domingo, 12 de abril de 2026

CRIANDO UMA TEORIA DO MARTÍRIO POLÍTICO

Por ANDREW R. MURPHY *

Tradução parcial do inglês, com comentários por Francisco José dos Santos Braga

Observação do tradutor: Foram dispensados trechos referentes à discussão de martírios por motivação religiosa (de mártires cristãos), de homens-bomba e de mártires norte-americanos de interesse particular muito localizado, representada pelo sinal de pontuação (...) na tradução (também utilizado para evitar prolixidade exagerada), tais como do abolicionista John Brown; dos presidentes Abraham Lincoln, James Garfield, William McKinley e Woodrow Wilson; do editor abolicionista Elijah Lovejoy em 1837; do assassinato de Martin Luther King Jr. em 1968; dos reformadores sociais Wendell Phillips, Jane Addams e Emma Goldman; dos ativistas trabalhistas Joe Hill e Eugene V. Debs; e, finalmente, do assassinato de Ashli Babbitt durante o ataque ao Capitólio dos EUA em 06/01/2021. Também aqui não foram tratados outros assassinatos universais além do contexto norte-americano, como os de Sócrates, de Jesus, das vítimas  do Holocausto e do casal Rosenberg, etc.  Acredito que a exclusão desses trechos afetou minimamente a compreensão da teoria do martírio político proposta pelo autor. Para consultar o texto integral com maiores informações sobre esses martírios, queira dirigir-se ao link após o texto traduzido pelo gerente do blog.

 
O que faz de alguém um mártir? Um mártir é um indivíduo falecido cuja memória tinha sido consagrada por uma comunidade ou subcomunidade ¹ e transmitida ao longo do tempo, através das gerações. Ao fazer isso, essa comunidade valoriza e venera o mártir de maneiras fundamentais para a identidade da comunidade. Apesar das previsões de estudiosos como Naveh e Smith, o martírio não desapareceu. Ele está em toda parte  em nossa política, em nossa cultura, em nossa literatura  e mantém sua capacidade de inserir mortes individuais nos mais amplos contextos de significado e de inspirar ações políticas. Uma compreensão mais abrangente das maneiras pelas quais o martírio político conecta uma morte individual ao ethos e à memória coletiva de uma comunidade exige que revisitemos esse fenômeno atemporal e complexo, e que exploremos suas manifestações particulares, bem como seus contornos mais amplos.
 
O martírio político compartilha elementos com o termo original, porém pode ser articulado distintamente das tradições religiosas das quais o conceito emergiu.

Neste ensaio, proponho um quadro conceitual geral para a compreensão do martírio político, bem como exemplos concretos das manifestações históricas específicas que ele assumiu ao longo dos anos. (...) Ao fazê-lo, esclareço as diversas maneiras pelas quais as comunidades e subcomunidades políticas atribuem significado à morte, consagram-na e a incorporam na memória coletiva, onde ela posteriormente se torna um recurso para a mobilização política e a formação da identidade. Tal relato fornecerá uma compreensão mais abrangente do martírio, conforme apareceu ao longo do tempo, e conforme continua a oferecer insights a públicos contemporâneos que buscam entender suas próprias voláteis realidades políticas.

TRÊS COMPONENTES DO MARTÍRIO POLÍTICO

Entendo que o martírio político consiste em vários componentes: (1) uma morte, ocorrida no que poderíamos chamar de circunstâncias “não naturais”, conectada de alguma forma à(s) identidade(s) ou aos compromissos políticos de um indivíduo; (2) a consagração dessa morte por uma comunidade ou subcomunidade; e (3) a transmissão de relatos dessa morte ao longo do tempo, por meio de processos de comemoração ²
 
Se o Estado representa uma das partes na equação clássica do martírio, a outra parte, obviamente, são os próprios mártires. (...) Embora as autoridades estatais e os mártires possam representar a díade mais visível em qualquer situação de martírio, algo mais está sempre presente: uma comunidade que consagra a memória do mártir (ou mártires), construindo-a de maneiras particulares e transmitindo-a às gerações futuras. Em outras palavras, embora o mártir possa fornecer a matéria-prima  o corpo morto  somente através da elevação dessa morte a um status sagrado e sua transmissão por meio de rituais contínuos de lembrança é que um martírio se torna “uma encarnação de uma memória coletiva”. Ainda que os mártires controlem, em grande medida, as circunstâncias de sua própria morte  em muitos casos, a morte do mártir representa um “ato radical de afirmação de identidade”  a própria morte atenua a capacidade de qualquer mártir de controlar esses significados e exige que as comunidades sejam colocadas em primeiro plano em nossa análise.

Assim, o martírio denota uma categoria discursiva, um processo cultural, “o produto de interpretar e recontar... construído retoricamente e sustentado discursivamente”, em vez de uma qualidade inerente às ações individuais. Não há martírio sem narrativas de martírio. (...) Nas palavras de Paul Middleton, “O personagem central não é o elemento mais importante na criação do martírio; é o narrador”, e um estudo do martírio se preocupa apenas parcialmente com os fatos da vida ou da morte de um mártir. Ele se preocupa igualmente, senão mais, com a construção do lugar desse indivíduo na memória coletiva de uma comunidade. 
 
Diferentemente da noção do martírio defendida pelas principais tradições religiosas, o martírio político oferece ao mártir uma vida além da morte, não prometendo vida eterna ou salvação, mas assegurando-lhe um papel duradouro na memória coletiva de uma comunidade. A criação bem-sucedida de um mártir político requer vários componentes: morte, consagração e transmissão. Apresento-os brevemente abaixo e, em seguida, detalho cada um nas seções seguintes.

1) Uma morte (ou mortes) ocorrendo no que poderíamos chamar de circunstâncias “não naturais”, ligadas de alguma forma à(s) identidade(s) e/ou compromissos políticos de um indivíduo. Tais condições “não naturais” geralmente envolvem o exercício da violência por autoridades estatais, por outros membros da comunidade ou até mesmo pelos próprios mártires. (...) 
As circunstâncias das mortes individuais, como veremos, são muito menos importantes do que sua consagração póstuma e a transmissão da memória através do tempo.

2) Consagração dessa morte.
O processo de consagração retira a morte da esfera do mundano e a reveste de um significado mais amplo, enquadrando essa morte como indicativo de algo maior do que ela mesma. 
"Um martírio é criado quando uma narrativa sobre uma morte é contada de uma maneira particular”, e, assim como as tradições eclesiásticas de consagração, a consagração de mártires políticos envolve dotar uma entidade específica de significado sagrado, conforme [MIDDLETON, 2014, 130]. No caso do martírio político, o propósito “sagrado” para o qual a morte aponta está firmemente situado dentro da história, definido em termos da comunidade que realiza a consagração.

3) Transmissão de memórias daquela morte consagrada ao longo do tempo. 
Aqui vemos a dimensão temporal do martírio político: não apenas a morte, não apenas a consagração, mas a transmissão ao longo do tempo. Para a comunidade que consagra um mártir, o legado desse indivíduo representa um ponto de mobilização, que por sua vez motiva um maior comprometimento com a causa defendida pelo mártir ou com a comunidade em geral. Para [OUTRAM & LAYBOURN, 2018, 20], “os adeptos, ao reivindicarem o mártir como um dos seus, anunciam uma identidade”.  É claro que essa “reivindicação” não acontece por acaso. Para que a consagração crie raízes, essas memórias 
 e as narrativas que as contêm  devem ser transmitidas com sucesso às gerações seguintes. 
 
Somente quando esses três elementos estão presentes, ao menos em certa medida, é que podemos falar de um martírio político como algo estabelecido. Embora eu tenha apresentado um quadro um tanto esquemático acima, cada etapa do processo é um campo de conflito, frequentemente intenso e violento, e os mártires políticos de uma comunidade são muitas vezes vilipendiados ou denunciados por comunidades rivais. O martírio político consiste em uma série de reivindicações questionadas sobre um indivíduo ou indivíduos por membros de uma comunidade, ao longo do tempo. (Na verdade, eles anunciam: "Essas mortes são particularmente importantes para uma compreensão de quem somos como povo; elas expressam algo essencial para a nossa história, ou identidade, ou personalidade.") Tais reivindicações são construídas em oposição a outras interpretações, seja dentro da comunidade ou entre a comunidade e outras, produzindo uma poderosa narrativa cultural que liga passado e presente, reforçando a solidariedade comunitária. 
 
Martírio político (1): morte(s)

Todo martírio começa com a morte. As narrativas de mártires frequentemente enfatizam o indivíduo heróico, muitas vezes de um grupo marginalizado, que assume uma posição voluntária e intencional contra as autoridades políticas diante da morte certa. Mas, quando analisamos mais de perto, muitos indivíduos amplamente aceitos como mártires não encontraram a morte dessa maneira. Outros ainda se envolveram em atividades que, embora certamente aumentassem o perigo para o seu bem-estar, não chegaram a buscar a morte. Uma ampla gama de orientações em relação à morte caracteriza as fileiras dos mártires.

Num extremo da intencionalidade, podemos encontrar a busca ativa da morte, em que os mártires intencionalmente terminam suas vidas na plena expectativa, senão no entusiástico abraço, da morte. (...)
 
Afastando-nos desses casos extremos de intencionalidade, encontramos uma gama de atitudes em que a morte frequentemente representava um desfecho possível e realista, mas dificilmente uma certeza desejada. (...)

No outro extremo, uma morte não intencional carece de qualquer decisão individual de por fim à própria vida ou de se envolver em comportamentos que aumentariam a probabilidade de dano. (...)

É claro que a distinção entre intencional e não-intencional pode ser exagerada, pois depende de afirmações sobre estados motivacionais que muitas vezes permanecem obscuros para o público externo (para não falar do próprio indivíduo em questão). (...)

Além de ampliar a compreensão sobre a intencionalidade, é útil lembrar os diversos contextos sociais e políticos donde o martírio se origina. A representação clássica, influenciada pelas raízes cristãs do termo, retrata os mártires como indivíduos politicamente marginalizados. (...) Inúmeros outros mártires se opuseram às autoridades governantes de sua época a partir de posições de relativa marginalização.

Mas nem todos os mártires se postam à margem da sociedade. (...) 

Uma atenção ampliada a essas variedades de morte politizada fornece uma base para a compreensão das muitas formas que o martírio político pode assumir. Mas a morte é apenas o primeiro passo.
 
Martírio político (2): consagração

Embora a morte ponha fim à vida de um potencial mártir, ela representa apenas o início de um processo de consagração, atribuindo à morte um lugar particularmente significativo na existência contínua de uma comunidade. Focar nessa veneração reconhece que os mártires não se fazem; eles são feitos. Fundamental para a formação do mártir é a infusão de morte com um significado coletivo, um fenômeno que estudiosos de diversas áreas acadêmicas elaboraram usando termos como santificação, consagração e sacralização.

O fenômeno da santificação tem recebido muita atenção dos psicólogos, que o identificaram como central na busca de significado das pessoas em suas vidas diárias, onde elas “interpretam aspectos da vida como tendo qualidades sagradas e/ou como sendo uma manifestação de sua(s) imagem(ns) particular(es) de Deus/poderes superiores”, na interpretação de [POMERLAU, PARGAMENT & MAHONEY, 2016, 37-38][PARGAMENT & MAHONEY, 2005, 179-198] inauguraram grande parte dessa pesquisa, enfatizando a importância de objetos ou atividades que apontam “para além de si mesmos” e elaborando as maneiras pelas quais os indivíduos tornam aspectos de suas vidas sagrados. “Assuntos sagrados estão entrelaçados no tecido da experiência de vida”, escreveram eles, “e, nesse processo, a experiência assume um caráter especial”.


(...) Indivíduos e artefatos consagrados são identificáveis ​​por seu perfil cultural elevado e pela sensação de que possuem qualidades que os diferenciam de seus contemporâneos.

(...) Dominik Zelinsky ofereceu uma abordagem abertamente política, baseando-se no foco de Bourdieu sobre o âmbito artístico 
³ e adicionando uma atenção mais explícita às figuras públicas. Ele vê a consagração como um processo abrangente que rege a entrada de novas figuras nas narrativas centrais, na identidade e nos sistemas simbólicos de uma comunidade. Conforme Zelinsky,
a consagração é um processo social [que envolve] a interpretação e reinterpretação explícita ou implícita da vida de uma determinada figura à luz dos recursos simbólicos e narrativas atualmente disponíveis, resultando na elevação simbólica da figura à proximidade dos símbolos sagrados da comunidade. Isso é alcançado concedendo, direta ou indiretamente, a essas figuras um lugar nas narrativas centrais da comunidade.

Martírio político (3): transmissão

(...) Contudo, mais um elemento é necessário para a conquista do martírio político: a memória consagrada deve ser comunicada ao longo do tempo, às gerações futuras: deve ser transmitida.

Para serem duradouras, as narrativas de martírio santificadas devem ser transmitidas ao longo do tempo. O esquecimento cultural é fatal para o martírio, que envolve tanto as complexas relações internas da comunidade em torno do momento da morte do potencial mártir (consagração) quanto as lutas de longo prazo sobre o que é lembrado e como (comemoração). Em outras palavras, a memória do(s) mártir(es) deve entrar na memória coletiva da comunidade e permanecer disponível como um recurso para a mobilização futura. A percepção fundamental dos estudos de memória coletiva 
 de que a memória “está situada em estruturas sociais (por exemplo, família e nação), possibilitada por tecnologias em constante mudança (por exemplo, a Internet e a gravação digital), confrontada com instituições culturais (por exemplo, memoriais e museus) e moldada por circunstâncias políticas (por exemplo, guerras e catástrofes)”  captura essa dimensão crucial do martírio político.

Uma das centrais contendas acadêmicas de memória coletiva, que remonta ao trabalho seminal de Maurice Halbwachs, é a insistência de que toda memória ocorre dentro de estruturas sociais. Halbwachs criticou a ideia de que “a memória individual... é uma condição necessária e suficiente para a recordação e o reconhecimento de lembranças”; toda reconstrução de eventos passados ​​“deve partir de dados ou concepções compartilhadas”. Estudos psicológicos que se concentram em processos de nível individual tendem a negligenciar o importante papel desempenhado pela história, pela família e pela participação na comunidade, bem como pelas relações de poder político, na determinação do que é lembrado, como é lembrado e como essas memórias são transmitidas ao longo do tempo. Como disse [HALBWACHS, 1980(1950), 31, 84] “toda memória coletiva requer o apoio de um grupo delimitado no espaço e no tempo”.

Além disso, a memória não é uma faculdade passiva; envolve um engajamento ativo com eventos passados, impulsionado e moldado pelas preocupações dos atores presentes: nas palavras de [SCHWARTZ, 1982, 374] “Lembrar é colocar uma parte do passado a serviço das concepções e necessidades do presente”. Os atores presentes reimaginam o passado, investindo-o de poder cultural muito tempo depois de seus principais participantes terem desaparecido de cena. Halbwachs argumentou que a memória coletiva “retém do passado apenas o que ainda vive ou é capaz de viver na consciência dos grupos que mantêm a memória viva”; para [MANNHEIM, 1952, 295], “a experiência passada só é relevante quando existe concretamente incorporada ao presente”. Ao abordar tais reconstruções, os estudiosos devem ter em mente a dinâmica ideológica que leva alguns indivíduos, eventos e episódios a serem lembrados e outros a serem apagados ou obscurecidos. Em seu nível mais fundamental, a comemoração envolve a “representação e ... moldagem da memória coletiva ... uma atividade contínua dedicada à preservação e perpetuação”. Em seu nível mais fundamental, a comemoração envolve a “representação e ... moldagem da memória coletiva ... uma atividade contínua dedicada à preservação e perpetuação”. Nem o presente nem o passado estão livres de relações de poder e lutas contenciosas sobre identidade.

Para que um mártir permaneça culturalmente relevante, o processo de transmissão deve continuamente revigorar a memória do mártir para um novo tempo. Se os rituais funerários ou de sepultamento frequentemente iniciam o processo de consagração, a transmissão requer esforços coletivos para perpetuar a memória do mártir por um período mais longo. [MANNHEIM, ibidem, 301] enfatizou que as gerações “estão em constante interação”, permitindo (ou talvez, mais precisamente, desafiando) que novos públicos incorporem materiais culturais anteriores e os tornem seus. E, como a vasta literatura sobre nacionalismo deixou claro, narrativas de vários tipos podem reforçar poderosas afinidades intersubjetivas em uma escala maior. 

Como as narrativas de mártires são transmitidas para além de seus contextos temporais imediatos? Os apoiadores dos mártires devem garantir que as narrativas que exaltam suas virtudes sejam comunicadas de maneiras apropriadas às suas comunidades, que por sua vez mudam ao longo do tempo, para [BURKE, 1989]. Ao cumprir essa função necessária, os membros da comunidade recorrem a várias “tecnologias da memória”: 
 Narrativas sancionadas por autoridades políticas e religiosas.
 Esses relatos textuais são frequentemente acompanhados de imagens visuais vívidas.
 Uma ampla gama de outros tipos de mídia também busca transmitir a memória dos mártires para públicos mais amplos e para as gerações futuras.
 Ainda outra forma de transmissão de relatos de martírio inclui práticas ritualizadas e espaços criados para comemorar o exemplo dos mártires.

Tenho enfatizado a qualidade narrativa do martírio e a forma como os mártires se tornam parte da memória coletiva de suas comunidades. Implícito nessas observações está o reconhecimento de que os detalhes da morte de qualquer indivíduo são menos importantes do que os usos que lhes são dados postumamente. As duas coisas não são totalmente separadas, é claro: as narrativas de martírio não são inventadas do nada. Mas, independentemente de quão fiéis sejam aos eventos conhecidos, as narrativas de martírio precisam, acima de tudo, ser suficientemente convincentes para garantir sua transmissão bem-sucedida ao longo do tempo.

Link: https://www.academia.edu/106712575/Theorizing_Political_Martyrdom_Politics_Religion_Death_and_Memory 
 
* Andrew R. Murphy é presidente e professor de Ciência Política na Universidade de Michigan. Ele escreveu extensivamente sobre a teoria e a prática da liberdade religiosa na Inglaterra e na América, desde seu primeiro livro, Consciência e Comunidade: Revisitando a Tolerância e a Dissidência Religiosa na Inglaterra e na América do Início da Era Moderna (2001), até seu mais recente, uma biografia de William Penn intitulada William Penn: Uma Vida (2018). Ele é o autor de Liberdade, Consciência e Tolerância: O Pensamento Político de William Penn (2016) e coeditor de Os Mundos de William Penn (2019). Uma edição acadêmica dos Escritos Políticos de William Penn foi publicada na série Textos de Cambridge na História do Pensamento Político em 2021. A pesquisa de Murphy também explorou as interconexões entre religião e política americana, particularmente em Nação Pródiga: Declínio Moral e Castigo Divino desde New England até 11/9 (2008) e (em coautoria com David S. Gutterman, da Universidade Willamette) Religião Política e Política Religiosa: Lidando com Identidades nos Estados Unidos (2015).
 
 
II. NOTAS EXPLICATIVAS
 
¹ Uma comunidade autônoma normalmente dentro dos subúrbios de uma grande área urbana.
 
²  Termo aqui utilizado no sentido de evocar, recordar uma pessoa, um acontecimento, etc.  
 
³ Segundo o autor, enquanto a literatura sobre consagração prioriza os fenômenos individuais, a literatura sociológica  aponta para questões de poder social. A consagração está mais intimamente associada à obra de Pierre Bourdieu, que explorou os processos de legitimação entre intelectuais e as maneiras pelas quais os atores culturais (agentes, editoras, diretores de galerias) concedem tal status. O “poder de consagrar objetos... ou pessoas”, escreve [BOURDIEU, 1984, 262], é “uma forma de poder cultural”, enfatizando o poder econômico que o acompanha. Para [Idem, 1995, 230] A crença no “valor sagrado de suas implicações” é “fundamental para o poder da consagração, permitindo que artistas consagrados constituam certos produtos... como objetos sagrados”. Indivíduos e artefatos consagrados são identificáveis ​​por seu perfil cultural elevado e pela sensação de que possuem qualidades que os diferenciam de seus contemporâneos. 
 
⁴ Para apenas dois exemplares de uma literatura volumosa, vide ANDERSON: Imagined Communities; ZERUBAVEL: Remembered Roots. 
 
 
III. BIBLIOGRAFIA 
 
 
BOURDIEU, Pierre. “The Production of Belief: Contribution to an Economy of Symbolic Goods.” Translated by Richard Nice. Media, Culture and Society 2 (1980): 261–293.

________________. The Field of Cultural Production: Essays on Art and Literature. New York: Columbia University Press, 1984.

________________. The Rules of Art: Genesis and Structure of the Literary Field. Translated by Susan Emanuel. Stanford: Stanford University Press, 1995.

BURKE, Peter: “History as Social Memory.” In Memory: History, Culture, and the Mind, edited by Thomas Butler. Malden, MA: Blackwell, 1989.

HALBWACHS, Maurice. The Collective Memory. Translated by Francis J. and Vida Yazdi Ditter. New York: Harper Colophon, 1980 [1950].

MANNHEIM, Karl. “The Problem of Generations.In Essays on the Sociology of Knowledge, edited by Paul Kecsmeti. London: Routledge and Kegan Paul, 1952.

MIDDLETON, Paul. “What is Martyrdom?” Mortality 19 (2014): 117–133.

NAVEH, Eyal J. Crown of Thorns: Political Martyrdom in America from Abraham Lincoln to Martin Luther King, Jr. New York: NYU Press, 1990.

OUTRAM, Quentin, and LAYBOURN, Keith (eds). Secular Martyrdom in Britain and Ireland: From Peterloo to the Present. Cham, Switzerland: Palgrave Macmillan, 2018.

PARGAMENT, Kenneth, and MAHONEY, Annette. “Sacred Matters: Sanctification as a Vital Topic for the Psychology of Religion.” International Journal for the Psychology of Religion 15 (2005): 179–198.

POMERLAU
, Julie M., PARGAMENT, Kenneth I., and MAHONEY, Annette. “Seeing Life Through a Sacred Lens: The Spiritual Dimension of Meaning.” In Clinical Perspectives on Meaning: Positive and Existential Psychotherapy, edited by Pninit Russo-Netzer, Stefan E. Schulenberg, and Alexander Batthyany. Switzerland: Springer, 2016.

SCHWARTZ, Barry. “The Social Context of Commemoration: A Study in Collective Memory.” Social Forces 61, nº 1982 (1982): 374–402.

SMITH, Lacey Baldwin. Fools, Martyrs, Traitors: The Story of Martyrdom in the Western World. Evanston, IL: Northwestern University Press, 1997. 
 

Um comentário:

Francisco José dos Santos Braga disse...

Francisco José dos Santos Braga (compositor, pianista, escritor, tradutor, gerente do Blog do Braga e do Blog de São João del-Rei) disse...

Prezad@,
Desde a sua emergência no Cristianismo primitivo até à sua invocação nos debates do século XXI, o martírio sempre destacou a complexa relação entre política, religião, morte e memória. O autor, ANDREW R. MURPHY, pensa que uma noção especificamente política de martírio, para além das tradições religiosas mundiais, facilitaria uma aplicação e análise mais ampla do conceito.
Além disso, este ensaio ilumina as formas pelas quais as comunidades políticas consagram certas mortes na sua memória colectiva, onde subsequentemente contribuem para a solidariedade comunitária, a formação de identidade e a mobilização política.
Por fim, o autor conclui refletindo sobre como o martírio político oferece novos insights sobre a interseção entre política, religião, morte e memória.

Link: https://bragamusician.blogspot.com/2026/04/criando-uma-teoria-do-martirio-politico.html

Cordial abraço,
Francisco Braga