Pontífices.

3. Na cultura contemporânea observa-se contudo, no contexto de uma debilitação generalizada dos estudos humanísticos, o perigo de um conhecimento cada vez mais superficial da língua latina, verificável também no âmbito dos estudos filosóficos e teológicos dos futuros sacerdotes. Por outro lado, precisamente no nosso mundo, no qual grande parte é ocupada pela ciência e língua latinas, não só naqueles continentes que têm as próprias raízes culturais na herança greco-romana. Esta atenção torna-se muito significativa porque não abrange só ambientes acadêmicos e institucionais, mas diz respeito também a jovens e estudiosos provenientes de Nações e tradições bastante diversas.

4. Torna-se portanto urgente apoiar o compromisso por um maior conhecimento e um uso da língua latina mais competente, quer no âmbito eclesial, quer no mais vasto mundo da cultura. Para dar realce e ressonância a este esforço, são oportunas como nunca a adoção de métodos didáticos adequados às novas condições e a promoção de uma rede de relações entre Instituições acadêmicas e entre estudiosos, a fim de valorizar o rico e multiforme patrimônio da civilização latina.

A fim de contribuir para a realização de tais finalidades, seguindo as pegadas dos meus venerados Predecessores, com o presente Motu Proprio, instituo hoje a Pontifícia Academia de Latinidade, dependente do Pontifício Conselho para a Cultura. Ela é regida por um Presidente, coadjuvado por um Secretário, por mim nomeados, e por um Conselho Acadêmico.

A Fundação Latinitas, constituída pelo Papa Paulo VI, com o Quirógrafo Romani Sermonis, de 30 de junho de 1976, fica extinguida.

A presente Carta Apostólica, em forma de Motu Proprio, com a qual aprovo ad experimentum, por um quinquênio, o Estatuto em anexo, ordeno que seja publicada em L' Osservatore Romano.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 10 de novembro de 2012, memória de São Leão Magno, oitavo ano de Pontificado.

                                                                                                                               Bento PP. XVI



Em Barbárie do "Especialismo" ³, o décimo segundo de muitos artigos que compõem o livro A Rebelião das Massas (1930), Ortega y Gasset defende a tese de que a civilização do século XIX produziu automaticamente o homem-massa, para depois se explicar: "O homem de ciência atual é o protótipo do homem-massa. E não por casualidade, nem por defeito unipessoal de cada homem de ciência, mas porque a técnica mesma — raiz da civilização — o converte automaticamente em homem-massa, quero dizer, faz dele um primitivo, um bárbaro moderno." O curioso é que, segundo ele, o século XIX inicia seus destinos sob a direção de criaturas que vivem enciclopedicamente e chama o homem civilizado ao homem "enciclopédico", mas em 1890 uma terceira geração assume o comando intelectual da Europa, surgindo um tipo científico sem exemplo na história. "É um homem que, de tudo quanto há que saber para ser um personagem discreto, conhece apenas uma ciência determinada, e ainda dessa ciência só conhece bem a pequena porção em que ele é ativo investigador. Chega a proclamar como uma virtude o não tomar conhecimento de quanto fique fora da estreita paisagem que especialmente cultiva, e denomina diletantismo a curiosidade pelo conjunto do saber."

E conclui de forma inexorável que hoje, quando há maior número de "homens de ciência" do que nunca, haja muito menos homens "cultos" do que em 1750, tendo "a ciência experimental progredido em boa parte mercê ao trabalho de homens fabulosamente medíocres, e menos que medíocres. Quer dizer, que a ciência moderna, raiz e símbolo da civilização atual, deu guarida dentro de si ao homem intelectualmente médio e lhe permite operar com bom êxito."

NÓBREGA (1978, 14-16)  alerta para o perigo de se confundir humanismo com a Idade Média, pela importância que se imprimiu à cultura do espírito nessa fase da história, mas isto seria limitar o humanismo no tempo e no espaço. Segundo ele, "humanismo é uma força propulsora do espírito, que existiu no passado e deve ser utilizada como elemento indispensável para aproveitarmos e vivermos o presente; ele foi cultivado por Cícero e Terêncio, como por Montaigne, Dante e Goethe; foi fonte inspiradora das grandes obras do espírito, como será o alicerce mais seguro sobre o qual o cientista de hoje e o de amanhã poderão anunciar as suas novas descobertas." Esse autor tem uma visão mitigada ou conciliadora entre o humanismo e a técnica, considerando ser um erro julgar que o humanismo deixe de existir quando começa a técnica. "Há humanismo em toda profissão, desde que se proceda tornando o homem como fim, e o próprio ofício como sendo um meio. Podemos reproduzir, aqui, o verso milenar de Terêncio, sem haver necessidade de adaptá-lo às contingências atuais, porque o sentido das palavras de quem procede como humanista, está muito acima da precariedade de certos conceitos científicos: Homo sum: humani nihil a me alienum puto ."

E Nóbrega continua, com sua brilhante exposição: "Tudo o que se refere ao destino do homem não nos deve ser indiferente. Certos modernistas, principalmente os de tendências marxistas, como é o caso de Irénée Arnaud, procuram contrapor humanismo às humanidades, que qualificam de modernas.
A expressão 'humanidades modernas' soa mal ao ouvido dos que compreendemos o verdadeiro sentido do humanismo, que é um só, no tempo e no espaço. Não aceitamos a forma hiperbólica de humanismo clássico, porque humanismo sem classicismo é tanto humanismo quanto Sganarelle é médico na comédia de Molière 'Le Médecin malgré-lui'... Também não aceitamos as denominações de humanismo-marxista, existencialista ou materialista, que, apesar de frequentemente usadas, nos parecem verdadeiras heresias científicas, porque o humanismo está indissoluvelmente ligado à ideia de espírito. Seria o mesmo se admitíssemos um materialismo cristão.
Humanismo, em todas as épocas, tem sido considerado como traço saliente de esplendor da cultura ocidental. Seus primeiros vestígios aparecem na atuação de clérigos ocidentais, que se incumbiam de fazer florescer a cultura greco-latina através de cópias dos autores da antiguidade clássica. Desde o século XII encontramos na França e na Inglaterra com Abelardo, Alanus ab Insulis, Gautier de Châtillon, Johannes V. Salesbury, traços marcantes de reflorescimento do humanismo.
É, porém, de suma importância, assinalar que os grandes e legítimos representantes da cultura greco-latina tinham pleno conhecimento daquilo que podemos qualificar de ideal do humanismo. É isto o que podemos perceber pelo depoimento de Aulo Gélio, quando escreveu:
Qui verba Latina fecerunt quique his probe usi sunt, HUMANITATEM non id esse voluerunt, quod volgus existimat quodque a Graecis φιλαvθρωπία dicitur et significat dexteritatem quandam benivolentiamque erga omnes homines promiscam, sed HUMANITATEM appellaverunt id propemodum, quod Graeci  παιδείαν   vocant, nos eruditionem institutionemque in bonas artes dicimus. Quas qui sinceriter percupiunt adpetuntque, hi sunt vel maxime humanissimi. Huius enim scientiæ cura et disciplina ex universis animantibus uni homini data est idcircoque HUMANITAS appellata est. (Noctes Atticæ XIII, 16)" (grifo do autor)

SIEDL (1991, 1-2) escreveu também sobre o precioso patrimônio que representa a língua latina, verbis: "Em primeiro lugar, como Católicos nós admiramos e aceitamos com agradecimento "a sabedoria dos Antigos", contida nos escritos e poemas dos mundos Grego e Romano que são, em certo sentido, como o papa João XXIII explicou em sua encíclica Veterum Sapientia, uma preparação para a Revelação de Deus em Cristo. Depois que Cristo veio e escolheu Pedro como a Cabeça de Sua Igreja e a cidade de Roma como a residência de Pedro e seus sucessores, a língua Latina desde então tornou-se algo como a língua-mãe da Igreja Católica Romana. Desde a época dos primeiros Padres da Igreja, passando pela Idade Média e chegando aos novos dias, temos um tesouro constantemente crescente de documentos e escritos eclesiásticos concernentes a uma grande variedade de temas teológicos e práticos, dogma e moral; exegese bíblica e história da Igreja; direito canônico e hagiografia; encíclicas e documentos de Concílio; e finalmente, mas não menos importante, o ensino de tantos Santos que escreveram suas obras em Latim. "Thesaurus incomparandæ præstantiæ", realmente um tesouro de incomparável valor (Pio XII). E não se diga: "Bem, nós temos traduções e podemos lê-las." Não é verdade. "Apenas uma ínfima quantidade delas está traduzida em línguas modernas; e essas traduções só raramente de fato dão o completo significado do original." (João Paulo II) Pode-se citar ainda muito mais declarações dos últimos Papas que têm insistido na grande importância do Latim Eclesiástico, mesmo depois do Concílio Vaticano e em nossa época. Eis apenas duas delas.
"Todos os que apreciam e adotam a língua latina fazem um grande favor e são de grande ajuda à Igreja Católica Romana que preserva a dignidade dessa língua e considera-a sempre um elo de unidade, um sinal visível de sua consistência, um instrumento de compreensão mútua. E mesmo quando, por razões pastorais depois do Concílio, as línguas das diferentes nações foram introduzidas na liturgia... a Igreja nunca cessou de exortar que o uso da língua Latina na liturgia do rito latino seja preservado." (Paulo VI)
E João Paulo II disse: "Dirigimo-nos especialmente aos jovens: numa época em que em algumas áreas, como sabemos, a língua latina e os valores humanos são menos apreciados, vocês devem aceitar com alegria o patrimônio dessa língua que a Igreja tem em alta estima e devem, com energia, torná-la frutífera. As bem conhecidas palavras de Cícero, "Non tam præclarum est scire Latine, quam turpe nescire", em certo sentido, são dirigidas a vocês. Exortamo-los todos a erguer alto a tocha do Latim que é mesmo hoje um elo de unidade entre os povos de todas as nações." As últimas palavras nesta citação lembra-nos uma fala na qual Pio XII solenemente declarou o valor do Latim Eclesiástico e denominou-o "o mais precioso elo de unidade para a Igreja Católica Romana". ¹⁰
Então podemos dizer, de acordo com o ensinamento dos últimos Papas, que o Latim é para nós Católicos Romanos um patrimônio precioso que não devemos perder. Ele nos chega como uma herança do antigo como "preparação do Evangelho", e desde então tem sido a língua viva da Igreja: na sua liturgia, nos seus documentos e na sua literatura; e, finalmente, sempre foi um elo de unidade entre todos os Católicos Romanos ao redor do mundo — e não há razão por que não deva ser assim agora." (Minha tradução)



III. NOTAS DO AUTOR
 


² RATZINGER, J.: "Documentos Pontifícios - 13 - Carta Apostólica em forma de Motu Proprio: Latina Lingua, p. 9-11.

⁴ NÓBREGA, Vandick L.: "Latinus Sermo-I", texto intitulado "Humanismo & Ensino Profissionalizante" (à guisa de prefácio), p. 11-28.

"Sou um ser humano; e nada do que seja humano eu considero que seja alheio à minha natureza."

"Os que criaram a língua latina, e os que a falaram bem, não deram à palavra humanitas a acepção vulgar que é sinônimo da palavra grega filantropia, o que significa uma amabilidade ativa, uma terna benevolência para com todos os homens. Mas aqueles ligaram a essa palavra o sentido daquilo que os Gregos chamam de paideia, daquilo que nós chamamos educação e conhecimento das belas-artes. Os que  para esse estudo mostravam o maior gosto e disposições são também os mais dignos de serem chamados humanissimi. Pois, único entre os animais, o homem pode se engajar à cultura deste estudo que para isso foi chamado humanitas." (Minha tradução) Esse trecho vem sob o título "Humanitas não possui o sentido que o vulgo lhe dá. Os que falaram com correção dão a esta palavra a acepção que lhe é própria." Neste célebre trecho, Aulo Gélio (125-180 DC) menciona os significados primário e secundário desta palavra, e da sua definição é fácil acompanhar a semântica do termo "Humanidades", aplicado numa época muito posterior a um curso especial de estudos nas Universidades.

18 de abril de 1969; AAS 61 (1969) 312; cf. Sacrosanctum Concilium n. 36

Não é nada especial saber Latim: é uma vergonha não sabê-lo.

27 de novembro de 1978; AAS 71 (1979) 46

¹⁰ 23 de setembro de 1951; AAS 43 (1951) 737



IV. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 


LHOSA, M.V. : "El hombre que estorbaba", publicado na coluna Opinión do jornal espanhol El País, na quarta página, no dia 23/02/2013.

NÓBREGA, Vandick L.: "Latinus Sermo - I", Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos S.A., 1978, 297 p.

ORTEGA Y GASSET, J. : "A Rebelião das Massas", 1930.

RATZINGER, J.: "Documentos Pontifícios - 13 - Cartas Apostólicas em forma de Motu Proprio: Latina Lingua e Intima Ecclesiæ Natura", Brasília, DF: Edições CNBB, 1ª edição, 2013, 30 p.

SIEDL, Suitbertus H. : "Cursus Linguæ Latinæ Vivæ", Clearwater, Fla.: Editiones Familiæ Sancti Hieronymi, 1991, 173 p.

6 comentários:

Rute Pardini disse...

Parabéns, Francisco!
O seu artigo sobre Humanidades, Latim e o Papa é muito bom. Sinto-me orgulhosa por ter você como meu anjo da guarda.
Rute.

Dener Luiz da Silva disse...

Prezado amigo, agradeço o envio de seu mais novo 'artigo' sobre Humanidades...
Belísima contribuição para nos fazer refletir e julgar o quanto somos 'modernos'.
Aproveito e convido-o para, na tarde deste próximo sábado, participar de um pequeno Retiro de Quaresma, proposto pelo Movimento Comunhão e Libertação ao qual pertenço.
O cartaz está em anexo e sua presença muito nos alegraria.
Abraços calorosos,
votos de uma viva quaresma e excelente Páscoa,
dener

Anônimo disse...

CARO FRANCISCO, após sua AULA MAGNA em Barbacena, na noite de 15-03-2013, pude sentir seu valor como intelectual e humanista! Continue a trilhar esse caminho onde há apenas espaço para que seja senhor da história o HOMO SAPIENS SAPIENS! Att., Mário CELSO

Anônimo disse...

CARO FRANCISCO, após sua AULA MAGNA em Barbacena, na noite de 15-03-2013, pude sentir seu valor como intelectual e humanista! Continue a trilhar esse caminho onde há apenas espaço para que seja senhor da história o HOMO SAPIENS SAPIENS! Att., Mário CELSO

Mário Pellegrini Cupello disse...

Caro amigo Francisco
Parabéns pelo seu artigo sobre "Humanidades".
Abraços, Mario.

Dr. Rogério Medeiros Garcia de Lima (desembargador e escritor) disse...

LI, COM CALMA, O TEXTO QUE ME ENVIOU, SOBRE BENTO XVI.
VARGAS LLOSA, ALI CITADO, É MEU GURU.
EM 2012, EM VIAGEM PARA COMPROMISSO ACADÊMICO EM BUENOS AIRES, ADQUIRI UM LIVRO EXCELENTE DELE.
LI E, COMO SEMPRE, ADOREI.
ANO PASSADO, SAIU A TRADUÇÃO BRASILEIRA: "A CIVILIZAÇÃO DO ESPETÁCULO".
LLOSA, ALÉM DE REFINADO INTELECTUAL E ESCRITOR, É UM LIBERAL CONVICTO.
ESTÁ SEMPRE AO LADO DAS BOAS CAUSAS. AINDA ANTEONTEM, RECEBEU, EM SEU INSTITULO, LIMA, PERU, A DEPUTADA VENEZUELANA PERSEGUIDA PELA INSANA DITADURA CHAVISTA.
GRANDE ABRAÇO,

ROGÉRIO