quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

APOLOGIA DE Pe. ANTÔNIO VIEIRA: MEU DISCURSO DE POSSE NA ACADEMIA DIVINOPOLITANA DE LETRAS


Por Francisco José dos Santos Braga



Ilmo. Sr. João Carlos Ramos, DD. Presidente da Academia Divinopolitana de Letras, em cuja pessoa cumprimento os outros membros da Diretoria e todos os integrantes da Mesa,
Ilmo. Sr. Ruy Franca, confrade que brilhantemente me saudou, abrindo-me as portas desta Casa de Cultura, 
Ilmo. Dr. Roque Camêllo, DD. Presidente da Casa de Cultura-Academia Marianense de Letras e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais,
Prezados e nobres colegas Acadêmicos que aqui comparecem para prestigiar esta minha posse como Membro Efetivo deste Sodalício,
Senhores e Senhoras,


Nesta noite de 14 de dezembro de 2016, preliminarmente devo confessar que sempre fui muito bem acolhido nesta Casa de Cultura desde a primeira visita de cortesia que lhe fiz em 2011, em concorrida reunião na Estação da Cultura dirigida pelo presidente Célio Tavares e que contou com a presença do Dep. Jaime Martins Filho, até o instante em que meu nome foi aprovado por unanimidade, em 16/06/2012, em reunião extraordinária, como membro correspondente desta Academia, sob a presidência do Dr. Paulo Milagre. Desde então tenho procurado corresponder à expectativa de prestigiar com minha presença as principais cerimônias acadêmicas, de fazer cobertura de algumas delas no Blog do Braga que gerencio e, por fim, de representar esta Casa de Dr. Carlos Altivo junto às instituições das quais participo. Tal foi a confiança em mim depositada pelo atual vice-presidente Augusto Ambrósio Fidelis que considero impossível retribuir a enorme quantidade de gentilezas de que tenho sido alvo. Cabe-me ainda dizer que, em todas as ações desenvolvidas em parceria com esta Casa de Jadir Vilela de Souza,  tenho encontrado a benevolência do eminente Secretário Geral da ADL, Dr. Fernando Teixeira, a quem devo muitos obséquios generosamente prestados. Espero poder, com minha presença aqui ou na minha pequena trincheira em São João del-Rei, ajudar a divulgar e contribuir para o engrandecimento desta Casa, colaborando para o alcance de seus objetivos sociais e culturais, tornando mais efetiva minha presença nesta Academia e na cidade de Divinópolis e levando aos mais diferentes rincões os valores fundamentais de sua cultura.

Particularmente, não sei como expressar com vibrantes palavras de gratidão o que me vai no peito neste momento: é com voz embargada que atribuo minha posse desta noite ao amigo presidente João Carlos Ramos, que foi quem mais se empenhou para apresentar o meu nome à consideração da atual Diretoria, da comissão que unanimente o referendou para integrar o quadro de Acadêmicos Efetivos desta egrégia Arcádia e, sobretudo, de seus Pares. Fiquem, pois, aqui registradas, o mais solenemente possível, a minha homenagem e gratidão ao homem e poeta João Carlos Ramos.  

Estejam todos os nobres Acadêmicos certos de que será dignamente reverenciada a homenagem que me está sendo conferida, ao me franquearem o ingresso no pórtico desta Academia Divinopolitana de Letras, tendo como meu patrono Pe. António Vieira. Com certeza, através desse gesto singelo, ao passarem às minhas mãos o diploma de Acadêmico desta Arcádia, estão não só avalizando o meu trabalho intelectual, como também irmanando minha terra natal (São João del-Rei) com Divinópolis, com o fortalecimento dos estreitos laços que já existem entre a "Cidade Oficina, Cidade Esperança e Divina" e "a cidade dos sinos", terra natal do Alferes Tiradentes.

Também gostaria de agradecer ao Acadêmico Ruy Franca, inesquecível diretor do Banco do Brasil-Agência de São João del-Rei, no período de 1975 a 1978, as palavras gentis de sua saudação a este neoacadêmico que se considera um iniciante em relação às ilustres e experientes figuras que o recepcionam nesta noite de gala. Saiba o Sr. Ruy Franca que o considero digno do meu mais profundo e respeitoso afeto e que a admiração é mútua.

Também quero fazer um agradecimento formal a Dr. Eugênio Ferraz, o Chanceler da Comenda da Liberdade e Cidadania, que me cedeu os 25 quadros do Instituto Camões sobre a vida e obra do Pe. António Vieira, que se encontram expostos aqui neste plenário da Câmara Municipal de Divinópolis, fato inédito que vem abrilhantar sem dúvida a minha posse nesta Casa de Sebastião Bemfica Milagre. 

Agradeço ainda ao Secretário Geral da Câmara Municipal de Divinópolis, Dr. Flávio Ramos, ter colocado a estrutura da Casa do Povo a nosso serviço para o brilhantismo da minha posse, ter cedido o espaço deste plenário para a exposição dos quadros e a realização desta cerimônia e, por fim, ter autorizado os funcionários a colocarem os recursos de sonoplastia à nossa disposição. 

Gostaria, ademais, de agradecer à minha amada esposa Rute Pardini Braga por sua dedicação integral a esta solenidade de minha posse na ADL, abrilhantando-a com a sua arte e com a parte operacional da organização de todo este evento.

Agradeço àquelas pessoas que, em sinal de estima e elevada consideração, se deslocaram para virem a meu encontro para essa confraternização, a exemplo do que ocorreu com meu irmão Carlos Fernando dos Santos Braga (de São João del-Rei), Dr. Roque Camêllo (de Belo Horizonte) e Dr. Lúcio Flávio Baioneta (de Belo Horizonte) e respectivas esposas, além de frei Joel Postma o.f.m. e frei Irwin o.f.m. (ambos de Santos Dumont, MG).

Finalmente, venho trazer meu preito de eterna gratidão à TV Candidés que autorizou seus técnicos a transmitirem ao vivo esta minha posse, a pedido do presidente João Carlos Ramos, possibilitando que milhares de seus fiéis expectadores tivessem, pela primeira vez, acesso a uma cerimônia de posse acadêmica, servindo para desmistificar os preconceitos que rotulam de "careta" tudo o que se refira a Academias e suas solenidades. Reitero minha gratidão a TV Candidés, por ter destacado seu diretor de jornalismo Flaviano Cunha para atuar nesta solenidade de minha posse como mestre de cerimônia, o que reconhecidamente faz com competência e cheio de entusiasmo, contribuindo para o maior brilho do evento.

GUILHERME SANCHES, o Acadêmico que me precedeu na Cadeira nº 11, nasceu na cidade de Cruzeiro-SP, filho de José Sanches Ferreira e Rosa Gomes Ferreira, no dia 25 de junho de 1924. Divinopolitano por adoção desde menino com idade de 12 anos, nesta terra acolhedora aportou, estudou, cursou a Escola Profissional Ferroviária, foi servidor da Rede Mineira de Viação e casou-se com Neusa Sanches Oliveira. Tiveram cinco filhos. Destacou-se na nova cidade como professor de violão, cavaquinho e bandolim. Para dar uma ideia de sua competência no bandolim, basta lembrar que, em maio de 1986, acompanhou o grande flautista Altamiro Carrilho, em espetáculo na Sede Campestre do BB, em Divinópolis. Segundo seu filho Rinaldo, Sanches tocou também com Jacob do Bandolim num programa de TV. Como compositor, teve uma dezena de trabalhos registrados, com letra e música. Merecem especial destaque o registro na Escola de Música da UFRJ de duas de suas composições mais conhecidas: "Pela Madrugada" e a marcha-rancho "Folião Apaixonado". Importa destacar também a sua participação no Conjunto Regional, uma mini-orquestra de tendência para a música erudita, que atuava nos programas de estúdio da Rádio Cultura e abrilhantava as pré-matinês do antigo Cine Alhambra e as matinês carnavalescas do Divinópolis Clube. Também participou do conjunto chamado Bando da Lua. Trabalhou por algum tempo em São Paulo, na Sofumge, indústria de material ferroviário. Já aposentado dedicou-se às letras, tendo escrito um livro de memórias, em homenagem a Divinópolis: "Minha Terra Adotiva", que teve duas edições, sendo a 2ª edição de 1998, ambas com apresentação de Mercemiro Oliveira Silva. Sua crônica "Estranhos Sabores" mereceu publicação em Anthocrônicas II (2009) e no livro O Melhor das Antologias (2010), ambas publicações da Academia Divinopolitana. Nessa crônica, Sanches traz inúmeras memórias sobre a Oficina Ferroviária de Divinópolis da época de sua chegada (1938) e relata como,  no bairro Esplanada de Divinópolis, os meninos de Cruzeiro-SP introduziram o costume de captura de içás (tanajuras)... para comer. Admitido no quadro de Acadêmicos desta ADL, escolheu Pe. António Vieira para patrono da cadeira nº 11 desta Academia. Quero agradecer aos filhos de Guilherme Sanches (Vera, Ronan e Rinaldo) a sua presença nesta minha posse como sucessor de seu dileto pai nesta Academia. Espero estar à altura para dar continuidade ao trabalho artístico desse grande artista nesta Casa de José Maria Álvares da Silva Campos. 

Através de Dr. Flávio Ramos, nesta data, tomei conhecimento da aprovação da Lei nº 8226 de 8 de novembro de 2016, aprovada pela Câmara Municipal de Divinópolis e sancionada pelo Prefeito Vladimir Azevedo, cuja ementa diz: "Denomina "Guilherme Sanches" à Rua "15" localizada no Residencial São Frei Galvão, neste município." Grande sensibilidade! Bela iniciativa do Vereador Kaboja, presidente da Câmara Municipal de Divinópolis, muito justa em relação ao ilustre musicista, filho adotivo de Divinópolis, que precisa ser exaltada, apreciada e divulgada! Eis a razão por que peço do distinto auditório uma salva de palmas pela meritória iniciativa.

Antes de falar sobre a vida e obra de Pe. António Vieira (1608-1697), figura ímpar das letras luso-brasileiras, convém constatar sua importância histórica verificável nas comemorações do Quarto Centenário de seu nascimento que transcorreram no ANO VIEIRINO 2008 estendido a 2009, festejado e celebrado em congressos, exposições, concertos, seminários, documentários e vários outros eventos e homenagens que tiveram lugar no Brasil e no Velho Continente, sobretudo em Portugal (Universidade de Lisboa, junto com Universidade Católica Portuguesa e a Província Portuguesa da Companhia de Jesus) e na Itália (Universidade de Roma La Sapienza). Em Lisboa, foi marcante o Congresso Internacional "Padre António Vieira: Ver, Ouvir, Falar: O Grande Teatro do Mundo" que reuniu mais de 100 especialistas da Alemanha, Brasil, Espanha, Estados Unidos, França, Itália e Portugal.


Para compreender a vida de Vieira e sua abrangente obra escrita (30 tomos na última edição portuguesa do Círculo de Leitores), é necessário situá-las no tumultuado século XVII. Inicialmente se deve constatar que foram inúmeros os acontecimentos políticos e militares que sacudiram a Europa e, se os tempos exibiam essa "diversidade", Vieira, fruto de seu tempo, não conseguiu passar ao largo das turbulências de seu século, cujo reflexo assistimos em sua própria vida, feita de cortes radicais, de inversões abruptas que se repetem.

Na vida social, Vieira assistiu ao nascimento e rapidíssimo crescimento das cortes, com a passagem da hegemonia dos reinos de Portugal e Espanha para duas novas potências: a Inglaterra e a Holanda. Por um lado, ingleses e flamengos fortaleceram suas economias e lançaram as bases de seus impérios coloniais, ancorando-se com competência nos princípios mercantilistas; por outro lado, o triunfo da "razão de Estado" acompanhou o desenvolvimento constante do centralismo monárquico, até levar à monarquia absoluta de direito divino, defendida por Luís XIV de França. A crise espanhola começou a se delinear no final do século XVI, no governo de Felipe II, que enfrentou rebeliões em Nápoles, Andaluzia, Portugal e Países Baixos, havendo perdido sua "Invencível Armada", sua poderosa marinha de guerra. A União Ibérica (1580-1640) mostrou-se fortemente desfavorável a Portugal que herdou todos os inimigos que a Espanha tinha. A Holanda invadiu suas colônias na América e África, resultando num enfraquecimento português devido às guerras espanholas. Considerável parcela da nobreza mercantil portuguesa possuía muitos interesses na colonização e lutou pelo reconhecimento do Duque de Bragança como novo monarca português, consolidando em 1640 a separação da Espanha e o início da Dinastia de Bragança com D. João IV.  ¹

No campo do conhecimento, Vieira assistiu à passagem de uma cosmovisão medieval tanto para a Revolução Científica do século XVII (representada pelas descobertas de Kepler, Newton e Galileu), quanto para uma filosofia independente, tradicionalmente reconhecida como o início da Filosofia Moderna, com o surgimento de novas metodologias: uma moderna epistemologia e a ruptura com a doutrina escolástica. É assim que se observa no século XVII inúmeras e profundas inovações: Francis Bacon, considerado por Kant como inaugurador do empirismo, inova com o método indutivo, enquanto René Descartes, tido por Kant como predecessor do racionalismo, reconstrói uma metafísica de caráter epistemológico a partir do sujeito ordenador do conhecimento. Thomas Hobbes e John Locke, ambos filósofos empiristas ingleses, o primeiro com sua teoria detalhada do contrato social, e o segundo, um ideólogo do liberalismo, foram dois dos fundadores da filosofia política. Por outro lado, Spinoza e Leibniz foram seguidores de Descartes, portanto ambos racionalistas. O primeiro, judeu holandês, que inovou principalmente pelos seus conceitos de Deus, de natureza naturante e de monismo neutro; o segundo, matemático e físico alemão, além de filósofo, o qual, como tal, contribuiu para a metafísica com a sua teoria sobre as mônadas. 

Embora Vieira tenha sido homem de seu tempo e, portanto, afetado por todas essas turbulências, foi no campo artístico, mais especificamente no da oratória sacra, que Vieira assistiu à maré ascendente do barroco, nas artes e nas letras, não ficando imune ao conceptismo ², tomando-lhe o jogo constante entre alegoria e realidade e especialmente adotando a concepção lúdica e teatral do grande barroco em sua oratória.  

João Lúcio de Azevedo, o grande biógrafo de Vieira ³, foi muito feliz ao dividir a vida do grande orador em seis períodos, com os títulos com que caracterizou cada um deles, fruto da observação das reviravoltas por que passou Vieira ao longo de sua vida, a saber: o religioso, de 1608 a 1640; o político, de 1641 a 1650; o missionário, de 1651 a 1661; o vidente, de 1662 a 1668; o revoltado, de 1669 a 1680; e, por fim, o vencido, de 1681 a 1697. É importante observar que o espírito religioso é o princípio unificador que perpassa todos os seus empreendimentos. Neste discurso vamos nos servir da divisão proposta por Azevedo, para examinarmos fatos da vida e a obra de Vieira.

Sobre o primeiro período da vida de Vieira (1608-1640), chamado de O Religioso, temos a dizer que, embora tenha nascido na freguesia da Sé, em Lisboa em 1608, veio morar em Salvador (Bahia) juntamente com a família com a idade de 6 anos. Antes, em 1609, veio seu pai para trabalhar como escrivão no Tribunal da Relação da Bahia. Estudou no Colégio da Companhia de Jesus e aos 15 anos manifestou sua decisão de entrar na Ordem. Iniciado o noviciado em 1623, concluiu-o em 1625. Ainda noviço, foi testemunha ocular da invasão holandesa da Bahia (1624), da qual fará relato circunstanciado em 1626. Como Vieira era fraco nos estudos, pediu fervorosamente à Virgem Maria que o curasse. Mais ou menos nessa época ocorreu com ele um sinal conhecido como "milagre do estalo". Seguiram-se etapas normais da carreira do jesuíta: estada nas aldeias de índios para melhorar o conhecimento da língua tupi, magistério no Colégio de Olinda (1626), ensinando retórica. Data de 1626 a primeira Carta Ânua da Província do Brasil, enviada por Vieira, de que temos conhecimento, constituindo-se um maravilhoso documento sobre a violenta entrada que os holandeses fizeram na cidade da Bahia, dando notícia das ocorrências dos anos de 1624-25. Foi escrita em língua latina, por ordem do Provincial da Bahia ao Geral da Companhia. Seguiram-se os estudos maiores, três anos de filosofia e quatro de teologia, ordenando-se Vieira sacerdote jesuíta em 1635. Três anos depois era nomeado professor de teologia. A partir de 1633 começou sua carreira de orador. Através dos sermões conservados de sua pregação na Bahia, [AZEVEDO, apud PALACÍN, 12-13] teceu os seguintes comentários:  
"Nos sermões deste tempo mostra-se já Vieira o orador que mais tarde havia de granjear dos contemporâneos tamanho aplauso. Desde então, pode-se afirmar, foi sempre igual a si mesmo; possui as qualidades todas que o distinguem; nenhum dos defeitos corrigiu depois. Erudição, estilo grandioso, intimativa, número, propriedade notável da linguagem, elegância e pureza, de uma parte; de outra, o abuso das alegorias, das antíteses, as sutilezas, os trocadilhos, os maneirismos, que inflamavam a literatura da época, e sobretudo a eloquência".

O segundo período da vida de Vieira (1641-1650), designado O Político,  iniciou-se com a Restauração do Reino de Portugal e com a proclamação de D. João IV, consequências naturais da Revolta Restauracionista que teve lugar em 1º de dezembro de 1640.  Pouco antes, Felipe III tinha sido obrigado a deslocar a maior parte do seu exército de Portugal para combater as revoltas que alastravam na Catalunha e noutras regiões. Ou seja, por algum tempo Portugal ficou militarmente indefeso. Ainda no contexto da Dinastia Filipina (1580-1640), Felipe III, rei de Portugal e Espanha, nomeara Jorge de Mascarenhas, Marquês de Montalvão, o 1º vice-rei do Brasil. Mascarenhas desembarcou em Salvador, na capitania da Bahia, a 16/04/1640, iniciando seu governo a 26 de maio. Com a chegada à Bahia da notícia da Restauração da Independência de Portugal, pela Carta Régia de 15/02/1641, Mascarenhas reconheceu a autoridade de D. João IV imediatamente, usando de cautela para não suscitar a hostilidade da guarnição castelhana da Bahia. Tendo aderido à proclamação e para exprimir o júbilo do Estado do Brasil, Mascarenhas enviou uma embaixada para prestar homenagem ao novo rei encabeçada por seu filho D. Fernando Mascarenhas e dela faziam parte dois jesuítas jovens promissores: padres António Vieira e Simão de Vasconcelos, que futuramente haveriam de ser grandes escritores. Assim sendo, em 1641 Vieira partiu em caravela para Lisboa em 26 de fevereiro, lá chegando em maio, quando decidiu apoiar a causa dos rebeldes, de que o Duque de Bragança, proclamado rei D. João IV, era a face visível. O mesmo Vieira que alguns meses antes defendera, sem vacilar, a realeza de D. Filipe III, decidiu-se a jurar fidelidade ao partido restauracionista. Muito bem acolhido por D. João IV, Vieira passou a frequentar a corte, tornando-se pregador na Capela Real já a 1º de janeiro de 1642, passando, a partir dessa estreia, a receber encomendas regulares para pregar ali. No mesmo ano, passou a dar sua opinião sobre governança, ganhando poder na corte de D. João IV. Na conturbada Lisboa dos tempos da Guerra da Restauração contra a Espanha, Vieira abraçou de corpo e alma seu papel de conselheiro do rei, e a sua influência em decisões políticas cresceu muito. Entre 1642 e 1646, proferiu alguns dos mais marcantes sermões que então se escutaram na Capela Real, desta vez para apelar à resistência e à colaboração de todos na luta contra a ameaça militar espanhola. Na mesma época, começou a interessar-se pelos cristãos-novos que viviam em Portugal e a protegê-los da Inquisição. Pragmático, avaliou as péssimas condições do reino português, o que o levou a propor ao rei admitir os judeus mercadores que andavam por diversas partes da Europa, defendendo com cada vez maior empenho o regresso a Portugal dos judeus emigrados e o uso do seu capital para fazer face às grandes dificuldades financeiras enfrentadas pelo partido de D. João IV. Cabe lembrar aqui as missões diplomáticas a que foi enviado pelo rei de Portugal à França, Inglaterra, Países Baixos e Roma. Em 1646, Vieira seguiu para a França e Países Baixos, no intuito de captar apoios financeiros para a frágil causa dos rebeldes portugueses. Passou por Paris e Ruão, onde teve contato com comerciantes judeus que mantinham relações com cristãos-novos portugueses, mas acabou por ficar a maior parte do tempo residindo em Haia e atuando em Amsterdam. Foi, portanto, com os holandeses que Vieira despendeu mais tempo negociando, os mesmos holandeses contra quem tão ferozmente lutara no Brasil. Observou atentamente a forma como os holandeses organizavam os seus empreendimentos comerciais, dos quais retirou valiosos ensinamentos para a situação portuguesa, tendo idealizado uma companhia de comércio para as colônias portuguesas, nos moldes das companhias holandesas. Também se uniu ao embaixador Francisco de Sousa Coutinho para produzir muitas propostas relacionadas com a política comercial e diplomática de D. João IV, não poupando críticas ao desempenho de muitos ministros portugueses. Na mesma ocasião, Vieira frequentou a próspera comunidade de judeus de origem portuguesa estabelecida em torno da sinagoga de Amsterdam. Entre os diversos judeus com quem contactou, Vieira conversou longamente com Manassés Ben Israel, um conhecido erudito da comunidade e autor de diversas obras de exegese bíblica. Muitas dessas conversas versaram, certamente, sobre temas messiânicos, e delas Vieira deve ter retirado muitas ideias e reflexões para o livro que se preparava para escrever, a "História do Futuro" (iniciado efetivamente em 1649). Além disso, procurou sensibilizar a comunidade judaica para as enormes carências financeiras de Portugal. A resposta de alguns desses comerciantes judeus foi até afirmativa, por serem eles quem financiou a atividade diplomática em Paris, nos Países Baixos e em Münster, cidade da Vestfália onde se negociava o acordo de paz ("Paz de Vestfália); mas quando chegou, no início de 1648, a notícia de que a Inquisição tinha prendido Duarte da Silva, um dos principais comerciantes cristãos-novos de Lisboa, esse apoio dos cristãos-novos de Amsterdam foi retirado. Para desespero de Vieira, os judeus abandonaram as promessas de apoio financeiro, e estas foram substituídas por pressões sobre o governo dos Países Baixos no sentido de retomar os ataques às possessões portuguesas no Brasil, como forma de retaliação.

De regresso a Lisboa, Vieira concretizou o seu projeto de formar a Companhia de Comércio do Brasil, constituída por capital de comerciantes cristãos-novos, isento ao confisco da Inquisição (por alvará régio de 6/2/1649). Tal companhia detinha o monopólio da exportação para o Brasil de produtos como vinho, azeite, farinha e bacalhau, e da importação, em navios próprios, de pau-brasil. A companhia viria a ser extinta em 1659 devido à forte oposição da Inquisição, juntamente com a pressão dos colonos prejudicados pelo monopólio concedido à companhia. A 8 de janeiro de 1650, Vieira partiu para Roma em nova viagem diplomática, com a missão de negociar o casamento do príncipe Teodósio, o filho mais velho de D. João IV. Em maio o papa Inocêncio X anulou os privilégios anteriormente concedidos à Companhia de Comércio do Brasil e Vieira, tirando partido do fato de estar em Roma, moveu influências para repor a situação. Não teve sucesso. O seu empenho pelos judeus levantava cada vez mais suspeitas entre os inquisidores portugueses. No seu regresso a Lisboa, constatou que a sua cotação na corte deteriorara bastante. De um lado, o Santo Ofício fazia-lhe forte oposição diante da sua impossibilidade de confiscar os capitais dos cristãos-novos na formação da Companhia de Comércio do Brasil; de outro lado, outra oposição mais grave enfrentava dentro da própria Ordem dos jesuítas. A razão é que, sendo pertencente à Província do Brasil, Vieira tomara parte muito ativa no projeto da divisão da Província portuguesa em duas, contra o parecer quase unânime dos próprios jesuítas portugueses. Deflagrado o conflito, as autoridades da Província pediram ao padre geral a expulsão de Vieira da Companhia de Jesus. Parece que se chegou a uma espécie de consenso entre o rei e os superiores da Província sobre a conveniência de afastá-lo, por algum tempo, da corte.
 
O terceiro período da vida de Vieira (1651-1660), conhecido por O Missionário, iniciou-se com a aprovação do padre geral, que lhe deu o cargo de superior, com a incumbência de reabrir a missão dos jesuítas no Maranhão, já várias vezes fracassada. Desgostoso com a sorte das causas por que se empenhara na década de 1640, em fins de 1652 partiu Vieira de Lisboa para São Luís do Maranhão, cidade aonde chegou em janeiro de 1653. Rapidamente constatou a calamitosa situação em que se encontrava a atividade missionária naquelas paragens longínquas, bem como a terrível dimensão dos maus tratos a que os colonos submetiam os índios. Preparou-se, pois, para um novo combate, mas desta vez os inimigos eram, por um lado, os colonos, e por outro, as inóspitas condições naturais que os missionários enfrentavam no Maranhão. Sobre as dificuldades da missão, quanto à geografia do país e ao aspecto humano das diversas tribos de índios, transcrevemos abaixo trecho do resumo apresentado por Vieira na exposição perante o Santo Ofício: 
"... indo-me para o Maranhão tanto contra a vontade de el-rei e do príncipe, como é notório, levando e convocando de diversas partes da Companhia para a mesma missão mais de trinta religiosos de grandes talentos, com os quais trabalhei por espaço de nove anos, navegando neste tempo água doce e salgada mais de mil e quatrocentas léguas, fora muitas terras e desertos sempre a pé, favorecendo Deus tanto o fervor daqueles operários, que a missão e a Fé estava estendida desde a serra do Ibiapaba até o rio dos Tapajós, sendo catorze as residências em que assistiam religiosos, ... compus no mesmo tempo, com excessiva diligência e trabalho, seis catecismos que continham em suma todos os mistérios da Fé e a doutrina cristã em seis línguas diferentes: um na língua geral da costa do mar, outro na língua dos Nheengaibas, outro na dos Bocas, outro na dos Jurimas, e dois na dos Tapuias ..."  

Vieira logo se apercebeu que o relacionamento com os colonos seria a parte mais difícil de sua missão. Desde os primórdios da missão dos jesuítas no Brasil sempre houvera desentendimentos e choques entre os padres e colonos por conta do cativeiro dos índios. Mas, sobretudo no Maranhão, a situação era mais do que crítica, pois os colonos não poderiam sustentar-se sem o trabalho forçado dos índios. Logo na chegada dos missionários, estiveram os jesuítas a ponto de serem expulsos, quando deram a conhecer à população as leis que traziam concedendo a liberdade aos índios escravos. 

Em 1654, Vieira pregou o Sermão de Santo António aos Peixes, todo ele sob a forma de alegoria, a começar pela semelhança da condição de Santo António com a sua própria, aquele expulso da cidade italiana de Arímino pelos hereges que não o quiseram ouvir, o qual se dirigiu à beira do mar e pôs-se a pregar aos peixes. A população local, ao ver tal milagre, converteu-se. Tal como fizera Santo António, Vieira proferiu o sermão aos "peixes", fazendo-lhes elogios e tecendo-lhes críticas, de modo alegórico e satírico, no dia 13 de junho, três dias antes de fugir ocultamente da cidade de São Luís, para Lisboa, em 1654, para tentar conseguir obter uma legislação justa para os índios locais.  
"Quero hoje, à imitação de Santo António, voltar-me da terra ao mar e, já que os homens se não aproveitam, pregar aos peixes. O mar está tão perto que bem me ouvirão. Os demais podem deixar o sermão, pois não é para eles." 
Vieira criticava, por exemplo, a prepotência "dos peixes grandes", que viviam do sacrifício de muitos pequenos (os escravos e os índios), os quais "engolem" e "devoram". O alvo da crítica era os colonos do Maranhão, esclarecendo que, por sua vez, em Portugal "haveria outros maiores que os comeriam, também a eles". Censurou ainda os orgulhosos e os soberbos (peixes roncadores), os parasitas e oportunistas (peixes pegadores), os presunçosos (peixes voadores) e os maliciosos e hipócritas (polvos).

A "fuga" de Vieira a Lisboa visou conseguir do rei apoio para os aldeamentos. O navio em que Vieira viajava foi desarvorado perto dos Açores e atacado por piratas holandeses que o saquearam deixando os passageiros na Ilha Graciosa; de lá Vieira passou à Ilha Terceira e à de São Miguel, donde embarcou para Lisboa num navio inglês. 

Um dos mais famosos sermões de Pe. Vieira, o Sermão da Sexagésima (1655), consistindo de dez capítulos e conhecido por tratar da arte de pregar, foi pregado na Capela Real de Lisboa em março de 1655. Nele, Vieira condena aqueles que apenas pregam a palavra de Deus de maneira vazia. Também ataca o estilo de pregar dos Dominicanos. Para ele, a palavra de Deus era como uma semente, que deveria ser semeada pelo pregador. Por fim, chega à conclusão de que, se a palavra de Deus não dá frutos no plano terreno, a culpa é exclusivamente dos pregadores que não cumprem direito a sua função, haja vista o seguinte trecho do sermão:
"Semen est verbum Dei. S. Lucas, VIII, 1.I
E se quisesse Deus que este tão ilustre e tão numeroso auditório saísse hoje tão desenganado da pregação, como vem enganado com o pregador! Ouçamos o Evangelho, e ouçamo-lo todo, que todo é do caso que me levou e trouxe de tão longe.
Ecce exiit qui seminat, seminare. Diz Cristo que "saiu o pregador evangélico a semear" a palavra divina. Bem parece este texto dos livros de Deus. Não só faz menção do semear, mas também faz caso do sair: Exiit, porque no dia da messe hão-nos de medir a semeadura e hão-nos de contar os passos. O Mundo, aos que lavrais com ele, nem vos satisfaz o que dispendeis, nem vos paga o que andais. Deus não é assim. Para quem lavra com Deus até o sair é semear, porque também das passadas colhe fruto. Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Os que saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam sem sair, são os que se contentam com pregar na Pátria. Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm a seara em casa, pagar-lhes-ão a semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de medir a semeadura e hão-lhes de contar os passos. Ah Dia do Juízo! Ah pregadores! Os de cá, achar-vos-eis com mais paço; os de lá, com mais passos: Exiit seminare. (...)
Ora, suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender a falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus? (...)"
Neste admirável sermão Vieira expõe ainda a sua concepção de oratória sacra. O capítulo VI do Sermão da Sexagésima ficou conhecido como Alegoria da Árvore. Nele, Vieira estabeleceu o princípio da "unidade da matéria" em toda pregação para que o sermão seja eficaz e atinja os objetivos a que se propõe. Para exemplificar a unidade da matéria e "como hão-de ser os sermões", Vieira utilizou a analogia com a árvore no seguinte trecho do capítulo VI:
"(...) Uma árvore tem raízes, tem tronco, tem ramos, tem folhas, tem varas, tem flores, tem frutos. Assim há-de ser o sermão: há de ter raízes fortes e sólidas, porque há-de ser fundado no Evangelho; há-de ter um tronco, porque há-de ter um só assunto e tratar uma só matéria; deste tronco hão-de nascer diversos ramos, que são diversos discursos, mas nascidos da mesma matéria e continuados nela: estes ramos não hão-de ser secos, senão cobertos de folhas, porque os discursos hão-de ser vestidos e ornados de palavras. Há-de ter esta árvore varas, que são a repreensão dos vícios; há-de ter flores, que são as sentenças; e por remate de tudo, há-de ter frutos, que é o fruto e o fim a que se há-de ordenar o sermão. (...)"
Retornou Vieira no ano seguinte (1655), com esse apoio legal para os aldeamentos, mas a situação foi piorando, até que em 1661 as Câmaras de Belém e São Luís expulsaram os jesuítas do território embarcando-os forçadamente para Portugal. 

No Sermão da Epifania (1662), proferido na Capela Real logo após a expulsão dos jesuítas do Grão Pará e Maranhão, ao chegar a Lisboa, relembrou Vieira o choque sofrido diante dessa expulsão violenta na seguinte descrição: 
"Quem haveria de crer que em uma colônia chamada de portugueses se visse a Igreja sem obediência, as censuras sem temor, o sacerdócio sem respeito, e os lugares e pessoas sagradas sem imunidade? Quem havia de crer que houvessem de arrancar violentamente de seus claustros aos religiosos, e levá-los presos entre beleguins e espadas nuas pelas ruas públicas, e tê-los aferrolhados e com guardas até os desterrarem? (...) 

O quarto período da vida de Vieira (1662-1668), denominado O Vidente, é marcado pelas circunstâncias políticas muito mais tensas do que anteriormente. Em 13 de maio de 1653 morreu o brilhante príncipe Teodósio, o filho mais velho de D. João IV, potencial herdeiro da coroa.  Em 1656 morreu o próprio D. João IV, deixando como sucessor Afonso, porém a rainha D. Luísa de Gusmão passou a exercer desde então a regência, nomeando os condes de Castelo Melhor e Atouguia como aios do jovem monarca. Ao invés de passar a coroa a D. Afonso, já casado (com Maria Francisca de Sabóia da dinastia francesa), com casa real própria e então com 18 anos, a rainha foi aconselhada a empossar mais tarde o infante D. Pedro, então com 13 anos. Em 1662 D. Afonso fugiu da corte para Alcântara em companhia da facção de seu conselheiro, Conde de Castelo Melhor, instalando ali sua corte e obrigando sua mãe, a regente, a entregar-lhe o poder. De posse do governo, já como D. Afonso VI, desterrou para longe da corte os principais apoiadores da candidatura do infante Pedro. Entre os primeiros foi desterrado Vieira a Coimbra. Assim, Vieira se encontrava, pela primeira vez, frágil politicamente, o que levou a Inquisição de Coimbra a acusá-lo de judaísmo. Quanto ao Tribunal do Santo Ofício, há muito que criticava o empenho de Vieira na defesa da comunidades judaica, bem como o seu interesse pelo messianismo de raiz hebraica. 

Logo após o golpe de 1662, Afonso VI logo reconheceu os préstimos do conde de Castelo Melhor e resolveu delegar-lhe as funções que hoje equivaleriam a de um primeiro-ministro, confiando-lhe "os maiores negócios do reino". No comando da administração pública, o conde demonstrou a garra de um verdadeiro estadista, dotado de enorme firmeza política, como refere Veríssimo Ferrão. 

Quanto às irmãs de Afonso, a mais velha, Joana, veio a falecer prematuramente, e com isso Catarina, a irmã mais nova, tornou-se a primogênita mulher sobrevivente, com sua quotação no mercado matrimonial europeu em alta correspondente. Sua mão foi cortejada por João de Áustria, irmão legítimo de Felipe IV da Espanha, e pelo próprio Luís XIV da França. Endividado, o recém-proclamado Carlos II da Inglaterra tinha todas as razões para casar-se uma infanta que trazia consigo um vantajoso dote, mesmo que fosse católica. E foi assinado o contrato nupcial em 23 de junho de 1661, indo Catarina de Bragança morar em Londres. A rainha ficaria grávida três vezes, mas todas as gestações acabaram prematuramente. Por isso, após a morte de Carlos II em 6 de fevereiro de 1685, o novo monarca foi seu irmão, James II, católico, tendo a rainha viúva liberdade para praticar sua fé livremente. A Revolução Gloriosa de 1688, contudo, complicou sua situação, por ter restaurado o anglicanismo. Retornou a Portugal em março de 1699, onde seria regente sucessivamente para o sobrinho e o irmão antes de falecer em 31 de dezembro de 1705.

Entretanto, D. Afonso VI era débil fisicamente e mentalmente, o que levou seu irmão mais novo Pedro a conspirar em 1668 para declará-lo incapaz, depondo-o em seguida e convertendo-se em regente do reino. Desta forma, D. Pedro II não só tomou do irmão o título, mas inclusive a esposa Maria Francisca de Sabóia, mediante um processo de declaração de impotência por parte do rei deposto. 

Mesmo mais de 150 anos após o início da colonização, a violência dos colonos continuava inclemente para com os indígenas, e ela fazia-se sentir, com especial dureza, nos territórios recém-desbravados do Maranhão e do Pará. Incansável, Vieira denunciou de forma veemente e corajosa os abusos dos colonos, sobretudo nos contundentes sermões que pregou em São Luís. Para os indígenas do Maranhão e de Belém (Pará), Vieira rapidamente ganhou o epíteto de "Paiaçu" (Grande Pai), figura protetora por excelência. 

Pe. António Vieira, o Paiaçu, entre os indígenas do Maranhão e Pará

No Maranhão ainda, Vieira redigiu um libelo que intitulou Esperanças de Portugal, Quinto Império do Mundo, dirigido à rainha, para consolá-la da morte do esposo D. João IV. Com base nas profecias de Bandarra, Vieira ali predizia a ressurreição do rei, pois ainda lhe ficou por realizar a parte das profecias referente à derrota do Império turco e à instalação do Quinto Império, o império cristão, que daria início ao reinado de Cristo na terra. Tal era sua fé na força profética de Bandarra, que Vieira se atreveu a reduzir seu pensamento a um silogismo: 
"Bandarra é verdadeiro profeta;
Bandarra profetizou que el-rei D. João IV há de obrar muitas coisas que ainda não obrou, nem pode obrar senão ressuscitando;
Logo el-rei D. João IV há de ressuscitar." 

Abrindo um parêntese neste meu discurso para possibilitar que dois outros autores portugueses se manifestem sobre Vieira, gostaria de apresentar aqui dois poemas que tratam desse sonho messiânico/milenarista de Vieira, que tanto incômodo trouxe para a sua existência, como se verá abaixo:

António Vieira
Por Fernando Pessoa, Mensagem

O céu 'strela e tem grandeza.
Este, que teve a fama e a glória tem,
Imperador da língua portuguesa,
Foi-nos um céu também.

No imenso espaço seu de meditar,
Constelado de forma e de visão, 
Surge, prenúncio claro do luar,
El-Rei D. Sebastião.

Mas não, não é luar: é luz do etéreo.
É um dia; e, no céu amplo de desejo,
A madrugada irreal do Quinto Império 
Doira as margens do Tejo. 

Sobre Padre António Vieira
Por Miguel Torga, Poemas Ibéricos
 
Filho peninsular e tropical
De Inácio de Loiola,
Aluno de Bandarra
E mestre
De Fernando Pessoa,
No Quinto Império que sonhou, sonhava
O homem lusitano
À medida do mundo.
E foi ele o pioneiro.
Original
No ser universal...
Misto de gênio, mago e aventureiro. 

Retornando à linha mestra do discurso, é sabido que o manuscrito do libelo foi enviado por Vieira com carta datada de 29 de abril de 1659 ao padre André Fernandes, SJ, bispo titular do Japão, para que o apresentasse à Rainha. Porém, em 1660 André Fernandes foi intimado a entregar ao Santo Ofício a carta de Vieira conhecida como "Esperanças de Portugal, V Império do Mundo", que teria consequências fatais para a sua vida, uma vez que se tornou a base da qualificação dos crimes que lhe foram imputados pelo Tribunal do Santo Ofício de Coimbra. Não tendo-se esquecido das derrotas que Vieira lhe infligira no tempo de D. João IV na questão dos cristãos-novos, o Santo Ofício de Lisboa decidiu enviar o escrito ao de Roma, para que desse um parecer sobre o conteúdo do libelo. Em 1661 chegou o parecer: "Julgava-o temerário, repleto de falsidades e sobretudo repreensível no abuso que fazia da Sagrada Escritura", condenando expressamente nove pontos. Com essa resposta, a Inquisição quis instruir um processo contra Vieira, mas a rainha, ainda no poder como regente, criou impedimento. Tal obstáculo desapareceu no ano seguinte com o golpe de Estado e o desterro de Vieira para Coimbra. Já em fevereiro de 1663 Vieira foi chamado à Mesa. Por achar-se gravemente doente só pôde comparecer em julho. Foi-lhe perguntado então se aceitava as censuras, sem informar-lhe que provinham de Roma; diante de sua negação e da promessa de justificar todas as proposições, abriram um processo contra ele. Durante quatro anos e meio, Vieira esteve primeiro recluso em prisão domiciliar; depois, a partir de 1º de outubro de 1665, recolhido ao cárcere da Inquisição. Naqueles 26 meses, Vieira, sozinho e sem outra documentação que não o breviário e a Bíblia, redigiu as duas defesas em que tratava de justificar, com base nos Padres, Doutores e principalmente nos livros proféticos da Escritura, sua concepção do Quinto Império quinto por ser antecedido por quatro impérios clássicos do Livro de Daniel , que deveria ser o coroamento da história.

Foi inútil seu esforço, pois em dezembro de 1667 leram-lhe a sentença condenatória, primeiro em particular no Santo Ofício e, no dia seguinte no colégio dos jesuítas perante toda a comunidade. De acordo com a referida sentença, "lhe foram censuradas algumas proposições, com nota de serem umas contra o comum sentido católico, fátuas, temerárias e escandalosas, e outras ofendiam as orelhas dos pios fiéis católicos e eram errôneas e injuriosas aos Santos Padres e à Escritura Sagrada, e tinham sabor de heresia." E finalmente como conclusão: "Mandam que o réu... seja privado para sempre de voz ativa e passiva e do poder de pregar, e recluso no Colégio ou Casa de sua religião que o Santo Ofício lhe assinar...". 

No quinto período da vida de Vieira (1669-1680), conhecido por O Revoltado, vamos encontrar Portugal numa situação política mais favorável para Vieira, agora que um golpe de Estado depôs o rei Afonso VI, colocando em seu lugar D. Pedro II. Para Vieira esta mudança política foi benéfica: muitos dos seus inimigos foram afastados da corte, o que lhe permitiu recuperar tanto a liberdade como a autorização para pregar. O lugar de reclusão foi transferido de Coimbra para Lisboa e a sua voz voltou a ser escutada em Lisboa, na Capela Real. Mais uma vez exercitava o ofício de pregador régio. Parecia a Vieira que voltavam os tempos antigos de valimento na corte.

A verdade, no entanto, é que Vieira estava longe de gozar do ascendente o favor que recebera durante o reinado de D. João IV: D. Pedro II apreciava os seus sermões, mas guardava distância em relação ao jesuíta. Seria devido ao caráter altivo e independente do rei? ou da presença da rainha, que não admitia influências poderosas junto ao esposo? O certo é que a grande mágoa de Vieira nos anos vindouros teve como origem a indiferença pessoal do rei em relação a ele, e, em consequência, seu afastamento dos centros de decisão da corte. Por isso, aproveitando uma missão que lhe foi confiada promover a canonização dos quarenta mártires do Brasil, português Inácio de Azevedo, mártir do século XVI, e 39 companheiros, todos jesuítas, cujo centenário ia celebrar-se António Vieira partiu para a Itália em 1669, tendo como fito principal conseguir junto à Santa Sé a revogação da sentença condenatória do Tribunal do Santo Ofício português. A inquisição continuava a vigiá-lo, até porque Vieira não tinha abdicado das suas ideias messiânicas e continuava empenhado na redação de vários textos sobre o tema. É dessa época a carta de Vieira a D. Catarina de Bragança, rainha da Inglaterra: 
"Determino pleitear de novo a minha causa, e buscar em Roma a justiça que não achei em Portugal; e ainda que espero me não falte Deus, como defensor da verdade..."
"Mágoa é maior que toda a paciência...
Ademais, através de cartas de amigos, Vieira tomou conhecimento de que em Portugal a pressão inquisitorial recrudescera e que, desde 1671, tinham ocorrido várias prisões de cristãos-novos. A partir de Roma, procurou mover influências contra a Inquisição. De Roma, em 31 de dezembro de 1671, escreveu uma carta a D. Rodrigo de Meneses sobre as atrocidades praticadas pela Inquisição portuguesa: 
"Porque não viverão os nossos cristãos-novos em Portugal como vivem em Castela, Itália e na mesma Roma, e porque não serão as nossas inquisições como a suprema Inquisição da Igreja? (...) 
A Inquisição é um tribunal santíssimo, e totalmente necessário, mas não pode ser santo, nem tribunal, governando-se com estilos ou injustos ou injustamente praticados, com irremediáveis danos, não digo já do temporal do reino, mas da inocência, da verdade e da mesma fé. Isto que digo a V. Exa. é certo e infalível, e todos os homens doutos e timoratos abominam e anatematizam tal modo de proceder, e lhe chamam não só injusto mas bárbaro, e se admiram e pasmam como haja príncipe cristão que tal consinta, e vassalos que tal sofram..."  ¹⁰
Nos cinco anos passados em Roma, Vieira também trabalhou a favor do recurso interposto ante a Santa Sé pelos cristãos-novos portugueses, buscando adquirir garantias e modificar a forma dos processos da Inquisão de Portugal.
 
Embora não tenha conseguido a revogação da decisão dos inquisidores, pois o padre geral dos jesuítas o dissuadiu de apresentar o pedido, alcançou do papa Clemente X uma perpétua isenção da jurisdição dos inquisidores, datada de 17 de abril de 1675. ¹¹

Durante sua estada em Roma, Vieira frequentou os meios mais eruditos, continuando a pregar, primeiro em português, mas logo depois em italiano. Em breve, os seus sermões atraíram a atenção do público mais exigente, destacando-se a corte romana de Cristina da Suécia, rainha que se exilara em Roma (1668), depois de abdicar e de se converter ao catolicismo. Seu palácio era um polo de atração de artistas, intelectuais e religiosos. Vieira frequentou a academia denominada Arcádia reunida em torno da rainha sueca, que muito apreciava o seu desempenho oratório. Entre 1673 e 1675 pregou por diversas vezes na capela da residência de Cristina da Suécia, obtendo muito sucesso.

De retorno a Lisboa, em 1975, Vieira podia exibir uma vitória formal contra a Inquisição no breve pontifical, mas, por outro lado, percebeu que a sua influência na corte estava praticamente esgotada. As suas idas ao Palácio Real se rarearam; as poucas intervenções de Vieira no Conselho de Estado e no Conselho Ultramarino relacionavam-se com questões da atividade missionária no Nordeste brasileiro. 
Folha de rosto do 1º tomo dos Sermoens do padre António Vieira, o primeiro dos doze volumes que foram expressamente preparados pelo autor com vista à sua publicação (Lisboa: Officina de Joam da Costa, 1679)


Em contrapartida, ocupava-se agora em publicar os seus sermões: o primeiro volume saiu em 1679. Sua obra mais famosa foi o Sermão da Sexagésima, que foi proferido na Capela Real de Lisboa em março de 1655. Seus mais de 200 sermões, escritos dentro do estilo barroco conceptista ¹², divididos em 12 volumes, foram organizados ao final de sua vida. O último volume organizado pelo próprio autor só saiu um ano após a sua morte.
 
O sexto período da vida de Vieira (1681-1697), conhecido por O Vencido, reflete o ocaso a que se sujeitou, quando decidiu deixar a corte e viajar para o Brasil na condição de assumir em 1688 o posto de Visitador Geral da Província do Brasil. Essa era a segunda fuga que empreendia na vida, desta vez por não achar em el-rei a correspondência de afeto que sempre experimentara em seus pais e irmão. Ao chegar ao Brasil não quis morar no colégio dos jesuítas em Salvador, senão numa chácara fora da cidade, que ele considerou ter-se metido em um deserto. Pensava que chegara o fim de seus dias. Não foi o caso: ainda deveria viver na Bahia por dezessete anos. 

Desse "sepultamento voluntário" Vieira foi arrancado, violentamente, por um acontecimento. Bernardo Vieira Ravasco, irmão de Pe. Vieira, era secretário do estado e guerra do Brasil desde 1649 (o segundo cargo mais importante no Brasil colônia, logo abaixo do governador-geral), "ofício" que recebera por provisão real de D. João IV em "satisfação dos serviços do seu irmão, o padre António Vieira", como prêmio aos méritos de Vieira em seu serviço. A 17 de fevereiro de 1646, Bernardo recebeu o cargo por provisão real da mesma data e, a partir de 7 de março de 1650, passou a servir o cargo sem limitação de tempo e com a possibilidade de transferir ao seu filho, Gonçalo Ravasco Cavalcanti de Albuquerque. Neste momento em que o próprio Vieira se achava em descrédito na corte, o governador decidiu rebaixar seu irmão no exercício do cargo. Aconselhado pelos jesuítas da comunidade, Vieira apresentou-se ao governador, para tomar as dores de seu irmão. Segundo sua própria narrativa desse encontro, foi recebido com violentos insultos, terminando o diálogo em impropérios mútuos, com a expulsão de Vieira do palácio. 

A situação de saúde do padre Vieira piorou quando, em 1683, a sua família (especialmente o irmão Bernardo e um sobrinho do padre) foi acusada, pelo governador Antonio Sousa Meneses, o Braço de Prata, de envolvimento no assassinato do alcaide de Salvador. 

E quais eram as condições de vida de Vieira nesse período derradeiro de sua vida? Vieira personificou, de corpo e alma, o ideal jesuítico do missionário. No desempenho dessa sua missão, teve padre Vieira a oportunidade de escrever sobre a austeridade a que se submeteu, da qual deixou o seguinte testemunho em uma carta de 1693:
"E para que vós também a tenhais, a austeridade, sabei, amigo, que a melhor vida é esta. Ando vestido de um pano grosseiro cá da terra mais pardo que preto; como farinha de pau; durmo pouco; trabalho de pela manhã até à noite; gasto parte dela em me encomendar a Deus; não trato com mínima criatura; não saio fora senão a remédio de alguma alma;  choro meus pecados; faço que outros chorem os seus; e o tempo que sobeja destas ocupações, levam-no os livros da madre Teresa e outros de semelhante leitura. Finalmente, ainda que com grandes imperfeições, nenhuma cousa faço que não seja com Deus, por Deus e para Deus; e para estar na bem-aventurança só me falta o vê-Lo, que seria maior gosto, mas não maior felicidade..." ¹³
Em muitos dos seus sermões, Vieira desenhou o modelo ideal do pregador e esse aspecto da obra dele já tem sido bem estudado. Já quanto ao tema do protótipo do missionário, segundo Vieira, acredito que precisa ser melhor explorado, embora alguma coisa já tenha sido escrita até agora. ¹

Os últimos anos de Vieira foram passados na Quinta do Tanque da Bahia, nas cercanias de Salvador. Nesse sítio, Vieira ocupou-se da publicação dos seus sermões e da redação de Clavis Prophetarum ¹, a Chave dos Profetas, um texto de temática messiânica e escatológica que nunca chegaria a concluir. Considerava essa obra tão importante que, em sua opinião, os sermões que então estava publicando, comparados com a Clavis, eram como choupanas ao lado de "palácios altíssimos". Consta que Vieira teria sido obrigado a compendiar os seus textos parenéticos sob o voto de obediência a seus superiores, que de fato lhe deram notoriedade e lhe conferiram um lugar de destaque na História da Literatura. A par disso, os seus textos utópicos foram desvalorizados e esquecidos. 

Podemos considerar que a Clavis é o opus magnum de Vieira e obra de sua maturidade, coroando o conjunto da obra profética vieiriana. Com ela, conseguiu decantar as desilusões e depurar as marcas nacionalizantes que marcavam os seus livros proféticos anteriores. Se com estes, Vieira desenhara uma utopia quinto-imperialista que dava a Portugal o lugar de liderança na implantação da idade milenar de plenificação do tempo, agora, com a Clavis, ele desenha uma utopia de pendor eclesiológico, de uma Igreja que abarca a humanidade num abraço de amor: é a Cidade de Deus agostiniana concretizada na Igreja e a transbordar no mundo. Tal depuração explica-se em boa parte devido aos desenganos experimentados em relação ao Reino de Portugal e às suas instituições políticas e religiosas, que ele bem conhecera depois de duas décadas de labuta, durante as quais empenhou a sua palavra, a sua escrita e a sua ação diplomática em prol da afirmação da independência de Portugal e da recuperação da sua liderança no concerto político das nações europeias.

Um ano após a morte de Vieira, o Superior Geral da Companhia de Jesus, Tirso Gonzalez, mandou fazer uma cópia do original manuscrito da Clavis, que foi enviada para Roma em 1699. Entretanto, um véu de silêncio caiu sobre a obra durante  alguns anos. Quinze anos mais tarde, o original foi enviado do Brasil para a Inquisição Portuguesa. A análise da obra recaiu sobre o relator Pe. Carlos António Casnedi, SJ ¹ e apesar de ter exarado um parecer positivo no ano de 1714 em favor da divulgação da obra, a suspeita de mácula acabou por emperrar a sua publicação. Segundo a opinião de setores ligados à Inquisição, os escritos de Vieira estariam enfermados pelo pecado filosófico,  que consistia em afirmar que aqueles que tinham uma ignorância acerca da existência de Deus ou não pensavam atualmente n'Ele não incorriam em pecado grave, logo não seriam condenados eternamente.  ¹ No ano de 1715, em Roma, em seguida a um provável interesse da parte da Ordem de Santo Inácio em publicar a obra, a Clavis foi novamente sujeita a uma comissão de censura romana (cuja composição se desconhece), que emitiu um parecer desfavorável (cujo texto também se desconhece) que apontava alguns pontos da obra considerados perigosos, graves e heréticos. Conhece-se o texto do "expert" jesuíta Pe. André Semery que assumiu a defesa do livro do seu confrade português. Pela tessitura da sua argumentação ficamos sabendo os aspectos considerados censurados pela dita comissão romana. Por exemplo, uma das questões que constava da censura inquisitorial portuguesa e retomada pela romana tinha a ver com a previsão de um advento intermédio de Cristo à Terra, ou seja, uma segunda vinda antes da última para, então, julgar e encerrar a História. Outra questão é que os censores tinham acusado Vieira de defender a possibilidade de ser admitido pelo juízo da Igreja a restauração dos sacrifícios da Antiga Lei para facilitar a conversão efetiva dos Judeus à fé cristã e a sua integração na fileira católica. Mas o que realmente incomodou os censores foi o parecer do contra-censor jesuíta suspeitando de que houve má vontade dos censores relativamente a Vieira pelo fato de ele ser jesuíta. Esse parecer do censor jesuíta foi corroborado por outro censor dominicano, frei Jacinto de Santa Romana, e confirmado por dois mestres de teologia da mesma Ordem de São Domingos. Apesar de o livro de Vieira ter conseguido vários pareceres favoráveis à publicação do manuscrito, certo é que a Companhia de Jesus acabou não o publicando. 

O pensamento de Vieira condensado nesta sua obra maior era demasiado avançado para sua época. A sua utopia cristã de plenificação da história não estava baseada numa lógica de exclusão cega e homogeneização de tudo que é diferente, mas de inclusão e de negociação, bem na linha da integração multicultural. Subjacente nesta utopia está, pois, a metodologia inculturacionista aconselhado para o trabalho contemporâneo de evangelização ad gentes. ¹ A obra maior de Vieira encerra um pensamento avançado, aberto, dialogante sobre o processo da Igreja e da mensagem de Cristo, e com ela Vieira soube, com arguta visão prospectiva, compreender os sinais dos tempos e responder aos novos desafios lançados pelo mundo do seu tempo, com base no melhor legado dos conteúdos humanizantes do edifício teológico cristão. 



OBRA ESCRITA DE VIEIRA 



 
A uma vida tão variada, com tantos interesses divergentes, corresponde uma obra não só variada, mas dispersa. A maior parte dos escritos de Vieira são escritos ocasionais, traduzindo o momento palpitante e efêmero. São estes: os 203 sermões, as 701 cartas e os escritos instrumentais, isto é, os relatórios e projetos, além de duas Representações perante o Santo Ofício, a Defesa, versão abreviada. 

Além dos escritos ocasionais, há um grupo de escritos de tema convergente e pensados como uma elaboração sistemática de um tema central: o reinado de Jesus Cristo na terra, a saber:
1. Esperanças de Portugal, Quinto Império do mundo
2. História do Futuro, que deveria servir como uma espécie de prólogo ao tema do Quinto Império. Através do índice que Vieira produziu para a obra, ficamos sabendo que Vieira só conseguiu redigir trechos da primeira parte, e de forma incompleta, publicados sob o título Livro anteprimeiro da História do Futuro.
3. Clavis Prophetarum, obra inconclusa que Vieira pensava devia ser seu legado para a humanidade. Nos seus últimos anos de vida, pediu a padre Bonucci que o ajudasse, dando forma a seu pensamento. Conservam-se vários manuscritos em latim e em letra muito miúda, chegando a setecentas páginas. Sobreviveu o resumo que padre Carlos António Casnedi, SJ publicou no Congresso Internacional sobre o III Centenário de Morte do Padre Vieira realizado em Lisboa de 20 a 23 de novembro de 1997.

As fontes utilizadas por Vieira para sua doutrina sobre a dignidade da pessoa humana são a Bíblia e o pensamento estóico de Sêneca, com sua visão heróico-trágica do homem. O tema da grandeza do homem desenvolveu-o Vieira de forma sistemática nos cinco sermões que, na Quaresma de 1676, pregou em Roma diante da rainha Cristina da Suécia. 


Em linhas gerais, podemos considerar que a obra escrita de Vieira reflete o que o próprio Vieira considerava a essência de sua missão, a sua vocação profética em suas duas vertentes, isto é, a denúncia pública de injustiças e pecados da sociedade humana e a promessa de uma intervenção decisiva de Deus para a realização do reinado de Jesus Cristo na terra. Quanto à primeira vertente, da denúncia dos abusos dos governantes, da prepotência da autoridade, da violência e da opressão, sobressai sua defesa dos injustiçados, índios, negros, cristãos-novos  que sem dúvida constitui a grandeza moral de Vieira. Se Vieira achava que os Sermões não tinham uma unidade de plano e o desenvolvimento de um pensamento, tinha certeza de que o caráter moral lhes conferia unidade, a exemplo da denúncia veemente que faz aos funcionários coloniais no Sermão do Bom Ladrão (1655):
"(...) O que eu posso acrescentar pela experiência que tenho é que não só do Cabo da Boa Esperança para lá, mas também da parte de aquém, se usa igualmente a mesma conjugação. Conjugam por todos os modos o verbo rapio roubar porque furtam por todos os modos da arte... Tanto que lá chegam, começam a furtar pelo modo indicativo, porque a primeira informação que pedem aos práticos é que lhes apontem e mostrem os caminhos por onde podem abarcar tudo. Furtam pelo modo imperativo, porque, como têm o misto e mero império, todo ele aplicam despoticamente às execuções da rapina. Furtam pelo modo mandativo... Furtam pelo modo optativo... Furtam pelo modo conjuntivo...  Furtam pelo modo potencial... Furtam pelo modo permissivo... Furtam pelo modo infinitivo... E quando eles têm conjugado assim toda a voz ativa, e as miseráveis províncias suportado toda a passiva, eles, como se tiveram feito grandes serviços, tornam carregados de despojos e ricos: e elas ficam roubadas e consumidas... Assim se tiram da Índia quinhentos mil cruzados, da Angola, duzentos, do Brasil, trezentos, e até do pobre Maranhão, mais do que vale todo ele. (...)" 
É possível diagnosticar, através deste sermão que parece atemporal, desnudados os desmandos e a mistura de interesses públicos e privados que infestavam e ainda infestam a administração pública brasileira, desde o início do Brasil colônia contexto em que os Sermões foram escritos  até a atualidade. Da sua coragem na denúncia não escapam os reis, quando se tornam responsáveis desses roubos:
"É certo que os reis não querem isto, antes mandam em seus regimentos tudo o contrário; mas, como as patentes se dão aos gramáticos destas conjugações, tão peritos ou tão cadimos nelas, que outros efeitos se podem esperar de seus governos? Cada patente destas, em própria significação, vem a ser uma licença geral in scriptis, ou um passaporte para furtar. (...)"  ¹

 


NOTAS EXPLICATIVAS




¹  O Duque de Bragança era um nobre português sem vínculos familiares com as dinastias anteriores, escolhido pelo povo português para fundar a terceira dinastia de reis portugueses ou dinastia de Bragança. As duas anteriores foram a Dinastia Afonsina e a de Avis. Foi desconsiderada a Dinastia Filipina por ser constituída apenas por reis castelhanos da Dinastia Habsburgo.
[STELLA, 2000, 268-9] observou com muita propriedade a respeito da guerra da Restauração da Independência de Portugal: 
"A rebelião teve um êxito espetacular. A guarda do palácio da princesa Margarida, quase o único contingente espanhol em Portugal nessa ocasião, foi rendida sem dificuldades. Passados alguns dias, a fronteira com a Espanha foi fechada. O Duque de Bragança foi coroado como D. João IV e, embora Olivares preparasse em Lisboa um contra-golpe, os planos de seus agentes foram descobertos.  
A Felipe IV * não restava muito a fazer. Preocupado e debilitado com a sublevação da Catalunha, o Rei presenciava a crise da monarquia. Nesse momento, era mais importante manter a unidade nacional, arduamente conquistada a partir do reinado dos Reis Católicos, do que a Coroa portuguesa.  
Os despachos e cartas de Felipe IV às autoridades de Lisboa revelam o esforço do Rei para salvar o Brasil do jugo holandês. Por outro lado, indicam o pouco entusiasmo dos súditos lusos para atender aos apelos do Monarca. 
Assim como os holandeses, os homens que ocupavam postos-chave na administração portuguesa sabiam que o prolongamento da guerra, por si só, minava o poder do Rei em Portugal e da monarquia espanhola na Europa. Enquanto que no Brasil a ocupação holandesa cerceava as liberdades individuais e coletivas, propiciava ao Reino reconquistar a soberania tomada pelos Felipes da Espanha.
Salvo manifestações isoladas e não significativas, a notícia da aclamação de D. João IV reavivou os ânimos no Brasil. Talvez a nova dinastia conseguisse resolver o impasse surgido com a tomada holandesa. Entretanto, os acontecimentos no Reino indicavam que, principalmente, a soma dos próprios esforços e a consciência nacional seriam capazes de pôr fim à posse holandesa e aos inconvenientes naturais resultantes de qualquer dominação.  
Com o domínio holandês, ressentiram-se mais o Norte e o Nordeste brasileiro do que o próprio Reino, assim como Portugal foi mais afetado com a dominação espanhola do que o Brasil. Lá, a intervenção filipina foi direta."
* É indiferente chamar Filipe IV de Espanha ou Filipe III de Portugal. Trata-se da mesma personagem. Aqui o enfoque da autora é do lado espanhol, por isso mantivemos a referência a Filipe IV de Espanha.


²   Primeiramente, cabe fixar que o Barroco se desenvolveu em torno dos ideais místicos da Contra-Reforma e foi um movimento pendular entre o espírito e a carne, que privilegiou a literatura calcada nos ideais do espírito, já relacionada ao movimento jesuítico da expansão da fé. Foi essa estética do Barroco que propiciou o aparecimento de uma das figuras mais notáveis, no âmbito da literatura luso-brasileira: Pe. António Vieira.
Em segundo lugar, são duas as vertentes literárias do estilo barroco, que não se excluem, surgidas em meados do século XVII na Espanha: o quevedismo e gongorismo, entre nós renomeados de conceptismo e cultismo. A literatura conceptista valoriza o conteúdo do texto num intuito persuasivo, através de jogos de ideias, que seguem um raciocínio lógico, racionalista, com retórica refinada. Sua preocupação está em enfatizar o plano das ideias, os temas e os conceitos do texto, fazendo largo uso da lógica formal (silogismo). O conceptismo está mais presente na prosa, especialmente nos sermões de Vieira. Por outro lado, o cultismo caracteriza-se pelo culto da forma, pela construção da linguagem e pelo emprego de recursos de ornamentação do texto. O cultismo está presente na obra poética de Gregório de Matos. 
Um exemplo de texto conceptista é encontrado no Sermão de Santo Antônio do Pe. Vieira, o qual procura aqui justificar o expansionismo português com as Grandes Navegações (numa referência às várias colônias de Portugal nos continentes americano, africano e asiático) e consolar os peregrinos que são os portugueses exilados de sua terra natal que cumprem a missão dada por Deus ao povo português. 
"Quis Cristo que o preço da sepultura dos peregrinos fosse o esmalte das armas dos portugueses, para que entendêssemos que o brasão de nascer portugueses era a obrigação de morrer peregrinos: com as armas nos obrigou Cristo a peregrinar, e com a sepultura nos empenhou a morrer. Mas se nos deu o brasão que nos havia de levar da pátria, também nos deu a terra que nos havia de cobrir fora dela. Nascer pequeno e morrer grande é chegar a ser homem. Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento e tantas para a sepultura. Para nascer, pouca terra; para morrer, toda a terra; para nascer, Portugal; para morrer, o mundo."
³   AZEVEDO, J. L.: HISTÓRIA DE ANTÓNIO VIEIRA, COM FACTOS E DOCUMENTOS NOVOS, Lisboa: Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira, tomos I (409 pp., 1918) e II (428 pp., 1921)
A compilação das cartas de Vieira, realizada por João Lúcio de Azevedo, saída em três volumes entre os anos de 1925 e 1928, apresenta várias cartas inéditas, atingindo um total de mais de 720 unidades, com correções das versões anteriores, notas esclarecedoras sobre as personagens e assuntos implicados na correspondência.

   Pode-se considerar que Vieira era ambíguo em relação à corte. Por um lado, Vieira sentia-se seduzido pela vida de corte, com sua concentração de poder e riqueza, como possibilidade de ação e vida plena; por outro lado, ao mesmo tempo, ela se lhe apresentava como uma encarnação física do mal, "os infernos de cá cima", com suas misérias físicas e morais. Devido a essa atração e repulsa da corte, que Vieira sempre carregou consigo e deixou manifestas em toda a sua obra, o corolário foi que ele manteve uma postura agressiva e crítica para com muitos cortesãos, o que lhe valeu muitas inimizades. Um de seus desafetos foi o conde de Ericeira, o qual, em sua História de Portugal Restaurado, reconheceu excepcionais dotes de oratória em Vieira, ressalvando que, no que se refere aos negócios, estes "muitas vezes se lhe desvaneciam", pois, "como seu juízo era superior, e não igual, aos negócios, queria tratá-los mais sutilmente do que os compreendiam os príncipes e ministros". Mais tarde, Vieira escreveu-lhe uma carta (Cartas CCXXX, pp. 573 ss.; edição de João Lúcio de Azevedo, Lisboa, 1970), onde fez uma rápida análise das decisões políticas e militares tomadas pelo rei e pelos ministros a partir de suas iniciativas.
Na referida carta, Vieira lembrou, então, a criação da Companhia de Comércio do Brasil, sugestão sua que, efetivada,  permitiu a conservação do Brasil e o resgate do Recife do domínio holandês; outra proposta sua ao rei, também efetivada, foi a introdução no Brasil das drogas da Índia; lembrou ainda que, na guerra contra o domínio holandês, obteve um empréstimo de trezentos mil cruzados para levantar uma frota que salvou a Bahia; por fim, mais tarde persuadiu o rei a substituir o sistema de comércio através de caravelas pelo sistema de frotas de grandes naus e com artilharia, o que tornou seguro o comércio com a Bahia e a Índia. Lembrou, finalmente, o acerto de suas intervenções nas missões diplomáticas a que foi enviado pelo rei à França, Inglaterra, Países Baixos e Roma, mesmo levando em conta os tempos difíceis em que ainda havia que consolidar a monarquia, através da manutenção de uma guerra contínua, no Reino contra a Espanha e nas colônias contra os Países Baixos.

  Defesa (perante o Santo Ofício), op. cit, p. 165. 
 
   Sermão da Epifania, Capela Real, 1662, em Sermões, op. cit.

  O mito do Quinto Império tem origens na Bíblia e foi submetido a diversas interpretações ao longo dos tempos. De acordo com o Livro de Daniel (Dan. 2, 24-45), Nabuconosor, rei da Babilônia (604-562 a.C.) teve um sonho estranho e ordenou aos sábios que o decifrassem. Nesse sonho havia uma enorme estátua com cabeça de ouro fino, o peito e os braços de prata, o ventre e as ancas de bronze, as pernas de ferro e os pés de ferro e barro, tendo sido destruída por uma pedra que se desprendeu de uma montanha, transformou-se novamente numa alta montanha que encheu toda a Terra. Foi de Daniel a seguinte interpretação para o sonho: "Tu é que és a cabeça de ouro. Depois de ti surgirá um outro reino menor do que o teu; e depois um terceiro reino, o de bronze, que dominará toda a terra. Um quarto reino será forte como o ferro, vindo a esmagar todos os outros, mas sendo de ferro e de argila não se aguentará para sempre. A pedra que destrói os quatro metais ou quatro reinos simboliza o reino que o Deus do Céu fará aparecer, um reino que jamais será destruído e cuja soberania nunca passará a outro povo."
De acordo com esta interpretação, é a seguinte a sequência dos 5 impérios: 1) o da Babilônia; 2) o Medo-Persa; 3) o da Grécia; 4) o de Roma; 5) o de Israel (segundo outras versões, seria o da Inglaterra). Em Portugal, o Bandarra (1500-1556), Pe. António Vieira e Fernando Pessoa reformularam esse mito, dando-lhe o seguinte "esquema": 1) o da Grécia; 2) o de Roma; 3) o da Cristandade; 4) o da Europa; 5) o de Portugal. Como seria este último? Seria não um império material como os que o antecederam, mais especificamente o dos Descobrimentos, mas um império universal, civilizacional e espiritual. Seria um império de fraternidade universal a ser vivido aqui na Terra. Este império, por outro lado, pressuporia o regresso de um Messias Redentor, concretamente D. Sebastião, o "Encoberto", tornado símbolo, que, com o seu regresso, seria o mensageiro da paz e fraternidade no mundo, criando uma imagem especular do éden primordial.
[LIMA, 2000, 21-22] assim descreve a proposta vieirense do Quinto Império português: 
"(...) era tributária da tradição messiânica-milenarista lusitana, que propunha a eleição divina do povo português desde o advento do Milagre de Ourique (1139), 'mito fundador' constituído a partir do final do século XV, e que ganhara forças no sebastianismo, gestado ao longo da União Ibérica. A ideia de Portugal como Quinto Império (ou Monarquia) fazia parte do repertório messiânico-profético português; D. João de Castro, o 'primeiro apóstolo do sebastianismo' nas palavras de Oliveira Martins, escreveu um livro, em 1597, intitulado De quinta et ultima monarchia futura, no qual defendia a partir de uma miscelânea de textos e tradições proféticas e oraculares (de Merlim a Isidoro de Sevilha) e, sobretudo, a partir da leitura de Bandarra a eleição do povo português, a vinda do 'Encoberto', na figura de Dom Sebastião, e a instauração da última monarquia.
O sonho de Nabucodonosor foi utilizado continuamente para justificar 'a esperança vetero-testamentária de um reino messiânico terrestre', não somente pelos judeus ou em Portugal, mas pelos cristãos em geral. Exemplo disso, no próprio século XVII, foi o movimento protestante inglês chamado sugestivamente de 'Homens da Quinta Monarquia', que propunha uma Monarquia liderada pelos santos, que restabeleceria a tradição mosaica. Mais próximo às propostas de Vieira, está o pensador protestante Pietrus Serrarius que anteviu um Reino de Cristo na Terra com a conversão de Israel no ano de 1666, uma das datas do Quinto Império vieirense e da Quinta Monarquia do Grão-Rabino de Amsterdam, Menasseh Ben Israel.
Segundo a ortodoxia católica, contudo, o Quinto Império seria o do Anticristo, que precederia a parusia, a segunda vinda de Cristo. Qualquer proposta contrária poderia ser vista como herética, como tentaram provar os inquisidores de Vieira. Essa doutrina estava baseada em Santo Agostinho, defensor de que o Império Romano, o Quarto da estátua de Nabucodonosor, era o reino representante de Cristo na Terra, na sua união com a Igreja, formando a Cidade de Deus, pondo-se assim contra as ideias proféticas quiliásticas ou messiânicas." 
A morte sobreveio a D. João IV em 1656, deixando-o sem realizar a parte das profecias referente à derrota do Império turco e à instalação do Quinto Império, o império cristão, que daria início ao reinado de Cristo na Terra. Portanto, era natural que Vieira, segundo o qual  Portugal consumaria a realização do reino universal de Cristo através da ação do rei, substituísse D. Sebastião, o "Encoberto" ou o "Adormecido" (1554-1578), por D. João IV, e prenunciasse o regresso glorioso deste último, agora na condição de ressuscitado.
 
  Sentença que no Tribunal do Santo Ofício de Coimbra se leu ao padre António Vieira, pp. 181 ss., Obras escolhidas VI, op. cit. 

  Carta à Rainha da Inglaterra, D. Catarina, Roma, 21 de dezembro de 1669.

¹⁰   António Vieira, carta a D. Rodrigo de Meneses, Roma, 31 de dezembro de 1672.

¹¹   Breve de isenção das Inquisições de Portugal e mais reinos, p. 246, em Padre António Vieira, Obras escolhidas VI, op. cit.

¹²   Significa que Vieira privilegiou a retória e o encadeamento lógico de ideias e conceitos. Em geral, o sermão de Vieira está formalmente divido em três partes: 1) intróito ou exórdio (apresentação, introdução do assunto); 2) desenvolvimento ou argumento (defesa de uma ideia com base na argumentação); e 3) peroração (parte final, conclusão).

¹³  Carta ao padre Francisco de Morais, da Bahia, em maio de 1693.

¹⁴  Cf. [PIRES, 1997: 29, apud VERÍSSIMO, 2011: 91-102]

¹  Para maiores informações, queira consultar FRANCO, J.E.: "Uma utopia católica sob suspeita: censura romana à Clavis Prophetarum do Padre António Vieira, SJ", in  http://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/4562/1/LS_S2_18_JoseEFranco.pdf


¹ O "Projeto Livro Livre" digitalizou uma tradução, feita por Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira, do resumo que de Clavis Prophetarum escreveu o Pe. Carlos António Casnedi, SJ in   https://drive.google.com/file/d/0B9CNZ3uU92IVQ2UxN1N2V1VvUGM/view

¹   A proposição do perdão da ignorância vencível e invencível de Deus foi condenada pelo Papa Alexandre VIII a 24 de agosto de 1690. Cf. A. Vacant e E. Mangenot, Dictionnaire de Théologie Catholique, Tome 12, Paris, Lib. Letouzey et Ané, 1933, pp. 256-276.

¹   O decreto conciliar sobre a atividade missionária da Igreja, chamado "Ad Gentes", fez questão de distinguir expressamente a atividade missionária entre os gentios, da atividade pastoral que se exerce com os fiéis inseridos nas Igrejas locais ou particulares tanto da velha tradição como das novas (Cf. Ad Gentes, 6). Inclui na atividade missionária, entendida como direito e dever dos cristãos, por um lado, o apostolado do exemplo ou testemunho e, por outro lado, o anúncio explícito de Jesus Cristo aos não cristãos pela palavra e pela ação (Cf. Ad Gentes, 16).
Cf. in http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decree_19651207_ad-gentes_po.html 

¹  Sermão do bom ladrão, 1655, Sermões V, pp. 125-9. Vieira proferiu este sermão na igreja da Misericórdia de Lisboa (Conceição Velha), perante D. João IV e sua corte. Lá também estavam os maiores dignitários do reino, juízes, ministros e conselheiros.




BIBLIOGRAFIA CONSULTADA




AZEVEDO, João Lúcio de: História de António Vieira, com factos e documentos novos, tomos I-II (tomo I, 1918, 412 pp.; tomo II, 1921, 430 pp.), Lisboa: Livraria Clássica

BESSELAAR, José van den: António Vieira: o homem, a obra, as ideias. Lisboa: Ministério da Educação e Cultura, 1981, 112 pp. (Col. Biblioteca Breve, Série Literatura 58)


LIMA, Luís Filipe Silvério: Padre Vieira: Sonhos Proféticos, Profecias Oníricas. O tempo do Quinto Império nos sermões de Xavier Dormindo, 2000, 94 pp. 
Cf. in http://www.academia.edu/2550972/Padre_Vieira_Sonhos_Prof%C3%A9ticos_Profecias_On%C3%ADricas._O_tempo_do_Quinto_Imp%C3%A9rio_nos_serm%C3%B5es_de_Xavier_Dormindo 

PALACÍN, Luis Gómez, SJ: Vieira: entre o reino imperfeito e o reino consumado, São Paulo: Edições Loyola, 1998, 139 pp. 

                  — "O homem e a sociedade no pensamento de Vieira. Um estudo sobre a consciência possível". Síntese 6 (1979) maio-agosto, 27-46. 

PIRES,  Maria Lucília Gonçalves: "O protótipo do Missionário em textos de Vieira", revista Oceanos (Lisboa), 1997, nº 30/31, pp. 25-32 (publicado por ocasião do III Centenário da morte do padre António Veira).

STELLA, Roseli Santaella: O Domínio espanhol no Brasil durante a monarquia dos Felipes: 1580-1640, São Paulo: CenaUn Editora, 2000, 374 pp.

VERÍSSIMO, Nelson: "Catequizar e instruir: o perfil dos pescadores de almas, segundo o Padre António Vieira", revista Limite, 2011, nº 5, pp. 91-102. 
Cf. in http://www.revistalimite.es/volumen%205/06nelson.pdf 

50 comentários:

Francisco José dos Santos Braga (compositor, pianista, escritor, gerente do Blog do Braga e do Blog de São João del-Rei) disse...

Gostaria de compartilhar com o leitor do Blog do Braga meu discurso proferido na noite do dia 14 de dezembro de 2016, quando ocupei a cadeira nº 11 da Academia Divinopolitana de Letras cujo patrono é padre António Vieira, figura ímpar das letras luso-brasileiras.

Célio Tavares (ex-presidente da Academia Divinopolitana de Letras no período de 2009-2011, proprietário da Célio Tavares Consultoria, especialista em Finanças Corporativas e em Matemática, professor universitário e consultor de empresas em Finanças) disse...

Obrigado pelo envio.

Vou ler com toda a dedicação que o Vieira merece.

Atenciosamente

Celio Tavares

Dra. Merania de Oliveira (membro da Academia Marianense de Letras e esposa do presidente Dr. Roque Camêllo) disse...

Dr. Braga,
Paz, saúde e alegria!

Fiquei tão triste quando você parou seu discurso.
Poderia ter falado pelo menos mais uns 20 minutos.


Abraços extensivos à Rute. Chegamos a nossa residências, às 9h.

Até breve.

Joseclaudio Henriques disse...

Parabéns Braga por mais este merecido título e pela extensa pesquisa sobre seu patrono Pe. Antônio Vieira. Praticamente ao tomar posse como membro efetivo da Academia Divinopolitana de Letras, você já fez os devidos elogios em defesa do seu patrono.
Att. José Cláudio Henriques - Pres. IHG de São João del Rei

Antônio de Oliveira (cronista) disse...

Meu caro acadêmico Francisco,

Parabéns pela sua posse na Academia Divinopolitana de Letras, cujos membros, alguns conhecidos, se solidarizam nessa seara. A ADL também faz parte da minha história de vida, pois dela fui membro e até presidente. Quanto ao seu patrono, Pe. António Vieira, você está em boa companhia. A fé e a religião merecem a cobertura também dos poetas e prosadores. Seja feliz e bem-sucedido nesse sodalício de escol, "ad multos annos". Grande abraço e obrigado pela deferência do convite especial. Antônio

Bernardo Maurício Diniz (professor da Fundação Educacional do DF) disse...

Estou muito feliz pelo seu feito e orgulhoso por ter um amigo tão ilustre!
Parabéns! Continue sempre nessa tarefa de aprimoramento profissional e social.
Receba o nosso abraço!

José Carlos Hernández Prieto (tradutor juramentado, tesoureiro e membro do IHG e da Academia de Letras de São João del-Rei) disse...

Parabenizo-lhe por mais esta conquista, que orna mais ainda seu vasto currículo nas artes e nas ciências humanas.

Jota Dangelo (diretor, ator, dramaturgo e gestor cultural, cronista e escritor) disse...

Parabéns, Braga. É seguramente uma honra ocupar a cadeira patroneada por Antônio Vieira! Abração. Dangelo

Francisco Oliveira (pesquisador e historiador) disse...

Xará, primeiramente meus cumprimentos à Academia Divinopolitana, por passar a ter em seus quadros um acadêmico do seu quilate. Esse convite da Academia é consequência do seu trabalho profícuo pela cultura e memória histórica. Parabéns e continue nessa trilha. Um grande abraço,

Betânia Maria Monteiro Guimarães (professora universitária, pesquisadora, escritora, membro do Instituto Histórico e Geográfico e da Academia de São João del-Rei) disse...

Prezado confrade Francisco Braga

senti-me honrada com seu convite para a sua posse na ACADEMIA DIVINOPOLITANA DE LETRAS, mas infelizmente não poderei comparecer.
Gostaria muito de estar presente para parabenizá-lo e participar desse momento tão importante e também para me encontrar com Neuza Almeida Laboissière de Carvalho que tem o mesmo patrono que eu, Bento Ernesto Júnior. Caso você tenha oportunidade, peça-lhe, por favor, seu endereço eletrônico para eu me comunicar com ela. Desde já meus parabéns por mais essa conquista muito merecida. Abraço fraterno. Betânia

Ray Pinheiro (escritor) disse...

UM SÃO-JOANENSE QUE BRILHA E TENHO A HONRA DE PERTENCER AO ROL DE SEUS AMIGOS TOMOU POSSE ACADÊMICA.
PARABÉNS.

Érica Veloso Pimentel de Mello (bibliotecária) disse...

Prezado Francisco,


Sinto-me honrada com seu convite e certa que a cadeira de n.11 estará bem representada por vocë. Mas infelizmente meus compromissos laborais e maternais me impedem de comparecer.

Desejo que tudo transcorra bem e com o brilhantismo que vocë merece.

Aproveito para manifestar meus votos de boas festas e meu abraco carinhoso a nossa querida Rute.

Com elevada estima,

Geraldo Ananias Pinheiro (escritor) disse...

Meu estimado amigo Braga,

Não imagina o quanto fiquei feliz com sua futura posse na ACADEMIA DIVINOPOLITANA DE LETRAS e muito honrado por seu convite. Gostaria muito de ir a esse inesquecível evento, mas sou empregado e trabalho numa faculdade onde estou terminando agora, nesses poucos dias que me restam para revisão de nossas revistas, a fim de, logo depois, entrar de férias, já marcadas para a próxima semana.

Na esperança de que a solenidade se revista do mais pleno êxito, colho a oportunidade para parabenizá-lo pelo destacável e merecido cargo, somente alcançável por intelectuais de sua estirpe, principalmente em se tratando da Cadeira ocupada pelo Padre Antônio Vieira.

Parabéns! Receba meu abraço fraterno extensivo a sua esposa.

Geraldo Ananias

Prof. Alexandre Orfanidis (professor de língua grega na Grécia para brasileiros) disse...

Meu prezado amigo Braga, tudo bem?
Fico muitissimo grato pelo seu convite a minha pessoa, pois, esse seu gesto me honra muito. Infelizmente nao poderei comparecer a esse evento por encontrar-me ainda na Grecia.
Alem do mais vou te ligar para batermos um papo ao vivo pra matar um pouco a saudade.

Ray Pinheiro disse...


Meu nobre e estimado amigo Francisco Jose dos Santos Braga !!!

Que alegria para nos São-joanenses , nosso conterrâneo , amigo fraterno , conhecido no Brasil inteiro , Mundo inteiro , costumo dizer escrever , que Francisco Jose dos Santos Braga é o Cidadão Cultura , intelectual , no Geral.Parabéns a ACADEMIA DIVINOPOLITANA DE LETRAS e ao de Divinópolis por esta data e conquista.
Aproveito o ensejo para desejar-lhe ao lado de sua esposa , um FELIZ NATAL e que venha 2017.
Com carinho e admiração,
Ray Pinheiro.
Um São-jonense na Capital de todos os Brasileiros.

Ray Pinheiro disse...

Meu nobre e estimado amigo Francisco Jose dos Santos Braga !!!

Que alegria para nos São-joanenses , nosso conterrâneo , amigo fraterno , conhecido no Brasil inteiro , Mundo inteiro , costumo dizer escrever , que Francisco Jose dos Santos Braga é o Cidadão Cultura , intelectual , no Geral.Parabéns a ACADEMIA DIVINOPOLITANA DE LETRAS e ao POVO de Divinópolis por esta data e conquista.
Aproveito o ensejo para desejar-lhe ao lado de sua esposa , um FELIZ NATAL e que venha 2017.
Com carinho e admiração,
Ray Pinheiro.
Um São-jonense na Capital de todos os Brasileiros.

José Carlos Hernández Prieto disse...


Caro confrade Braga: meus parabéns por mais essa joia que orna a coroa de suas realizações. Grande abraço do confrade e amigo J. Carlos Hdez.

Dr. José Antônio de Ávila Sacramento (bacharel em Direito, membro do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio, ex-presidente do IHG, membro da Academia de Letras de São João del-Rei) disse...

São João del-Rei, Minas Gerais, 14 de dezembro de 2016


Senhor presidente da Academia Divinopolitana de Letras,

Apraz-me encaminhar a V. Sª. e seus pares os meus mais efusivos cumprimentos pela investidura do amigo e conterrâneo Francisco José dos Santos Braga no quadro de sócios efetivos da egrégia casa das letras de Divinópolis.

Tenho a honra de ser confrade de Francisco Braga no Instituto Histórico de São João del-Rei e na Academia de Letras de São João del-Rei, dentre outras entidades, e, assim, dou o meu testemunho de que o referido intelectual abrilhanta com méritos a todas instituições culturais às quais pertence e não será de forma diversa com a Academia Divinopolitana de Letras.

Assim, lamentando a impossibilidade de estar presente e agradecendo o honroso convite para participar da solenidade de posse, aproveito para desejar aos acadêmicos e acadêmicas dessa Arcádia um Feliz Natal e venturoso ano de 2017.

Cordialmente,

Dr. Alaor Barbosa (escritor, cronista, jornalista, membro do IHG do DF e da Academia Goiana de Letras) disse...

Parabéns pela posse e pelo discurso. Lamentei nao poder comparecer Abraços

Dr. Rogério Medeiros Garcia de Lima (desembargador, escritor e membro da Academia de Letras de São João del-Rei) disse...


Cumprimento-o pela posse e, sobretudo, saúdo a Academia Divinopolitana de Letras, por tão acurada escolha.
Grande abraço,

Rogério

Marlene Maria dos Santos (escritora e articulista do site Garimpo Bom Gosto) disse...

Infelizmente não poderei comparecer para o tão honroso evento, mas da Suíça fico torcendo por você e por mais uma bela conquista.

Um grande abraço e muito sucesso!

Maria da Graça Menezes Mourão (membro do IHG de Minas Gerais) disse...


Cumprimento-o efusivamente pela cadeira de tão brilhante patrono que também se honra com tão ilustre ocupação. Infelizmente não pude estar presente.
Mas, sinta-se abraçado e certo de que muito tem contribuído para a História com suas importantes pesquisas.

José Maurício de Carvalho (professor universitário de Filosofia, coordenador de colóquios de Filosofia, escritor e membro da Academia de Letras de São João del-Rei) disse...

Parabéns!

Oldemar Santos Filho (mestre em Administração de Empresas e sócio da Oldemar Santos Filho Corretora de Mercadorias S/C) disse...

Prezadíssimo amigo Braga,

Foi com imensa alegria que recebi seu convite para sua posse na Academia Divinopolitana de Letras. Acredito que essa posse é muito bem merecida considerando seu excelente preparo intelectual. Infelizmente nao poderei comparecer devido a compromissos urgentes e inadiáveis do meu trabalho, mas em breve gostaria de cumprimentar o amigo com o qual convivo harmoniosamente há mais de quarenta anos.

Extenda meu abraco a Rute.

José Cláudio Henriques (escritor, presidente do IHG de São João del-Rei e gerente de O Grande Matosinhos) disse...

Caro confrade e amigo Braga. Mais uma vez você se destaca no meio acadêmico, tomando posse como sócio efetivo em uma importantíssima Casa de Cultura.

Dr. Ozório Couto (escritor, historiador, membro do IHG-MG e redator de revista) disse...

Muito honrado com o convite e com as considerações a mim dirigidas. Será o maior prazer em poder estar presente na solenidade de sua posse na Academia Divinopolitana de Letras, onde tive amigos fraternos como Dom Belchior, Mercemiro e Corgozinho.

Profª Elza de Moraes Fernandes Costa (gerente do Portal Concertino de música clássica) disse...

Aproveito a ocasião para parabenizá-lo por mais uma conquista.

Um abraço,

Anderson Braga Horta (poeta, escritor, ex-presidente da ANE-Associação Nacional de Escritores e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal) disse...

Obrigado, Francisco.

É uma senhora cadeira, a que você vai ocupar.

Parabéns antecipados.

Gostaria de estar presente, mas nessa época é difícil.

Prof. Mário Celso Rios (professor, escritor, conferencista e presidente da Academia Barbacenense de Letras) disse...

Parabéns, BRAGA, por mais essa distinção !
Conheço várias pessoas muito queridas ligadas a esse sodalício que é de nível elevado!
Farei todo esforço possível para comparecer no dia 14-12-16, quarta-feira, a sua posse!
Que DEUS lhe ilumine junto a RUTE e a todos que sabem do seu valor e o ajudam!
ABÇ, M. CELSO

Dr. Mário Pellegrini Cupello (escritor, pesquisador, presidente do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto de Valença-RJ, e sócio correspondente do IHG e Academia de Letras de São João del-Rei) disse...

Caro amigo Braga
Nossas sinceras felicitações pelo seu acesso como Membro Efetivo da ADL.
Ficamos honrados com o seu convite, lamentando a impossibilidade de comparecermos.
Auguramos pleno êxito ao evento.
Com o nosso abraço fraterno,
O amigo Mario.

Prof. Henryk Siewierski (PHD em Ciências Humanas, professor da UnB, tradutor, escritor e conferencista) disse...

Caro Amigo Francisco,
Parabéns pela sua posse na cadeira patroneada por Pe. António Viera na Academia Divinopolitana de Letras.
Infelizmente não pude estar presente nesta solenidade, mas espero que em breve possamos nos ver em Brasília.
Um grande abraço para você e Ruth de
Malgorzata e
Henryk

Cel Jesus Milages (escritor e sócio correspondente da ALL-Academia Lavrense de Letras) disse...

Prezado Acadêmico, Francisco Braga,

Agradeço, sensibilizado, o convite para sua posse na Academia Divinopolitana de Letras como Acadêmico Efetivo, o que, com certeza, irá enriquecer ainda mais os quadros dessa Arcádia. Rogo a Deus que lhe dê toda sorte de graças na nova etapa de sua vida cultural. E que muitos outros desafios se lhe apresentem. Na data de sua posse, tenho agendamento inadiável decorrente de minha atividade profissional na cidade de Barbacena, pelo que apresento minhas escusas por não poder comparecer. Estarei, no entanto, torcendo para seu sucesso.

Obrigado.

Abraço fraterno.

Hélio Petrus (escultor marianense, ex-prefeito de Mariana e poeta) disse...

Caro Amigo Braga,

Gostaria muitíssimo de estar presente à solenidade de sua posse na Academia Divinopolitana de Letras, cujo Patrono saberá muito bem honrar, com sua conhecida e vasta erudição, o tão famoso Pe. Antônio Vieira. Nesta data, a da sua posse, estaremos recebendo o filho Rodrigo e sua família, vindos de Pirassununga para passar o Natal conosco.
Agradeço a gentileza do convite e gostaria de receber o seu discurso de posse.
Abraço do amigo e admirador.
Hélio.

Tarcízio Dinoá Medeiros (presidente da Academia de Letras de Brasília e escritor) disse...

Prezado Braga,
inicialmente pensei em ir a Divinópolis, para sua posse. Mas aconteceu um fato que me impossibilita a ida. Explico-lhe.
Estava programado o nosso encerramento do ano acadêmico para o dia 3 deste mês. Mas no dia 2, inesperadamente, morreu (AVC) o acadêmico Lindberg Cury, a familia marcou seu enterro para o dia seguinte. Cancelamos, então, o encerramento do ano acadêmico, e o remarcamos exatamente para o dia 14, quarta-feira próxima. Você há de entender a impossibilidade de eu estar presente à sua cerimônia.
De qualquer modo, parabenizo-o efusivamente, e também parabenizo a Academia Divinopolitana de Letras por motivo do seu ingresso nela.
Um forte abraço.
Tarcízio

Márcio Vicente da Silveira Santos (escritor, historiador, conferencista e secretário da Cultura de Sete Lagoas) disse...

Prezado Prof. Braga:


Gratíssimo pelo convite para sua posse.

Deverei, com o máximo prazer, estar presente.

Como estamos "arrumando as gavetas" para

passar o Governo Municipal aos nossos

sucessores, pode haver convocação

do prefeito para alguma reunião extraordinária,

como já vem acontecendo.

Por esse motivo, confirmarei minha presença

na semana do evento.

Um grande abraço do admirador de sempre,


Márcio Vicente

Geraldo Ananias Pinheiro (escritor) disse...

Parabéns, meu caro Braga. A Academia Divinopolitana de Letras, com a sua posse, certamente brilhará com maior intensidade.
Li atentamente seu belo discurso. Impecável.
Um forte abraço e sucesso.

Prof. José Lourenço Parreira (capitão do Exército, professor de música, violinista, maestro e escritor) disse...

Caríssimo e iluminado amigo FRANCISCO BRAGA,
Com que emoção li sua aula de história, a título de discorrer sobre o Padre Vieira!

Pelo poder da imaginação, vi-o, pleno de júbilo e êxtase, falando não só à ilustre Academia, mas a milhares de divinopolitanos, pela televisão. Noite de glória, mais uma, a inserir-se na sua excelsa e singular biografia que honra nossa querida São João del-Rei.

Recebi o Convite, tocante ao ler suas palavras de que minha ausência ofuscaria, diante de seus olhos sábios e generosos, a magnitude da cerimônia. Respeitosamente, você sabe, discordo de tão séria afirmação.

Honrado, mais e mais, com sua brilhante trajetória de profícuo intelectual, meu conterrâneo, abraço o amigo dos tempos áureos da adolescência, em São João del-Rei, elevados pela música: você ao piano e eu, ao violino!

Tenha certeza, também, que jamais olvidarei que foi você quem me propôs para ser membro da ACADEMIA LAVRENSE DE LETRAS, proposição aceita pelo ilustre Presidente da referida Academia.

Diminuto que sou na erudição, fiquei atônito com tão elevada honraria!

Tive vários contatos com o Presidente da Academia que tornou-se meu leitor das crônicas diárias que escrevo como que prefaciando o Evangelho Quotidiano.

Agradeço a Deus pelo presente que me concedeu, neste mundo, e que tanto me edifica: sua amizade há mais de 50 anos!

Sim, um tesouro do Céu!

SURSUM CORDA!

J Lourenço Parreira

Márcio Vicente da Silveira Santos (escritor, historiador, pesquisador do Alferes Tiradentes em Sete Lagoas, conferencista e secretário da Cultura de Sete Lagoas) disse...

Prezado amigo professor Braga:


Lamentavelmente, não me foi possível estar presente à solenidade de sua posse na Academia Divinopolitana de Letras. Mas tive a oportunidade de ler e reler seu belíssimo discurso de elogio ao antecessor e apologia ao patrono Padre Vieira.

Uma peça literária que nos instrui, e(n)leva e comove: mostra o missionário por inteiro, no fulgor de sua inteligência e no seu compromisso de fé; revela nuanças do pregador e literato nunca antes percebidas (certamente pela superficialidade de nossas anteriores e pobres leituras...) e, ao final, deixa eclodir sua certamente acendrada admiração pelo patrono. Discurso digno de um acadêmico como o prezado amigo: ciente de seu ofício, diligente na pesquisa, correto na análise e claríssimo na exposição de suas ideias... Enfim, uma peça à altura de sua inteligência, que justifica os títulos de cultura recebidos pelo ilustre amigo das mais diversas entidades a que pertence.

Um abraço do admirador de sempre,

Márcio Vicente Silveira

Sete Lagoas

Hélio Petrus (escultor marianense, ex-prefeito de Mariana e poeta) disse...

Ilustre amigo acadêmico
Francisco Braga,

Parabéns pela grande peça de oratória com que encantou os ouvintes durante sua posse na Academia Divinopolitana de Letras! Com certeza, seu patrono, lá do alto, assistiu lisonjeado ao brilhante panegírico como uma glória acidental à permanente glória que goza lá no céu.
Abs do
Hélio Petrus.

Dr. Lúcio Flávio Baioneta (escritor, autor do livro "De banqueiro a carvoeiro", conferencista e proprietário da Análise Comercial Ltda) disse...

Prezado amigo FJSBraga,
Fui pessoalmente assistir a sua posse como Imortal da AD de Letras.
Uma noite memorável pelo brilhantismo das apresentações, e a sua sobre o Padre Antonio Vieira foi apoteótica.
Receba mais uma vez os nossos abraços.
Vilma e Lucio Flavio

Antônio de Oliveira (cronista) disse...

Caro primo Francisco,

Excelente apologia, fruto de minuciosa e inteligente pesquisa. Que bom termos o nosso interior do Estado enriquecido com trabalhos assim. Um bom fim de semana. Abraços.

Paulo Roberto Souza Lima disse...

Parabéns Francisco Braga, por mais este merecido reconhecimento ao seu valor intelectual e profissional. Ler sua exposição nos permite perceber o brilho da sua capacidade pessoal de pesquisador, um exemplo a ser seguido pelos demais confrades nos vários sodalícios que vc abrilhanta com sua presença. Abraços a Ruth.

Elizabeth Braga disse...

Querido Franz,
parabéns pela Posse na Academia de Letras de Divinópolis que terá muito a receber com sua ilustre e dedicada presença!
Adorei a apologia ao maravilhoso Padre Antônio Vieira! Lembro-me muito bem de trechos de seus sermões que estudei nas aulas de Literatura na Escola Estadual Cônego Osvaldo Lustosa no início da década de 80 com a saudosa Professora Alcimara Zanetti. Foi muito bom conhecer detalhes da vida de tão ilustre literato e entrar em contato com sua importância e também com seus inúmeros sofrimentos, os quais eu desconhecia.
Apreciei muito os trechos que mencionou do Sermão de Santo Antônio aos Peixes, da Alegoria da Árvore (Sermão da Sexagésima), os poemas de Fernando Pessoa e Miguel Torga e, por último, do Sermão do Bom Ladrão. É de apreciar a argúcia de seus escritos. Imaginamos como seria ouvi-lo!...
Também imagino como teria sido bom ouvir seu discurso no dia 14/12! Meus sinceros parabéns!
Abraços,
Petete

Tarcízio Dinoá Medeiros (genealogista, presidente da Academia de Letras de Brasília e escritor) disse...

Caro amigo Braga,
li todo o texto do seu belo e completo discurso. Parabéns à Academia Divinopolitana de Letras por o haver recebido como membro.
Você deu uma aula ótima e completa sobre Vieira. Pode ficar orgulhoso, sem qualquer prurido de consciência.
Deus o abençoe.

Tarcízio

Benjamin Batista (presidente da Academia de Cultura da Bahia, showman e barítono de sucesso) disse...

Parabéns 🎊, amigo. Tem sido um mês bem cheio para mim, face às comemorações do fim de ano. Breve 🔜 iremos à sua bela cidade. Um abraço.

Elizabeth dos Santos Braga (escritora, pós-doutorada pela Oxford University e professora da USP) disse...

Querido mano Francisco,
já viu meu comentário no seu blog?
Gostei muito do seu discurso! Eu gostava demais do Padre Antônio Vieira, nas aulas de literatura da Alcimara. Acho que deveria mandar para ela o seu discurso. Ela vai gostar.
Qual não foi minha surpresa ao ver um amigo meu citado nas suas referências: o Prof. Luís Filipe Silvério Lima. Nós participamos de um grupo de estudos juntos. Ele é professor de História na UNIFESP. Já encaminhei seu discurso para ele. Vou encaminhar tb a uma professora de História da Educação da FEUSP, Carlota Boto, que acho que vai gostar muito, e também a uma da UNICAMP, Edwiges Morato (da Linguística) que gosta muito do Pe. Vieira.
Parabéns e sucesso!
Elizabeth

Sônia Vieira (pianista e membro da Academia Brasileira de Música) disse...

Prezado amigo Braga,

Muito sucesso (como sempre!), nos seus próximos compromissos, extensivos à sua esposa Rute Pardini.
Que belíssimo será o recital com canções de Carlos Gomes, Mozart e Richard Strauss. Adoro esses 3 compositores.
Meus parabéns também pela sua posse como Acadêmico, na Academia Divinopolitana de Letras. É mais do que merecida!
Abraços carinhosos da amiga
Sonia Maria Vieira

Diamantino Bártolo (professor universitário Venade-Caminha-Portugal, gerente de blog que leva o seu nome http://diamantinobartolo.blogspot.com.br/) disse...

Bom Dia

Prezado Francisco e esposa,

Estou encantado com tanta arte. Parabéns meus amigos. Que Deus continue a
iluminar vossa inteligência, sabedoria e arte.

Abraço.

Diamantino

Diamantino Bártolo (professor universitário Venade-Caminha-Portugal, gerente de blog que leva o seu nome http://diamantinobartolo.blogspot.com.br/) disse...

Boa tarde, Francisco.
Fantástico, sem dúvida e por isso o parabenizamos.
Bem gostaria de ser acadêmico da Academia Divinopolitana, mas ainda não consegui, embora no ano passado tenha ganho um segundo prêmio num concurso pela Academia.
Feliz Natal e Bom Ano Novo!
Diamantino

Maria da Graça Menezes Mourão (membro do IHG de Minas Gerais) disse...

Caro Sr. Francisco Braga, páginas de grande estilo literário e de importante informação para nós historiadores. Muito agradeço por tê-las repassado-me e novamente parabenizo-o pela brilhante posse.
Att. Maria da Graça Mourão