sábado, 7 de dezembro de 2013

SANTORINI: estado atual das pesquisas científicas sobre a Atlântida


Por Francisco José dos Santos Braga

Em homenagem ao mais eminente "filélinas" de todos os tempos, o poeta inglês Lord Byron, que encontrou a morte em Missolonghi (1824), quando lutava pela Independência dos Gregos.
Santorini em foto por satélite

I.  INTRODUÇÃO


Quando escrevi, neste Blog, o texto intitulado "Ilha de Santorini: expressão viva do mito da Atlântida", prometi que em outro trabalho posterior daria destaque a estudos científicos feitos por geólogos sobre o estado atual das pesquisas científicas na ilha de Santorini, identificando-a com a Atlântida.

Quando a ilha grega de Santorini, oficialmente conhecida por Thíra, sofreu uma erupção dramática ca. 1640 A.C., foi produzida uma das maiores explosões jamais testemunhadas, devido à qual possibilitou o aparecimento da lenda da Atlântida. Essa assim chamada erupção minóica desencadeou tsunamis que devastaram povoamentos costeiros na região, e em Santorini ela deixou atrás de si uma Pompeia da Idade do Bronze, que está correntemente sendo escavada. Povoamentos prósperos da Idade do Bronze na ilha — ricos em coloridos afrescos e cerâmica altamente sofisticada — foram enterrados sob espessas camadas de cinza vulcânica. A ejeção de um imenso volume de poeira na atmosfera também alterou o clima global por vários anos.

O autor que pesquisei, Walter L. Friedrich, um famoso geólogo, mistura a emoção da descoberta científica com uma apresentação popular da geologia, arqueologia, história, povos e os cenários ambientais do grupo de ilhas conhecido por Santorini. Ele não só dá um resumo compreensivo da ilha vulcânica e seu passado, mas também remonta às ultimas descobertas: por exemplo, a descoberta de oliveiras que tinham sido enterradas vivas pela erupção minóica possibilitou agora dar uma data direta e precisa através do rádio-carbono para a catástrofe vulcânica. Além disso, procura atribuir certas estruturas geológicas, como rochas falhas, lavas vermelhas e sítios do porto, como foram pintadas nos afrescos da Idade do Bronze de Santorini, a detalhes ainda existentes na paisagem de Santorini hoje.

Os dois livros de Friedrich aqui estudados certamente serão úteis como texto suplementar para cursos introdutórios em ciência terrestre e atmosférica, geologia, vulcanologia e paleoclimatologia, bem como história antiga e arqueologia.

Quiçá as traduções, feitas da língua inglesa por mim, de trechos importantes desses livros incentivem editoras nacionais a empreender a tradução comercial desse gigante da Geologia universal!

Por outro lado, na língua grega, há uma palavra que designa determinado estrangeiro que atua a favor da Grécia ou se sente como se Grego fosse: φιλέλληνας (pron. filélinas). Eu o sou e não surpreendo a nenhum leitor por confessá-lo. Por isso, alegra-me tanto passear em Atenas pela Rua dos Amigos dos Gregos (οδός Φιλελλήνων, trad. rua dos Amigos dos Gregos), muito próximo à Praça Omônia (palavra que significa Concórdia, em português). Em várias cidades gregas há uma rua homenageando essas pessoas que, como eu, são amigas da Grécia. Os Gregos, assim fazendo, agradecem a todos os amigos da Grécia que, ao longo da História, colaboraram com eles de uma forma ou outra. O mais famoso "filélinas" foi o poeta inglês Lord Byron, que encontrou a morte enquanto lutava ao lado dos Gregos na sua Guerra da Independência (1821-1829) e a quem rendo minha homenagem na abertura deste artigo.
Rua dos Amigos dos Gregos


Quanto a mim, em 28 de dezembro de 1999, quando saí de Berlim com destino a Atenas, tinha a intenção de ali passar a virada do milênio. Era a primeira vez que me encontrava em solo grego e para mim foi uma festa inesquecível na Praça Síntagma (πλατεία Συντάγματος ou Praça da Constituição), com inesquecíveis apresentações da música grega, naquela noite de 31 de dezembro: o μπουζούκι (buzúki) entoava uma música muito suave, alegre, familiar e otimista, convidando todos os presentes a um congraçamento universal. Parecia estar dizendo: "Alegra-te, homem, já estás na Grécia, desfrute-a!"
Foi exatamente isso que aprendi com meus amigos gregos.

Senti, pela primeira vez, em relação a outro povo, o que significava a φιλοξενία (pron. filoxenía) grega. Oficialmente, tal termo designa hospitalidade, mas quer dizer muito mais do que isso. Abarca uma generosidade de espírito, uma bondosa alegria, das quais os Gregos sentem grande orgulho. A "filoxenía" grega é aquele "algo mais" que nos deixa à vontade na Grécia, completamente diverso de qualquer outro país. A "filoxenía" grega é o conceito que leva um grego a convidar um estrangeiro a participar de encontro familiar em sua residência ou a servir como guia voluntário para turistas perdidos que, graças aos deuses, conseguem incontinenti alguém para conduzi-los a seu destino ou para acompanhá-los em sua viagem. "Filoxenía" é a razão pela qual, mesmo nas casas mais humildes da Grécia, somos convidados para degustarmos a sua melhor comida disponível.
Eis o motivo por que me sinto tão bem, em casa, quando estou na Grécia ou quando ouço o idioma grego.


II.  OBSERVAÇÕES GEOLÓGICAS E A LENDA DA ATLÂNTIDA 
 

Walter L. Friedrich, na Introdução de seu livro "Santorini: Volcano, Natural History, Mythology" ¹ (2004), faz importantes observações sobre essa ilha, do ponto de vista científico, nos seguintes termos: 
"(...) Este livro trata do desenvolvimento histórico de um dos mais notáveis vulcões ativos do mundo, o de Santorini. Em nenhuma parte na terra, podemos aprender tanto sobre vulcanismo como podemos fazê-lo nessa ilha do Mar Egeu grego. Encontramos evidência material lá que nos habilita a reportar a atividade do vulcão a quase dois milhões de anos e construir um quadro da devastação que ele moldou com o passar do tempo. Uma das mais interessantes partes dessa história é a erupção minóica, provavelmente a mais grandiosa catástrofe vulcânica da Idade do Bronze. O evento teve um impacto severo sobre grande parte do mundo ocidental e contribuiu para o declínio da civilização minóica. Os estudiosos continuam a discutir alguns de seus possíveis efeitos. Por exemplo, a questão de se o repentino escurecimento do céu mencionado na Argonáutica — um dos mais antigos mitos gregos contado por Apolônio de Rhodes — poderia ser uma reminiscência daquela erupção. É possível mesmo pensar que o mito reflita alguma das cenas mostradas nos afrescos da Idade do Bronze encontrados em Akrotiri, eis que possivlemente retratem uma viagem do Nilo do Delta a Santorini (Kallisti) — uma rota que Jasão e os Argonautas também seguiram.
Outro mito citado por Hesíodo nos fala sobre a luta entre Zeus e os Titãs, quando Zeus usa todo seu poder e jogou pedras nos Titãs. Ainda se debate calorosamente se as dez pragas do Egito mencionadas na Bíblia — e mesmo o Êxodo dos Israelitas do Egito — poderiam ser atribuídos àquela erupção. Discussões semelhantes tratam da questão de se Santorini foi a lendária ilha da Atlântida — descrita por Platão. Os estudos de Santorini mostram que o evento teve tal impacto sobre o povo daquela época que a memória dele foi repassada em relatos escritos ou como lendas.
Santorini tem uma situação geológica rara numa zona de intensa deformação entre os continentes convergentes da Europa e da África. Como os outros vulcões do Egeu que estão adicionando novo material à crosta terrestre, Santorini é um produto da colisão dos dois continentes. Estudos dessas mencionadas ilhas vulcânicas e os eventos naturais que ocorreram sobre elas têm contribuído para o desenvolvimento de inúmeros conceitos geológicos básicos. Um dos mais famosos foi a teoria das "crateras de elevação" ² que, quando foi proposta por Leopold von Buch nos primórdios do século XIX, estimulou discussões acaloradas, especialmente entre cientistas familiarizados com a geologia de Santorini. De acordo com a teoria de von Buch, crateras grandes, tais como a baía de Santorini, foram o resultado da expansão de um vulcão por gás e magma derretido; eventualmente a intumescência abriu fissuras e desencadeou uma erupção. Virtualmente todos os naturalistas famosos de então, inclusive Alexander von Humboldt e Charles Darwin, contribuíram para as discussões, mas foram os detalhados estudos geológicos feitos por Ferdinand Fouqué (1879) que finalmente fez a teoria calar-se.
Novamente, Santorini atraiu a atenção mundial quando Spyridon Marinatos (1939) propôs que erupção de Santorini na Idade do Bronze foi responsável pelo repentino colapso da civilização minóica de Creta. Embora recebida primeiramente com ceticismo, a hipótese de Marinatos foi vista com muito maior interesse quando vastas camadas de pedra-pomes nova  foram encontradas sobre ilhas distantes e sobre o fundo do Mediterrâneo Leste. Embora a datação mais tarde mostrou que a erupção minóica ocorreu bem antes do declínio da civilização em Creta, a controvérsia desencadeou um repentino aumento de intensas investigações por geólogos e arqueólogos de muitas nações.
Hoje, muitos estudos geológicos da ilha estão centrados nos mecanismos das erupções vulcânicas e na relação do vulcanismo com aspectos tectônicos de larga escala no Mediterrâneo. Poucas regiões foram objeto de tão intenso estudo. As grandes quantidades de trabalho publicado descrevendo essa pesquisa continuam crescendo. A riqueza de informação sobre Santorini parece um fractal: qualquer que seja o campo da ciência explorado, cada pedaço do novo conhecimento conduz a novas percepções em outro nível. Para cientistas naturais e arqueólogos ela tem sido um verdadeiro Eldorado onde especialistas em diferentes campos podem trabalhar em íntima cooperação. Neste sentido, Santorini é um experimento natural no qual quase todas as ciências naturais desempenham um papel: geofísicos determinam a estrutura da crosta terrestre e da litosfera; petrólogos usam a composição química das rochas para definir a origem de magmas; e paleontólogos encontram as idades e condições ecológicas nas quais a flora e a fauna viveram no passado. Assim, Santorini oferece ao cientista natural muitas possíveis janelas através das quais podemos ganhar uma vista de conjunto do passado da terra.
A paisagem de Santorini é excepcionalmente fascinante. Assemelha-se a um arena de um circo gigante cercada por estandes circulares. Para os geólogos, a baía é conhecida como Caldera, palavra castelhana para um caldeirão ou chaleira. Agora sabemos que mesmo na Idade do Bronze as ilhas de Thíra, Thirasía e Aspronísi formavam um só anel e a partir dos povoamentos na sua borda os habitantes tiveram uma vista esplêndida de um panorama que diferia pouco do atual. Santorini, que em antigas eras foi chamada de Kallísti, encontrava-se no centro de uma região de antigas culturas. Situada entre a parte continental grega, Creta, Ásia Menor e Egito, pôde rapidamente captar e assimilar mudanças culturais de seus vizinhos. E, por sua vez, serviu de encruzilhada onde o conhecimento ou as inovações desenvolvidas num lugar eram rapidamente disseminadas à região circundante. Tome-se, por exemplo, a aparência da ilha conhecida como Hierá no II século A.C. O evento foi bem registrado pelos sábios daquele tempo, e de suas descrições podemos facilmente determinar quando ocorreu. Estrabão (66 A.C. a 24 D.C.) nos diz na sua obra Geographica (1.3.16): "A meio caminho entre Thíra e Therasía incêndios romperam do mar e continuaram por quatro dias, de modo que todo o mar fervia e ardia, e uma ilha gradualmente se ergueu, como se por força de uma alavanca. A ilha era uma massa candente com uma circunferência de doze estádios. Quando a erupção chegou ao fim, as primeiras pessoas a aventurarem na cena foram os Rhodianos que, àquela época, tinham supremacia marítima. Eles erigiram na ilha um templo em honra de Poseidon Asphalios ³. Também temos relatos bem semelhantes dos eventos vulcânicos em Santorini da parte de outros autores. Píndaro, Heródoto, Callimachus, Apolônio de Rhodes, Sêneca, Plínio o Velho, Orósio, Dio Cassius, Plutarco, Pausânias, Justino, Eusébio e Ammianus Marcellinus, — todos bem conhecidos sábios intimamente ligados à história cultural do Mundo Antigo — mencionaram eventos vulcânicos nessa região. A aparição de uma nova ilha era para o povo daquele tempo, como é até hoje, um evento tão notável, senão divino, que foi bem registrado. Os nomes gregos de Hierá, a santa, e Thía, a divina, que foram dados às novas ilhas são bom exemplos disso. A mesma fascinação que tal evento natural desperta até hoje é encontrada no escrito de Sêneca, sobre a formação de ilhas no Egeu, quando ele indagou como era possível que não se extinguisse o fogo no mar, mesmo quando ocorresse sob uma grande massa de água. "Maravilhas do marinheiro" é outro relato, na obra de Justino (Trogi Pompeii, 30.4.4), que viveu no II século A.D. e certamente contava sobre a origem de Hierá.
Um exemplo adicional é a lenda da Atlântida, que Platão nos deu nos diálogos Crítias e Timeu. Descreveu o afundar de uma ilha que tinha uma cultura florescente. Alguns estudiosos crêem que, no cerne da lenda, pode-se reconhecer a erupção minóica que infligiu um destino muito semelhante sobre Santorini. Ao longo do tempo mudaram as interpretações do surgimento de um complexo insular do fundo do mar. Nos tempos antigos atribuíam aos deuses todas as forças tais como esta que governou os processos de nossa terra. Por exemplo, dizia-se que Poseidon controla os mares e os maremotos. Assim, quando ocorreu a erupção de 46 D.C. na noite do festival de Roma festejando seu oitavo século, foi considerada uma clara expressão da vontade dos deuses. Na mesma época, um notório eclipse total da lua também ocorreu, e apareceu a ave Fênix da Arábia (um cometa?) para proclamar o nascimento de uma nova ilha no Egeu. Como Aurelius Victor relatou, na sua obra do século IV D.C., Historiæ Abbreviatæ, que esta série de maus augúrios  só podia ter um significado: o declínio do Império Romano era iminente. Na era cristã, erupções vulcânicas devastadoras eram interpretadas como sinais da ira de Deus pelos pecados do homem. Foi atribuída, por exemplo, à erupção em Paleá Kaméni de 726 D.C. uma importância fatídica, que deu ímpeto à crise entre Roma e Constantinopla. Hoje, contudo, as pessoas contam com a ciência; elas acreditam nas previsões de especialistas de  iminentes erupções e muitas confiam cegamente na habilidade dos vulcanólogos de informá-las corretamente sobre o momento de forma a antecipar uma catástrofe. Se forem envolvidas forças divinas, essas não mais são um fator nessas previsões. Usando o exemplo de Santorini, este livro resgata o desenvolvimento de uma ilha vulcânica ativa. Será data especial importância ao timing e à variedade dos eventos vulcânicos que tiveram lugar desde o Pliocênio Antigo, um período de cerca de dois milhões de anos.
Devemos nos lembrar que as forças responsáveis pela atividade vulcânica estão ainda hoje em operação. Também examinaremos as descobertas paleontológicas bem como os traços do primitivo povoamento humano, porém o principal objetivo é analisar a erupção minóica que enterrou as povoações da florescente Idade do Bronze sob um camada espessa de cinza e deixou para a posteridade uma Pompeia pré-histórica no Mar Egeu." 
Num livro anterior já mencionado, intitulado "Fire in the Sea: The Santorini Volcano: Natural History and the Legend of Atlantis" (2000) , Walter L. Friedrich dedicou o capítulo 11 a Observações Geológicas e a Lenda da Atlântida. Inicialmente na p. 147-149, o autor observa que 
"dizem que o comerciante Sólon (640-560 A.C.) trouxe de volta  a história de suas viagens. O avô de Crítias tinha ouvido a história de certo Dropides, que era um amigo e parente de Sólon, 'o maior dos sete sábios'. Em suas viagens ao Egito, Sólon tinha visitado a cidade de Saïs no delta do Nilo, onde ficou sabendo da história do desaparecimento da Atlântida dita por sacerdotes egípcios, que dela possuíam uma versão escrita. Crítias diz: 'este relato escrito esteve nas mãos de meu avô (Crítias) e agora está em minhas mãos e eu o estudei inteiramente quando criança.'
Platão ficou sabendo desse relato 300 anos depois que Sólon viajava ao Egito, e transmitiu-o na forma de diálogos. Desde aquela época, constitui fonte de especulação, presunções e hipóteses intermináveis. Em seus diálogos (Crítias e Timeu), Platão afirma reiteradamente que essa história não foi inventada, mas estava baseada em fato. Porém, mesmo na época clássica, exatamente como agora, alguns dos estudiosos interpretaram isso como uma fantasia. Um desses foi Aristóteles (384-322 A.C.), outro grande filósofo da antiguidade e discípulo de Platão. Considerou a história da Atlântida como invenção do seu professor: 'o homem que imaginou essa ilha novamente a fez desaparecer'.
Outros, contudo, tomaram a história literalmente. Um desses foi Proclus (410-485 D.C.), um dos comentaristas tardios da obra de Platão. Escreveu em seus Comentários sobre o Timeu de Platão (76.1-10):
'a discussão sobre o povo da Atlântida onde (alguns dizem) ... aquela é uma história verdadeira e antiga, a pertencer a Crantor, o primeiro comentarista da obra de Platão. Além disso, segundo Crantor, o relato de Platão... que diz que tinha inventado a história... não é uma invenção, mas ele a tinha copiado da instituição egípcia. Como prova, Platão (23.A-4) se refere ao sacerdote egípcio que disse que aqueles itens estavam esculpidos nas colunas e preservados até presentemente.'
Crantor viveu no III século A.C.; sua obra original se perdeu.
Isso está em contraste com o filósofo grego Posidônio (135-51 A.C.), que propôs que a história da Atlântida era um mistura de realidade e fantasia.
O geógrafo Estrabão (67 A.C.-23 D.C.) narra sobre a Atlântida na sua obra Geographica (2.3.6-7). Ele se manifesta sobre Posidônio:
'a respeito desse tópico, ele está certo ao citar Platão que diz que a história da Atlântida não é uma ficção'.
E ficamos sabendo de Ammianus Marcellinus (330-400 D.C.) que em Alexandria a lenda da Atlântida era considerada um fato histórico." 
Na p. 149, no subtítulo A cultura minóica e a Atlântida, observa: 
"Até onde se pode dizer da literatura, o estudioso francês Louis Figuier (1872) foi o primeiro a ligar Santorini com o relato de Platão sobre a Atlântida. Àquela época, os arqueólogos franceses Mamet e Gorceix (1870) tinham feito descobertas sensacionais sob a espessa camada de pedra-pome em Akrotiri, e Fouqué (1869) acabara de publicar seu trabalho intitulado "Uma Pompeia Pré-histórica". Depois disso houve um período de várias décadas no qual pouco foi dito sobre a Atlântida em relação a Santorini." 
No século XX, a teoria estabelecendo uma possível ligação da Atlântida com Creta estava ganhando muitos adeptos, quando 
"exatamente antes da II Guerra Mundial, o arqueólo Spyridon Marinatos (1939) escavou inúmeros sítios em Creta, incluindo a villa minóica em Amnissos, um porto de Knossos. Viu lá uma conexão entre o declínio da cultura minóica com a erupção do vulcão de Santorini. Em 1950, publicou outro artigo com o título "On the legend of Atlantis". Numa versão posterior do mesmo artigo (Marinatos, 1972), ele enfatizou seus pontos de vista sobre Santorini e a Atlântida:
'Eu continuo a crer, como descrevi muito anos atrás no presente paper, que a erupção de Thíra pode ser a razão de ser da literatura sobre a Atlântida.'
Em ainda outro trabalho, ele disse (apud Galanópoulos, 1981):
'O único mito que poderia ser interpretado pela explosão de Thíra é a tradição por Atlântida narrada por Platão... Parece que o disastre da pequena Thíra foi exagerado na existência da gigantesca mítica Atlântida.'
Em seu trabalho de 1972, Marinatos confirmou sua opinião de que a lenda da Atlântida tinha um cerne histórico, apontando para antigas tradições gregas que foram conhecidas pelo povo vivendo nas Cíclades mais de 2000 anos depois da erupção minóica. Píndaro, que viveu cerca de 522-441 B.C., relatou em suas Odes (Paean, IV.40-45), quase 100 anos antes de Platão e mais claramente do que este, sobre a mesma tradição onde Zeus e Poseidon fez com que ela desaparecesse nas profundezas do mar:

'Saibam que eu temo uma guerra com Zeus, tenho medo do Sacudidor da terra trovoando alto. Eles, certo dia, com raio e tridente, mandaram a terra e uma incontável multidão para dentro das profundezas do Tártaro, enquanto deixavam sozinha minha mãe e toda sua casa paredes bonitas.'

Com base nos textos adicionais de Píndaro, Marinatos enfatizou que esta área estava situada nas Cíclades, um grupo de ilhas a que Santorini pertence.

Algo parecido com a erupção minóica é encontrado na Odisseia de Homero, um importante clássico escrito no século VIII A.C.. Quando os pilotos navais de Phaiaken tinham conduzido Ulisses de volta a Ítaca e o navio tinha sido transformado em pedra, seu rei Albinos convocou: 

'Ai de nós, meu povo, agora que se cumpriram as antigas profecias que meu pai costumava contar-me, como Poseidon estava tão contrariado por termos concedido livre passagem a todos que, de uma vez, quis destruir um dos nossos melhores navios quando ele adentrou através da neblina oceânica para aportar: e então quis obscurecer nossa cidade dentro de uma parede de colinas.'

Fonte: Odisseia de Homero, Livro 13, p. 186. Traduzido por T. E. Lawrence, Oxford University Press 1991.

Além disso, cabe mencionar que o pai de Alcino, Nausitoos, foi o fundador da Cidade Phaeaciana chamada Scheria e que ele era o filho do 'sacudidor da terra, Poseidon'. Conta-se que a cidade de Scheria, que o furioso Poseidon cobriu com montes de pedra, estava a um dia de  navegação da ilha de Euboia. Esta é também a distância de Santorini. 
Com o título A teoria da Atlântida de Galanópoulos, na p. 150 do seu livro, Friedrich fala sobre a contribuição de Galanópoulous e Bacon para a solidificação da teoria de identificar Santorini com a ilha de Atlântida, nos seguintes termos: 
"Em minha opinião, o mais fascinante argumento para ligar Santorini com a lenda da Atlântida foi o do geofísico grego, Galanópoulos. (...) Em 1957, ele relatou os resultados de seus estudos numa pedreira em Firá dez anos antes que Marinatos começasse as escavações em Akrotíri. Em 1960 ele relacionou os achados da Idade do Bronze em Santorini com a ilha da Atlântida, e, juntamente com Edward Bacon, o editor arqueológico do Illustrated London News, elaborou sua teoria no livro Atlantis, the Truth Behind the Legend (1969). Os autores puderam oferecer argumentos científicos convincentes para ligar Santorini com a Metrópole da Atlântida. (...) 
Esses autores interpretam a história de Platão mais como um relato histórico do que uma lenda ou mito. Argumentam que este evento ocorreu na Idade do Bronze entre 2100 e 2200 B.C. e em dois lugares: uma ilhota redonda com um raio de 9,5 km (a Metrópole) e uma ilha muito maior retangular. Descartam as teorias da Atlântida que não oferecem nenhuma razão geológica para o desaparecimento repentino da ilha. Acham que a única cena lógica daqueles eventos é o Mediterrâneo leste e que as frequentes identificações dos pilares de Hércules (mencionadas por Platão) com o Estreito de Gibraltar estão equivocadas. Ao invés disso, eles acreditam que o nome foi aplicado ao estreito entre Malea e Cape Matapan no Peloponeso. 
Eles também podem mostrar que havia atividade vulcânica no Mediterrâneo leste durante a Idade do Bronze e, ao mesmo tempo, uma ilhota desabitada no centro de Santorini desaparecida. Por isso, eles consideram a identificação de 'Stronghyle-Santorini' com a Metrópole como muito provável. Quanto a Pltão, ele nunca disse que a Metrópole se localizasse num vulcão, por isso observam que o vulcão tinha passado por um longo período de calma. Para essa defesa, eles apontam para o solo muito fértil que se dizia cercar a acrópole e nos lembra que tais solos férteis desenvolvem em cinza vulcânica. As cores das rochas mencionadas por Platão — vermelho, preto e branco — são comumente vistas nas áreas vulcânicas e são especialmente notáveis na ilha de Thíra. Mesmo as primaveras temperadas e frias mencionadas por Platão combinam com um cenário vulcânico, porque são também encontradas em Santorini. 
A descrição de Platão da forma e estrutura da Metrópole com seu cone central concorda, segundo Galanópoulos e Bacon (1969), com o cone central de Stronghyle-Santorini, uma vez que as medidas da Metrópole estão dentro da mesma escala de tamanho. Sua ilustração é mostrada abaixo:
Imagem 1

Eles acreditam que é possível mesmo ver no modelo de Santorini, há muito aceito com base no gráfico do British Admiralty de 1916, traços dos fossos da Metrópole. Consta que o porto central estava situado nas áreas circulares entre Néa Kaméni e Thíra e entre Néa e Paleá Kaméni. No esboço deles, colocam o contorno da Metrópole da Atlântida dentro de Santorini. Em sua opinião, se alguém comparar este esboço com o modelo de Santorini, pode ver traços dos canais e o fundo da Caldera. Esta última seria a zona de água descrita por Platão. Além disso, a distância do cone central do vulcão seria equivalente à largura da correspondente água à colina em que o templo de Poseidon está situado. Eles observam, entretanto, uma discrepância. No diálogo Crítias de Platão (113C), a acrópole estava distante 50 estádios do mar, enquanto em Crítias (117E) a zona mais externa que circundava a acrópole estava situada 50 estádios do mar. Para seus desenhos eles usaram os valores dados no segundo texto, mas como saber se o primeiro texto não teria sido mais apropriado? Então o raio da Metrópole seria 2 km menos do que mostrado no desenho e isso seria quase exatamente o mesmo raio que Santorini tem hoje. Ademais, o desfiladeiro entre Thíra e Therasía seria exatamente tão longo quanto o canal que conectava o mar com o fosso interno da antiga Metrópole. 
Os autores acham que essa coincidência é notável, porém até mais notável é a forma do fim do desfiladeiro sob o mar. De acordo com Platão, novos habitantes da Atlântida tinham ampliado esta abertura natural de forma a permitir que o maior navio daquela época entrasse no fosso. Galanópoulos e Bacon admitem que os supostos restos do fosso no fundo da Caldera poderiam ser formações naturais, mas eles acham difícil acreditar que a abertura do desfiladeiro sob a água entre Thíra e Therasía pudesse ter-se originado casualmente, uma vez que sua profundidade e forma excluem sua formação por erosão. Consideram esse fato juntamente com a extensão da garganta sub-aquática e os canais conectantes da Atlântida como fortes argumentos de que essas valas não poderiam ser acidentais. Se alguém seguir a descrição de Platão, então seria óbvio que as zonas em formato de anel da água do mar teriam sido canais naturais que circundam os cones centrais. Por outro lado, os canais que ligavam os cinturões de água podem ter sido feitos pelas mãos do homem, pelo menos em parte. Segundo Platão, eles foram feitos por Poseidon, o deus dos terremotos, antes de terem existido quaisquer navios (Crítias IIC-E). Eles continham água do mar e eram por isso ligados ao mar. É improvável que esta ligação tenha sido adaptada para a passagem de navios, pois, segundo diz Platão, os descendentes de Poseidon tinham que ampliar esse canal (Crítias IIC-E) de modo a permitir que navios pudessem passar por ele. Eles até construíram um telhado sobre ele e criaram um túnel.
Galanópoulos e Bacon também oferecem uma explicação de como as pessoas no segundo milênio B.C. poderiam resolver tal imenso problema. Eles encontraram dois projetos similares que foram completados àquela época. Um é a construção megalítica em Carnac na França; outra é o longo túnel de 1 km de Eupalinos em Samos que foi erigido como um aqueduto pelo tirano Polycrates em meados do VI século A.C.. De acordo com Galanópoulos, Bacon e outros, este último exemplo é na capital da Atlântida de Platão.
No capítulo intitulado Geologia moderna e Atlântida, na página 154 e seguintes, Friedrich faz uma espécie de balanço dos pontos fortes da teoria de Galanópoulos e Bacon identificando a Atlântida com Santorini e seus pontos fracos. Para maior visualização, faz uso de 6 imagens (A a F) para a evolução da ilha desde 23000 A.C. até hoje. Em linhas gerais, são estas as suas conclusões: 
"Os argumentos adiantados por Galanópoulos e Bacon são convincentes sobretudo os que ligam a Metrópole ao vulcão. Menos convincentes, contudo, é sua opinião de que é possível ver os fossos da Metrópole num modelo estrutural da Caldera. Conforme nós vemos agora, a ilha Pré-Kaméni, que estava situada no meio da Caldera, foi inteiramente destruída pela erupção minóica. Como consequência da erupção o sítio da primitiva ilha tornou-se a profunda bacia norte da Caldera. A topografia da Caldera continuou a mudar como as paredes da Caldera, tanto sobre quanto sob o nível do mar, desmoronada numa bacia recentemente aprofundada. A revitalização da atividade vulcânica depois de 197 B.C. veio acrescentar-se a essas mudanças. (...)  
Como vimos no capítulo precedente, há uma esmagadora evidência para uma Caldera inundada com uma ilha no meio antes da erupção minóica (Imagem C). Isto era ignorado por Galanópoulos e Bacon. Também sabemos que a ilha interior existia ao menos  a 21000 anos B.C., quando ocorreu a erupção Cape Riva (Imagem B) e existia ainda na época da erupção minóica (1640 B.C.). Os dados obtidos por rádio-carbono para os fósseis marinhos em "stromatolites" e caracóis, que foram vivos neste espaço temporal,  nos dão uma idade de 13000 a 10000 anos B.C.. Isto significa que vários milhares de anos antes da erupção minóica, a Caldera já existia e estava cheia com água do mar. Várias observações nos habilitam a deduzir que um longo período de calmaria precedeu a erupção minóica. Em Thíra, a gente pode ver lugares onde o "ignimbrite" do Cape Riva é diretamente coberto por depósitos da erupção minóica. Em Akrotíri, por exemplo, as casas foram construídas diretamente sobre o "ignimbrite". Além disso, os depósitos sob a erupção minóica estão profundamente desgastados. O único evento que podemos remontar a esse período é a formação da ilha Pré-Kaméni dentro da Caldera. O bacia sul da Caldera já existia àquela época, enquanto no norte havia uma parte rasa do fundo da Caldera (Imagens A a C), em que os "stromatolites" cresceram até serem interrompidos  pela erupção minóica. A forma dessa Caldera tinha certa semelhança com a desenhada por Galanópoulos (Imagens C e D) (Galanópoulos e Bacon, 1969).
Calderas aninhadas são formadas quando, durante uma forte erupção, uma grande parte do câmara de magma é rapidamente esvaziada e o suporte para o teto sobre a câmara é removido. Quando o edifício vulcânico  rui para dentro da câmara de magma, forma-se uma depressão funnel-shaped. Em alguns casos o colapso ocorre em falhas de anéis concêntricos que convergem  para baixo. Se esse sistema de falhas é próximo ao nível do mar e parcialmente inundado, o conjunto resultante de anéis separados pela água e rocha podem parecer com as ilhas de anéis descritas por Platão (Imagem D). (...) Dentro dos limites de nosso conhecimento geológico atual, é possível que possa ter havido um tal sistema de Caldera com formato de anel antes da erupção minóica. Lemos no relato de Platão que, 'depois desse evento, o mar ficou inacessível por um longo período devido à lama que a ilha submersa deixou atrás de si.' Temos apenas que ler a palavra "lama"como "pome"que estava flutuando sobre o mar para ver que esse detalhe se ajusta ao que deve ter ocorrido após a erupção de 1640 B.C..
Entretanto, esses argumentos ainda não nos dão uma ligação entre a Metrópole da (Atlântida e Santorini. A teoria de Galanópoulos e Bacon é fascinante, mas remanescem muitos questões não respondidas. Será que encontraremos as respostas na escavação de Akrotiri ou estão enterradas nas profundezas inacessíveis da Caldera? (...) Ou as palavras de Zeus e Poseidon ficarão como única resposta?
Imagens A a F (página 158)
 
"Imagem A: Na parte norte de Santorini vários vulcões eram ativos em várias épocas. As principais passagens eram em Megalo Vounó, Skáros e vulcão de Oia-Therasía (vulcão de Peristeria) bem como Micró Profítis Elias. Na parte norte da ilha, os vulcões formavam um complexo em superposição, enquanto que no sul eles cresciam numa depressão que era provavelmente cheio d' água.
Imagem B: Cerca de 23000 anos atrás uma enorme erupção 'ignimbrite' ocorreu na parte norte de Santorini perto de Cape Riva. Os depósitos são encontrados em Millo Bay em Therasía, nas pedreiras em Oia, em volta da pedreira Mavromatos em Akrotiri, e sob as povoações da Idade do Bronze em Akrotiri e Potamos. A idade dessa erupção foi obtida através de datação por rádio-carbono de árvores que foram enterradas pelo 'ignimbrite'. As rochas características do 'ignimbrite' são também encontradas em depósitos oriundos da erupção minóica. 
Imagem C: No norte, uma lagoa rasa foi formada onde 'stromatolites' estavam crescendo há uns 15 ou 12 mil anos atrás. Renovada atividade vulcânica criou a ilha Pré-Kaméni no meio da Caldera da Idade do Bronze. No sul, um sistema de canais erosivos pós-ignimbrite escoando para dentro da bacia sul indica que essa bacia ficou profunda depois da erupção de Cape Riva.
Imagem D: Colapso do teto da câmara de magma localizado sob a ilha Pré-Kaméni levou a uma hipotética estrutura anelada dessa ilha. Isso é também onde a erupção minóica começou com uma fase pliniana sobre a ilha Pré-Kaméni. Durante essa e nas fases seguintes da erupção, essa ilha foi totalmente destruída e suas rochas foram ejetadas juntamente com as massas de pome da erupção minóica. Foi produzido um funil cheio d' água.
Imagem E: A erupção minóica causou várias mudanças à ilha de anéis: o edifício vulcânico original foi separado em Thíra, Therasía, e Aspronisi. Com o tempo, o desmoronamento concêntrico e radial nas íngremes paredes da Caldera deu a esta a sua forma presente. A bacia norte foi formada, com uma profundidade original de mais do que 500 metros. Hoje tem apenas 390 metros de profundidade abaixo do nível do mar. Na parte leste, os produtos da erupção minóica aumentou consideravelmente a ilha de Thíra e a ilha de Monolithos foi ligada a Thíra. 
Imagem F: Depois de 197 B.C. novas rochas vulcânicas começaram a encher a Caldera de novo. As ilhas de Paleá Kaméni e Néa Kaméni foram formadas. A última é o único vulcão ativo em Santorini neste momento."


III.  NOTAS DE FRANCISCO JOSÉ DOS SANTOS BRAGA

 

¹  Trad. "Santorini: Vulcão, História natural, Mitologia" (2004), do qual extraí um longo trecho de sua Introdução para traduzi-lo para meus leitores.
Cf. no seguinte site: http://www.bog-ide.dk/productsamples/9788779347472.pdf

²  A locução utilizada pelo autor é "elevation craters". [NEVES, 1985] chama essa teoria de Von Buch como de elevação de crateras, conforme se lê em seu trabalho sobre Geotectônica: "Com Leopoldo Von Buch, em 1824, veio a Geotectônica se tornar praticamente um ramo independente dentro da Geologia. Não só por sua teoria geotectônica ("elevação de crateras"), mas também pela escala de análise dos fenômenos (montanhas, continentes, oceanos), sem que contasse com os subsídios que o geotectonista hoje dispõe."

³ Poseidon era muito cultuado nas Cíclades por ser o deus que concede viagem segura. Seu culto se estendeu muito além das ilhas, sendo venerado também como o deus do mar, o que guarda a região costeira, o que é responsável pelos terremotos, também o deus que cuida dos cavalos, etc..

⁴   Esta é uma edição completamente nova revisada do seu clássico "Feuer im Meer: Der Santorin-Vulkan, seine Naturgeschichte und die Atlantis-Legende", traduzido para o inglês por Alexander R. McBirney com o título de Fire in the Sea: the Santorini Volcano: Natural History and the Legend of Atlantis  e publicado originalmente em 2000 pela Cambridge University Press.
É de se lamentar que nenhum dos dois livros de Friedrich  citados na Bibliografia (publicados respectivamente em 2000 e 2004) foram até hoje traduzidos para o português e editados no Brasil. 

 

IV.  AGRADECIMENTO


Sou grato à minha esposa Rute Pardini por ter colaborado para a formatação das fotografias presentes no texto.


 
V.  BIBLIOGRAFIA


 
FRIEDRICH, W.L.: "Fire in the Sea: The Santorini Volcano: Natural History and the Legend of Atlantis", New York: Cambridge University Press, 2000, 272 p.

— "Santorini: Volcano, Natural History, Mythology", Aarhus: Aarhus University Press, 2004, 312 p.

NEVES, B.B.B.: "Teorias e modelos em geotectônica: introdução ao problema", Bol. IG-USP, Série didática nº 1, São Paulo, maio de 1985, disponibilizado na Internet no seguinte endereço eletrônico: http://ppegeo.igc.usp.br/scielo.php?pid=S0102-62911985000100002&script=sci_arttext

15 comentários:

Prof. Dr. Antonio Luiz de Campos Gurgel disse...

Muito grato meu caro Francisco José.
Do leitor,

Gurgel

Prof. Fernando Teixeira disse...

Caro Braga,
boníssimo dia para você e Rute. Fico, às vezes, matutando sobre o quanto de mitos não existe na história, bem como de história nos mitos. Atlântida pode ser algo a ser ponderado: história e mito, um momento no tempo. A Sagrada Família seja o regaço seu e da Rute.
Fernando Teixeira

Fernando Antônio Camargos disse...

PARABÉNS!!

Sonia Vieira (pianista, membro da Academia Brasileira de Música) disse...

Caríssimo amigo Braga,

Agradeço-lhe pelo envio deste maravilhoso texto sobre a minha ilha
predileta: Santorini !!!
Há qualquer coisa de diferente neste local, ele é mágico, isso pode
ser percebido facilmente, por pessoas sensitivas.
Já estive lá três vêzes e não me canso de voltar... sou totalmente
apaixonada por esse local!
Muito grata.
Aproveito a ocasião para desejar a você e a sua família, um
Felicíssimo Natal e um Ano Novo maravilhoso, repleto de
realizações em todos os campos, com muita saúde, alegria, harmonia,
música e felicidades!

Abraços da
Sonia Maria Vieira

Mercemiro Silva disse...

Amigo Braga,

Passei, incontinenti para minha máquina, a matéria Santorini. Para degustar com vagar. Obrigado.
Aproveito para desejar-lhe e à esposa, com meu abraço amigo, um Feliz Natal e bom Ano Novo.
Mercemiro.

Hélio Petrus (escultor-poeta marianense) disse...

Caro Braga:
A música é apenas uma das facetas do Gênio! Cada dia me surpreendo com essa polivalência e sede de saber! Continue brindando seus leitores com semelhantes jóias culturais!!!
Abs do amigo que o " inveja" culturalmente.
H.P.

Antônio Molina disse...

Boa tarde, amigo Braga,

Você sempre com os melhores trabalhos, parabéns, abracos e um feliz Natal e prospero Ano Aovo

Molina

Profª Elza de Moraes Fernandes Costa (do Portal Concertino) disse...

Boa tarde, Braga! Como vai?

Estou com 4 emails seus com artigos simplesmente apaixonantes. Vou deixá-los para ler durante as minhas férias...

Obrigada e um abraço,
Elza

Ulisses Passarelli disse...

Excelente embasamento teórico é o que vemos aqui. Seu texto é uma fonte permanente de consultas. Notável! A natureza constrói e destrói. Particularmente creio na Atlântida.
Grande abraço Francisco.

jose luiz disse...

Muito interessante Braga.
Parabens por disponibilizar a sua pesquisa e Viva a Grécia Clássica
JLuiz Alquéres

John Parsons disse...

Estimado Prof. Braga, não desista nunca da sua pesquisa sobre esta ilha mágica!
Desde que encontrei o livro de Galinopoulos e Bacon, fiquei apaixonado por esta ilha onde acabou um mundo civilizado e começou outro. Não sosseguei até passar dez dias em Santorini e Creta. Grande foi a emoção ao ver os afrescos daquela civilização rica e alegre, cheia de vida e paz, que desapareceu num estrondo tão grande que ninguém lembrou deles até agora, e nem sabe quando foi. Uma civilização rica e inabalável - como a nossa de hoje - e a nossa também está sob aviso!
Fomos visitar a ilhota sulfurosa preparando sua próxima explosão no meio da baía: gostaria de ver a atualização das pesquisas do Prof Friedrich, pois seu trabalho aponta uma história que não acabou. A grande explosão que obliterou a civilização Cicládica - e sua memória - "a single Day and night of misfortune" saiu do mito e entrou na história com a nova interpretação dos dados recebidos por Sólon 900 anos após o evento, quando visitou Egípcio logo após 600 BC.
Robert Graves cita no seus "The Greek Myths" outra notícia da vingança dos deuses numa referência por Thallus, um historiador romano, à Guerra dos Titãs, "322 anos antes do sítio de Troia" (c.1250). Também há noticias de uma erupção menor antes de 1600 BC.
Observações de fenômenos recentes como as erupções de Krakatoa e Mount St. Helens, e o tsunami de Aceh, ajudam a interpretar dados históricos à luz do evento de Thera. Galinopoulos e Bacon dataram restos orgânicos, encontrados na primeira camada de pozzolana, em 1410 +/_100 anos (na década de 1960), e observaram que esta camada de mais de 25 m. pode ter levado 25 anos de "Fire on the Sea" para depositar. Após um período quieto, veio outra camada de 5 metros, e outro período quieto até aparecer a terceira camada. Após o imenso vazamento de lava e pumice, houve o colapso da caldera que deve ter sido a explosão maior, e pode ter sido em duas etapas.
Galinopoulos reconhece nos eventos descritos no livro do Êxodo fenômenos que parecem resultar de uma explosão de Santorini, em torno de 1440 BC. Outro pesquisador, Graham Phillips, no seu "Act of God" (1998), focalizando nos mistérios e anomalias na história de Akhenaton e na fuga dos Israelitas, declara: "From the historical perspective, the eruption of Thera around 1365BC. is the only thing that makes sense of the otherwise bewildering Amarna period". Esta data é confirmada por um "tablet" da coleção de Amarna, onde o Rei Abimilki de Tiro queixa que a metade da cidade de Ugarit fora lavada para dentro do mar, e a população desaparecida. Escavações na década de 1930 confirmam esta destruição.
O livro mais recente que vi sobre o evento de Thera, "The Lost Empire of Atlantis", de 2010, por Gavin Menzies, um capitão aposentado de submarinos, afirma com boas provas que Thera e Creta eram o centro da economia mercantil da Idade de Bronze. Esta civilização global que durou mais de dois mil anos, com minas entre América e País de Gales, parou abruptamente em torno de 1400 com a explosão de Thera.
Vale a pena pesquisar mais um pouco esse mito que virou história, ainda mal contado, entre o final de uma civilização global e os primórdios de outra. Após da saída dos hebreus do cativeiro, lutas de gregos, persas, romanos, muçulmanos, estamos de novo numa civilização ainda maior e mais confiante que aquela.
De novo tempestades e enchentes nos avisam da ira dos deuses.
Será que ouviremos em tempo? John Parsons.

Profª Elza de Moraes Fernandes Costa (do Portal Concertino) disse...

Boa tarde, Braga! Como vai?

Confesso que também sou uma filélina...

O artigo tem uma riqueza de detalhes tal que eu “vivenciei cada descrição”. Como apaixonada pela história de Atlântida sinto-me recompensada pela leitura. Eu imagino a emoção de estar lá e ver cada pedacinho desse lugar mitológico.

Parabéns pelo trabalho.

Um abraço,
Elza

John Parsons disse...

Prezado Professor, li com alivio sua mensagem de aceitação da minha contribuição. Muito obrigado, especialmente pela provocação que estava precisando para juntar as observações no livro extraordinario de Gavin Menzies com as minhas leituras anteriores - livro que, no meu entender, dá uma nova dimensão aos estudos de Thera/ Stronghyle/ Santorini.

Compartilho sua disposição para ecleticismo, mas sem seu talento. No meu caso chama-se dispersão: quanto mais velho fico, mais curioso, e a vida portanto sempre fascina. Mas agora fico muito preocupado com a coisa ambiental. Já apareceu o "Writing on the wall" (Mene mene tekel upharsin) mas ninguém está prestando atenção. Portanto usei o fim dos Minoanos como pretexto para dar mais uma cutucada.

Agradeço demais sua atenção, espero poder continuar trocando ideias consigo.

Desejando um bom ano cheio de surpresas agradáveis e muito boa música,

Cordialmente,
John Parsons

Marlene Maria dos Santos (escritora) disse...

Você conhece bem este pequeno paraíso terrestre. Um mundo de uma beleza sem igual!
Caro Braga,
Em francês, Santorin, la perle des Cyclades. Um dos mais apreciados espetáculos do mar Mediterrâneo e faz parte do imaginário universal. Sua geologia testemunha uma das mais violentas erupções vulcânicas há 3600 anos. De fato, Santorin é um vulcão em plena atividade e de grande interesse dos cientistas. Constituído por uma grande caldeira submersa e cercada pelos restos do sobrou do cataclismo. A imagem da falésia à beira-mar nas cores pretas, cinzentas e avermelhas provoca incredulidade dos turistas diante tamanho espetáculo da natureza.

Abs
Marlene

Pe. Wolfgang Gruen, SDB (professor de Cultura Religiosa e Língua e Literatura Inglesa na FDB-Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras) disse...

Primeiramente, devo agradecer as excelentes pesquisas que me tem enviado, e que sempre leio com interesse, especialmente quando abordam temas ligados a S. João del-Rei e à Grécia Antiga, sua língua, literatura e cultura. Estudei um pouco de romaico quando de meu curso de Teologia (1950-1953): entre os pedreiros que trabalhavam na construção de um novo prédio, havia dois gregos analfabetos – em grego e em português (de grego só sabiam o alfabeto e escrever o próprio nome). Como eles moravam na área da construção, todas as noites eu ia lá para alfabetizá-los, em romaico e em português; e eles me ensinavam um pouco de romaico: meia hora cada. Claro que saí perdendo, pois eu dedicava mais tempo a eles; mas valeu para eu ter ao menos uma ideia das mudanças. Depois, consegui um livrinho de conversação (romaico-italiano).
Um forte abraço do amigo
Gruen