Por Francisco José dos Santos Braga
I. ALGUNS DADOS BIOGRÁFICOS DE PLÍNIO, O JOVEM
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Busto de Canínio Rufo, a única imagem existente do poeta latino, que aparece na fachada superior do Liceo Volta em Como |
VI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Por Francisco José dos Santos Braga
I. ALGUNS DADOS BIOGRÁFICOS DE PLÍNIO, O JOVEM
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Busto de Canínio Rufo, a única imagem existente do poeta latino, que aparece na fachada superior do Liceo Volta em Como |
Por Francisco José dos Santos Braga
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Em pé 'stava Maria das dores junto à cruz... |
STABAT MATER
Por Jacopone da Todi
V. ALGUMAS ANOTAÇÕES FINAIS
Por Francisco José dos Santos Braga
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Vista aérea da entrada do Campus Dom Bosco - Crédito: UFSJ |
"Foi há 20 anos atrás, e precisamente em outubro de 1953, que foi criada a Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras e autorizado o seu funcionamento pelo Decreto nº 34.392 de 27/10/l953. O seu objetivo principal era a formação de professores de Grau Médio e a sua sede era o Instituto Salesiano de Filosofia e Pedagogia, anexo ao Colégio São João.
A Faculdade começou a funcionar regularmente em fevereiro de 1954, com os cursos de Filosofia, de Pedagogia e de Letras Neo-Latinas, Clássicas e Anglo-Germânicas, mas no primeiro ano seus alunos foram apenas os seminaristas salesianos internos. Em 1955 abriram-se as matrículas também para os alunos externos, funcionando as suas aulas por algum tempo em dependências cedidas pelo Instituto Nossa Senhora Auxiliadora.
Em 26/10/1957 foi assinado pelo Senhor Presidente da República o Decreto de seu reconhecimento sob o nº 42.518, diplomando-se a primeira turma em solenidade especial no dia 24 de fevereiro de 1958, tendo sido seu paraninfo o Exmo. Sr. Dom João de Resende Costa, arcebispo de Belo Horizonte.
Em 1961 criou-se o Curso de Orientação Educacional, tendo esta Faculdade sido a primeira em Minas Gerais a formar Orientadores Educacionais. Em 1962, os três cursos de Letras se fundiram num só em virtude da reforma do ensino determinada pelas Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Em 1964 foi criado o Curso de Ciências Sociais e, em 1967, o de Ciências. E, em virtude do parecer especial de setembro de 1972, foi autorizado o funcionamento do Curso de Psicologia e, na modalidade de licenciatura, o da formação do psicólogo clínico. Tendo deixado de funcionar o Curso de Ciências Sociais após ter formado a 1ª Turma, estão presentemente em funcionamento regular os seguintes cursos: Psicologia, Filosofia, Ciências, Pedagogia e Letras.
Graças à Faculdade Dom Bosco, o magistério de grau médio, em franca expansão, pode contar presentemente com professorado numeroso e tecnicamente bem preparado. Numerosos ex-alunos da Faculdade Dom Bosco exercem, inclusive, magistério em Universidades e outros estabelecimentos de Ensino Superior.
Nesse período de 20 anos de funcionamento, mais de dois mil estudantes de todas as partes do Brasil e mesmo do estrangeiro se matricularam na Faculdade Dom Bosco, tendo sido expedidos, até o presente, quase mil diplomas, além dos cursos regulares de graduação.A Faculdade ministra frequentes vezes cursos de aperfeiçoamento e de extensão universitária, como de Biblioteconomia, de Parapsicologia, de Teatro, de Psicologia e outros. Organizações especiais funcionam ou funcionaram dentro das estruturas da Faculdade, como o antigo Centro de Estudos Pedagógicos (CEP), o Teatro Universitário Sanjoanense (TUNIS), o Cine Club da Faculdade, o Instituto de Pedagogia e Psicologia (I.P.P.) ¹, a Escola de Excepcionais e outros, sem falar no Diretório Acadêmico São Tomás de Aquino (DASTA), que é o órgão representativo dos alunos. Pela seriedade do seu regime de estudos, pelo seu corpo de professores, pela sua Biblioteca, pelo seu laboratório de Psicologia, pela atuação de seus ex-alunos e não menos pela aplicação do Decreto-Lei 1051, de 21/10/1969, – que possibilita a revalidação dos Estudos Filosóficos de Seminário e a respectiva complementação –, a Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras é, sem dúvida, hoje a Escola Particular Isolada mais conhecida no Brasil, levando o nome de São João del-Rei a todos os recantos do País."
II. NOTA EXPLICATIVA
"(...) Para a realização da pesquisa, os autores adotam duas principais vertentes de investigação: (a) a revisão bibliográfica de estudos e de dados sobre a presença de salesianos na Itália e no Brasil, especialmente, em São João del-Rei e (b) pesquisa documental no Centro de Documentação e Pesquisa em História da Psicologia do Laboratório de Pesquisa e Intervenção Psicossocial, a fim de identificar as razões institucionais, políticas e acadêmicas que levaram à compra e instalação do laboratório. Nesta vertente, busca-se identificar os aparelhos que constituíam o Laboratório, suas origens, características e usos.
(...) Sobre a agilização da compra para a instituição são-joanense de um laboratório de Psicologia Experimental nos moldes europeus, a partir de 1953, iniciou-se a troca de cartas entre o padre Alcides Lanna, do Instituto Salesiano São Francisco do Rio de Janeiro, e professor Giacomo Lorenzini, do Pontifício Ateneu Salesiano de Turim. A compra desse laboratório representa, segundo documentos da época, a introdução de melhorias nos cursos de Filosofia e Pedagogia, com a renovação dos conteúdos programáticos das disciplinas oferecidas, como a Psicologia da Educação, e dos serviços prestados. A chegada e montagem dos equipamentos do laboratório aconteceram em 1955, sendo que a maior parte dos instrumentos foi feita, sob encomenda, pelos Laboratori Apparechi Scientifici Medici, em Turim, Instituto Conte Rebaudengo e oficinas do Laboratório de Psicologia da Universidade de Milão, na Itália. Em linhas gerais, os aparelhos permitiam a realização de medidas sensoriais, de aptidões, interesses e biométricas. A existência do laboratório levou à criação do Instituto de Pedagogia e Psicologia, em 1958, no qual se realizavam atividades nos setores de Psicologia Clínica, de Orientação (vital, educacional e profissional), no Centro de Estudos Pedagógicos, nos Círculos de Pais, nos setores de Psicologia do Trabalho e de Pesquisa e Estatística. Não obtivemos, ainda, bastante informação sobre o encerramento das atividades do Laboratório de Psicologia Experimental da Faculdade Dom Bosco e seu modo de utilização no curso de Psicologia da FDB, criado em 1972."
Muitos elementos sobre os primórdios do I.P.P. localizei na tese "Psicologia no Brasil: a presença dos Salesianos" (2006) de Iolanda Bezerra dos Santos Brandão, que traz importantes informações históricas sobre o IPP, já que se baseia em fontes primárias, especialmente textos produzidos por Pe. Geraldo Servo. A autora resume as ações empreendidas entre 1954 e 1958 no I.P.P. da Faculdade Dom Bosco de São João del-Rei, tendo sido agraciada com alguns documentos pertencentes ao acervo particular de Geraldo Servo provenientes do CSDP-Centro Salesiano de Documentação e Pesquisa de Barbacena-MG.
Transcrevo aqui pequeno trecho de sua tese, intitulado "Geraldo Servo e a consolidação da profissão da psicologia no Brasil" (subitem 3.4.6, 177-184). Em resumo, Geraldo Servo, natural de Morro do Ferro, aos 11 anos de idade, foi encaminhado pela família ao Seminário Dom Bosco de São João del-Rei, mas graduou-se em pedagogia pela Faculdade de Lorena-SP. Foi ordenado sacerdote em agosto de 1956 e de fevereiro de 1956 a fevereiro de 1958 cursou mestrado em Pedagogia no Ateneu Salesiano de Turim e, durante esse período, trabalhou nos laboratórios de física da Universidade Católica de Milão (Itália) e de Louvain (Bélgica). Durante sua permanência no curso de mestrado passa a estudar também com afinco psicologia. Depois da vasta bagagem de conhecimentos adquiridos na Itália,
"Pe. Geraldo Servo retorna ao Brasil em fevereiro de 1958 e se instala na Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del-Rei. Ocupa-se tanto de áreas ligadas à administração da Faculdade como também de docência, empenhando-se na criação de um Instituto onde possa por em prática todo o conhecimento trazido. Quando chega, já se encontra instalado o Laboratório de Psicologia, que funcionava desde 1955, tendo como coordenador o Pe. Ralfy Mendes de Oliveira, e onde vinham sendo desenvolvidos trabalhos através de um Serviço de Orientação Educacional e Profissional - o SOEP.
A partir de 1958, Geraldo Servo assume a direção do Laboratório, sendo o novo titular de Psicologia educacional.
Geraldo Servo, enquanto salesiano (mais tarde deixa o sacerdócio e continua se dedicando à psicologia) tem uma produção significativa de atuação prática junto à comunidade de São João del-Rei e em diversas cidades por ele visitadas com sua equipe de alunos, na realização de palestras, encontros, seminários e formação de profissionais na área de Orientação Vocacional. Assim, faz parte da história da psicologia brasileira, apesar de passar despercebido por muitos pesquisadores e historiadores em psicologia no Brasil.
Em 1º de março de 1958, abre o consultório de psicologia que funciona junto à Faculdade Dom Bosco, cuja finalidade era o atendimento ao público em geral.
Cria, em 14 de agosto de 1959, o Instituto de Psicologia e Pedagogia-IPP, através do qual vai realizar diversos trabalhos, como serviços de Orientação educacional e levando este projeto a várias partes do país, como Goiânia, Leopoldina, Ponte Nova, Juiz de Fora, Lorena.
Todo o trabalho realizado no IPP, de sua criação em 1959 até 1968, sempre esteve sob a liderança e empenho de Geraldo Servo que, trabalhando em conjunto com um grupo de auxiliares, por meio das "Missões Pedagógicas" realizou diversos cursos intensivos de Orientação educacional, ministrou palestras a professores e pais de alunos, não só na comunidade de São João del-Rei e em cidades vizinhas, mas também em outros Estados.
Conjuntamente a todo este trabalho, ajuda a criar a Sociedade Mineira de Psicologia; a Associação Brasileira de Psicologia Aplicada (cuja sede era em São Paulo); a Associação Interamericana de Psicologia Aplicada e da Associação Internacional de Psicologia Aplicada. Além de tudo, colaborou no desencadeamento de uma campanha em favor da legalização do exercício profissional do psicólogo, que se torna realidade através da Lei 4119 de 27 de agosto de 1962.
Valendo-se dos artigos 17 e 21 da Lei 4119, Geraldo Servo obteve o registro de psicólogo junto ao Ministério da Educação e Cultura, sendo seu registro o de número 35. Torna-se sócio da Associação Brasileira de Psicólogos, da Sociedade Interamericana de Psicologia e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC.
Em novembro de 1968, muda-se para Brasília (local no qual já vinha desenvolvendo trabalhos junto à Nova Capital). Na capital do Brasil deixa o sacerdócio e exerce várias atividades sempre ligadas à área de psicologia (...)
Participa ativamente da criação e regulamentação dos Conselhos de Psicologia, quando de sua aprovação mediante Lei 5766 de 20.12.71, tendo, como delegado, participado da eleição do primeiro Conselho Federal de Psicologia. Atuou na sua primeira diretoria como secretário, trabalho desenvolvido de 1973 a 1976, representando o Sindicato dos Psicólogos do Distrito Federal – SPDF, no qual era presidente e sócio-fundador (BRANDÃO: Uma Contribuição à história da psicologia: o caso dos salesianos em São João del-Rei-MG – Dissertação de Mestrado – PUC/SP, 2001).
Com esta participação ativa e como forma de prestigiar todo o trabalho que vinha desenvolvendo em prol da psicologia, recebe do CRP 1ª Região a obtenção do Registro nº 01/0001.
Geraldo Servo faleceu em janeiro de 2001 em sua residência. (...)
Seus trabalhos no campo da psicologia foram reconhecidos pelo CRP-01, ano de 1997, quando é uma das figuras homenageadas do ano: “O nome de Geraldo Servo se confunde com a própria história da psicologia no Brasil, sendo um dos principais fundadores do Conselho Federal de Psicologia, depois de uma luta de vários anos”. (Revista da Psicologia/CRP01, 1ª edição–agosto de 1997). Autor de livros e artigos, respondeu também pela tradução do livro Psicanálise e Personalidade de Joseph Nuttin, publicado pela editora Agir 1964.(...)"
Além dos elementos históricos que constam da narrativa de Pe. Luiz Zver e da tese de Iolanda Brandão, também localizei no CSDP de Barbacena-MG, em papel timbrado da FDB, informações sobre o corpo técnico do IPP-Instituto de Pedagogia e Psicologia, que funcionava nas instalações da FDB no ano de 1969, com o título "Planejamento I.P.P. durante ano 1969" (identificado como Arquivo do Pe. Agenor), que abre com a seguinte equipe de trabalho e atribuições para cada elemento:
BATISTA, Rodolfo L. B. & MACHADO, Marília N. M.: O Laboratório de Psicologia da Faculdade Dom Bosco de São João del-Rei: uma investigação documental em História da Psicologia, trabalho de pesquisa apresentado no XIX ENCONTRO REGIONAL DA ABRAPSO MINAS de Betim, evento realizado de 13 a 16 de novembro de 2014
BONFIM, E.M. & ALBERGARIA, M.T.A. Origem e relevância de um laboratório de psicologia no Brasil na década de 1950. Memorandum 7, 151-164
Link: https://www.fafich.ufmg.br/~memorandum/artigos07/bomfalberg01.htm
BRANDÃO, I.B.S. Psicologia no Brasil: a presença dos Salesianos, tese apresentada à PUC-SP para a obtenção do título de Doutora em Psicologia Social, 2006
–––––––––––––––––––– Uma Contribuição à história da psicologia: o caso dos salesianos em São João del-Rei-MG – Dissertação de Mestrado – PUC/SP, 2001
Planejamento I.P.P. Ano 1969, disponível no Centro Salesiano de Documentação e Pesquisa, identificado como "Arquivo do Pe. Agenor".
ZVER, Pe. Luiz. FACULDADE DOM BOSCO DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS. (texto inédito de 1973, identificado como "Arquivo do Pe. Agenor")
"Na Europa, durante a Idade Média, o latim possuía muito prestígio, sendo considerado a língua da igreja, dos negócios, das relações internacionais, das publicações filosóficas, literárias e científicas (Puren, 1988). (...)
No plano metodológico, vale salientar que é o modo de ensino do latim que prevalece durante toda a Idade Média e que o ensino das línguas vivas ou modernas vai se basear no modelo de ensino do latim. (...)
O latim era ensinado na língua dos alunos e as lições eram constituídas de frases isoladas, na língua materna, escolhidas em função do conteúdo gramatical a ser ensinado e memorizado pelos alunos. (...)
A partir do século XVIII, no entanto, os textos em língua estrangeira tornam-se objeto de estudo; os exercícios de versão/gramática passam a substituir a forma anterior de ensino que partia de frases isoladas tiradas da língua materna. É com base nesse modelo de ensino que o século XVIII assistirá à consagração do chamado “método gramática-tradução” mais comumente chamado “tradicional” ou “clássico”. (...)
A abordagem tradicional, também chamada de gramática-tradução, historicamente, a primeira e mais antiga metodologia servia para ensinar as línguas clássicas como grego e latim. É a concepção de ensino do latim; língua morta, considerada como disciplina mental, necessária à formação do espírito que vai servir de modelo ao ensino das línguas vivas (GERMAIN, 1993). Os objetivos desta metodologia que vigorou, exclusiva, até o início do século XX, era o de transmitir um conhecimento sobre a língua, permitindo o acesso a textos literários e a um domínio da gramática normativa. Propunha-se a tradução e a versão como base de compreensão da língua em estudo. O dicionário e o livro de gramática eram, portanto, instrumentos úteis de trabalho.
A aprendizagem da língua estrangeira era vista como uma atividade intelectual em que o aprendiz deveria aprender e memorizar as regras e os exemplos, com o propósito de dominar a morfologia e a sintaxe (ibid.). Os alunos recebiam e elaboravam listas exaustivas de vocabulário. As atividades propostas tratavam de exercícios de aplicação das regras de gramática, ditados, tradução e versão. A relação professor/aluno era vertical, ou seja, ele representava a autoridade no grupo/classe, pois detinha o saber. Pouca iniciativa era atribuída ao aluno; a interação professor/aluno era praticamente inexistente. O controle da aprendizagem era, geralmente, rígido e não era permitido errar. (...)
Até aproximadamente a década de 40, o principal objetivo da aprendizagem da língua estrangeira era o ensino do vocabulário. A ênfase era dada à palavra escrita, enquanto que as habilidades de audição e de fala eram praticamente ignoradas (NORRIS apud BOHN e VANDRESEN, 1988)." (grifos nossos)
"Na educação do século XVIII, a história e a cultura antiga exercem o papel de distinção social para a identidade da elite. Assim, os modelos antigos eram elevados pelos padres católicos à função de representação de valores e de prática de pensamento, por meio do aprendizado das línguas clássicas e da retórica. Com efeito, a educação diferenciava não só as elites dos pobres, mas católicos de protestantes, produzindo um ideal de educação baseado na virtude antiga. Além dos vários elementos históricos, essa educação significava, sobretudo duas (coisas), uma oposição ao protestantismo e uma forma de superioridade do humanismo frente ao cientificismo. Os ecos destes valores educacionais são observados, tanto nos educadores, quanto nos filósofos iluministas, assim, criando, uma cultura baseada no encontro com o clássico. (...)
No entanto, como afirma [GRELL, 1995, 12], das seis horas diárias de curso, apenas uma era dedicada ao grego, todas as outras eram dedicadas ao latim. Isso parece ser um indício da supremacia do humanismo representado pelo latim sobre a ciência, do qual a língua grega era apenas representante. Sobretudo, o objetivo era claro: fazer falar, escrever, compor e pensar em latim. Também, associava-se a (língua latina) ao fator da tradução, pensar o latim junto ao francês, fenômeno que ocorria pelo menos até 1785, quando a língua francesa substitui o latim como língua de instrução (GRELL, 1995, p. 12). Além de seu caráter tradicional, a língua latina derivada do ensino de Filosofia, de História e de Retórica e da introdução ao grego antigo permitira reconsiderar a própria língua francesa e conceder um novo reconhecimento estilístico. Isso se deu porque os códigos de gramática que regem as sintaxes e os léxicos do latim e do grego são semelhantes, por isso a sua apropriação tornava mais compreensível a própria língua francesa. Segue-se que o estudo das línguas antigas, embora enfrentando um certo declínio no século XVIII, promovera as práticas escritas em francês. (...)
Assim, o educador do século XVIII estabeleceu uma aproximação entre o cultivo da virtude e do conhecimento doado pelas antigas civilizações. Para Rollin, o antigo tem elementos exemplares para trazer do passado um outro modo de viver o presente. Defendeu esta posição na conclusão do discurso preliminar em “De la manière d'enseigner et d'étudier les belles-lettres”, ou simplesmente, “Traité des études”. Para ele, o aluno encontraria nos textos antigos todas as virtudes morais (ROLLIN, 1810, p. 48), porque
[...] o propósito dos mestres na longa carreira dos estudos é acostumar seus discípulos ao trabalho sério [...]. Eles treinam a mente e o coração, para inspirá-los com os princípios de honra e probidade, e tomar os bons hábitos (ROLLIN, 1736, p. 349)." (...)
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Contracapa do mesmo livro |
1) Ad Christum infantem
Trad.: A Jesus Cristo criança
2) De Græcia et Asia
3) De vi disciplinæ
CESTARO, Selma Alas Martins. O Ensino de Língua Estrangeira: História e Metodologia.
Link: http://www.hottopos.com/videtur6/selma.htm 👈
GRELL, Chantal. LE DIX-HUITIÈME SIÈCLE ET L'ANTIQUITÉ EN FRANCE 1680-1789. V. I. Oxford: Voltaire Foundation, 1995.