segunda-feira, 18 de novembro de 2013

ILHA DE SANTORINI, expressão viva do mito da Atlântida


Por Francisco José dos Santos Braga


Penhascos rodeando o porto de Skála Firá



I.  INTRODUÇÃO


Para todos nós, viajantes que buscamos descrever as regiões que visitamos e apresentamos tais descrições como guia de viagem para outros que nos seguem, costumamos tomar o autor grego Pausânias (c. 115-176 D.C.) como nosso modelo, dado que foi importante fonte sobre a Grécia Antiga, ele também viajante, escritor, geógrafo e historiador, autor do livro Descrição da Grécia (Helládos periégesis), em 10 volumes, um guia da Grécia baseado em suas viagens pelo território grego. Sua obra prestou importante contribuição para o conhecimento da Grécia Antiga, graças às suas descrições de localidades da Grécia central e do Peloponeso. Igualmente, a precisão de suas descrições foi comprovada por descobertas arqueológicas posteriores, muitas das quais resultados de indicações de seu livro.

A obra teria sido escrita entre 160 e 176 D.C., sendo dirigida ao público amante da Grécia Antiga. O conteúdo da obra baseia-se em observações próprias do autor e na coleta de informações fornecidas por outros autores. Viajando pela Grécia, narrando mitos e histórias, descrevendo lugares e monumentos, Pausânias usou por diversas vezes a expressão "théas áxion" (digno de ser visto) para tudo aquilo que lhe tenha provocado vivo interesse, como se estivesse convidando nós outros viajantes a que o seguíssemos. ¹

A questão da falta de informações sobre estadia, locais para alimentação, condições das estradas e características da população local não são argumentos suficientes para negar à obra a classificação como guia de viagem.

Neste meu trabalho é feita a releitura de cinco guias turísticos de Santorini, traduzidos naqueles trechos que considerei relevantes, de acordo com minha experiência de duas viagens à ilha em 2001 e 2013. Em outro trabalho posterior será dado destaque a estudos científicos feitos por geólogos sobre o estado atual das pesquisas científicas sobre a ilha de Santorini, identificando-a com a Atlântida.

Uma última observação refere-se aos topônimos gregos. Fiz a opção por apresentá-los como se pronunciam atualmente, ou ainda como possam facilmente ser encontrados na Internet, no caso de busca por maiores informações.



II.  CÍCLADES
 

São um grupo de 56 ilhas, cujo nome é derivado de "kyklos" (círculo), em razão de ficarem ao redor da ilha sagrada de Delos, significando "o que está claro, evidente, manifesto" (em grego moderno se pronuncia Dilos). Nessa ilha, segundo a mitologia, nasceu Apolo, o deus da luz e da profecia.

Na obra de Homero, em seu Hino a Apolo, ele narra como Leto, filha de Ceo, buscou desesperada um local entre as ilhas e o continente para dar à luz o filho de Zeus. Em todos os lugares ela recebia negativas, pois todos tinham medo da cólera de Hera, a esposa de Zeus. Parando na ilha de Ortígia, Leto deu à luz Ártemis (Diana, para os Romanos), irmã gêmea de Apolo.  Chegando à ilha flutuante de Delos, Leto, ao pisar no seu solo, lança a profecia: "Assim como é pobre o teu solo, no qual homem algum jamais poderá por seus pés, pois não existe nada aqui. Mas, se meu filho nascer aqui, este solo poderá alimentar a muita gente, pois os homens trarão inumeráveis animais para os sacrifícios." Ela promete, pelas águas sagradas, que o deus que irá nascer ali não se esquecerá da ilha. Foi aceita, e ali se estabeleceu, tendo dado à luz Apolo. Por ser a terra natal de Apolo, a ilha de Delos foi considerada o centro das Cíclades. Em cerca de 1000 A.C., os Jônios chegaram a Delos, tendo iniciado o culto ao deus. O Santuário de Apolo consiste de três templos: um do século VI e dois do século V A.C..

Entre as mais conhecidas ilhas cicládicas, cabe citar, além de Delos, as principais: Syros, Tinos, Mykonos, Naxos, Paros e, naturalmente, Santorini (ou oficialmente Thíra, como a chamaram os Dórios quando ali se estabeleceram no século VIII A.C.), a mais visitada e cercada do maior interesse por parte de turistas, cientistas e artistas.

Essas ilhas foram o berço da civilização cicládica (3000-1000 A.C.), a primitiva cultura que se desenvolveu na Idade do Bronze e que vem inspirando artistas desde então com suas figuras em mármore branco. No início do período cicládico, os Minóicos de Creta colonizaram essas ilhas (c. 3000 A.C.), fazendo de Akrotíri, em Santorini, um importante porto comercial; ao final do período cicládico, os Micênicos dominaram essas ilhas. No século XI A.C., os Dórios as invadem, iniciando o que se costuma chamar de Séculos Obscuros. Muito mais tarde, os Venezianos (1389 D.C.) dominaram essas ilhas, razão de sua influência até hoje, visível nos fortes medievais e nas comunidades católicas de algumas delas.
Escavações em Akrotíri iniciadas em 1967
Estima-se que teriam ocorrido, entre 1550 e 1500 A.C., erupções vulcânicas explosivas na ilha grega de Santorini. Esse fenômeno devastador levou à formação de um tsunami cuja altura máxima teria oscilado entre 100 e 150 metros. Como resultado desse tsunami, a costa norte da ilha de Creta teria sido devastada em até 70 km. Aquela onda teria certamente eliminado a grande maioria da população minóica que habitava ao longo da zona norte da ilha.


III.  SANTORINI
 
Ilha de Santorini ou Thíra


Esta ilha vulcânica, colonizada pelos Minóicos em 3.000 A.C., entrou em erupção c. 1550-1500 A.C., dividindo-se em quatro novas ilhas, sendo a maior em forma de meia-lua. Diz a lenda que seria aqui o continente perdido da Atlântida. Os Dórios a chamaram de Thíra quando ali chegaram no século VIII A.C., e o atual nome de Santorini (pronuncia-se Sandoríni) foi dado pelos Venezianos em homenagem a Santa Irene (Iríni, em grego). Também, nos primórdios, fora chamada de Strongyli ("redonda"), segundo Christos Doumas. Seja como for, o nome oficial é Thíra e a municipalidade de Thíra cobre todas as colônias na ilha de Santorini (12 subdivisões locais da ilha) e de Thirasía.
Thíra é deslumbrante, com seus penhascos e vilas de casas brancas penduradas nos penhascos vulcânicos, acima das praias de areias negras.
Sua capital Firá foi terrivelmente devastada pelo terremoto de 1956.
O antigo porto de Skála Firá está a 270 metros abaixo de Firá, a capital da ilha, sendo mais utilizado para embarque e desembarque dos passageiros que chegam de cruzeiros em visita diária à ilha. A subida é feita por um teleférico, por vans ou por mulas que sobem 580 degraus numerados.
Fotografia de placa informativa sobre Firá diante de sua igreja católica


[ALEXAKIS, 1998, 50-81], sobre a antiga Thíra, informa que os Fenícios, segundo a mitologia, habitaram a ilha no século XIV A.C. e a chamaram Kallísti ("a mais bela"). Em fins do século XII A.C., os Dórios, sob a liderança de Thiras, mudaram o nome da ilha, chamando-a com o nome de seu rei. No período que vai de c. 1115 -630 A.C., são construídos portos, cidades e santuários. Nos tempos helenísticos teria servido de base naval aos Ptolomeus (300-145 A.C.).

No capítulo 5 dedicado a "Firá", Alexakis informa que "está construída no extremo da rocha vertical a 260 metros acima do nível do mar. A combinação da esplêndida paisagem com o vulcão e a famosa arquitetura cicládica faz de Firá um dos lugares mais bonitos do mundo inteiro. Chegar ao povoado pode ser em ônibus de Athinios (10km), ou vindo do porto de Firá onde atracam os ferry-boats, ou ainda subindo do porto a pé ou montado em mulas através do pitoresco caminho que vai serpeando costa acima em forma de zigue-zague até ao topo da rocha. Se o turista busca uma maneira mais cômoda e moderna, pode usar o teleférico. 
 
Teleférico, de Firá ao porto

A verdade é que a construção dessa comodidade, aliada à multidão e ao ruído mudaram substancialmente a paisagem local. 
Foto da encosta de Firá, vendo à esq. vista parcial de Firá e à dir. o porto

Apesar disso, o passeio pelos becos de Firá continua sendo uma autêntica experiência. As casas brancas com os arcos, os terraços e os balcões com vistas maravilhosas, as igrejas arqueadas, as tabernas, os bares e as animadíssimas tendas o encantarão. (...) 
Firá é a capital de Santorini, com Catedral, escola secundária, bancos, hotéis, atendimento médico, numerosas tendas e galerias de arte. A capital é uma urbanização bem mais recente cuja construção remonta a apenas dois séculos: criada em fins do século XVIII, quando as condições de vida já não obrigavam os habitantes a viverem nas alturas de difícil acesso. 
Naquele tempo, a fortaleza mais importante da ilha era Skaros. Logo os habitantes começaram a buscar outro lugar para instalar-se, em um espaço mais plano e com acesso ao mar. Pouco a pouco foram deixando Skaros e construindo uma nova capital.
Falou-se muito sobre o nome de Firá. Na maioria dos casos sustenta-se a teoria de que o nome vem do antigo nome da ilha, Thíra. Porém, os linguistas se opõem a tal explicação, já que buscam a etimologia da palavra no adjetivo "pirros" (avermelhado, de cores ardentes, amarelado)..."

No capítulo 6, dedicado a Sítios Arqueológicos, [ALEXAKIS, 1998, 68-81] assim os descreve: "Desde Firá tomamos o caminho de Perissa e depois de uns 10 km fizemos um giro à esquerda até Akrotíri. No km 14,5 à esquerda, antes da praia, está a entrada do sítio arqueológico. As escavações em Akrotíri começaram em 1967, por iniciativa do arqueólogo Spyros Marinatos com a intenção de confirmar a teoria, segundo a qual a causa da destruição da civilização minóica de Creta foi a erupção do vulcão em Santorini. Os resultados das escavações foram mais do que significativos: toda uma cidade minóica, com casas de dois ou três pisos decoradas com formosos afrescos semelhantes aos dos palácios minóicos de Creta, sendo os mais importantes os de "operação marítima", "a chegada da primavera" e "os jovens em luta". Abundam também os jarros, ânforas, potes, utensílios de cobre e móveis, que foram achados no interior das casas. O resultado das escavações, fora a confirmação da referida teoria ², permitiu aos arqueólogos tirar as seguintes conclusões:
a) À erupção do vulcão precederam os terremotos; os habitantes tiveram todo o tempo necessário para prepararem-se e abandonarem suas casas. (Não se encontraram esqueletos de homens, nem de animais, muito menos de objetos de valor.)
b) É provável que tenha se interposto um período de calmaria que convenceu alguns a voltarem e reconstruírem as casas meio destruídas (em pontos distintos foram achadas ferramentas abandonadas). Apesar disso, parece que esses também puderam escapar antes da erupção.
c) É possível que, entre os terremotos e a erupção, tenha transcorrido o período de quase um ano (sementes deixadas tiveram o tempo para germinarem antes de serem cobertas pela lava).
d)  Em Akrotíri morava uma sociedade organizada, com um nível muito alto, que provavelmente fora governada pela casta dos sacerdotes.
e) A natureza e a fertilidade eram objetos de culto.
f) Em cada casa havia um altar, local dedicado ao culto, decorado principalmente com afrescos. Por outro lado, não havia templos.
g) A arte dos habitantes de Akrotíri tinha muitos pontos em comum com a arte da época minóica. Não se acharam monumentos escritos para que os arqueólogos pudessem tirar conclusões mais precisas. Mas há muitos fatos que apóiam a teoria da identificação da ilha de Strongyli (ou Thíra, ou Kallísti, ou, como é comumente chamada, Santorini) com a Atlântida. 

Especificamente em relação a Akrotíri, com o subtítulo "Akrotíri: uma civilização nas cinzas", Alexakis continuou sua reflexão sobre esse importante sítio arqueológico:
"(...) A natureza obsequiou este lugar. A gente vive pacífica, aprecia os bens da vida e respeita a natureza. Homens de negócios, marinheiros, camponeses, industriais e artistas, desfrutam de uma alta qualidade de vida que se faz notar em todos os aspectos da vida cotidiana. Uma sociedade com intensos elementos urbanos que vai abrindo novos horizontes porque, graças ao comércio, está em contato contínuo com todas as civilizações que os povos do Mediterrâneo Leste desenvolveram. (...)
O artista de Thíra quer que os homens sejam elegantes, felizes e saudáveis. As mulheres têm o corpo branco. Parecem fortes e livres. Trajam bonitos vestidos, estão adornadas com jóias e cintas. Os homens têm os corpos morenos e estão vestidos segundo seu ofício. Os capitães trajam túnicas sem mangas; os jovens, bem como os marinheiros, trajam uma farda curta, embora os soldados trajem casas de dentes de javali e tenham nas mãos escudos de couro. (...)
Uma importante civilização floresceu ali e deixou a cada um de nós, enterradas embaixo da cinza, as partes de um mosaico antigo, para completar-se a imagem a levar conosco ao sairmos do lugar."
Jovem pescador com sua presa (c. 1650 A.C.)
 
Pugilistas em combate

























































Mulheres de Akrotiri



[DÉCOUVRIR, 2007, 17-18] faz as seguintes reflexões sobre a associação de Santorini com a Atlântida: 
"Santorini foi muitas vezes identificada com a Atlântida, o lendário continente que foi engolido, quando se encontrava em período de plena prosperidade. O mistério que cobre a destruição de uma e o surgimento da outra excitou em várias reprises a curiosidade de numerosos pesquisadores.
Nos seus diálogos filosóficos "Timeu" e "Crítias", Platão nos fala da civilização da Atlântida.
O mito da Atlântida teria sido relatado ao legislador ateniense Sólon por sacerdotes de Saïs, quando da sua viagem ao Egito em 590 A.C.. Este, por sua vez, contou-o a Dropis, bisavô de Crítias.
Falando da Atlântida, Platão diz que "se trata de um vasto e admirável estado dominando as outras ilhas, a maior e a menor, e compreendendo dez cidades, das quais duas somente são mencionadas: a Metrópole e a Cidade Real. Os territórios sobre os quais ela reinava englobavam uma parte da Líbia até o Egito e uma parte da Europa até a Tyrrênia (Etrúria ³). Tentou uma vez conquistar o Egito e a Ática, mas os Atenienses, à frente dos Gregos, enfrentaram com sucesso os invasores e os refugaram. Foi precisamente nesta época que a Atlântida foi abalada por grandes inundações e por violentos tremores de terra, que causaram sua desaparição e a perda dos soldados atenienses. Esses acontecimentos, tais como nos são contados, devem ter-se passado 900 anos antes da época de Sólon. Pode-se, portanto, situá-los aproximadamente em 1500 A.C., nos anos em que sobreveio a explosão pré-histórica do vulcão de Santorini, segundo as estimativas.
Os vestígios exumados no curso das escavações de Akrotíri, que atestam a existência, nesse sítio, de uma civilização extremamente evoluída e cujo crescimento foi brutalmente interrompido, assim como a coincidência das datas das duas catástrofes, levaram numerosos pesquisadores à conclusão de que a Atlântida perdida não era outra senão Santorini.
A interpretação do mito dada por Spyros Marinatos parece mais exata. Segundo este, pode-se identificar a Creta minóica com a Atlântida, já que as destruições causadas à primeira pela explosão foram fatais para sua evolução ulterior. A morfologia e a forma da Atlântida, tais como nos são descritas, parecem muito com as da planície da Messara, que se acha na província de Heráklion (Creta). Poder-se-ia dizer, portanto, que Creta foi a ilha "maior", "Cidade Real", enquanto Santorini, com a qual ela mantinha laços estreitos, era a "Metrópole", a ilha "menor". É muito provável que, ao se propagar, a lenda sofreu alterações. Assim, o desaparecimento duma civilização — a minóica, na ocorrência — foi atribuída à deglutição da ilha pelo mar. Todavia, não foi Creta que explodiu e desapareceu nas águas, mas uma grande parte da ilha de Santorini. A questão se coloca sempre: A Atlântida existiu? Ou será que Platão, querendo alertar seus concidadãos para as consequências que podem advir da falta de respeito dos mortais em relação aos deuses, forjou a lenda do continente perdido colhendo dados no incidente real do cataclisma de Santorini?"

[DÉCOUVRIR, 2007, 18-22] apresenta um breve resumo histórico da ilha de Santorini (de 1300 A.C. até a época moderna) nos seguintes termos:
"Depois da explosão do vulcão, em 1550-1500 A.C., a ilha ficou inabitada durante cerca de dois séculos. Traços de vida humana apareceram de novo em fins do século XIII A.C.. Segundo Heródoto, Fenícios, seduzidos pela beleza de Santorini, ali se instalaram e lhe deram o nome de Kallísti (a mais bela). 
A lenda conta mais precisamente que Santorini foi colonizada por Memblianos e alguns súditos de Cadmo, enquanto que este rei fenício estava à procura de sua irmã Europa, raptada por Zeus fantasiado de touro. Sempre segundo a lenda, Minoanos da Beócia se instalaram mais tarde em Thirasía.
Heródoto nos relata que, em fins do século XII A.C., os Dórios chegaram de Esparta com o rei Thíras, filho de Autésionas, descendente de Cadmo e bisneto de Édipo. Thíras, também herói de Tebas, vivia em Esparta como vice-rei e tutor de seus jovens sobrinhos Procles e Eurysthenes. Quando esses se tornaram adultos, deixou Esparta e chegou a Santorini, onde se estabeleceu. É em sua honra que a ilha traz desde então o nome de Thíra. No século IX A.C., Thíra foi colônia puramente dórica, tendo por centro principal a antiga Thíra, situada sobre o sítio naturalmente fortificado de Messa Vounó. Nesta época, constituiu, com as costas da Grécia sudeste, Creta, Milo e Chipre, um ponto unindo o Ocidente ao Oriente. Descendentes dos Espartíatas , os habitantes de Thíra criaram uma sociedade fechada, que sofreu raras influências exteriores e unicamente dos habitantes das ilhas vizinhas. Contudo, a importância, para as comunicações marítimas, do lugar onde ela se encontra, fez com que, se eles não seguiam os outros cicládicos em seu desenvolvimento, não ficavam contudo completamente isolados da evolução que acontecia em volta deles.
Assim, em fins do século IX ou início do século VIII A.C., Thíra adotou, a primeira vez com Creta e Milo, o alfabeto fenício para a transcrição da língua grega.
Nos séculos VII e VI A.C., começou a estabelecer contatos com outras regiões gregas, como Creta e Paros primeiro, depois com a Ática, Corinto, Rhodes e a Jônia. 
Seus habitantes, frugais, contentavam-se com o que produzia a ilha. Não eram nem comerciantes nem navegadores. E, se eles se aventuraram pela primeira vez fora de sua ilha em 630 A.C., para fundar, nas costas da África do Norte , a colônia de Cyrene, foi em sequência a um longo período de seca que sofreu sua ilha por sete anos. No século VI A.C., Thíra fundia sua própria moeda. Na época clássica (V e IV A.C.), ela se obstinou no seu isolamento. 
Durante as guerras médicas, ela se submeteu aos Persas e cessou de fundir moeda. A guerra do Peloponeso a encontrou ao lado de Esparta. Em 426/425 A.C., estava submissa aos Atenienses e se tornou membro da Liga Ateniense, antes de passar à tutela dos Macedônios. Na época helenística, ela se achava sob o domínio dos Ptolomeus do Egito, que, achando que ela apresentava um interesse estratégico, fundaram ali o porto de Elefsina e converteram a região de Messa Vounó, onde se encontrava a Antiga Thíra, em grande base para as operações militares que conduziam no Mar Egeu. A predominância de Roma, em 146 A.C., mergulhou Thíra no marasmo total. Passou a ser, no imenso império romano, apenas uma das dezenas de ilhas insignificantes do Mar Egeu. O Cristianismo só chegou a Thíra no século III D.C., pois, em fins desse século, a ilha contava já com vários adeptos da nova religião. No início do século IV D.C., já existia uma igreja organizada, citada nas fontes como Bispado de Thíra, cujo primeiro bispo foi Dióscuro (342-394 D.C.). Dependia, com outros onze bispados, da Metrópole de Rhodes e detinha o quinto lugar (...). Na época bizantina, adquiriu uma importância política e militar. Foi incorporada ao império bizantino e foi parte do "tema do Egeu" .
Em 1153 D.C., a ilha foi citada, pela primeira vez, com o nome de Santorini nas obras do geógrafo árabe El Edristi. Essa denominação, dada pelos cruzados, provém provavelmente do nome da pequena igreja de Santa Irene, que, segundo uns, se achava em Perissa e, segundo outros, na ilha de Thirasía. Após a tomada de Constantinopla pelos cruzados, em 1204 (4ª cruzada), Santorini passou, em 1207 — com outras ilhas do Mar Egeu — para as mãos de Marc I Sanudo, que fundou o Ducado de Naxos ou do Arquipélago. Mas Santorini seria logo cedida, como Baronia, bem como Thirasía, a Giacomo Barocci. O bispo ortodoxo é então expulso da ilha e substituído por um bispo católico. (...)
Quando os Barocci foram expulsos em 1335, a Baronia de Santorini foi reatada ao Ducado de Naxos. (...) De 1397 a 1418, Santorini ficou sob a tutela do Duque Giacomo Crispi. Em 1480, foi cedida em dote ao Duque de Creta, Domenico Pisani, que esposou a filha do Duque de Naxos, Giacomo III. Quando da morte deste último, a ilha passou mais uma vez para a jurisdição do Ducado de Naxos, antes de ser anexada por Veneza em 1487, como aliás todo o Ducado. Durante o período da ocupação veneziana — mas também mais tarde —, houve a preocupação dos conquistadores de reforçar a sua posição, instalando missionários jesuítas na ilha e convertendo o maior número possível de habitantes ao Catolicismo. Paralelamente, a Igreja Ortodoxa se esforçava para salvaguardar a língua e a religião, fundando escolas e igrejas. (...) 
Devido a razões defensivas, cinco aldeias fortificadas (kastéli) foram construídas no interior da ilha: Skaros, Epáno Meriá, Pyrgos, Emboríon e Akrotíri. Em 1537, Kheireddine, chamado Barba Ruiva, apoderou-se de Santorini por conta do sultão. Foi então que o bispado ortodoxo foi restabelecido. Mas a ilha continuou a ser governada pela família Crispi — pelo menos teoricamente — até 1566. Tendo os Crispi sido definitivamente expulsos, a ilha passou às mãos de Joseph Nazi, que a governaria durante breve lapso de tempo, até ser subjugada pelos Turcos em 1579. Estes últimos não se instalaram lá, mas lhe deram o nome de Deïrmetzik ("Moinhozinho"). (...) A ilha passou a ser governada pelos gerontes, eleitos pelos habitantes, os quais representavam estes últimos perante as autoridades otomanas. (...) 
A diminuição da pirataria resultou no desenvolvimento da navegação. Santorini adquiriu sua própria frota, o que lhe permitiu desenvolver seu comércio e escoar mais facilmente seus produtos: seu famoso vinho e o algodão. (...) A navegação continuou a prosperar no início do século XIX. Em 1821, Santorini colocou sua frota, a terceira em importância (depois de Hydra e de Spetses ) a serviço da luta pela independência. A aparição dos barcos a vapor, em fins do século XIX, marcaria o término de sua prosperidade.
Por outro lado, em fins do século XVII, iniciou-se a decadência da classe dos descendentes dos conquistadores italianos, que resultou na diminuição expressiva dos habitantes católicos da ilha. 
A ilha ainda experimentaria os terríveis tremores de terra de 1956. A maioria das construções sofreram rachaduras e um bom número delas caiu. Começou então um período de marasmo e de abandono, que se estenderia até os anos 70, época em que o interesse dos cientistas (arqueólogos, historiadores e geólogos) pelo passado de Santorini levam a ilha para o proscênio. Ano após ano, o número de seus admiradores aumenta, o que permite reconstruí-la e modernizá-la. Essa ilha do Mar Egeu, outrora abandonada, faz pensar, no verão, em uma colméia zumbindo de vida. Ela se tornou, para milhões de Gregos e de estrangeiros, o local de sua residência de verão e, para muitos outros, o lugar ideal para passar as férias.  
Fazendo um último retorno ao passado, constata-se que o vulcão, durante o período que vai de 1550-1500 A.C. até 1956, entrou quatorze vezes em atividade, com erupções mais ou menos fortes. A primeira delas aconteceu em 197/196 A.C., tendo dado origem a Paleá Kaméni, a ilha sagrada dos antigos. Em 1573, ilhotas fizeram sucessivamente sua aparição e se uniram a Mikrí Kaméni para formarem o vulcão atual: Néa Kaméni."

O VULCÃO




Como foi visto, sua cratera se encontra em Néa Kaméni. 
[ALEXAKIS, 1998, 14-21] nos traz a informação de que "o vulcão manifestou sua atividade pela primeira vez 80.000 anos atrás, mais ou menos. Esta primeira erupção foi horrível. A cinza dessa, que foi encontrada no abismo do mar, cobre uma zona que se estende desde a ilha de Chios até à Itália bem como à África do Norte e quase até Chipre. Aquela cinza, sem dúvida, antes de cair no mar, teria obscurecido durante muito tempo o céu dessa zona. (...)
A segunda erupção espantosa ocorreu mais ou menos recentemente, por volta do ano 1450 A.C. Por causa dessa erupção desapareceu da ilha todo tipo de vida. Parece que a lava, ao verter-se, havia criado diretamente debaixo do centro de Strongyli (como os habitantes chamavam então a ilha) uma enorme cúpula oca que no final não pôde suportar o peso da ilha. O teto da cúpula se rompeu e, com ele, a maior parte de Strongyli desapareceu e se fundiu, dando origem a enormes ondas marinhas, que cobriram a superfície. Na superfície restaram tão somente umas partes de sua periferia, como braços que incluem uma gigantesca banheira, cheia de mar, a chamada "Caldera". Esses braços constituem a atual Santorini, Thirasía e Aspronissi. Levou menos de uma hora para (o tsunami) chegar a Creta e inundar toda a civilização minóica. (...)
Vista panorâmica da Caldera de Santorini, tirada de Imerovigli

Desde 198 A.C. até 1950, o vulcão passou por quatorze erupções desse tipo. A erupção de 1650, que ocorreu fora da Caldeira, a 6,5 km das costas noroestes de Santorini, na localidade Koloumbos, está descrita na crônica do jesuíta francês François Richard. Segundo este, o cone que foi formado pela cratera não saiu por cima da superfície do mar. Constitui, ainda na atualidade, um recife, que está a uma profundidade de 18,5 metros. (...)
57 anos mais tarde, no ano 1707, começaram as erupções no centro da Caldeira, as quais, além disso, foram acompanhadas pelo elemento selvagem da aparência de ilhas, onde antes só havia mar. Ditas erupções são descritas por outro jesuíta, Tarillon, que se encontrava em Santorini. (...)
No ano de 1956 não ocorreu propriamente uma erupção, mas um terremoto que não deixou nada intato na ilha."

Na página 19, Alexakis nos apresenta uma tabela com as datas das erupções do vulcão (de 198 A.C. até 1950) que reproduzo aqui para os meus leitores:

Tabela com as datas das erupções (de 198 A.C. até 1950)


[DOUMAS, 1993, 89-91], professor de Arqueologia na Universidade de Atenas e Diretor das escavações de Akrotíri, fez as seguintes observações no capítulo intitulado "Visita da Ilha":
"FIRÁ 
A capital da ilha (Thíra ou Santorini). Com vista para a ilha de Néa Kaméni e para a cratera do vulcão, o qual é visto da borda da Caldeira, como uma provocação ao vulcão que solta fumaça diante dela. A baixa Firá é o bairro melhor conservado com as duas obras de arte de arquitetura religiosa, que são: Háguios Minas e Igreja do Cristo, e alguns testemunhos da arquitetura profana. O altar e o trono episcopal da Igreja do Cristo são obras-primas anônimas da escultura em madeira.
O Museu Arqueológico se acha no limite do bairro católico e do ortodoxo. Abriga achados representativos da longa história da ilha. No vestíbulo estão expostos vasos e ídolos do Cicládico Antigo II e III (cerca de 2500-2000 A.C.), assim como cerâmica de Akrotíri (1500 A.C.). Na sala norte estão expostos vasos geométricos e arcaicos, bem como figurinos (VIII e VII A.C.). Vê-se aí uma bela ânfora com relevos e importantes fragmentos de esculturas arcaicas. A sala leste abriga vasos áticos com figuras negras e vermelhas, figurinos de terra cozida arcaicos (homens e animais) e esculturas da época helenística. Enfim, na pequena sala sul e no pátio estão expostas esculturas romanas e inscrições que vão da época arcaica à época romana.
Um pouco mais alto que o Museu, o Convento dos Dominicanos abriga uma escola de tapeçaria do Organismo Helênico do Artesanato.
IMEROVIGLI 
Nesta vila convém visitar a grande igreja nova da Virgem de Malta (Panaguía Maltéza), que abriga o magnífico altar em madeira esculpido de uma igreja mais antiga destruída pelos tremores de terra de 1956: as cenas figuradas representam episódios do Antigo Testamento.
ÍA (como se pronuncia, ou Oía, conforme se escreve)
É a vila mais pitoresca de Santorini, bem diante da ilha de Thirasía. Até a II Guerra Mundial, Ía era o centro comercial da ilha.
VOTHONAS
As casas dessa vila agrícola são construídas em anfiteatro sobre os desfiladeiros. Além dessas casas pitorescas, a vila possui na igreja de Haguía Anna um altar admirável esculpido em madeira, provavelmente pelo mesmo artista que executou o altar da Igreja do Cristo na baixa Firá: aí estão representadas cenas do Antigo Testamento.
PYRGOS
Essa vila é do tipo fortificado frequente nas Cíclades: as ruas, que seguem as curvas do terreno, formam círculos concêntricos e as casas do círculo exterior constituem o muro de proteção. Aí se encontram belas igrejas com altar esculpido em madeira: Haguía Triáda (Santa Trindade), a Apresentação da Virgem e Theotokáki (Pequena Nossa Senhora).
MOSTEIRO DO PROFETA ELIAS
Sobre Pyrgos, sobre a montanha do mesmo nome, acha-se o Mosteiro do Profeta Elias, fundado no princípio do século XVIII. Além do altar esculpido em madeira de sua igreja, o mosteiro possui importantes objetos sagrados, manuscritos, livros antigos, etc. Abriga igualmente uma pequena coleção de arte popular.
MÉSSA E ÉXO GONIÁ
São vilas agrícolas características, com instalações para a produção e o armazenamento do vinho. Perto de Méssa Goniá, acha-se a igreja da Virgem do Palácio Episcopal (Panaguía Epískopi), fundada pelo imperador bizantino Alexis I Comnene. Talvez essa igreja tenha pertencido a um mosteiro inicialmente. Construída sobre a localização de uma basílica paleocristã, ela reemprega numerosos blocos de arquitetura antigos. O altar bizantino em mármore combina o baixo-relevo e a calafetagem. Os afrescos da igreja datam de aproximadamente 1100 D.C.
AKROTÍRI
A vila moderna se acha ao norte da cidade pré-histórica. A fortaleza da vila, em ruínas hoje, suportou as incursões turcas até 1617, data em que a vila passou, ela também, para o domínio otomano. 
EMBORÍON
Um pouco antes de Emboríon, à esquerda da estrada, se acha a capela de Háguios Nikólaos Marmarítis, datando do século III A.C. Construído com blocos de mármore cinzentos, ele está conservado até o teto. Hoje esse pequeno templo é consagrado à memória de Háguios Nikólaos. Emboríon é a vila onde o escritor e filósofo francês Jean Paul Sartre se inspirou em sua obra "As Moscas" , depois de ter visitado Santorini com Simone de Beauvoir, bem antes da II Guerra Mundial. O castelo, situado fora da vila, é uma imitação do mosteiro de São João de Patmos."  




IV.  NOTAS DO AUTOR




¹  A língua grega moderna registra o adjetivo αξιοθέατος na mesma acepção que o arcaico "théas áxion", sendo a forma neutra αξιοθέατο usado como substantivo com o sentido de "atração turística", podendo o plural αξιοθέατα ser traduzido por "monumentos, locais de interesse turístico". O substantivo θέα mantém ainda o significado de "vista, panorama".

² [DÉCOUVRIR, 2007, 16-17] assim se expressou sobre a teoria do Prof. Spyros Marinatos: "A caldeira formada depois da explosão era quatro vezes maior em extensão e em profundidade do que a da ilha de Krakatoa (situada entre Java e Sumatra), cujo vulcão teve sua erupção em 1883. Os fenômenos que acompanham as erupções e os colapsos de cones vulcânicos, assim como a presença de pedra pome descoberta quando das escavações de Amnissos, em Creta, em 1932, levaram o professor Spyros Marinatos a formular sua teoria. Tal teoria consistia em que o colapso da civilização minóica em 1550 A.C. não foi provocado por invasores, mas pelo golpe fatal desferido pelas terríveis consequências da explosão do vulcão de Santorini. O maremoto deve ter literalmente varrido as costas de Creta, onde se achavam — além dos palácios de Cnossos, de Malia e de Zakros — os sítios de Amnissos, de Nirou Hani e a cidade de Gournia. O interior da ilha foi provavelmente destruído por tremores telúricos muitos violentos, que abalaram toda a região. Essa tese tem sido contestada, pois a datação de amostras de cerâmica minóica situa o declínio da civilização minóica em 50 anos ao menos depois da explosão do vulcão de Santorini, o que significa, para inúmeros pesquisadores, que o desaparecimento da civilização minóica foi devido à invasão de conquistadores estrangeiros, provavelmente dos Aqueus. 
Mas, para além das controvérsias, o fato de que estamos quase certos é que as consequências da explosão do vulcão de Thira devem ter sido terríveis para todo o Mar Egeu, aí incluída evidentemente Creta."  

³ Veja o que é dito sobre a Etrúria e os Etruscos no capítulo 184, intitulado Grã-Ducado de Toscana, do "Tratado completo de Cosmographia e Geographia-historica, physica e commercial, antiga e moderna", da autoria de Joachim Pedro Cardozo Casado Giraldes, vol. 2, capítulo CLXXXIV, p. 357: "O que hoje chamamos Toscana abrange dous terços da antiga Etrúria, que se estendia desde o Tibre até ao Magra, fronteira da Ligúria: chamava-se também Tyrrênia, e Tuscia. Já dissemos no vol. I que a origem dos seus primeiros habitantes é tão obscura, que nada pode dizer-se de positivo. Tito Lívio, e vários outros autores asseveram que os antigos Etruscos, aos quaes davam o nome de aborígenes, ocupavam quasi toda a Itália antes da chegada de Eneas (...)"

A sociedade espartana estava estratificada da seguinte forma:
1) Espartíatas ou Espartanos: camada que agregava todos os indivíduos que possuíam direitos políticos, provavelmente descendentes dos dórios que haviam conquistado a Lacônia e dado origem à pólis de Esparta.
2) Hilotas: camada constituída de escravos do Estado que descendiam, provavelmente dos primitivos habitantes da Lacônia (seus antigos habitantes quando houve a invasão dos dórios).
3) Periecos: camada composta de indivíduos livres que se dedicavam ao artesanato e à exploração de pequenas propriedades agrárias e que viviam sob a dominação política dos espartíatas.
Segundo a tradição, a organização sócio-política e econômica de Esparta deve-se a uma constituição, que teria sido redigida por um personagem semi-lendário chamado Licurgo.

Atual Líbia.

Uma província bizantina do norte do Mar Egeu criada no meio do século IX D.C.. Era um dos três "temas" navais do Império e servia principalmente para fornecer navios e tropas para a marinha bizantina, mas era também circunscrição administrativa civil. 

Ática é a parte da Grécia que fica a sul e é banhada pelo Golfo Sarônico. Na Ática, fica Atenas, a capital da Grécia, bem como Piréus, que é o seu porto.
No Golfo Sarônico encontra-se um grupo de ilhotas, sendo as mais importantes: Égina, Salamina, Póros, Hydra e Spetses.
A proximidade de Atenas faz dessas ilhas locais indicados tanto para passeios turísticos quanto para estadas mais longas.
Hydra e Spetses destacaram-se na Guerra da Independência Grega (1821-1829), fornecendo grandes combatentes, como o Almirante Andreas Miaoúlis e a heroína Laskarina Bouboulina. Em homenagem ao grande almirante, Hydra hospeda todo ano um grande festival, chamado Miaoulia, no último decênio de junho.

⁸  Na verdade, a igreja de Háguios Nikólaos Marmarítis teve toda a sua estrutura construída sobre uma sacristia, esta última datando do século III A.C.

⁹  "Les Mouches" (1943), de Sartre, está entre suas mais celebradas peças teatrais. Nela, as moscas não são apenas insetos repugnantes, mas a representação de todo o mal que recai sobre a França ocupada pelas forças nazistas. Uma brilhante apropriação de Sartre da lenda de Orestes, o herói grego que volta à terra natal com a missão de salvar seu povo consumido pela culpa diante do crime que não cometeu.
Somente em 2005 é que a Editora Nova Fronteira traduziu para o português e publicou esse livro no Brasil. 


V.  AGRADECIMENTOS
 

Gostaria de registrar aqui minha gratidão a Cleonice Ribeiro Gomes, uma distinta brasileira que reside em Atenas e é proprietária de uma loja de artigos variados, desde roupas a objetos de cerâmica, dentro do Novotel de Atenas. Para a redação deste artigo, ela gentilmente me emprestou os três primeiros dos guias turísticos de Santorini referidos na bibliografia, disponíveis em sua loja. 
Sou grato também à minha esposa Rute Pardini ou por fotografias tiradas durante nossa estada de quatro dias na ilha de Santorini em 2013, disponibilizadas aqui aos leitores, ou por suas inúmeras sugestões de acréscimos ao texto.


VI.  BIBLIOGRAFIA 


ALEXAKIS, J.: Santorini: Thirasia, una isla de lava (con 172 fotografias en color, 13 mapas y planos), Atenas: Editorial Michalis Tubis S.A., trad. por M. Stamatopoulou, 1998, 127 p. 

DÉCOUVRIR Santorini: Guide touristique complet - 150 photos en couleurs, s/d, Atenas: Éditions Haïtalis, 2007, 127 p. 

DOUMAS, Christos: Santorin - un Guide de l' Île et de ses Trésors archeologiques, Atenas: Ekdotike Athenón S.A., 1993, 127 p. 

DUBIN, M.: Eyewitness Travel Guide - The Greek Islands, Londres: Dorling Kindersley Limited, 1997, trad. por Lilia Astiz e Marta Svartman para o português e publicado com o título de "Ilhas Gregas e Atenas", 1998, 400 p.

ORGANIZAÇÃO Helênica de Turismo: Grécia - Informações Gerais, Atenas: impressão em Artes Gráficas Leonidas Karydakis, outubro de 1993, 90 p. 

20 comentários:

Prof. Fernando Teixeira disse...

Caro Braga, grato pelo envio da matéria, de resto, expressão de sua inteligência e cultura.
Fernando Teixeira

Pianista Sônia Vieira disse...

Uma maravilha, meu amigo Braga! Meus parabéns pelo artigo extraordinário, maravilhoso e com tanta informação preciosa!
Como você, sou também apaixonada por Santorini, especialmente por Oía, onde já estive 3 vezes.
A primeira vez, cheguei à ilha por mar, num
gigantesco catamarã, e imagine, subi os degraus (tive peninha dos burrinhos!)!!!! Na 2ª vez, subi de táxi até Firá, onde fiquei alojada. Visitamos a escavação em Akrotiri e 2 semanas depois de
termos estado lá houve um acidente, com a morte de um turista... Na terceira vez, fui de avião de Atenas até lá e seguimos para o hotel de
táxi. Há algo que me atrai para Oía !!!! Amo a Grécia, mas ADORO Santorini!!!!
Aproveite bem sua estada nessa ilha mágica.
Abraço da Sonia

Rosy Oliveira disse...

Parabéns. Belissimo.

Anônimo disse...

Ao casal Francisco Braga e Rute,

Nossos aplausos pela oportunidade única ao peregrinarem pela GRÉCIA,esta cultura milenar, aonde, ao se falar de fatos históricos de 1.500 a 2.000 A.C, está simplesmente tratando de epopeias mais recentes.Imaginem!

Muito bom, estarem passando esta riqueza para todos nós.

Abs.

Musse Hallak

José Egídio de Carvalho disse...

Boa tarde. Muito obrigado, estimado amigo, pela gentil lembrança. Estou curioso para ver as preciosidades que com certeza são muitas. Receba meu freternal abraço . Egídio .

Luiz Solano disse...

Muito bom. Tenha uma boa semana, amigo.

Escultor Hélio Petrus disse...

Caro Francisco, EL Grego:
Obrigado por compartilhar suas experiências de Viagem pelo Mundo. Eu, mineiro enclausurado na minha Arte, fico tonto e abismado com tanta informação e com seu intelecto privilegiado que assombra leigos e informados.
Pessoalmente, ouvirei, com gosto, suas façanhas homéricas.
Abs. ao casal Rute e Francisco.

Hélio.

Pe. Ramiro Gregório disse...

Ótimo. Grato. Tenha uma ótima permanência nesta terra da qual guardo boas lembranças.

Douglas de Carvalho Henriques disse...

Prezado Confrade:

Além da riqueza de conteúdo e da pertinência do ponto de vista da análise, apreciei demais a elegância do estilo do texto.
Já estou ansioso pelos outros da série.
Não deixe de mandá-los.

Com um abraço amigo,

Douglas.

Ofélia Torres disse...

Braga, bom dia,
Belas fotos. Estive em Santorini por quinze dias e guardo muitas recordações agradáveis. Dentre elas , ouvir os cânticos entoados na igreja ortodoxa em fins de tarde. Presenciei, fotografei e entrevistei também condutores de passageiros do porto em mulas que estavam em greve por melhores condições de salários. Ofélia Torres

Prof. Adriano Benayon disse...

Caro Francisco,

Grato pelo envio do link para seu blog, onde podemos ler seu artigo sobre Santorini e todo o contexto dela, inclusive Delos e as numerosas ilhas de Kyklos.

Parabéns. Braga é cultura.

Adriano Benayon

Marlene Maria dos Santos disse...

Caro Francisco Braga,

Li seu admirável artigo, ou melhor, uma agradável viagem pela Grécia antiga... Acabo de ler as aventuras do engenhoso filho de Laerte, Orestes, e te confesso que o entusiasmo foi o mesmo. Parabéns!

Marlene Santos

Escritora Marlene Maria dos Santos disse...

Caro Francisco Braga,

Agradeço enormemente pelo envio do seu artigo, o qual muito apreciei pela riqueza de informações e, sobretudo, o estilo pedagógico de escrever... Parabéns e já posso te adiantar que terei enorme satisfação em ler os próximos...

Um abraço,
Marlene

P.S.: Sem pedir sua permissão, disponibilizei em meu endereço FACEBOOK (marlenesantos_40@yahoo.com.br) seu artigo para meus amigos no Brasil.

Marlene Maria dos Santos disse...

Correção: o engenhoso filho de Laerte é Ulisses, e não Orestes como escrevi anteriormente.

Daniel Santos disse...

Muito bom!

Caroline V. Costa disse...

Muito bacana!
Obrigada.

José Alvim Resende disse...

Caro Francisco,

Eu e Ana Maria lemos o seu artigo e ficamos muito contentes em lembrar a nossa viagem que fizemos pelas ilhas gregas e principalmente pelos dias que passamos em Santorini curtindo as ruelas, igrejas e belíssimas casinhas brancas incrustadas nas montanhas, sentindo que estávamos pisando na história.
Parabéns pela belíssima obra e estamos aguardando com ansiedade pelo próximo artigo.

Abraços,

Jose Alvim e Ana Maria.

Profª Elza de Moraes Fernandes Costa (do Portal Concertino) disse...

Braga,

Que texto apaixonante! Atlântida realmente se transformou em um mito e sempre aguçou a minha curiosidade. Incrível a riqueza de detalhes e o embasamento dos fatos. Fotos e ilustrações lindíssimas.

Parabéns pelo trabalho.

Um abraço,

Elza

Marlene Maria dos Santos (escritora) disse...


Caro Braga,
Em francês, Santorin, la perle des Cyclades. Um dos mais apreciados espetáculos do mar Mediterrâneo e faz parte do imaginário universal. Sua geologia testemunha uma das mais violentas erupções vulcânicas há 3600 anos. De fato, Santorin é um vulcão em plena atividade e de grande interesse dos cientistas. Constituído por uma grande caldeira submersa e cercada pelos restos do sobrou do cataclismo. A imagem da falésia à beira-mar nas cores pretas, cinzentas e avermelhas provoca incredulidade dos turistas diante tamanho espetáculo da natureza.

Abs
Marlene

Pe. Wolfgang Gruen, SDB (professor de Cultura Religiosa e Língua e Literatura Inglesa na FDB-Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras) disse...

Primeiramente, devo agradecer as excelentes pesquisas que me tem enviado, e que sempre leio com interesse, especialmente quando abordam temas ligados a S. João del-Rei e à Grécia Antiga, sua língua, literatura e cultura. Estudei um pouco de romaico quando de meu curso de Teologia (1950-1953): entre os pedreiros que trabalhavam na construção de um novo prédio, havia dois gregos analfabetos – em grego e em português (de grego só sabiam o alfabeto e escrever o próprio nome). Como eles moravam na área da construção, todas as noites eu ia lá para alfabetizá-los, em romaico e em português; e eles me ensinavam um pouco de romaico: meia hora cada. Claro que saí perdendo, pois eu dedicava mais tempo a eles; mas valeu para eu ter ao menos uma ideia das mudanças. Depois, consegui um livrinho de conversação (romaico-italiano).
Um forte abraço do amigo
Gruen