sexta-feira, 7 de agosto de 2015

MÚSICA NA GRÉCIA ANTIGA


Por Francisco José dos Santos Braga



I.  INTRODUÇÃO


Para redigir este trabalho, servi-me de textos disponíveis na Ancient History Encyclopedia, mencionados na Bibliografia, convenientemente traduzidos e adaptados por mim. Como os textos utilizados mencionam Orfeu como discípulo (filho) do mestre Apolo, convém examinar a etimologia desse nome bem como apreciar esse mitologema, de forma resumida, dada a importância dessa personagem na história da música.

Antes de tratar do mito de Orfeu, convém resumir rapidamente como andam os estudos sobre essa personagem curiosíssima. [CASADIEGOS, 2012, 38-39] oferece a seguinte explicação para o estado da arte das pesquisas sobre Orfeu: 
"(...) de fins do século XIX até a década da 30 do século passado, a tendência apologética foi predominante, exagerando e distorcendo a figura de Orfeu ao custo de anacronismos óbvios; essa tendência tinha se iniciado durante a Renascença, guiada pelo aparecimento daquele no drama moderno e sua rápida emergência na ópera a partir do século XVII. Contudo, de 1930 em diante, a pesquisa filológica e histórica ficou cautelosa em relação a interpretações exageradas de Orfeu e sua influência. Entretanto, da década de 60, essa atitude que tinha sido supercrítica, começou a alterar de novo devido a novos achados arqueológicos, especialmente o papiro Derveni. A julgar pelo corrente entusiasmo, pareceria prudente lembrar a posição de Aristóteles que habitualmente usava aspas ao tratar de Orfeu e tudo o que se referia a sua possível influência nos mistérios e na filosofia grega. (...)"

[BRANDÃO, 1988, 141-143, vol. II], em belo texto levemente resumido por mim,  teceu os seguintes comentários acerca de
"ORFEU, em grego Ὀρφεύς. Por ter descido às trevas do Hades, alguns relacionam o nome do citaredo trácio, ao menos por etimologia popular, com ὀρφνός, "obscuro", όρφνη, "obscuridade". Trata-se de uma personagem lendária, possivelmente de origem trácia. Era filho de Calíope, a mais importante das nove Musas e do rei Eagro. Este, por motivos político-religiosos, como se verá depois, é frequentemente substituído por Apolo. De qualquer forma, Orfeu sempre esteve vinculado ao mundo da música e da poesia: poeta, músico e cantor célebre, foi o verdadeiro criador da "teologia" pagã. Tangia a lira e a cítara, sendo que passava por ser o inventor desta última ou, ao menos, quem lhe aumentou o número de cordas, de sete para nove, numa homenagem às Nove Musas. Sua maestria na cítara e a suavidade de sua voz eram tais, que os animais selvagens o seguiam, as árvores inclinavam suas copadas para ouvi-lo e os homens mais coléricos sentiam-se penetrados de ternura e bondade.
O que importa é que Orfeu é um herói muito antigo, pois já o encontramos na expedição dos Argonautas ¹. Sua existência era tão real para o povo, que, em Anfissa, na Lócrida, se lhe venerava a cabeça como verdadeira relíquia. Educador da humanidade, conduziu os trácios da selvageria para a civilização. Iniciado nos "mistérios", completou sua formação religiosa e filosófica viajando pelo mundo. De retorno do Egito, divulgou na Hélade a ideia da expiação das faltas e dos crimes, bem como os cultos de Dioniso e os mistérios órficos, prometendo, desde logo, a imortalidade a quem neles se iniciasse.
O poeta latino do século I a.C., Públio Virgílio Marão nos dá, no canto IV, v. 453-527, de seu maravilhoso poema As Geórgicas, a versão mais rica e mais bela do mitologema. Ao regressar da expedição dos Argonautas, casou-se Orfeu com a ninfa Eurídice, a quem amava profundamente, considerando-a como dimidium animae eius (a metade de sua alma). Acontece que, um dia, o apicultor Aristeu tentou violar Eurídice, que, ao fugir de seu perseguidor, pisou numa serpente, que a picou, causando-lhe a morte. Inconformado com a perda da esposa, o grande vate resolveu descer às trevas do Hades (katábasis), para trazê-la de volta.
Orfeu, com a sua cítara e sua voz divina, encantou o mundo ctônio. Comovidos com tamanha prova de amor, Plutão e Perséfone concordaram em devolver-lhe a esposa. Impuseram-lhe, todavia, uma condição extremamente difícil: ele seguiria à frente e ela lhe acompanharia os passos, mas, enquanto caminhassem pelas trevas infernais, Orfeu não poderia olhar para trás, enquanto o casal não transpusesse os limites do império das sombras. O poeta aceitou a imposição e estava quase alcançando a luz, quando uma terrível dúvida lhe assaltou o espírito: "E se não estivesse atrás dele a sua amada? E se os deuses do Hades o tivessem enganado?" Mordido pela impaciência, pela incerteza, pela saudade, pela "carência" e por invencível póthos, pelo desejo grande da presença de uma ausência, o cantor olhou para trás, transgredindo a ordem dos soberanos das trevas. Ao voltar-se, viu Eurídice, que se esvaiu para sempre numa sombra, "morrendo pela segunda vez..." Orfeu ainda tentou regressar, mas o barqueiro Caronte não mais o permitiu.
Inconsolável e sem poder esquecer a esposa, fiel a seu amor, Orfeu passou a repelir todas as mulheres da Trácia. As Mênades, ultrajadas pela fidelidade dele à memória da esposa, fizeram-no em pedaços. Punindo esse crime abominável das mulheres trácias, os deuses devastaram-lhes o país com uma grande peste. Consultado o oráculo sobre como acalmar a ira divina, foi dito que o flagelo só se extinguiria quando se encontrasse a cabeça do vate e lhe fossem prestadas as devidas honras fúnebres. Após longas buscas, um pescador finalmente a encontrou na embocadura do rio Meles, na Jônia, em perfeito estado de conservação e ali mesmo foi erguido um templo em honra de Orfeu, cuja entrada era proibida às mulheres. Se a lira do poeta, após longos incidentes, foi parar na ilha de Lesbos, berço principal da poesia lírica da Hélade, a psiquê do cantor foi elevada ao Olimpo, onde, revestido de longas vestes brancas, Orfeu canta para os imortais."

II.  TEXTOS  DA  "ANCIENT HISTORY ENCYCLOPEDIA"
 

DEFINIÇÃO

Música (ou mousikê) era uma parte integral da vida no antigo mundo grego, e o termo cobria não só a música, mas também dança, letra e a performance de poesia. Uma grande gama de instrumentos era usada para executar a música que era tocada em todos os tipos de ocasiões, tais como em cerimônias religiosas, festivais, festas privadas regadas com bebidas (symposia), casamentos, funerais e durante atividades atléticas e militares. A música era também um elemento importante da educação grega e das apresentações dramáticas em teatros, tais como peças teatrais, recitais e competições.

A combinação da palavra e música, sistemas melódicos e modais, e vários dos instrumentos musicais populares, como o aulos e a lira, provavelmente eram oriundos do Oriente Próximo. Contudo, os Gregos consideravam a lira ², em particular, como instrumento "grego", enquanto o aulos está representado na mitologia como um rival estrangeiro inferior de origem oriental. Consequentemente, o grande deus grego Apolo, que se acreditava ser o mestre da lira, derrotou o sátiro frígio Marsyas e seu aulos ³ numa competição musical julgada pelas Musas. A lira foi também o instrumento musical, acima de todos os outros, que os jovens Gregos tinham que aprender no seu aprendizado e era recomendada como tal por Platão em sua República.
Marsyas, tocador de aulos


Um tocador de aulos




Apolo com a lira






















 












 
TEORIA MUSICAL

Existe evidência de que os Gregos começaram a estudar a teoria musical já no século VI a.C. Ela consistia de estudos harmônicos, acústicos, modais e melódicos. O texto mais antigo sobrevivente (mas fragmentário) sobre esse assunto é Elementos Harmônicos por Aristóxenos, escrito no século IV a.C. A música também se tornou um elemento de estudo filosófico, especialmente, pelos seguidores de Pitágoras, que acreditavam que a música era uma expressão matemática da ordem cósmica. A música era considerada como possuidora de benefícios terapêuticos, até mesmo de poderes medicinais sobre moléstias físicas e mentais.

Além disso, uma das únicas contribuições que os Gregos fizeram para a história e o desenvolvimento da música é que ela pode ter um efeito moral e emocional sobre o ouvinte e sua alma; em resumo, a música tem um papel ético na sociedade. Por isso, Platão baniu instrumentos capazes de produzir todos os modos, por considerá-los degenerados. Igualmente, ritmos supercomplicados com um andamento rápido demais eram considerados moralmente perigosos na república ideal do grande filósofo.

Quanto à música escrita, sobrevivem 52 peças de música grega, embora em forma fragmentária. Por exemplo, sobrevivem um excerto musical da peça Orestes de Eurípedes e uma inscrição de música do Tesouro Ateniense em Delfos. A peça mais completa sobrevivente da música grega é a canção do túmulo de Seikilos do século II a.C. encontrado em Tralleis, perto de Éfeso.

MÚSICOS

Os músicos gregos eram muito frequentemente os compositores e os letristas da música que apresentavam. Conhecidos como "fazedores de canções" ou melopoioi, eles criavam melos: uma composição de palavras, som e ritmo. Há evidência de que os músicos gozavam de um elevado status na sociedade, comprovado pelas suas vestes particulares e presença nas listas de servos da família real. Havia até um hieróglifo específico para músicos na inscrição hieroglífica minoana e, numa placa do mais tardio Linear B de Tebas (1250-1200 a.C.), mencionam-se tocadores de lira como membros servindo o palácio micênico. Os músicos profissionais eram homens, embora existisse uma exceção: as cortesãs ou hetairai, que se apresentavam nos symposia. Contudo, há representações de musicistas femininas, especialmente as dançarinas em argila, de Palaikastro minóico (1420-1300 a.C.). Outros músicos profissionais incluíam os trieraules que marcavam o ritmo para os remadores nos trirremos e tocadores de trompete e coralistas que acompanhavam os soldados marchando.

MÚSICA E RELIGIÃO

A música e as procissões acompanhadas de dança em ocasiões religiosas especiais em várias cidades gregas e, entre as mais famosas no mundo grego, eram a Panathenaia e os festivais ao Grande Dioniso, de Atenas. Certas práticas religiosas eram frequentemente realizadas com música, por exemplo, sacrifícios e libações. Os hinos (parabomia) e orações (kateuchés) eram também cantados durante as procissões e no próprio altar. Esses eram fornecidos pelos grupos corais de músicos profissionais, especialmente tocadores, muitas vezes ligados a santuários particulares, por exemplo, os paeanistas em Atenas e os aoidoi e epispondorchestai no santuário de Asclépio em Epidauro.

Os recitais de música, dança, poesia e drama eram também uma atividade competitiva em eventos tais como os festivais pan-helênicos realizados em Isthmia, Delfos e Nemea. Contudo, como acontecia com as competições atléticas, as de música eram de natureza religiosa e nesta qualidade eram oferecidas em honra dos deuses. Havia dois tipos de tais competições musicais: stephanites (sagradas com uma simbólica guirlanda de flores como prêmio) e chrematites ou thematikoi (com prêmios mais tangíveis como dinheiro ou bens preciosos). Esparta, Argos e Paros realizavam tais antiquíssimas competições desde o século VII a.C. Na época helenística, os festivais e competições musicais tornaram-se tão comuns que músicos e artistas performáticos começaram a organizar-se em associações (koinά).

MÚSICA E EDUCAÇÃO

Platão nos informa que as primeiras escolas dedicadas à educação musical foram criadas pelos Cretenses. Contudo, o apogeu da música na sala de aula foi durante os séculos VI e V a.C., quando as escolas de música se estabeleceram em Atenas, onde os alunos com idade entre treze e dezesseis anos aprendiam a tocar a lira e a cítara e a cantar, acompanhados por seu professor no aulos. A música ensinava a ter disciplina e ordem e permitia ao educando apreciar melhor a performance musical. Atletismo e outras atividades esportivas, outro importante elemento da educação grega, eram também praticados com acompanhamento de música, particularmente com o objetivo de aumentar a sincronização.

MÚSICA POR PRAZER

A música era um elemento necessário do symposium ou da festa regada com bebida só para homens. Depois de comerem, os homens, um a um, cantavam uma canção (skólion) com um aulos, lira, ou bárbito, provendo música de apoio. Muitas vezes cantavam divertidas canções satíricas (silloi). Finalmente, no fim da noite, era comum esse grupo sair em procissão (κῶμος, em grego), composta de κωμασταί ("farristas") e cantar e dançar no seu caminho pela cidade.
As mulheres também podiam apreciar a música na privacidade de suas casas. Geralmente as mulheres tocavam instrumentos de corda e recitavam poesia posta em música. Além disso, afazeres domésticos tais como tecelagem e fornada eram feitos com música. Crianças também cantavam canções às portas das pessoas para receberem gorjetas e doces (αγερμός), exatamente como cantores de canções natalinas fazem hoje.
No teatro, as apresentações de tragédia, comédia e drama eram todas acompanhadas com música, e o canto era oferecido por um coro designado que consistia de até 24 coralistas nas apresentações teatrais do século V a.C.

MÚSICA NA ARTE

Os músicos e os instrumentos musicais eram um assunto popular nos afrescos, na escultura e na cerâmica grega, particularmente nos estilos geométricos de figuras em preto e em vermelho. À parte de todas as figuras mitológicas mencionadas, uma notável adição ao assunto da música na cerâmica grega é o maior dos heróis: Hércules. A cerâmica do tardio Ático Arcaico e do Ático Primitivo muitas vezes refletem o herói com uma cítara, e talvez isso simbolize a associação entre o exercício físico e o musical que são necessários para uma educação adequadamente equilibrada. Outros grandes heróis, tais como Aquiles, Teseu e Páris, às vezes são também figurados tocando um instrumento musical (geralmente uma lira), de novo reforçando os objetivos duais de uma educação aristocrática e da virtude da música. Também, muitas cenas escolares na cerâmica do século V a.C. representam estudantes tanto com uma lira numa mão e com um caderno na outra, ilustrando mais uma vez a importância da música na educação. Finalmente, lêkythoi (λήκυθοι), jarros esguios para guardar perfumes, são comumente encontrados nos contextos tumulares e muitas vezes têm a música como tema de sua decoração, talvez numa tentativa de garantir que o falecido fosse acompanhado pela música na sua jornada para dentro da próxima vida.


1. Mark Cartwright, "Greek Music", Ancient History Encyclopedia. Last modified January 05, 2013. http://www.ancient.eu/Greek_Music/.



III.  NOTAS  EXPLICATIVAS



¹   Orfeu aparece em terceiro lugar na lista da tripulação de Argos, depois de Jasão e Tiphys. Conforme relatos de Apolônio de Rhodes e de Apolodoro, o navio Argos veleja rumo a Cólquida em busca do velocino de ouro. A participação de Orfeu nesta expedição marítima é essencial.
Seus poderes mágicos em música e comunicação com o sagrado determinam seu papel como sacerdote-mago na expedição.
Na viagem, a Orfeu cabiam as seguintes missões: com sua música, dar o ritmo para os remadores; no seu papel sacerdotal, concentrar em si um ritual para a tripulação do navio (alguns interpretam que a viagem dos Argonautas como aition de um rito de passagem, em que Jasão estaria sendo submetido à iniciação); e, como músico-mago, durante o tempo das tempestades, harmonizar as forças da natureza e acalmar os medos dos heróis no navio, sobretudo protegê-los, com os sons de sua maravilhosa lira, da sedução fatal das sereias que são cantoras por excelência.

²  A lira era um instrumento musical de corda tocado pelos antigos Gregos e era provavelmente o instrumento mais importante e bem conhecido no mundo grego. Estava intimamente relacionado aos outros instrumentos de corda: o chelys que era feito da concha de tartaruga, o phorminx de quatro cordas e a cítara de sete cordas.
Na mitologia grega, todos esses quatro instrumentos são frequentemente nomeados indistintamente em vários mitos, e a sua invenção é creditada a Hermes. O deus mensageiro fez o instrumento a partir de uma concha de tartaruga, tripa e juncos, principalmente para ajudá-lo a roubar 50 bois premiados da manada sagrada de Apolo. Apolo descobriu o roubo e só foi aplacado com a oferta da lira por Hermes. Apolo, daí por diante, foi considerado o tocador por excelência da lira. Apolo também ensinou aquele outro grande músico mítico, Orfeu, a tocar o instrumento que se tornaria seu emblema. Acredita-se que Orfeu era trácio, o que ajudou a reforçar a crença de que a lira tinha sua origem na Trácia. Contudo, credita-se a Terpander de Lesbos a invenção da lira de sete cordas. Outras figuras míticas frequentemente vistas com uma lira incluem Eros e as Musas.
O artista a tocava sentado ou de pé, segurando-a na mão. A maioria dos músicos que tocavam a lira era masculina.
A lira era tocada ou sozinha ou como acompanhamento para o canto ou a poesia lírica em todo tipo de ocasiões, tais como banquetes oficiais, symposia (festas privadas regadas com bebida), cerimônias religiosas, funerais e competições musicais, tais como as realizadas nos grandes festivais de Panathenaia, Pythia e Karneia.

³   Marsyas, o sátiro, era visto como o fundador mitológico do toque de aulos. A forma como seu toque de aulos encantava sua plateia era parecido com a maneira como Sócrates hipnotizava sua audiência com seu método de filosofar. Foi especialmente reverenciado pelos Atenienses, cujos textos lhe faziam constante referência, sendo representado por seus artesãos. O mito padrão de Marsyas o envolve apanhando os auloi jogados fora pela deusa Athena. Segundo Melanippides, ela o teria feito, porque viu seu reflexo num espelho enquanto tocava e se achou sem elegância e  não atraente. Tendo apanhado os auloi de Athena, a certa altura desafiou Apolo a um duelo. Apolo escolheu tocar a lira e, seja por habilidade apenas ou por certo grau de esperteza, derrotou Marsyas. A punição de Marsyas, por ter ousado destronar um deus do Olimpo, foi seu enforcamento, tendo sido depelado vivo. 
Embora Platão (Euthyd. 285d), Heródoto (7.26) e Xenofonte (Anábasis 1.2) já o tivessem feito, Ovídio (Metamorfoses, 6.382-400) recontou a tristeza do sátiro Marsyas, cujas lágrimas foram reunidas pelos seus companheiros num rio na Frígia com o seu nome. Segundo Ovídio, o sátiro Marsyas, quando tocou a flauta em duelo contra a lira de Apolo, perdeu aquela audaciosa competição, pelo que foi castigado pelo filho de Latona. 
Marsyas teria dito: "Ah! Por que me arrancas de mim mesmo? Que remorso! Uma flauta não vale esta pena!
Consta que, "a despeito de seus gritos, foi-lhe arrancada a pele de toda a superfície dos membros; seu corpo não era mais senão uma ferida aberta. O sangue brotava de todos os lados; seus músculos, expostos, eram visíveis; viam-se saltar suas veias onde batia o sangue e que nenhuma pele recobria; poder-se-ia contar as palpitações de suas vísceras e, no seu peito, os pulmões, claramente visíveis dentro de seu peito. Os Faunos, habitantes dos campos, divindades silvestres, os Sátiros, seus irmãos, o Olimpo que, mesmo então, lhe queria bem, e as Ninfas o choraram, com todos os que, naquelas montanhas, faziam pastar as ovelhas e os bois. A terra fértil foi ensopada com essas lágrimas e absorveu a sua umidade no seu seio e as bebeu para dentro do mais profundo de suas veias; quando as converteu em água, reenviou-as ao ar livre. De sua fonte, esta água, seguindo o aclive íngreme de suas margens, vai juntar-se ao mar sob o nome de Marsyas; dos rios da Frígia, este é o mais límpido."  
Passagens em Melanippides e Telestes, preservadas em Athenaeus (autor de Deipnosophistai), aparentemente defendem diferentes ângulos a  favor do aulos. Contudo, o fato de Marsyas achar-se superior a Apolo é um mito que é também usado como exemplo dos perigos da húbris. 

1. james, “Marsyas,”Ancient History Encyclopedia, last modified June 27, 2014, http://www.ancient.eu/Marsyas/.




IV.  REFERÊNCIAS  BIBLIOGRÁFICAS 



BRANDÃO, Junito de Souza: MITOLOGIA GREGA, Petrópolis: Editora Vozes Ltda., 2ª edição, 1988, 3 volumes

Mark Cartwright. "Greek Music", Ancient History Encyclopedia. Last modified January 05, 2013. http://www.ancient.eu/Greek_Music/.

CASADIEGOS,  Yidy Páez: "Orpheus or the Soteriological Reform of the Dionysian Mysteries". American Journal of Sociological Research, vol. 2, nº 3, pp. 38-51, 2012. Cf. in http://www.academia.edu/2543956/Orpheus_or_the_Soteriological_Reform_of_the_Dionysian_Mysteries._American_Journal_of_Sociological_Research_vol.2_No.3_pp.38_51_2012
Acesso em 06 de agosto de 2015.

james. "Marsyas," Ancient History Encyclopedia. Last modified June 27, 2014. http://www.ancient.eu/Marsyas/.

15 comentários:

Prof. Adriano Benayon (economista, ex-diplomata, ex-professor da UnB, ex-consultor do Senado Federal, escritor e conferencista) disse...

Estimado amigo Braga,

Grato pela transmissão de seu link sobre esta matéria, que é valiosíssima.
Vou guardar para apreciar quando tiver um pouco mais de lazer, pois estarei viajando por uma semana.

É bem conhecida a importância que o grande Platão atribuía à música na educação. Não é outra a razão pela qual a oligarquia financeira imperial investiu muito em apagar não só a música clássica, como as músicas nacionais populares que expressam e desenvolvem as qualidades dos povos que as produzem (produziam).

É parte do projeto da anticultura que envolve as demais artes, a literatura e demais expressões do desenvolvimento intelectual e emocional da humanidade, inclusive o conhecimento de sua verdadeira história política.

Permito-me repassar a alguns correspondentes.

Abraço,

Adriano Benayon

Benedito Franco (escritor e cronista) disse...

Caro Amigo,

Gosto muito de seu Blog e seus textos são ótimos.

Como tenho certa dificuldade em letras menores, gasto muito tempo para lê-los, uma vez que não tem como copiá-los e aumentar o tamanho das letras.

Há uma maneira de contornar esse problema?

Abraços,

Benedito Franco

Prof. Fernando Teixeira (professor universitário, escritor e membro da Academia Divinopolitana de Letras, onde é Secretário Geral) disse...

Cumprimento-o pelo trabalho. Abraço do amigo e confrade Fernando Teixeira

José Passos de Carvalho (escritor, jornalista e presidente da Academia Lavrense de Letras) disse...

Prezado Braga,
Muito obrigado pela contribuição com este trabalho.

Passos de Carvalho -Lavras

Dr. Mário Pellegrini Cupello (pesquisador, escritor e presidente do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto, de Valença) disse...

Prezado amigo Braga,
Parabéns por esse trabalho de refinada pesquisa. Obrigado pelo envio.
Ele já faz parte de nossos arquivos especiais.
Forte abraço, Mario

Anderson Braga Horta (poeta, cofundador da ANE e de várias outras Casas de Cultura, membro da Academia Brasiliense de Letras e da Academia de Letras do Brasil) disse...

Obrigado, meu caro Francisco Braga, pela erudita e interessantíssima dissertação.

Abraços,

Anderson

Profª Elza de Moraes Fernandes Costa (terapeuta holística, pianista e gerente do Portal Concertino) disse...

Artigo enviado pela Profª Elza de Moraes Fernandes Costa, responsável pelo Portal Concertino, recomendando a sua leitura, com o seguinte endereço no seu site: http://www.concertino.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=8326

Doença de Alzheimer não pode com a música

Miguel Ángel

A área do cérebro que abriga as memórias musicais é menos danificada pela doença

Sem saber bem por que, a música é uma das poucas armas que os terapeutas têm para fazer frente à progressão da doença de Alzheimer. Apesar da devastação provocada por essa doença no cérebro e, especialmente, na memória, uma grande parte dos doentes conserva suas memórias musicais, mesmo nas fases mais tardias. Agora um estudo mostra as possíveis causas desse fenômeno: a música é armazenada em áreas do cérebro diferentes daquelas do resto das memórias.

O lobo temporal, porção do cérebro que vai da têmpora à parte de trás da orelha é, entre outras coisas, a discoteca dos humanos. Ali é gerida nossa memória auditiva, inclusive as canções. Estudos com portadores de lesão cerebral respaldam a ideia de que guardamos a música em uma rede centrada nessa área. No entanto, o lobo temporal também é a primeira parte do cérebro a sofrer os estragos do mal de Alzheimer. Como se explica então que muitos doentes não saibam o próprio nome ou como voltar para casa, mas reconhecem aquela canção que os emocionou décadas atrás? Como alguns doentes são incapazes de pronunciar uma palavra, mas, entretanto, conseguem cantarolar melodias que fizeram sucesso quando ainda podiam se lembrar?

Para tentar responder a essas perguntas, pesquisadores de vários países europeus liderados por neurocientistas do Instituto Max Planck de Neurociência e Cognição Humana de Leipzig (Alemanha) realizaram um experimento duplo. Por um lado, procuraram as áreas do cérebro que são ativadas quando ouvimos música. Por outro lado, uma vez localizadas essas áreas, analisaram se, em pacientes de Alzheimer, tais áreas do cérebro apresentavam algum sinal de atrofia ou, ao contrário, resistiam melhor à doença. (...)

Profª Elza de Moraes Fernandes Costa (terapeuta holística, pianista e gerente do Portal Concertino) disse...

Boa tarde, Braga!
Simplesmente apaixonante. Todos nós temos uma dívida de gratidão por tudo o que esse povo nos legou. A Grécia é um berço de cultura. Artigo fantástico e muito bem escrito.
Gostaria de publicá-lo no Concertino.
Parabéns é um abraço.
Elza

Francisco José dos Santos Braga (compositor, pianista, escritor, gerente do Blog do Braga e do Blog de São João del-Rei) disse...

Dando continuidade a pesquisas adicionais sobre a cultura, história e música gregas, tenho o prazer de entregar-lhe meu trabalho abordando o papel da música na sociedade da Grécia Antiga, onde discuto vários aspectos da vida diária do cidadão daquela época.
Conto, na divulgação desse trabalho, com o apoio inestimável da Profª Elza de Moraes Fernandes Costa, que o hospedou no espaço de seu prestigioso PORTAL CONCERTINO, dedicado à pesquisa da música clássica.
Tendo em vista suas características, esse trabalho é mais descritivo do que os demais de minha lavra, tendo merecido destaque, da minha parte, o mito de Orfeu e a competição musical entre o deus Apolo e o sátiro Marsyas.

Link: http://www.concertino.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=8462

Cordial abraço,
Francisco Braga

Eric Tirado Viegas (escritor, tradutor e membro da Academia de Letras de São João del-Rei) disse...

Caro Franscisco,
como sempre brilhante!
eric

Profª Elza de Moraes Fernandes Costa (terapeuta holística, pianista e gerente do Portal Concertino) disse...


Admiro e valorizo muito o seu trabalho pois ele tem como ingredientes conhecimento, amor, dedicação e empenho. Textos como os seus, juntamente com a boa música, levam à formação de seres humanos melhores. Pelo menos seria o normal...

Agradeço sua costumeira colaboração com o Concertino e aproveito para parabenizá-lo, mais uma vez.

Um abraço,
Elza

Prof. Fernando Teixeira (professor universitário, escritor e membro da Academia Divinopolitana de Letras, onde é Secretário Geral) disse...

Gratíssimo pelo envio. Sendo trabalho seu, só me cabe elogiá-lo por esta e toda sua obra intelectual. Saudações do amigo e confrade Fernando Teixeira

Ederson Luis disse...

Muito bom, parabéns pelo belo trabalho. Além disso, como estão vocês, Rute e Braga? Ab cordial !

Benjamin Batista (músico cantor, showman, escritor, palestrante e presidente da Academia de Cultura da Bahia) disse...

Beleza!

Pe. Wolfgang Gruen, SDB (professor de Cultura Religiosa e Língua e Literatura Inglesa na FDB-Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras) disse...

Primeiramente, devo agradecer as excelentes pesquisas que me tem enviado, e que sempre leio com interesse, especialmente quando abordam temas ligados a S. João del-Rei e à Grécia Antiga, sua língua, literatura e cultura. Estudei um pouco de romaico quando de meu curso de Teologia (1950-1953): entre os pedreiros que trabalhavam na construção de um novo prédio, havia dois gregos analfabetos – em grego e em português (de grego só sabiam o alfabeto e escrever o próprio nome). Como eles moravam na área da construção, todas as noites eu ia lá para alfabetizá-los, em romaico e em português; e eles me ensinavam um pouco de romaico: meia hora cada. Claro que saí perdendo, pois eu dedicava mais tempo a eles; mas valeu para eu ter ao menos uma ideia das mudanças. Depois, consegui um livrinho de conversação (romaico-italiano).
Um forte abraço do amigo
Gruen