domingo, 15 de junho de 2014

SEGUNDA VIAGEM À GRÉCIA (19/04/2001 a 26/05/2001)


Por Francisco José dos Santos Braga


Em memória do saudoso primo Álvaro Bosco Lopes de Oliveira, inseparável, leal e inesquecível amigo, companheiro de jornada, presente de Deus em nossas vidas.


I.  INTRODUÇÃO

Do dia 19 de abril a 26 de maio de 2001, tive a grata satisfação de ser guia de uma viagem à Grécia, empreendida por Álvaro Bosco Lopes de Oliveira e sua esposa Emma do Carmo Parentoni Lanna de Oliveira. Era a segunda vez que eu visitava aquele país, agora completamente disposto a apreciar as atrações turísticas que a sua topografia oferecia, já que na vez anterior não tinha saído de Atenas, dedicando-me exclusivamente ao estudo da língua grega moderna. Emma, extremamente curiosa a respeito das localidades, monumentos, museus, santuários e mercados que visitávamos, redigiu um resumido diário de bordo que aproveito em parte para a redação do presente artigo, que tem como objetivo divulgar tudo aquilo que vimos e desfrutamos na Grécia, bem como apresentar um roteiro de viagem para aqueles turistas que queiram aproveitar a nossa experiência, a partir do qual poderão modificá-lo ou simplesmente expandi-lo, conforme a sua curiosidade e desejo.
Portanto, o que se vai ler aqui é o diário de bordo de Emma ampliado com minhas inserções para contemplar aspectos que considero importantes na cultura, história, geografia e topografia gregas.
Da esq. p/ dir.: O autor, Emma Lanna e Álvaro Bosco


II.  DIÁRIO DE BORDO DA VIAGEM À GRÉCIA
 

19/04 Vôo às 7h do Aeroporto de Confins com destino a Guarulhos, com chegada prevista às 8h 11min. Saída pela Swissair às 16h 20min com destino a Zurique.

20/04 Chegada a Zurique às 8h 16 min (hora local). Fuso horário : 5 horas de diferença do Brasil (horário brasileiro: 13h 16min).
Saída de Zurique às 10h 20min (hora local). Chegada a Atenas às 14h 20min (hora local). Hospedagem num hotel no bairro Plaka.

21/04 Citytour pelo bairro Plaka, indo até a Acrópole. Visita ao mercado central, à praça Monastiráki (sinônimo do mercado de pulga ateniense) próxima à antiga Ágora (ou Agorá, como dizem os Gregos),  à Acrópole, à Biblioteca de Adriano (no sopé da Acrópole), à Torre dos Ventos (cada uma de suas paredes de mármore representa um dos oito ventos mitológicos), ao Párthenon (templo da Acrópole, dedicado à deusa Atena), à Catedral Metropolitana de Atenas e igreja de Panaghia Kapnikarea (construída no século XI sobre um templo antigo pagão dedicado ao culto de uma deusa, possivelmente Atena ou Deméter; está situada bem no meio da área de compras da rua Ermou), ambas ortodoxas.
Párthenon, templo dedicado à deusa Atena


22/04 Missa às 9h 30min na Catedral Católica Romana, na Avenida Panepistimíou. Bem próximo fica o Anfiteatro da Universidade de Atenas, que visitamos. À tarde, passeio de metrô.

23/04 Visita ao Ministério das Relações Exteriores da Grécia, ao Ministério Nacional da Educação e Religião (ortodoxa) da Grécia  e à Embaixada do Brasil, esta última no chique bairro Kolonáki.
À tarde, ida de trem ao porto Piréus.

24/04 Arrumação de malas para a viagem a Creta. Embarque para Creta: 21h.

25/04 Chegada a Creta (em Heráklion) às 5h 30min. Aluguel de carro por 7 dias.  Ida ao túmulo de Nikos Kazantzakis em Heráklion. Ida a um mirante, donde se avista a praia de Bali, em Rethymnon, uma das mais bem preservadas velhas cidades venezianas na ilha de Creta. Ida à praia de Bali. Visita à Venetian Fortezza (Fortaleza Veneziana), em Rethymnon. Hospedagem em Chaniá, um porto da ilha de Creta e localidade de ruas estreitas e construções antigas. Citytour.
Venetian Fortezza em Rethymnon


26/04 Seguimos para Paleókhora (sul de Creta) através de uma estrada muito estreita e perigosa. Visita à capela de São Jorge, em Anydroi (próximo a Paleókhora). Apreciam-se afrescos de João Congelado, de 1332 d.C., na capela de São Jorge, em Anydroi.

27/04 Hospedagem em Paleókhora (sul de Creta). Passeio de navio. Ida a uma praia em Elafónissos, que tinha águas cristalinas azuis sobre areia dourada.
Praia de Elafónissos
Da esq. p/ dir.: Álvaro e o autor na praia de Elafónissos


28/04 9h 30min: Passeio de barco a Aghía Rouméli (sul de Creta) e retorno às 18h 30min à Paleókhora. Parada para desembarque e embarque de passageiros em Souglia. Chegada ao ancoradouro de barcos em Aghía Rouméli. Visitamos o Parque Nacional de Samariá. Iniciamos a subida do desfiladeiro de Samariá, em Aghía Rouméli. Transpusemos a primeira das "Portas de Ferro", no desfiladeiro de Samariá. Em seguida, transpusemos a segunda dessas portelas, que são gargantas ou passagens estreitíssimas entre montes. Almoço em Aghía Rouméli. Subida ao Kastro (fortaleza) em Paleókhora. Retorno à Paleókhora, após o passeio de barco ao desfiladeiro de Samariá.

Disco de Festós (frente)
29/04 Saída de Paleókhora às 10h com destino a Rethymnon (norte de Creta). Visita à Venetian Fortezza, em Rethymnon. Ida a Festós onde visitamos os palácios minóicos que foram destruídos por maremoto (1450 a.C.) e outro terremoto (1700 a.C.). Magnífica vista da planície Messará, vista do alto do palácio. Daí procede o Disco de Festós, até hoje indecifrável. Talvez seja um hino sagrado. ¹
Disco de Festós (verso)
Hospedagem em Mátala, primeiro local em que os hippies se estabeleceram após saírem da Turquia; daí se espalharam pelo mundo. Em Mátala, hospedagem em hotel, de cuja sacada avistamos um penhasco de arenito que serviu de túmulo para cristãos primitivos e, depois, para cavernas dos hippies.
Homero escreveu que Menelau, marido de Helena de Tróia, naufragou nesta baía a caminho de casa, quando voltava da Guerra de Tróia.

 Praia em Mátala

30/04 Caminhada pela cidade. Vista da praia e do penhasco de arenito, da sacada do hotel. Saída às 12h para Kómmos (praia do outro lado do penhasco). Seguimos para Gorthys (caminho de Mátala para Heráklion), onde tiramos retratos da Igreja de São Tito, onde o apóstolo foi enterrado. O interior da igreja é ornamentado com imagens dedicadas a um deus egípcio. Seguimos para Heráklion, onde hospedamos no Hotel Petra. Fizemos um citytour.

01/05 Saída para Águios Nikólaos às 11h. Após o almoço, visita à Igreja de Águios Nikólaos, ao norte, no terreno do Minos Palace Hotel e onde há também uma caverna da baía.
Seguimos para Paleókastro. No meio do caminho, fizemos uma parada em Sitía, onde visitamos o Palácio Zakros.
Paleókastro é o ponto extremo a leste de Creta. Ida a praias lindas.

02/05 Compra de tickets para retorno a Atenas por cruzeiro. Ida a Knossos, de ônibus. Retratos do monumento dedicado ao chifre do Minotauro (que habitava no labirinto do Palácio de Knossos), dos seus vasos funerários, afrescos de dois meninos lutando boxe e de um jovem pescador que foram preservados pela lava do vulcão mantendo a cor. No porto de Atenas, Piréus, visita à praça com muralhas venezianas. Embarque no cruzeiro, previsto para as 21 horas, só ocorreu às 0h 30 min de 03/05.

03/05 Chegada do cruzeiro a Atenas às 13 horas. Acomodação no hotel em Plaka. Ida ao comércio.

04/05 Espera pela passagem do Papa João Paulo II por 3 horas na rua do hotel. Em vão. Ida ao mercado. Saída à noite para tomar café em Hydra.

05/05  Ida de trem à missa celebrada pelo Papa, num campo de basquete, em Piréus. Saída à noite para uma volta e para tomar café.

06/05 Aniversário de Álvaro. Ida à Catedral Católica Romana para uma missa por intenção do aniversariante. Visita ao Museu Nacional de Arqueologia que reunia peças espalhadas pela cidade, já que durante a II Guerra Mundial o valioso acervo foi disperso e até enterrado para ser protegido de possíveis danos. Reabriu em 1946 e após 50 anos de trabalho fez jus à fantástica coleção. Ali são exibidas 7 coleções principais de escultura: Neolítica e Cicládica, Micênica, Geométrica e Arcaica, Clássica, Romana e Helenística; coleções de cerâmicas e afrecos de Thirá. Há também outras coleções menores que merecem ser vistas. Aí se incluem a coleção de jóias Eléni Stathátou e salas egípcias.  Máscara de Agamemnon, em ouro. Cavalo e pequeno jóquei e Poseidon em bronze. Vasos de figuras vermelhas e negras do século VI e V a.C.. Vasos funerários geométricos de 1000 a.C.. Almoço e café no bairro chique de Kolonáki.

07/05 Compra de pacote para Santorini e Mykonos. O pacote incluía translado, hotel, barco, café da manhã, para 3 noites em Santorini e 3 noites em Mykonos. Visita à fortaleza Rocca al Mare, no porto de Atenas, Piréus. Saída do porto às 19 horas, com atraso de 1 hora, no navio Express Athina (empresa Hellas Ferries).
Nas palavras de famoso poeta grego, "a Grécia fica no mar" ². Essa sua referência provavelmente se deva à quantidade de ilhas gregas. Ao todo, são mais de três mil ilhas, das quais apenas duzentas são habitadas. Quase sempre ensolaradas, cercadas de mar azul, normalmente com temperaturas agradáveis e água cristalina, as ilhas gregas desfrutam de um status privilegiado. Visitar a Grécia sem ao menos um passeio por algumas delas seria algo impensável. O acesso a elas pode se dar pelo mar ou pelo ar. Centenas de embarcações têm linhas regulares, ligando o continente às ilhas. Quase todas zarpam do famoso porto de Atenas, chamado Piréus. Essas embarcações podem ser tradicionais, rápidas, básicas ou luxuosas, para atendimento dos moradores locais e dos turistas. Aviões são a mais rápida opção para quem não tem tempo a perder e não se importa de pagar um pouco mais.

08/05 Chegada a Santorini às 8 horas. Hospedagem no hotel em Firá. Aluguel de carro por 3 dias. Almoço num restaurante em Kaptepádos. Visita a Oía (pronuncia-se Ía). Primeira vista do vulcão. Muitos becos e restaurantes à beira do abismo. De acordo com a lenda, esta cidade é assombrada por vampiros. Estradas tortuosas. É o 3º porto da ilha de Santorini e centro comercial importante, antes de ser arrasado pelo terremoto de 1956. Em Ía, visitamos ainda a igreja de São Jorge.
Ilha de Santorini


09/05 Ida a Kamari, Thirá antiga e depois Perissa, para conhecer a praia de areia preta. Compra de passagem para Paros e de lá para Mykonos por ser barco de alta velocidade.
Praia de Perissa
À noite, ida a Akrotíri, para visitar o sítio arqueológico, de onde vimos o por-do-sol. Após a erupção vulcânica de 1866, arqueólogos franceses descobriram lá potes minóicos. Mas foi o professor Spyrídon Marinatos, que, escavando em 1967, descobriu a cidade completa. Ficou enterrada sob toneladas de cinza por 3500 anos. Subimos a um lugar alto, donde avistamos os restos arqueológicos de uma caverna. Foi nesta ilha que se descobriu o afresco dos 2 meninos boxeadores e do jovem pescador que foram preservados pela lava do vulcão, tendo sido mantida a sua cor. Muitas outras peças estão no Museu Nacional de Arqueologia de Atenas.
Escavações em Akrotíri

10/05 Saída para um passeio de teleférico, que vai até o porto, ao nível do mar, onde se embarca para citytour ao vulcão e passeios de barco. A vista do alto é uma das mais lindas já vistas. Há uma igreja católica no topo do penhasco.
Sobre a nossa estada em Firá, Santorini, gostaria de relatar algo curioso que presenciamos. Havia, defronte ao hotel em que nos hospedamos, as ruínas de um prédio de três andares embargado, certamente por ter sido construído em local inapropriado e por ter avançado na praia, além do limite para construção de casas. Algum turista muito esperto escreveu nas suas paredes externas, em letras garrafais maiúsculas, algo como um provérbio que despertou a nossa atenção:
ANYONE CAN DIG A HOLE. IT TAKES A MAN TO NAME IT HOME.
Depois soube que esse é o título, com uma leve variante (Anyone can dig a hole but it takes a real man to name it home ³) de uma música da banda Underoath de Tampa, Flórida, no álbum Lost in the Sound of Separation.

Ida ao porto às 15 horas para embarque às 16h 15 min com destino à ilha de Paros. Navio chiquíssimo. Com destino a Paros, parou na ilha de Íos para descida de passageiros. Por fim, chegada a Paros às 21 horas. Hospedagem em hotel. Conhecimento dos becos próximos ao porto.

11/05 Embarque para Mykonos às 11h 15 min em barco de alta velocidade. Duração da viagem: 45 minutos.  Acomodação no hotel. Aluguel de carro por 3 dias.
Mykonos é uma das ilhas mais procuradas e badaladas, e, ao mesmo tempo, uma das mais caras, fazendo parte das ilhas cicládicas. Essa ilha é demandada especialmente por artistas e por quem gosta de dança, música e vida noturna. Outra particularidade de Mykonos é sua fama de capital gay da Grécia.
Passeio de carro até Moní Paleókastrou, onde vimos o mosteiro do século XVII. Vista de uma ruína com uma capela construída ao lado. Ida às praias de Paradise e Ághios Stéfanos.

12/05 Em Mykonos, visita a Áno Meriá, onde fomos a lindo monastério de Panaghia Touliani com seus lindos ícones cretenses, do século XVI, dedicado à protetora da ilha. Sua torre de mármore foi esculpida por artesãos de Tinos. Ida à praia de Kalafonates e, após Fteliá, onde há um hotel de pedra. Ida à praia de Eliá (azeitona ou oliveira). Visita à Watermania.
Mykonos é um emaranhado de ruelas com casas brancas em forma de cubos, um labirinto de ruelas estreitas para desafiar o vento e o ataque dos piratas. Possui um porto.  Perto do porto fica a Praça Mavroguénous, onde está o busto da revolucionária heroína Mantó Mavroguénous. Ela recebeu a patente de general pela vitoriosa batalha contra os Turcos em Mykonos, na Guerra da Independência em 1821.
Heroína Mantó Mavrogénous

O mascote da ilha é Pétros, o pelicano.
Em Mykonos há 365 igrejinhas rememorando os pescadores que iam para o mar e não voltavam. Hoje é mania a decoração dos quintais para batizados, casamentos e outras festas.

13/05 Ida à Pequena Veneza. Ida aos moinhos e bares à beira-mar. Ida às praias de Psárou e Platys Gialos. Missa numa igreja da Pequena Veneza.

14/05 Retorno à praia de Psárou. Caminhada pela praia. Ida à praia de Ornos. Caminhada pela praia de Kanália e Ornos. Seguimos para Ághios Ionnis, com suas muitas tavernas tradicionais. Embarque para Atenas às 15 horas. Hora prevista para chegada em Atenas: 21 horas. Chegada com atraso de uma hora.

15/05 Visita à Praça da Constituição (Platía Sindágmatos), em frente ao Parlamento grego, para assistir à troca da guarda.
Ida à Acrópole.  Entrada principal ("Propileus") para o Teatro de Herodes Ático (utilizado para o Festival de Atenas). 
Propileus e Teatro de Herodes Ático

Acrópole: vista do Párthenon (em cima) e Propileus e Teatro de Herodes Ático (embaixo)

O Párthenon, edifício mais famoso do mundo, foi encomendado por Péricles como parte do programa de obras, tendo sido iniciado em 447 a.C., para cuja construção do templo dórico dedicado a Atena, a deusa protetora da cidade, o escultor Fídias foi encarregado de supervisionar. 
                Párthenon original e a estátua da deusa Atena, de ouro e medindo 

        nove metros de altura, conforme idealizados por Fídias


Reconstrução do frontão leste do Párthenon, segundo desenho de K. Schwerzek
Em menor escala, os outros templos da colina são o Erectéion e o de Atena Níki (dedicado a Atena da Vitória), a oeste do Propileus.

Pórtico das Cariátides: colunas feitas de estátuas de mulheres foram usadas no lugar das colunas no pórtico sul do Erectéion. As originais foram substituídas por cópias, mas quatro delas estão no Museu da Acrópole.
Ao fundo da Acrópole há o Templo de Zeus Olímpico.
Visita ao Santuário de Hécate.
Museu da Acrópole: Abaixo do nível do Párthenon. Inaugurado em 1878, foi reconstruído depois da II Guerra Mundial para acomodar somente o acervo dedicado aos achados da Acrópole.
Estátua da deusa da fertilidade: Hera.

16/05 Saída para o Peloponeso às 15 horas. Primeira escala: Ida a Corinto para conhecer o famoso canal.
Canal de Corinto


17/05 Segunda escala: Corinto antigo. Impressionante a fachada das 2 fontes da Agorá, o templo romano ou templo da imperatriz Otávia, colunas do arcaico templo de Apolo. Museu. Fonte Glauce e Peirene.
Ida ao Museu de Corinto, em que praticamente todas as estátuas tiveram suas cabeças decepadas. Vista dos portões do forte da Acrópole, que está a 575 metros de altitude. Há aí a capela de Ághios Demétrius na fortaleza de Corinto. Ida para Náfplio, primeira capital da Grécia. Visita à fortaleza de Náfplio e ao castelo no mar: Brutzi. Ida para Argos, onde visitamos o castelo de Larissa e monastério.

18/05 Visita ao Palamídi Castle que é a parte mais alta da fortaleza de Náfplio. Ida ao Museu de Náfplio. Ida a Micena. Parada em Thiryns para ver as muralhas ciclópicas (pedras gigantescas). Não se encontrou até hoje explicação para o tamanho das pedras. Ida ao túmulo de Thólos de Thiryns, cujos vasos estavam no museu de Náfplio.
Continuação da viagem para Micena. Porta do Teatro de Atheus, o mais preservado dos túmulos. Portão dos Leões na entrada para a Acrópole de Micena. Círculo do Sepulcro ou cemitério real da família Atreides. É constituído de muralhas ciclópicas da época da civilização micênica. Vista parcial de escavações no local com pedras ciclópicas.
Volta a Argos para visita ao Museu. Monastério de São Pedro.
Ida a Epidauro ou Epídavros (como dizem os Gregos). Visita ao Teatro de Epidauro (163 degraus e 12.600 lugares). O famoso anfiteatro fica ao lado do santuário dedicado aos deuses Asclépio e Ártemis. Tudo isso não fica muito longe de Náfplio no Peloponeso. Sobre o anfiteatro: trata-se de um dos mais fantásticos anfiteatros do mundo, no formato do ouvido humano, com perfeita e imbatível acústica.
Teatro de Epidauro
 Sobre o teatro de Epidauro, encontra-se na Infopédia a seguinte referência: 
"A arquitetura grega mantém, no essencial, as suas características clássicas desde o final da Guerra do Peloponeso até à conquista romana. O único elemento original introduzido neste período foi a remodelação dos teatros, construções muito importantes para a cultura grega, amante da arte da representação.
Os teatros, construídos ao ar livre, passam a ser planeados de uma forma racional, adotando uma estrutura regular. Até ao século IV a.C., o teatro era apenas um auditório, implantado numa encosta, preferencialmente côncava, servida por bancos de pedra. A partir deste momento a rocha é escavada em hemiciclo, o que permite criar filas de bancadas concêntricas com intervalos regulares. O espaço central do teatro, de formato circular, era reservado para a atuação do coro.
O teatro de Epidauro, construído no século IV a.C. (c. 350 a.C.), é um belo exemplar deste tipo de construção grega. Neste caso podem ser observados alguns vestígios de um grande compartimento, possivelmente utilizado como uma estrutura de suporte do cenário.
O teatro faz parte da estação arqueológica de Epidauro, um local classificado Patrimônio Mundial pela UNESCO."

Sobre o museu e o santuário, ao lado do anfiteatro, observamos que se conservam nos seus recintos os utensílios e "aparelhos" utilizados para as "operações médicas" que ali eram praticadas. Também estão expostas muitas estátuas, lamentavelmente sem cabeça.
Ali se pode ver também exposto o Juramento de Hipócrates, em grego antigo.
Asclépio (ou Esculápio, em latim) é o deus da Medicina e da cura da mitologia greco-romana. Não toma parte no Panteão das divindades olímpicas, mas acabou por se tornar uma das divindades mais populares do mundo antigo, tanto que Apuleio disse dele: "Æsculapius ubique" (Esculápio está por toda parte). A sua imagem permanece viva e é um símbolo presente até hoje na cultura ocidental.
Estátua de Asclépio no museu do Teatro de Epidauro

19/05 Partida com destino a Keramídi e Kosta. No caminho, visita às ruínas do antigo Teatro de Demos em Epidauro (pequeno teatro).
Parada em 9 cavernas, com destaque para Didyma Cave. Visita à capela no interior da caverna. Hospedagem em Porto Helliá. Ida ao porto de Kosta, mas os taxis marítimos para a ilha de Spetses custavam muito caro. Resolvemos ir de ferry-boat (muito mais barato) no dia seguinte.

20/05 Ida a Hydra (uma das ilhas situadas no Arquipélago Argo-Sarônico)  de ferry-boat. Saída às 9 horas e duração de 45 minutos. Linda a vista parcial do porto de Hydra, do alto. Exposição de pintura. Visita ao Museu Lázaros Koundouriotis Mansion localizado no porto. Visita à entrada do Mosteiro da Assunção da Virgem Maria. Tentativa de subir o caminho costeiro que leva à conhecida praia de Mandraki, mas houve desistência no caminho pela dificuldade de atingi-la e, consequentemente, volta à praça. O acesso às praias de Hydra é feito por barcos, por ficarem em locais desprovidos de estradas. Casas brancas, flores, mar cristalino, muitos barcos e muitos, muitos gatos...
A denominação de Hydra dada a essa ilha foi em referência às fontes de água que lá existem. Na Guerra da Independência a ilha de Hydra contribuiu com 130 navios para a esquadra grega e serviu como um dos principais portos de abastecimento dos Gregos.
Às 16 horas, tomamos um barco para Spetses. Duração da viagem: 45 minutos. Compra da passagem para Porto Helliá. Caminhada até a Faculdade. Monumento da mulher mais tradicional da ilha, Laskarina Bouboulina (1771-1825), que tornou-se almirante e ameaçou os Turcos com sua embarcação "Agamenon" e seduzia os homens à mão armada. Ela foi morta com um tiro em 1825 disparado pelo pai de uma moça que fugira com o filho dela. Laskarina Bouboulina é homenageada na ilha, tendo um museu particular e monumento em praça pública.

Pintura a óleo de Laskarina Bouboulina no Museu Histórico Nacional, de Atenas.
Tomamos um taxi marítimo para a ilha de Kosta.
Em seguida, tomamos um táxi terrestre para Porto Helliá.

21/05 Citytour na cidade. Saída para Tebas. Entrada em Dídimo, procurando cartão postal das cavernas. Nada feito! Entrada em Epidauro para compra do postal. Nada também! Entrada em Tebas. Na sequência, seguimos para Delfos (conhecida desde a Antiguidade como "Umbigo do Mundo"), uma moderna cidade grega muito conhecida por seu sítio arqueológico . Visita ao templo da deusa Atena, deusa sob cuja proteção estava também a cidade de Atenas. Deixamos para o dia seguinte a visita  ao templo de Apolo, onde ficava o famoso oráculo de Delfos que respondia aos questionamentos apresentados pelos reis, e o museu. 

22/05 Visita às ruínas de Delfos, no monte Parnaso, na Fócida. Ruínas do Templo de Apolo. O famoso templo era rodeado de várias capelas, chamadas de "tesouros", depositários de ex-votos e oferendas das cidades-estado gregas, para comemorar vitórias dedicadas ao deus ou para agradecer benefícios alcançados. Os vândalos foram cristãos no século V. Esses saquearam tudo e tiraram os olhos do deus, que eram de ônix, marfim, prata e rubi. Fundiram-nos. Todos os tesouros foram saqueados e derretidos, sendo os mais ricos o Tesouro de Atenas, hoje o único restaurado, e o Tesouro de Sifnos.
Importância de Apolo: deus vinculado a uma supremacia feminina (Pythía ou pitonisa, etimologicamente derivada de Python, animal que se arrastava sobre a terra. Originalmente era um poder que vem da terra. O altar dedicado a Apolo talvez tenha sido devotado originalmente a Rea, sua mãe, divindade que representa a terra.) Essa pitonisa era mulher que todo 7 de fevereiro predizia qualquer evento futuro. Uma só mulher para esta finalidade. Com o tempo foram necessárias 3 mulheres, devido à multidão que passou a visitar o templo. Era uma mulher de mais de 50 anos, casada e com passado irrepreensível. Passos da pitonisa:
1º) Banhava-se numa fonte;
2º) Andava por um caminho sagrado que ainda existe;
3º) Entrava num aposento cheio de gases que vinham de dentro da terra;
4º) Ela devia prever olhando para o buraco dentro da terra e emitir as predições numa língua complicada de cima de uma pedra que ainda existe;
5º) Um grupo de homens faziam a transcrição do que ela dizia em forma de versos.
Lembrando: Apolo é filho de Zeus com Réa (Mãe Terra). A capacidade de previsão é da mulher. Foi esta uma época em que a mulher desempenhou um papel importante na sociedade.
O culto de Apolo está relacionado com a Mãe Terra. Apolo é o deus da clareza, raciocínio, eloquência, filosofia, artes, inclusive a música.
Fizemos ainda visita à fonte no estádio de Delfos. Ida ao ponto mais alto de Delfos: 550 metros de altitude.
De Delfos enxerga-se a cidade de Itéa, à beira-mar. Delfos fica a uma altitude de 550 metros. Descida para Itéa. Citytour à beira-mar. Ida para Chalkída.

23/05 Saída com destino a Piréus. Ida do porto para Atenas.

24 e 25/05  Descanso em Atenas.

26/05 Final da viagem. Retorno ao Brasil.



III.  NOTAS DO AUTOR



¹  De acordo com recente investigação científica objetivando decifrar o Disco de Festós, já foi possível decifrar 95% das inscrições no disco, usando os valores fonéticos de escritura micênica Linear B (mediante a minóica Linear A e os "hieroglíficos" minóicos), graças aos trabalhos desenvolvidos por Dr. Gareth Alun Owens, do TEI-Technological Educational Institute of Crete, e John Coleman, professor de Fonética da Universidade de Oxford, que utilizaram como referência a decifração da escrita Linear B por Michael Ventris e puderam comprovar que indubitavelmente se trata de um texto religioso, possivelmente dedicado à Deusa Mãe da Creta minóica, escrito em língua minóica, muito semelhante aos textos religiosos provenientes do Santuário do pico do Monte Yuktas, próximo a Knossós. Os resultados de suas investigações foram apresentadas em 30 de novembro de 2012, comemorando o 99º aniversário da união de Creta com a Grécia em 1913, celebrada anualmente em 1º de dezembro. O Disco de Festós, exibido atualmente no Museu Arqueológico de Heráklion, é uma peça arqueológica de argila cozida e com inscrições em ambas as faces, datada do final da Idade do Bronze, foi descoberta em 1908 durante as escavações no palácio minóico de Festós, no sul de Creta. (Cf. http://www.panoramagriego.gr/2012/12/el-disco-de-festos-se-descifra.html e http://www.teicrete.gr/daidalika/)

²  Esta referência se deve à quantidade de ilhas que formam o que ficou popularmente conhecido por "Ilhas Gregas". Este conjunto é formado pelas ilhas do Golfo Sarônico, do Golfo Argólico, do Mar Egeu do Norte, do Egeu do Leste, do Dodecaneso e do mar Jônico, as ilhas cicládicas, as ilhas Esporades, e a maior de todas, Creta. Ao todo são mais três mil ilhas. 

³  Trad.: Um buraco qualquer um pode furar, mas é preciso um verdadeiro homem para aquilo ser chamado de casa.

  Fonte: http://www.infopedia.pt/$teatro-de-epidauro

 As pesquisas arqueológicas em Delfos começaram em 1860 pelos Alemães. Em 1891, o governo grego deu autorização à Escola Francesa de Atenas para fazer escavações no sítio a longo prazo. Foi então a aldeia de Kastri removida para permitir a denominada "Grande Escavação", que pôde então fazer a descoberta de vestígios espetaculares, incluindo cerca de três mil inscrições de grande importância para se conhecer a vida pública na Grécia Antiga.



IV.  AGRADECIMENTOS




Gostaria de registrar aqui minha gratidão a Emma do Carmo Parentoni Lanna de Oliveira por ter registrado, em linhas gerais, as atrações turísticas e impressões que nos trouxeram as localidades visitadas na Grécia, durante nossa viagem, e por ter cedido seu diário de bordo para a redação desta crônica de viagem. 

10 comentários:

Geraldo Ananias Pinheiro (escritor e romancista) disse...

Excelente. Tirei cópia.
Comecei a escrever novo romance. Será ambientado onde? Na Grécia.
Forte abraço.
Geraldo Ananias

Henrique Nogueira Coelho (pianista e compositor) disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Desembargador Rogério Medeiros Garcia de Lima (escritor e Membro da Academia de Letras de São João del-Rei) disse...

JÁ ESTIVE LÁ DUAS VEZES E QUERO IR OUTRAS INÚMERAS.
DIVINAMENTE BELA, RAIZ DA CULTURA OCIDENTAL.
ABS.
ROGÉRIO

Prof. Ulisses Passarelli (folclorista, escritor e Membro da Academia de Letras de SJDR) disse...

Relato interessantíssimo. Quem lê tem vontade de ir lá ver isto tudo. Parabéns.
Abç. UP.

Ana Maria Lopes de Oliveira e José Alvim Resende disse...

Parabéns a vc e à Emma por este diário de bordo pisando na história.
Saudades do Álvaro

Abraços p/ vc e Rute

Ana Maria e José Alvim

Maria do Carmo Lopes de Oliveira Braga (escritora e romancista) disse...

Francisco, o diário de bordo que Emma, minha querida cunhada, redigiu quando você, Alvaro e ela foram à Grécia, acrescido com seu valioso conhecimento da cultura e história gregas, me fizeram viajar tão longe na certeza que um dia, quem sabe não tão longínquo, eu e Fernando iremos a este lindo país e com certeza que essas tão minuciosas observações estarão em nossa bagagem. Obrigada a você por me fazer participar deste brilhante relato que me recordou mais ainda o meu saudoso irmão Alvaro. Com o meu carinho e agradecimento, sua prima e cunhada Maria do Carmo.

Profª Elza de Moraes Fernandes Costa (terapeuta holística, pianista e gerente do Portal Concertino) disse...

Prezado Braga,

Que viagem! Respira-se cultura e volta-se a um passado maravilhoso.

Fotos lindíssimas e tudo tão bem detalhado que dá para se sentir um companheiro de viagem.

Parabéns pelo artigo, extensivo à Emma.

Um abraço,
Elza

Emma do Carmo Parentoni Lanna de Oliveira disse...

Francisco,
Lendo o diário de bordo da viagem à Grécia, viajei novamente com você por aqueles maravilhosos locais e recordei da sua agradável companhia. Fiquei feliz!
Com carinho e agradecimento pelos acréscimos históricos e culturais e pela amizade que você sempre demonstrou por mim e demonstrava pelo nosso querido e saudoso Álvaro.

José Carlos Hernández Prieto (tradutor, Membro de IHG e da Academia de Letras de São João del-Rei) disse...

Caro Braga; muito interessante a matéria. Obrigado pela oportunidade de lê-la. A respeito, já ouviu falar do "mármore pentélico"? Dizem que estava entremeado de ouro, tal como a gordura em finos veios na carne, e suas jazidas acabaram há milênios. É lenda ou existiu mesmo esse mármore?

Há uma referência a "hippies" que saíram da Turquia e se estabeleceram em Creta, de onde se espalharam pelo mundo. Penso que seriam os "gyspies" (ciganos) http://en.wikipedia.org/wiki/Romani_people.

Abraço fraterno.

José Carlos Hernández Prieto

Beatriz Braga Coelho disse...

Querido Padrinho,
Eu amei o seu texto!
Aquela parte que você citou que foi a uma cidade que era assombrada... É demais!!!
Ah, e eu gostei muito das fotografias especialmente a da Praia de Perissa.
Numa parte citou minha deusa predileta, Hera.
Você escreve maravilhosamente e deixa todos que leem seu texto maravilhado!
Beijos para você e para a Tia Rute!
Beatriz:)