domingo, 20 de janeiro de 2019

POEMAS SELETOS DE KIKÍ DIMOULÁ



Traduzidos do grego por Francisco José dos Santos Braga


ΔΙΟΔΙΑ

Ξύπνα, φτάνουμε.
Τέρμα στην επόμενη στάση.
Κατεβαίνουμε.
Νίψε λίγο το πρόσωπό σου
σύρε και κείνη τη μολυβιά στα μάτια
να φαίνονται εναργή
βάλε και το ελαφρύ ΛΑΪΦ άρωμά σου.
Μη λες ποιος θα με δει
θα είναι εκεί η ματαιότητα
να σε υποδεχτεί.
Φτάνουμε, ετοιμάσου
έχε πρόχειρες τις αμαρτίες σου
το ΑΦΜ τους το θυμάσαι;

θα σου ζητηθεί βεβαίωση
ότι όλα τα παραπάνω έχουνε λήξει
βεβαίωση επίσης
ότι κι εσύ έχεις λήξει
εδώ ελέγχονται αυστηρά τα σύνορα.

Βάλε στο αθόρυβο το βηματοδότη σου.
Μετά εκεί, τον δυναμώνεις
και η αιωνιότητα τι νομίζεις
με βηματοδότη ζει.

Obs. Este poema foi publicado como parte da coletânea “Tempo Público” (2014).


PEDÁGIO

Acorda, estamos chegando.
Ponto final na próxima parada.
Estamos descendo.
Lava teu rosto
faz também a sombra dos olhos
para parecerem claros
põe também teu leve perfume “LIFE”.
Não penses “quem me verá?”
lá estará a vaidade
a te recepcionar.

Estamos chegando, prepara-te
tem teus pecados à mão
lembras o CPF deles?

Te pedirão para certificar
que todas as coisas acima já expiraram
para verificar igualmente
que tu também já expiraste
aqui o controle é severo nas fronteiras.

Põe teu marca-passo no silencioso.
Depois deste ponto, podes acioná-lo
e a eternidade – que pensas? –
vive também com marca-passo.

––––––––––––––––––––––

ΕΠΙ ΠΤΩΜΑΤΩΝ 
















Σε θυμάμαι λήθη
παραδουλεύτρα σε είχε
ο χρόνος

για τις χοντρές δουλειές του
μάζευες τα σκουπίδια του
έθαβες κόσμο
σφουγγάριζες τα λάθη του
κουκούλωνες όσο μπορούσες.

Απορώ πώς
από καθαρίστρια
έγινες ξαφνικά η εκλεκτή του.

Υποψιάζομαι
ξετρύπωσες το μπουκαλάκι
με το άρωμα
κάποιας πεθαμένης του αγάπης.

Το φόρεσες
μοσχοβολούσες γνώριμα

και προήχθης σε μνήμη.

Obs.: Este poema foi publicado como parte da coletânea “Tempo Público” (2014).


DETERMINADA

Me lembro de ti, Lethe ¹,
Faxineira te teve
o Tempo ²

para seus trabalhos rudes
coletavas seu lixo
enterravas um mundo
limpavas seus erros
encobrias quanto podias.

Espantei-me como
de faxineira
te tornaste de repente sua eleita.

Suspeito
derrubaste o frasco
com o perfume
duma defunta do amor dele.

Usaste-o
exalaste um cheiro familiar

vieste primeiro na memória.

–––––––––––––––––––––––––

ΔΙΔΑΚΤΙΚΗ ΥΛΗ

Χρόνε
τὴ διατριβή μου σοῦ ὑποβάλλω
μὲ θέμα της ἐσένα βασικὰ
γιατὶ αὐτὸ ποὺ εἶμαι τώρα
ἐσὺ τὸ ἔφτασες ἐδῶ.

Φτωχοὶ τῆς φύσης μου οἱ πόροι
δὲ μ᾿ ἔστειλε γιὰ ἀνώτερη ἀμάθεια
στὸ ἐξωτερικό. Ἔμεινα ἐδῶ στὸ νοίκι
μιᾶς χαμηλοτάβανης ἐσωτερικῆς
πατριδογνωσίας.

Οἰκονομική
μέθοδο ἄνευ διδασκάλου ἀκολούθησα
καὶ κάθε ἄνευ γενικῶς
ποὺ εἶναι μέθοδος εὐρύτερης μαθήσεως.

Τί τράβηξα δὲ λέγεται ἀδύνατον νὰ μπῶ
στὸ δύσκολο κεφάλαιο
τοῦ «ἄνευ σημασίας».
Ὅ,τι γιὰ μένα εἶχε
ἤτανε ἄνευ γιὰ τοὺς ἄλλους.
Κι ἐνῶ μὲ ἐπιμέλεια ἀποροῦσα
τὸ ἀπορώντας μοῦ ἔβαζε μηδὲν.
Διόρθωνα τὸ βαθμὸ ἐκ νέου ἀπορώντας
μὲ τὴν ἄνευ λόγου μέθοδό σου
χρόνε
νὰ φέρνεις ἀλλαγὲς καὶ ἐν τῶ ἅμα
νὰ παίρνεις πίσω σβήνοντας ὁλότελα
τὴν προηγούμενη τὴν ἤπια μορφὴ
ποὺ εἴχανε τὰ πράγματα
πρὶν γίνουν σπουδασμένα.

Καὶ τώρα ἀκόμα
μὲ τὴ μέθοδο τοῦ ἄνευ μεγαλώνοντας
σμικρύνομαι σαστίζω ἀπορῶ
πῶς ἄλλαξαν ἀκόμα καὶ τὰ ἄνευ
τόσο συχνὰ δὲν ἦταν

πῶς ἄλλαξε ὁ θάνατος
τόσος συχνὸς δὲν ἦταν

ὅταν ἐνθέρμως μοῦ τὸν σύστησε ἡ ἀγάπη.

Obs.: Este poema foi publicado como parte da coletânea “Grama de estufa” (2005)


CURRICULUM

Ó Tempo,
minha dissertação te submeto
cujo tema és tu basicamente
porque o que eu sou agora
tu é que chegaste aqui.

Com meus parcos meios de subsistência
não me enviou para ignorância superior
no exterior. Fiquei aqui pagando aluguel
por um teto baixo interior
de conhecimento do meu país.

Frequentei
o método econômico dum professor ausente
e toda ausência em geral,
que é um método de ensino mais ‘lato sensu’.

O que sofri não quer dizer impossível de entrar
no difícil capítulo
do ‘ausente de sentido’.
O que para mim era presente
era ausente para os outros.
E enquanto com afinco ficava perplexa,
o que espantava me dava a nota zero.
Corrigia a nota ficando perplexa de novo
com o teu método ausente de lógica
ó Tempo,
para trazeres mudanças e ao mesmo tempo
te retratares apagando completamente
a benigna forma anterior
que as coisas tinham
antes de serem educadas.

E agora ainda
com o método de um ausente amadurecimento
me encolho, me embaralho, fico perplexa
como até mesmo as ausências mudaram
que não eram tão frequentes

como mudou a morte
que não era tão frequente

quando o amor ardentemente ma apresentou.

_______________________________

ΥΠΕΡ ΥΓΕΙΑΣ

Για φαντάσου
ύστατος σύντροφος της επιβίωσης μου,
ένας Βηματοδότης.

Ένωση καθαρά σαρκική.
Μέσα στο στέρνο μου φωλιάζει
Ευτυχής που ορίζει την καρδιά μου…

αλλά και ευγνώμων.
Αναγνωρίζει ότι
χάρη στην καρδιά μου ζει
σαν άνθρωπος κι αυτός. Φύλαξ άγγελός της.

Παντού τη συνοδεύει, στον ύπνο
την εκκλησία, στο κοιμητήριο
το καφενείο, το θέατρο
στα μακρινά ταξίδια του νου.
Όλα τα βάρη της αυτός τα σηκώνει,
η καρδιά ούτε το φτερό της δεν πρέπει.

Σύντροφος συγκινητικά διακριτικός,
δεν τη ρωτάει ποτέ για το παρελθόν της,
νυχθημερόν μετράει το σφυγμό της.

Μη σε νοιάζει εδώ είμαι εγώ,
όλος δικός σου πίστεψέ με της λέει
σαν ερωτευμένος. Τρελά.
Προς το παρόν. Κι αυτός.

Obs.: Este poema foi publicado como parte da coletânea "Tempo Público" (2014).


PELA SAÚDE

Imagine
último companheiro da minha sobrevivência,
um marca-passo.

Claramente, uma união carnal
abriga dentro do meu esterno,
feliz com o kit, meu coração

mas também grato.
Reconhece que
graças a meu coração vive
como uma pessoa também. Seu anjo da guarda.

Por toda a parte o acompanha no sono,
à igreja, ao cemitério
ao café, ao teatro
às viagens longínquas do “nous” ³.
Todos os fardos levanta,
o coração nem carece levantar sua pena.

Companheiro comovedoramente discreto,
nunca indaga o coração sobre seu passado,
medindo seu pulso noite e dia.

“Não te preocupes; estou aqui. Confia
em mim todo teu ser”, diz ao coração
como um apaixonado. Loucamente.
Por enquanto. Como outros antes dele.

–––––––––––––––––––––––––

Η ΜΑΝΤΙΣ ΑΠΛΟΪΚΟΤΗΤΑ

Σκυμμένη πάνω στην παλάμη μου
ακόμα μελετώ με πάθος τις γραμμές
αυτές τις ράγες απ’ όπου περνά ο καιρός
διατρέχοντας το πεπρωμένο μας

μελετώ εμβαθύνω στις χαράξεις
ισιώνω τρέμοντας
τους τσαλακωμένους σταθμούς
τεντώνω
καλά τις διακλαδώσεις
μην εκτροχιαστεί το ζητούμενο!...

διευθετώ
κάθε ευθείας το κρίσιμο
μήκος, παίρνω
απότομα τη μεγάλη στροφή
προς ένα μήκος κάθετο μικρό

αποκαθιστώ των δυσδιάκριτων
την κυκλοφορία
το δρόμο καθαρίζοντας
απ’ τις κατολισθήσεις
της ομαλότητας

Επιστρέφω, ανεφοδιάζομαι
και προς το ίδιο κατευθύνομαι
από άλλη τώρα διαδρομή
ψάχνοντας, με μανία ψάχνοντας
να βρω η ανόητη στην παλάμη μου
τη γραμμή της ζωής

λες και είναι στο χέρι μας η ζωή.

Obs.: Este poema foi publicado como parte da coletânea "Tempo Público"(2014).


SIMPLICIDADE DE ADIVINHA

Debruçada sobre a minha palma
ainda estudo com paixão as linhas
esses trilhos por onde passa o tempo
atravessando o nosso destino

estudo penetro nos traçados
aplano estremecendo
as enrugadas paradas
alongo
bem os ramais
para que não se descarrile o que se procura!...

dirijo
direto o comprimento
crítico, tomo
subitamente a grande curva
em direção a um pequeno comprimento vertical

restabeleço as coisas difíceis de discernir

o trânsito
o caminho limpando
a partir dos desmoronamentos
das normalidades

Regresso, reabasteço-me
e para a mesma coisa dirijo-me
de outra agora rota
procurando, com fúria procurando
achar a absurda na minha palma
linha da vida

como se a vida estivesse em nossa mão.

––––––––––––––––––––––––––––


NOTAS  EXPLICATIVAS 

¹  Sobre Lethe ou "o esquecimento", cfr.  https://pt.wikipedia.org/wiki/Lete

²  Sobre Chronos ou o Tempo, cfr.  https://pt.wikipedia.org/wiki/Chronos

³  Sobre "nous", cfr.  https://pt.wikipedia.org/wiki/Nous

10 comentários:

Francisco José dos Santos Braga (compositor, pianista, escritor, gerente do Blog do Braga e do Blog de São João del-Rei) disse...

Tenho o prazer de apresentar-lhe uma poetisa grega de grande renome internacional, mas ainda pouco divulgada no Brasil. Trata-se de KIKÍ DIMOULÁ (pronuncia-se Dimulá), ateniense, nascida em 1931. Teve a sorte de casar-se em 1954 com um poeta, Áthos Dimoulás (1921-1985), que ela considera o responsável por ter-lhe iniciado à Poesia.

Já está na estrada desde 1952 e tem conquistado os prêmios mais cobiçados pelos autores literários europeus, em reconhecimento pelo conjunto de seu trabalho e pelo destaque que ganhou alguma sua coletânea de poemas.

Sinto-me verdadeiramente recompensado pelo meu trabalho de tradução do original grego, se o leitor do Blog do Braga considerar que, através de seu olhar privado e questionamento existencial, minha homenageada tem conseguido abrir-se ao universal e coletivo, que é o sonho de qualquer escritor.

POEMAS SELETOS DE KIKÍ DIMOULÁ

https://bragamusician.blogspot.com/2019/01/poemas-seletos-de-kiki-dimoula.html


BIOBIBLIOGRAFIA DE KIKÍ DIMOULÁ

https://bragamusician.blogspot.com/2019/01/biobibliografia-de-kiki-dimoula.html


Cordial abraço,

Francisco Braga

Anderson Braga Horta (poeta, escritor, ex-presidente da ANE-Associação Nacional de Escritores e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal) disse...

Muito bem, meu caro Francisco!

Obrigado.

Anderson

João Carlos Ramos (poeta, escritor, membro e ex-presidente da Academia Divinopolitana de Letras e sócio correspondente da Academia de Letras de São João del-Rei e da Academia Lavrense de Letras) disse...

Recebido.
Um conjunto de pedras preciosas chega as minhas mãos.
Obrigado!

Salomea Gandelman (professora universitária, autora do livro "36 Compositores Brasileiros-obras para piano (1950-1988)) disse...

Muito obrigada! Um abraço

Paulo Guicheney disse...

Parabéns pelo trabalho, Braga.

Paulo Guicheney (premiado compositor goiano, professor de composição, orquestração e música contemporânea no Departamento de Música da UFG. Em 2007 recebeu o Prêmio FUNARTE da XVII Bienal de Música Brasileira Contemporânea do Rio de Janeiro.) disse...

Parabéns pela tradução, Braga. Trabalho belíssimo. Abraços do amigo, Guicheney.

Prof. Fernando de Oliveira Teixeira (professor universitário, escritor, poeta e membro da Academia Divinopolitana de Letras, onde é Presidente) disse...

Grato pelo envio, amigo. Fernando Teixeira

Prof. Cupertino Santos (professor aposentado da rede paulistana de ensino fundamental) disse...

Caro professor Braga.
Merecida a sua publicação dessa poetisa que se aprofunda nos paradoxos da existência ao longo do "Tempo Rei". Coloquei por curiosidade os poemas originais na "ferramenta" de tradução e não posso deixar de lhe dar os parabéns pelas sensíveis e inspiradoras versões.
Muitíssimo obrigado.

Geraldo Fonte Boa disse...

"Simplicidade de adivinha" é simplesmente maravilhoso. Obrigado Francisco por nós oportunizar tão belib versos

Prof. José Luiz Celeste (tradutor, escritor e ex-professor da EAESP-FGV) disse...

Olá Braga: obrigado pelos poemas de Dimoulá, e sua traduçao primorosa. É bem por onde passo eu, no momento. Sem marca-passo, ainda, sem perfume derramado, sou alérgico, mas no trilho. Às vezes o trilho some e o bonde continua sobre os paralelepípedos. Sei lá onde vou ter, ao fim. (Foi um sonho q tive)
Abçs a vc e a Rute.